Açu, ó terra querida,
Que deu vida à minha vida,
Paz, amor, inspiração;
Por ti, cidade dileta,
Fui um boêmio-poeta...
Que rendosa profissão.
Renato Caldas
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
domingo, 29 de novembro de 2009
"QUE QUENTURA! QUE MORMAÇO!
Que quentura! Que mormaço!
Grita o povo apavorado:
Vai morrer tudo torrado
Se Deus não meter o braço,
O homem vira bagaço,
Se procurar carne crua...
Porém no meio da rua,
Para provar que não é frouxa
Ou para pegar um trouxa
Vai a mulher andar nua.
Renato Caldas
Grita o povo apavorado:
Vai morrer tudo torrado
Se Deus não meter o braço,
O homem vira bagaço,
Se procurar carne crua...
Porém no meio da rua,
Para provar que não é frouxa
Ou para pegar um trouxa
Vai a mulher andar nua.
Renato Caldas
COSTA LEITÃO NO CRISTO REDENTOR
Para registrar: Arcelino Costa Leitão (que foi um inovador prefeito do Assu - 1953-1958) visitando o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Costa morreu na década de setenta. Um paraibano de São Sebastião do Umbuzeiro, alto sertão paraibano que além de ter sido prefeito de um importante municício como o Assu, chegou até a ser presidente do importante clube futebolístico denominado Fortaleza Futebol Clube. A sua fotogrtafia está na galeria do ex presidentes daquela agremiação cearense. A fotografiia acima ter sido tirada na década de sessenta quando ele era aindado jovem e poderoso quando dirigia a firma algoddoeira de João Câmara na cidade de Assu.
fernando.caldas@bol.,com.br
sábado, 28 de novembro de 2009
POESIA - DIVA CUNHA
A natalense Diva Cunha além de poeta é também professora de literatura portuguesa. Tem vários livros publicados de sua autoria e de autores potiguares como a antologia sob o títitulo Literatira do Rio Grande do Norte, 2002. No livro intitulado Armadilha de vidro (recentemente publicou Resina) vamos encontrar estes versos conforme ela escreveu numa feliz inspiração:
Um verso me sacode por inteiro
sua agulha me ferroa
latejo na letra escura
grossa como sangue.
fernando.caldas@bol.com.br
sexta-feira, 27 de novembro de 2009
CEARÁ MIRIM VISTA POR RENATO CALDAS
Capa do livro de Gibson Machado Alves - (fotografia extraída do Orkute de Jadson Queiroz).
Ceará Mirim verdejante,
Disse alguém: maré montante
Dos verdes canaviais,
Sinto daquela cidade
Uma amorgosa saudade,
Que até é doce demais.
Renato Caldas
fernando.caldas@bol.com.br
Ceará Mirim verdejante,
Disse alguém: maré montante
Dos verdes canaviais,
Sinto daquela cidade
Uma amorgosa saudade,
Que até é doce demais.
Renato Caldas
fernando.caldas@bol.com.br
quinta-feira, 26 de novembro de 2009
MARCHINHA DA CAMPANHA DE DIX-SEPT ROSADO
A marchinha transcrita abaixo, intitulada Dix-sept Rosado Maia esperança do povo potiguar, empolgou o eleitor norte-riograndense que fez nas eleições de 1950, o jovem carismático e dinâmico Dix-sept Rosado governador do seu Estado. Aquela marchinha é de autoria do jornalista e compositor de frevos pernambucanos, chamado Antônio Maria também autor da famosa canção Ninguém é de ninguém: Vejamos para o nosso deleite:
Dix-sept Rosado Maia
Esperança do povo potiguar
Dix-sept será eleito
Pela força do voto popular
O Rio Grande do Norte
Agora tem o seu valor
Dix-sept Rosado Maia
Pelo voto será governandor.
Em tempo: Eu tinha vários jingles de sua campanha que eu encontrei na casa onde morou meu avô materno Fernando Tavares - Vem-Vem que sucumbiu com Dix-sept (com quem tinha o prazer de gozar da sua amizade) no desastre aviatório do rio do Sal, em Aracaju, numa manhã de 12 de julho de 1951. O jingle era de rotação 78 e se encontrava há dez anos atrás em perfeito estado de conservação. Pena que se perderam numa mudança. Se não foi a primeira, pelo menos, foi uma das primeiras campanhas políticas realizadas com jingle, no Rio Grande do Norte.
Fernando Caldas
DOIS POETAS DE NOME CALDAS
Por Geise Kelly Teixeira da Silva
Com sua paisagem marcada pelo semi-árido nordestino, com suas várzeas e carnaubais, a cidade do Assu é privilegiada de integrar em sua cultura grandes nomes da literatura potiguar, destacando-se entre eles os poetas João Lins Caldas (1888-1967) e Renato Caldas (1902-1991), notórios por possuírem uma grande bagagem poética que se destaca e se valoriza entre os maiores patamares no âmbito das letras potiguares. Hoje, conhecida remotamente como "Terra dos poetas", Assu preenche de glória por ter em seu patrimônio nomes de poetas como esses, que foram de relevantes contribuição para a nossa cultura regional e que se consagraram esse pequeno pedaço de chão nordestino entre os grandes luminares da nossa literatura norte-rio-grandense.
Apesar de serem da mesma cidade (Assu), um natural e o outro reconhecendo a mesma naturalidade por aqui ter passado a maior parte da sua vida, e possuírem em comum o mesmo sobrenome, mas que não os limitam à laços familiares, Renato Caldas e João Lins Caldas se integram dentre vários fatores e extremos destinos, desde suas origens até o lado excêntrico de cada um. É na diferença de personalidades que vamos encontrar a verdadeira essência desses dois poetas, diferenças que vão se refletir principalmente no estilo poético que cada um possui. Veremos que eles são bastante diferentes, embora possam ter muito em comum.
A ideia de um homem angustiado, recluso e solitário tem na figura de João Lins Caldas sua personificação. Nascido na cidade de Goianinha, mas açuense em sua integridade telúrica, esse poeta da "solidão e da dor", como assim o definem pela expressividade de seus poemas, transmitia em seus versos toda a solidão do universo que sentia, como se extravasasse da alma toda a amargura do mundo. Se amava a poesia, cultivava também a terra que pisava como um todo componente do seu ser. Integrava-se a ela de corpo e alma, transformando a matéria da vida em matéria da poesia, confortantes de sua própria alma. Ao longo de sua breve existência, João Lins Caldas canalizou todas as paixões, ânsias, angustias, ideais e sensações que viu, viveu e sentiu para a sua verve. O mais interessante quando se observa a sua produção poética é a sensibilidade que emana de seus versos, no qual valores intrínsecos e humanos coexistem, conduzidos pela realidade vivenciada por ele. Ler os seus escritos é vivenciar a sua trajetória por meio das sensações que estes produzem. São mensagens sentidamente humanas que nos chegam antes do conhecimento físico do poeta e que estabelecem um diálogo direto com as nuanças da sua quão frágil vida cotidiana. Muito além da mera poetização dos seus sentimentos, seus versos trazem na essência a marca que o meio exterior imprime no interior de um poeta que presenciou e viveu como ninguém a dura vida de um agricultor em sua pequena Frutilândia, que em suas palavras era "o canto do seu silêncio proclamado".
Na trajetória do autor, que preferia transformar a vida em poesia a fazer poesia com a vida, figura numa produção poética ativa. "Perpetrava vinte a trinta sonetos por dia em abas de carteiras de cigarros ou em beiradas de jornais". Apesar da sua vasta produção poética podemos encontrar apenas um recorte de seus poemas, mas a sua autêntica fecundidade não está relacionada ao número de versos publicados, mas à extensão de efeitos que esses foram e ainda são capazes de provocar aos que leem. Toda a sua poesia é um relato de tudo o que viu, viveu e sentiu. Relatos profundos de um mundo que lhe era apresentado como escuro e em desequilíbrio; onde a tristeza e a solidão reinam, onde a vida e a morte encontravam-se perigosamente muito próximas.
Ao contrário de João Lins Caldas, vamos encontrar na figura invulgar de Renato um homem de temperamento expansivo e um grande colecionador de momentos felizes mesmo quando em situações adversas. Assim como era a poesia, a boemia e a cantiga popular também faziam parte de sua vida como todo o componente do seu ser. Coincidindo com a sua irrequieta personalidade, seus poemas refletem a imagem de um poeta boêmio e ousado que sempre esteve acima do cárcere da vida açuense e da opinião alheia. Dessa personalidade indomável, emana uma poesia movida a paixão dos valores nordestinos, onde o poeta faz comoventes evocações de sua terra de origem, em mistura de memória e sentimento telúrico que demonstram o exacerbado amor que tem pelo Assu, sua terra natal. Aos olhos de Tarcísio Gurgel, Renato Caldas tinha uma paisagem, na paixão e até no lado grotesco do seu povo os motivos permanentes de sua poesia, concentrando a sua poética na valorização do regional e representando em uma linguagem "rudimentar" as características de um povo sertanejo.
Não há dúvidas que na personalidade desses poetas, ride um paradoxo que se reflete principalmente no estilo poético de cada um deles: a inegável solidão vivida por João Lins Caldas o tornou um poeta exageradamente melancólico e de uma poesia mórbida, mas exuberante. Em Renato, a boemia e a ousadia refletem em seus versos um homem irreverente cheio de verve e obstinação. Se formos um pouco mais além das diferenças que contrastam a poesia de cada um deles, atentando aos mínimos detalhes, é possível encontrar nelas um ponto em comum que de certa forma os aproximam. Ao mesmo tempo em que lembrava um boêmio cantador em defesa de seus ideais, Renato Caldas escondia também a imagem de um homem sensível e atormentado, dividido entre a ânsia de viver e a morte. Em alguns de seus poemas (os mais desconhecidos), podemos perceber uma acentuada presença de temas fúnebres e premonitórios, características encontradas principalmente nos poemas de João Lins Caldas. Podemos tomar como exemplo esses versos, onde Renato diz que, "... eu tenho n'alma dobres de finados"/ "a matéria cansou; prevejo o fim". Ainda, em um soneto intitulado Único pedido (1980), o mesmo traça todas as ordenações que quer que lhe façam "quando meu espírito largar/ esta carcaça onde viveu tão só", pedindo que "atirem-me, por favor, em alto mar/ faço questão de regressar ao pó", insistindo na percepção de seu fim.
Seguindo esse prisma, a verve de Renato Caldas não deixa de se equiparar a de João Lins Caldas, é claro que devemos considerar que tais temas encontram-se em maior constância nos poemas deste último, por ter sido ele um poeta fortemente marcado pela dor e solidão. No caso de Renato pode-se dizer que, a presença desses temas deve-se a deficiência visual que o cegara quando em vida, mas que se tornam imperceptíveis e até desconhecei dos por nós, pelo fato deste se destacar pelo seu lado humorístico e obstinado em sua linguagem matuta.
Com a publicação de seu livro em 1984, Fulô do mato, Renato realiza um sonho que João Lins Caldas não conseguiu realizar, publicar suas obras e consagrar-se entre os grandes luminares da poesia popular nacional. No entanto, mesmo não realizando suas aspirações, João Lins Caldas não se tornou desconhecido no âmbito das letras potiguares. Teve muito de seus poemas perdidos, poemas estes que poderiam ter alcançados horizontes mais largos, e não chegou a publicar em vida obra alguma, mas, mesmo ante os descaminhos de sua antologia, Celso da Silveira, também poeta, conseguiu, no que lhe foi possível, reunir em um "pequeno" livro intitulado Poética (1975) alguns dos poucos poemas que restaram de João Lins Caldas, não o melhor da sua poesia, mas o bastante para notificar a existência de um grande poeta. Graças a Celso tivemos a oportunidade de conhecer alguns desses poemas, que já estavam quase no anonimato, mas que, hoje são conhecidos e valorizados pelo maravilhoso efeito que causaram seus admiradores inatos.
Ao cruzar a linha entre criatividade e sensibilidade, esses dois poetas acabaram deixando um legado riquíssimo tanto para a poesia açuense quanto para a literatura potiguar. Renato Caldas é hoje um dos ícones mais populares entre os luminares da poesia matuta no Rio Grande do Norte. Sua figura é sempre lembrada, especialmente por sua vida boemia e agitada, dedicada à poesia e a valores de sua origem. Já João Lins Caldas, não é tão conhecido e sua verve ainda não foi devidamente estudada como o poeta merece, mas este foi um homem que esteve muito acima do momento que passa, e conscientemente esperou a sua permanência no tempo, afirmando altivamente e sem medo a seguinte frase: Mas o homem é um clarão. Eu serei um clarão por toda a eternidade. Paradoxo à parte, não podemos negar que ambos escreveram poemas da melhor qualidade e de um esplendor incomparável, que podem não se aproximarem exatamente quanto ao estilo e a temática, mas, certamente em qualidade estes se igualam.
Assinar:
Postagens (Atom)
A BELA E INTERESSANTE “DEUSA DO ASSÚ” Imagem 24/04/2026 TOK DE HISTÓRIA Rostand Medeiros – https://pt.wikipedia.org/wiki/Rostand_Medeiros...




