segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Maria Olímpia Neves de Oliveira carinhosamente conhecida por "Dona Maroquinha", uma mulher acima do seu tempo, foi a primeira mulher eleita vereadora do município e de 1963/1968, a primeira representante do belo sexo a assumir a titularidade de prefeita do Assú/RN.

Amiga de minha mãe dona Engracia, tanto minha genitora visitava a casa dela como ela visitava nosso casebre, eu menino de nove a doze anos, sempre nas minhas travessuras nunca participei daquelas conversações de amigas.

Por motivos pessoais Dona Maroquinha mudou-se de Assú e quando retornou eu praticamente já estava entrando para minha terceira idade, era um dia de missa e todos foram cumprimenta-la ali na calçada da Igreja de São João Batista. E eu fui o último a reverencia-la:

Como vai Dona Maroquinha, muito bem obrigada, meu filho você vai me desculpar, há muito tempo sai do Assú/RN, e não estou reconhecendo a nova geração.

Eu sou Francisco, filho de Dona Engracia e seu Torquato, com tamanha admiração, ela me olhou, riu, chorou, me abraçou e disse aquele neguinho! Kkkkkk.

Perguntou por minha mãe, Madalena minha irmã e afilhada dela, perguntou por Dona Luizinha a mãe de Torrão, dona Liberata e todos os seus contemporâneos

Foi assim que reconheci aquela mulher de olhar firme e o tom de voz suave que me fizera perceber que se tratava de alguém especial de aço e de flores.

CHICO TORQUATO

Do Blog Aluizio Lacerda



sexta-feira, 17 de janeiro de 2025

O poeta assuense João Lins Caldas, penso eu, i um dos poetas brasiles do sécilo XX que mais colaborou na imprensa brasiseila: jornais, revistas, almanaque, não foi o mair, pelo menos um dosEm, O Jornal, do Rio de Janeiro, 15 de janeiro de 1922 calendários farmácias. Em, O Jornal, do Rio de Janeiro, de 15 de janeiro de 1922 vamos encontrar esse soneto de sua autoria, conforme adiante:



quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

 

CUNVERSA FIADA

Meu patrão, essa é a verdade:
O véio num tem vontade...
Nem faz tudo quanto qué!
Os fio é quem manda nele.
Inté nas coisa que é dele,
Quem manda mais é a muié.

- Quando aperta a cruviana
E o frio véio se dana,
A muié toma o lençó;
Adespois, só de marvada
num dá nem uma beirada...
E o véio, qui druma só.

O véio fica gemendo,
grunindo, se mardizendo
Sem uma garra de lençó.
Com uma dô nas canela!
Grunindo qui nem cadela,
Inté o saí do Só.

Se tem baile, o véio vai.
Tem qui i - pruque é pai
E tem qui se apresentá.
Chega lá, fica assentado...
É o papé mais safado
Qui o home pode chegá.

Cada fia, um namorado
Num nogento xixinado!
A dança? Num é dança não.
É aquela esfregadeira,
Num se dança uma rancheira,
Uma varsa, um xóte ou baião.

Num se vê um engravatado.
É um bando de Pé rapado
Qui só sabe arrufiá.
A burundanga é tão feia!
Nem o salão tem candeia
Pru forró alumiá.

- Orilo Danta é quem diz:
"Ah! tempo véio feliz
Dos namorados no bêco...
Aproveitando a rebarba...
E os véio, sujando a barba
Cum a goma do dôce sêco."

Hoje é sujando a vergonha.
In vez de cana é maconha...
Home faz vez de muié!
Usa cabelo cumprido
E pu riba o atrevido
Inda confessa o qui é.

Deus é Pai, num é padrasto!
- Nem sempre a luz de um astro
Clareia a lama do chão...
Morrendo o respeito humano,
Nem mesmo por um engano
Se pode têr sarvação.

A cunversinha tá boa!
Porém, um vento de prôa
Pode nos atrapaiá.
Quem cunversa, muito erra
E a água que imbebe a terra
É a mesma qui vai pro Má.

Tudo quanto hoje recramo:
É fulô, é fruita é ramo!
Nasceu da mesma raiz.
Para falá a verdade:
São coisas da mocidade...
Tudo isso eu também fiz.


Renato Caldas

terça-feira, 14 de janeiro de 2025

 PADRE IBIAPINA E A CASA DE CARIDADE

A Casa de Caridade foi fundada pelo padre José Antônio de Maria Ibiapina , no ano de 1876. Ibiapina era formado pela Faculdade de Direito do Pernambuco, deputado geral pelo Ceará, “decepcionado abandonou a vida civil para seguir o catolicismo. Aos 47 anos iniciou uma obra missionária visitando várias regiões do nordeste”.

Gilberto Freire de Melo depõe que padre Ibiapina "era a maior figura na igreja católica no Brasil.”
A casa de Caridade foi uma das primeiras instituições de caráter filantrópico, de Assu. Aquela Casa, para Câmara Cascudo fazia inveja a Natal porque não tinha uma igual. Era instalada onde hoje funciona o Instituto que leva o seu nome.
Conta-se que aquele missionário foi chamado para pregar no Assu onde fez grande colheita com proveitos maravilhosos, Achando o lugar próprio e conveniente, instituiu uma casa de caridade, que deixou em boa posição e bem dirigida.”
Sinhazinha Wanderley, poetisa e educadora deixou um depoimeto sobre a Casa de Caridade de Assu, que Walter Wanderley trancreve em seu livro sob o título Família Wanderley, 1966), senão vejamos: "No local do instituto existiu uma casa já muito antiga e que foi mandada edificar pelo padre Ibiapina. Contava-se deste padre que estivera a morrer num naufrágio e ao passar por Macau fizera votos de fundar uma casa de Caridade no primeiro ligar a que chegasse. E foi o Assu justamente esse lugar. Dita Casa de Caridade tinha como superiora Irmã Tereza e as irmãs Leonarda, Dionízia, Felipa, etc. A Casa recebia mocinhas pobres, órfãs, que ali ficavam até a idade do casamento. Ao atingirem a essa idade, o Procurador da Casa escolhia um rapaz honesto, bom cristão e trabalhador. Eram os dois levados à sala nas presenças do Procurador e da superiora e, se os dois se agradavam, o casamento era feito às expensas da Casa... A Casa recebia doentes, cadáveres, que amortalhavam, deixando-os à noite na Capela, velados por duas recolhidas que o faziam com muito medo. A Casa dava ensinamentos de flores, labirintos e bordados..."
Gilberto Freire de Melo depõe que padre Ibiapina "era a maior figura na igreja católica no Brasil.”

Ibiapina morreu no dia 19 de fevereiro de 1884 na cidade de Araras, Paraíba, onde está enterrado).

Em tempo: Onde hojé é denominado Beco Dos Sapateiros ou Beco do IPI já tinha a denominação de Beco da Caridade.

Abaixo vejamos uma rara fotografia de Padre Ibiapina, do blog de Rostande Medeiros.
Fernando Caldas




domingo, 12 de janeiro de 2025

RENATO CALDAS X JOÃO MACHADO

João Claudio Machado ou, simplesmente João Machado era jornalista, comentarista esportivo, presidiu a Federação Norte-rio-grandense de desportos. além de ter o seu nome emprestado ao estádio que fora demolido para dá lugar a Arena das Dunas. Machado apresentava um programa esportivo através da Rádio Cabugi de Natal, que ia ao ar de segunda a sexta-feira, às 11 horas da manhã. Isso, na década de sessenta e começo dos anos setenta, se não me falha a memória. Por sinal, Machado era casado com uma assuense chamada Diná Soares Filgueira, Pois bem. Certo dia, aquele apresentador deixou escapar a frase no instante que apresentava a sua resenha esportiva, que diz assim: - "Eu tenho um olho escondido! É cego e também não vê!" - O poeta Renato Caldas (que se encontra em Natal), escutando aquela programação esportiva e, como não perdia as oportunidades para versejar, escreveu naquela sua irreverência que lhe era peculiar, a décima adiante:

João Machado, distraído
Para ilustrar comentários,
Disse, entre assuntos vários,
Eu tenho um olho escondido.
Fez bem não ter exibido,
Machado, sabe por que?
Isto pertence a você,
Tenha cuidado com ele,
Que o bicho que gosta dele
É cego e também não vê.

Fernando Caldas

sábado, 11 de janeiro de 2025

 DE GERALDO MELO

O Assu há muito que é reconhecida como uma cidade festeira. Pois bem, Geraldo Melo quando governador do Rio Grande do Norte tinha um programa dominal na Rádio Cabugi de Natal, intitulado "Conversa com o Povo". Pois bem. Certa Senhora do interior do estado pediu a Geraldo por meio de uma carta, uma ajuda para realizar uma festa dançante na sua cidade. Geraldo respondeu: "Dona Maria, se a Senhora quer festa vá pro Assu que lá tem todo dia!"
Fernando Caldas

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.