segunda-feira, 28 de abril de 2014

"FINDOU-SE A VELHA RIBEIRA..."

Foto/Arquivo

"Jornal de WM
Tribuna do Norte, 29/04/05


Bastou sair o mote para pipocar as primeiras glosas. Contei ontem aqui a história do doutor Paulo Balá, que, descendo à velha Ribeira depois de demorado recesso e encontrando o bairro bastante deteriorado, sapecou num envelope que abrigava uma de suas cartas do sertão do Acari, a sentença que achei sendo um mote modelar: “Findou-se a velha Ribeira.../ Nem quenga se encontra mais!”. Manhã cedo, abrindo o computador, cá estavam as primeiras glosas. Uma delas, do Laélio Ferreira de Melo, que faz parte da turma do Beco da Lama, e sabe das coisas. Confira:



Findou-se a velha Ribeira...
Nem quenga se encontra mais!



"Já foi madame festeira,
na Quinze, na Quarentena...
De tanto tomar verbena,
findou-se a velha Ribeira!
Já foi linda, a canguleira,
foi mulher-dama no cais...
Envelheceu e jamais
ao violão ouviu juras
- nas suas ruas escuras
nem quenga se encontra mais!"



E lá de longe, das ribeiras de Riacho de Santana, na “tromba do elefante”, aceiros da Serra de Luís Gomes,o professor Jotacê, poeta cordelista e geógrafo, poetou:


“Um bairro que tem história
Hoje se encontra esquecido
É celeiro de bandido
Dia e noite tanto faz
Na vizinhança do cais
Só perigo e bebedeira
Findou-se a velha Ribeira...
nem quenga se encontra mais”.



Aí Aurino de Marpas, poeta de alta estirpe, entra por outra vereda, e antes que o relógio da Igreja do Bom Jesus das Dores, parede e meia com a sua sala, bata as 6 badaladas do findar da tarde, enfileirou estes versos:


Balá, você deu bobeira,
Ao dar, a Woden, o recado,
- para mim, equivocado -
“Findou-se a velha Ribeira”.
Pois, aqui, num tem a feira?
E um dos grandes jornais?
Retrocesso, aqui, jamais!
Porque acho até vantagem,
Se, do Potengi, à margem,
“Nem quenga se encontra mais...”






PELEJANDO NA GLOSA...


Xilogravura-Museu UFCE
ANTONIEL CAMPOS
VERSUS
LAÉLIO FERREIRA
( I )
Laélio eu vou lhe ensinar.
na volta de Antoniel
Laélio, chegue mais cá,
puxe a cadeira e se sente.
Fazer glosa inteligente,
Laélio eu vou lhe ensinar.
Sou o tampa do lugar,
na Terra, inferno e no céu,
e o filho de Otoniel,
parece não herdou nada,
vai ter que ler tabuada
na volta de Antoniel
(AC)
( II )
A sua tampa, Engenheiro,
eu destampo num minuto!
Não invada o meu terreiro
pois aqui galo sou eu !
- Veja só onde meteu
a sua tampa, Engenheiro !
Fique longe, no aceiro
dos sonetos – seu produto...
Nas glosas cobro tributo,
tiro-lhe a régua e o compasso,
esculhambo, e o seu parnasso
eu destampo num minuto !
LF
( III )
Quer na glosa ou no soneto,
Aqui quem manda sou eu!
Botar-lhe-ia num gueto,
se nos "quatorze" o enfrentasse.
Não há ninguém que me passe
quer na glosa ou no soneto.
e o seu tributo, eu prometo,
será ver meu apogeu
lhe ensinando em meu liceu
a rima que não lhe chega.
Você manda em suas "nêga",
aqui quem manda sou eu!
AC
(IV)
“Quer na glosa ou no soneto
aqui quem manda sou eu”
Sou chama de carbureto,
você pra mim é um fracote
- aceito até o seu mote:
“quer na glosa ou no soneto” !
De Satanás peço o espeto,
vou invocar Asmodeu:
na encruzilhada o seu
boneco todo furado
vou despachar com agrado
- aqui quem manda sou eu !
LF
( V )
Eu canto ao Beco da Lama
O meu mais sublime verso
A quem fracote me chama,
já sabe que eu canto mais.
Você canta a Satanás,
Eu canto ao Beco da Lama.
Minha glosa é pra quem ama,
mas também sei ser perverso:
tem pé-quebrado, disperso,
no seu verso sete, acima,
e assina embaixo e em cima
O meu mais sublime verso !
AC
( VI )
“Quer na glosa ou no soneto
aqui quem manda sou eu”
A ripa, já, já, lhe meto
se demorar na resposta
- sua equipe é muito bosta
quer na glosa ou no soneto...!
Não procure calafeto
de aspones do Silogeu,
não verseje em priapeu
pois minha glosa é formosa,
deixe de goga e de prosa
- aqui quem manda sou eu !
LF
(VII)
Eu canto ao Beco da Lama
O meu mais sublime verso
O meu peito chora e clama,
quero cantar a “Praieira” !
Com saudade, a vida inteira,
eu canto ao Beco da Lama !
É amplo o seu cosmorama,
palco de vida diverso,
é variado, disperso...-
Mas é onde eu quero, um dia,
fazer com muita harmonia
o meu mais sublime verso !
LF
(VIII)
“Satanás” rima com “mais”,
“disfarce” rima com “face” ?
Antoniel, mo digas: vais
dar um jeito às tuas rimas?
Não mo venhas com pinimas
- “Satanás” rima com “mais”?
E não cometas, jamais,
afirmação tão fugace,
me jogando à anteface
pé-quebrado inexistente !
- Diga agora, meu decente:
“disfarce” rima com “face” ?
LF
( IX )
Minha rima é no fonema,
já nasci metrificado.
Não vejo nenhum problema:
assonância? consonância?
eu rimo é com elegância:
minha rima é no fonema!
você quer mudar de tema,
mas eu volto ao pé-quebrado
— sou assim mesmo, abusado:
seu primeiro verso é falho!
pedindo, quebro seu galho:
já nasci metrificado !
AC(
X)
No bom ardor da refrega
cometi um pé-quebrado!
Nosso embate não foi brega,
não parti pro fescenino,
você deu sorte, menino,
no bom ardor da refrega !
Não virei de bordo à cega
do Sesiom aloprado,
não lhe chamei de cagado,
sequer falei de Clotilde
- mas confesso, muito humilde,
cometi um pé-quebrado !
LF
Natal, abril/maio/2005

OPOSIÇÃO DE IPANGUAÇU REALIZA CONVENÇÃO AMANHÃ PARA INDICAR CANDIDATO PARA ELEIÇÃO SUPLEMENTAR


marluce 01gordo 01
Respeitando o calendário do TRE, que marcou eleição suplementar em Ipanguaçu para o dia primeiro de junho, a oposição ao prefeito cassado Leonardo Oliveira, fará amanhã a sua convenção, indicando os nomes que disputarão o pleito suplementar.
Os prováveis nomes indicados pelo líder maior da oposição José de Deus são: o próprio, o da sua esposa Rizomar Barbosa, que no caso poderão ter os seus nomes não referendados pela justiça eleitoral.
O nome em evidência de Marluce de Cocó, vereadora atuante no município poderá ser a salvaguarda da oposição em Ipanguaçu.
A chapa indicada por Zé de Deus para o enfrentamento do que há de mais inconveniente para o município, poderá ser formada por Marluce e Jaíres (Gordo).
São apenas especulações. Amanhã saberemos…
José Regis de Souza
REGIStrando

IPANGUAÇU ANTIGO


Casa de propriedade de um membro da família Caldas, fundadores daquele importante município norte-riograndense, antes denominado Sacramento. Foto do arquivo de Lúcia Caldas.
Artista encanta povoado de Feira de Santana decorando casas com paisagens

Fotografias em tamanho real instaladas por artista em fachadas de casas no povoado de Morrinhos mudam a paisagem e a autoestima da população. Confusão virou rotina entre moradoresThais 

Borges (thais.borges@redebahia.com.br)

http://www.correio24horas.com.br/

Ao sair de casa pela manhã, a lavradora Maria Luísa Lopes, 84 anos, deu uma olhada na fachada de casa. Há um mês, a visão era familiar: paredes brancas e janelas verdes. No fim da tarde, quando voltou, o susto. No lugar da casa estava uma estrada de terra, rodeada por grama e por uma cerca de arame farpado. 

Estava na rua errada? Não. Todos os vizinhos pareciam estar no mesmo lugar - a Rua das Flores, no povoado de Morrinhos, a cerca de 40 quilômetros  de Feira de Santana. Avistou o telhado e viu que o imóvel não tinha desaparecido. Mas... Cadê a porta? 
Dona Doralice, 88 anos, tomou um susto: ‘Pensei que a minha casa tinha sumido’, conta como foi ver o lugar onde mora após o trabalho da artista visual Maristela Ribeiro
(Foto: Amana Dultra)
É verdade que a estrada, a grama e a cerca são comuns em Morrinhos.  Só que, nesse caso, não passava da fachada da casa onde mora desde que nasceu, com uma pitada de ilusão de ótica.
Quem olha rápido – e até quem olha atentamente – pode não perceber que ali existe uma fotografia adesiva, impressa em tamanho real e colada no que antes era a parede branca. A intervenção faz parte de um trabalho da artista visual Maristela Ribeiro, professora do Instituto Federal da Bahia (Ifba). Há um ano, ela  começou um projeto que pretendia mostrar a realidade de Morrinhos aos seus próprios moradores e ao mundo. 
Não, dona Maria Luísa não está numa estrada de chão. Está na frente de sua casa em Morrinhos, Feira. Mais especificamente, na frente da porta - que até ela tem dificuldade de ver
(Foto: Amana Dultra)
Após oferecer oficinas de arte e fotografia à população, Maristela partiu para a última fase do projeto, que começou em dezembro e se estendeu até março. “Não encontrei nenhuma imagem da comunidade, que existe desde 1940. Imaginei trazer a paisagem regional e usar as casas como telhado”, afirma Maristela, que usa o projeto na pesquisa no doutorado em Artes na Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Metáfora
Apesar de chamar atenção dos quase 400 moradores e também dos forasteiros, a casa de dona Luísa não é a única: as paisagens de Morrinhos foram transportadas  para outras nove das cerca de 90 residências do local.
“Meu objetivo era que as casas desaparecessem.  Para mim, era uma metáfora sobre o esquecimento do local, sobre como essas pessoas são deixadas de lado e se tornam invisíveis”. Lá, a maioria dos moradores vive em casas de taipa, sem saneamento básico. A principal fonte de renda, além da agricultura familiar, é o Bolsa Família, segundo a pesquisadora.
Morrinhos: cerca de 90 casas, 400 moradores e muito esquecimento
(Foto: Amana Dultra)
José Boaventura, o seu Nonô, é só sorriso após a mudança nas casas: ‘Todo mundo amou’
(Foto: Amana Dultra)
Pois, o objetivo foi alcançado. A casa de Luísa, assim como as outras, sumiu. “Eu demorei para achar a porta, na primeira vez”, lembra. Por sorte, viu o poste que fica quase ao lado da casa. “Agora, olho o poste! A porta fica perto dele”. Até os vizinhos estranhavam. “Perguntavam: cadê a casa de Luísa? Agora, todo mundo está encantado”, orgulha-se.
Confusão
A reação de dona Doralice Lopes, de 88 anos, foi parecida. Seis dias atrás, ela não fazia ideia de que sua casa tinha se transformado em uma cerca que separa a estrada de terra de um rebanho de cabras.
Nos últimos quatro meses, o filho, o lavrador José Boaventura, 68, esteve sozinho na casa de três quartos – ela descansava na casa de outra filha, em Salvador, depois de uma cirurgia “nas vistas”. Quando chegou, não reconheceu a residência onde sempre morou.
“Perguntei: cadê minha casa, gente? Achei que tinha sumido! Quando saí, minha casa era branca. Voltei e estava verde!”, comenta, deslumbrada. Ela nunca tinha visto uma foto em tamanho real. Agora, sentada em um banco de madeira sem recosto, dona Doralice também vê a Rua das Rosas, embora a tal rua não fique ali. O que ela vê, na verdade, é  a fachada de outra casa que reproduz a via do povoado.
Artista Maristela Ribeiro (calça), em frente à casa de dona Doralice (laranja): metáfora(Foto: Amana Dultra)
“Eu nasci, me criei e perdi os dentes em Morrinhos, mas nunca tinha visto uma coisa tão bonita!”.  Acostumado a ouvir promessas de políticos que não se concretizam, o filho dela, seu Nonô, achou que o mesmo fosse acontecer com a nova casa. “A gente pensava que não ia sair nada. Quando ela (Maristela) chegou e jogou o papel, foi que a gente viu. Todo mundo amou”.
Atração
Das dez casas, seis ficam na praça central da comunidade - que também concentra a maior parte da vida do povoado. Quase de frente para a igreja, a cachorra Pintada corre em direção às garças que sobrevoam os mandacarus. Contudo, só a cadela está realmente ali. Garças e mandacarus estão representados na casa da lavradora Joana Lopes, 52.
“O povo vem filmar, gravar, tirar foto. Eu fico até preocupada, do jeito que as coisas estão hoje, né?”, dizia, enquanto um grupo de crianças parava em frente à casa para admirar a paisagem. “Ver a casa assim é bom demais. Pena que a gente ainda não tem condições para reformar dentro, né?”, lamentou, mostrando a parede lateral do imóvel, construída com adubo de barro.  
Hoje, Maristela é reconhecida por onde passa, em Morrinhos. Não é política, nem popstar. Mas, lá, é quase uma celebridade. “No início, eles tinham desconfiança, mas são muito hospitaleiros. Perceberam que seria uma troca, porque eles têm uma estética própria”. E se depender dos moradores, essa estética vai ficar exposta por muito tempo, como garantiu dona Doralice: “Não deixo tirar. Só o tempo pode levar embora”, avisa.
População reclama que abastecimento  de água foi interrompido há 15 dias
Castigados pela seca, os moradores de Morrinhos têm se virado sem água há 15 dias. Para completar, a maioria das casas também não tem saneamento básico. “A gente vai buscar água num tanque duas, três vezes por dia”, conta o lavrador André Batista, 76 anos.
Sem água há 15 dias, moradores de Morrinhos são obrigados a carregar baldes e galões(Foto: Amana Dultra)
O tanque fica a cerca de dois quilômetros do povoado, no terreno que faz parte de uma fazenda da região. Todos os dias, eles caminham até lá com carros de mão e baldes na cabeça. “O tanque é fundo, quase do tamanho do poste, quando está cheio. Mas quem alimenta é a chuva e não está chegando nem nas pernas”, diz, apesar de não saber dizer há quanto tempo não chove.
A água que resta se mistura com a lama do fundo do poço. “Como se não bastasse, a gente disputa com animais que bebem a água. É cavalo, cachorro, porco...”, afirma o lavrador Ivonaldo Barbosa, 30.
Procurada pelo CORREIO, a assessoria da prefeitura de Feira de Santana não deu um posicionamento oficial até o fechamento desta edição, às 20h. Já a assessoria da Embasa, responsável pelo fornecimento de água, não confirmou a informação, devido à paralisação administrativa de 24 horas do órgão, ontem.
Povoado tem cerca de 400 moradores em 90 casas
Localizado no distrito de Jaguara, em Feira de Santana, o povoado de Morrinhos tem quase 400 habitantes, que vivem em cerca de 90 casas. Para chegar até lá, é preciso seguir pela BR-116 e pela Estrada do Feijão.
Apesar de os primeiros moradores terem chegado em 1890, o número de casas só aumentou em 1975, segundo o lavrador André Batista, 76 anos, popularmente chamado de “memória viva” da comunidade. “Só tinha seis casas. Depois, as famílias começaram a chegar e abrir as ruas”

PARELHAS DE ANTIGAMENTE


Fotografia antiga de Parelhas/RN. Foto de José Ariston Neto.

Assu se destaca como a cidade-sede do melhor São João do RN no ano da Copa


O evento feito para comemorar o padroeiro do município São João Batista e as festas juninas compreenderá entre os dias 13 e 24 de junho, festival de sanfonas, comidas típicas, artesanato, quadrilhas juninas e grandes shows musicais que neste ano serão comandados – segundo informação da secretaria municipal de Juventude, Esportes, eventos e Turismo, dirigida por Dailson Machado , por Aviões do Forró, Dorgival Dantas, Amazan, Forró da Pegação, Giullian Monte e Deixe de Brincadeira, Forró dos 3, Giannini Alencar, Zé Sanfoneiro, André Luvi, Forró Resenha, Pode Balançar, Kristal, Lucas Santos, Guilherme Dantas, Farra de Palyboy, Pegada de Luxo e muito forró e arrasta-pé.

A cidade neste período se reveste completamente de alegria e muita devoção. As principais ruas e avenidas, repartições públicas e empreendimentos comerciais são decorados transformando o Assu em um imenso e colorido arrraial. Em 2014, ano da Copa, a decoração será especial tendo como temática “Assu, Cidade-Sede do melhor São João”.

A estrutura em que se apresentam as atrações nacional, regional e local será montada na Praça São João Batista, no espaço do anfiteatro Arcelino Costa Leitão – emoldurado pelo quadro da matriz e o Assu Antigo, com seus casarões seculares e a Arena do Forró – estrutura do tipo circo – espaço que servirá para transmissão dos jogos da Copa e atividades culturais que compreende o projeto do São do João do Assu 2014.

O evento é de forte potencial econômico, aquecendo a economia da cidade em vários setores: comércio, hotelaria, gastronomia e trabalhadores informais, que tem uma renda extra no período.

E para a festa ficar do jeito que todo mundo gosta, a prefeitura do Assu disponibilizará a população e visitantes acesso a todos os shows e apresentações culturais do São João do Assu com segurança e comodidade.

Por Alderi Dantas, 28/04/2014 às 08:56

http://www.alderidantas.com.br/

ASSU ANTIGO

Foto
Assu, importante município do Rio Grande do Norte. Há 100 anos atrás já tonha ares de cidade grande.

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO