quarta-feira, 31 de julho de 2024

ACADEMIA ASSUENSE DE LETRAS VISITA O CONSELHO ESTADUAL DE CULTURA

O Conselho Estadual de Cultura recebeu na tarde de ontem, 30 de julho, por ocasião da sessão ordinária, um grupo de imortais da Academia Assuense de Letras – AAL, que veio trazer as boas nova de Assu no campo da literatura e cultura. A AAL temc omo atual presidente, a jornalista Auricéia Antunes de Lima.


Além da presidente, os confrades Francisco das Chagas Pinheiro, Fernando Caldas, Maria do Perpétuo Socorro Wanderley, Raimundo Inácio da Silva Filho e Francisco Costa, integraram o grupo visitante.

O Conselheiro Presidente Valério Mesquita fez as honras da casa e disse da alegria em receber a AAL, aqui presente. Lembrou os nomes de assuenses que são patronos e outros acadêmicos na Academia Norte-Rio-Grandense de Letras.

A presidente Auricéia Antunes, por sua vez, apresentou os projetos que a AAL vem realizando em Assu, o que faz dessa arcádia uma instituição operante e presente no seio da sociedade.

                           

Um dos projetos mais destacados tem sido o “Academia de Letras nas escolas”, com edição 2023 e 2024.

A Presidente Auricéia Antunes de Lima disse que “esse projeto acontece de forma integrada com o pedagógico das escolas visitadas, nele trabalhamos não apenas a importância não apenas a importância do conhecimento sobre a AAL, mas também a música, teatro e poesia”.

                                               

Todos os acadêmicos puderam se apresentar e os conselheiros e Conselheiras também interagiram com os visitantes, fazendo desse encontro um forte elo da cultura potiguas. O CEC preparou um kit cultural (três revistas do CEC-RN, a mais recente da ANRL e a Revista Histórica do Natal – edição de conhecimentos, a AAL presenteou o CEC com uma tela do artista plástico Gilvan Lopes e livros dos autores acadêmicos.

Francisco Martins

Secretário do CEC-RN

https://franciscomartinsescritor.blogspot.com/




domingo, 28 de julho de 2024

 





Casarios centenários da praça Getúlio Vargas. Assu-RN.


ASSU BICAMPEÃO DE FUTEBOL DE SALÃO

Quando o Assu foi bicampeão de futebol de salão (hoje futsal), em 1966, no Palácio dos Esportes, em Natal. Vejamos a taça (daquele campeonato interiorano) erguida por Nazareno Tavares "Barão". E a festeira cidade de Assu virou carnaval. Lembro-me bem de uma modinha que os assuenses cantavam naquele dia festivo, que diz assim: "Assu bicampeão, do litoral até o sertão (...). Era técnico daquela seleção Edson Queiroz que foi funcionário do Banco do Brasil, agência de Assu. Os jogadores daquela seleção, se não falha a memória. eram Rui, Anchieta, Leleto, Mazinho, Nazareno (Lambioi) e Maninho (que era cearense). Na fotografia podemos conferir ao lado esquerdo de Barão, Ari de Chan (Ari Gomes que foi vereador de Natal) e ao lado esquerdo Zé Boboca,
Fernando Caldas

terça-feira, 16 de julho de 2024

 




Daniel Soares  

Minha casa não tinha geladeira
E nem moveis e nem energia
Mas tinha um pote de água fria
Em uma forquilha de aroeira
Tinha os copos numa copeira
E tinha as roupas de nós andar
E o guarda-roupa de guardar
Era os ganchos de um canbito
O meu passado não foi bonito
Más tenho prazer de recordar.

Se a água tivesse vida

Imagine a minha mágoa

Você no banho despida...

Ai quem me dera ser água!





sábado, 13 de julho de 2024

 O SOMBRA

 
Esse homem infeliz e sacrificado,                     
Os dias de sol que passaram sobre a sua cabeça,
As noites de chuva e tempestade,
As suas horas de esperança,
As suas horas de desespero,
Onde está ele, onde estão dele todas as suas tempestades?
 
O coração que lhe pulsa acelerado
De sangue, veia e veia, do seu corpo,
Seus nervos retorcidos, abalados,
Grisalho o seu cabelo, o olhar na noite,
A noite na sua alma, demorada,
Onde estão ele, a tempestade e a noite?
 
Sonâmbulos os passos, carregados,
Algidas as mãos de trémula brancura,
Tudo nele a sombria claridade..
 
Vejo, com vê-lo, nada ver no mundo.
Vejo, com vê-lo, já não ver mais nada.
 
Esse homem que se abriu um sepulcro no mundo.

(João Lins Caldas)
 

A foto digitalizada, restaurada e com o aspecto original dessa imagem faz parte do acervo do Projeto Memória Potiguar, um repositório digital com mais de 50 mil itens entre fotos, vídeos e documentos das 167 cidades do RN, reunidos ao longo de 25 anos e que estará disponível em breve de forma virtual e gratuita no site www.memoriapotiguar.com.br.




 


quarta-feira, 10 de julho de 2024

Metionina é imensa
Pra tomar depois do porre.
De cachaça ninguém morre,
Cachaça não é doença.
Não há doutor que me convença
Que se morre antes da hora.
Se a ressaca lhe apavora
E a cachaça lhe domina,
Não consulte a medicina,
Tome uma que melhora.

RC



sábado, 6 de julho de 2024

UM DECASSÍLABO SERTANEJO

Sou da terra abençoada
Que a tramela é fechadura
Que o meu doce é rapadura
Que a medição é braçada
Que o meu jantar é coalhada
Que cedinho vou pra feira
Comprar bode de primeira
Sou o som de Gonzagão
Sou matuto do torrão
Sou cultura verdadeira.
Marcos Calaça é poeta potiguar, natural de Pedavelino, e confrade da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel.
Foto g: Tramela na porta de uma antiga casa do sertão.



domingo, 30 de junho de 2024

Salário de R$ 3 bilhões: Vinicius Júnior recebe proposta de última hora para deixar o Real Madrid

História de Leandro Vieira

Momento


Vinicius Júnior, do Real Madrid, recebeu uma proposta para deixar o clube. Considerado por muitos como o melhor jogador do mundo na atualidade, o ponta segue focado na Copa América.

Ontem, o jogador foi o grande destaque da Seleção Brasileira na goleada por 4 a 1 sobre o Paraguai. Vinicius Júnior balançou as redes em duas oportunidades, ambas no primeiro tempo.

Porém, enquanto isso, o nome de Vini segue em alta também no futebol europeu. De acordo com um portal espanhol, o brasileiro recebeu uma oferta tentadora para deixar o Real Madrid.

Real Madrid vê Vinicius Júnior na mira de rival europeu

O Defensa Central revelou que o PSG ofereceu um contrato de seis anos para contar com o futebol do brasileiro. Além disso, o salário no período seria na casa de 500 milhões de euros – cerca de R$ 3 bilhões.

Entretanto, ainda de acordo com a publicação, Vinicius Júnior acabou recusando a investida dos franceses. O jogador entende que não seria positivo abandonar o projeto do Real Madrid neste momento.

Enquanto isso, o jogador segue focado na Seleção Brasileira. O próximo duelo será diante da Colômbia. Caso vença, o time de Dorival assumirá a liderança do grupo D.

Vinicius está com 23 anos de idade e somou 39 jogos pelo time espanhol na última temporada, tendo marcado 24 gols e fornecido outras nove assistências aos companheiros.

quinta-feira, 27 de junho de 2024

A FRUTILÂNDIA DO VALE

Desajeitado e cabreiro, a roupa já sem o vermelho da poeira das viagem no jipe, bando-de-cuia tomado na pensão de Chicó, na flor dos meus dezesseis janeiros, à porta da residência modesta, bati palmas e gaguejei o indispensável "ô de casa". Tinha uma obrigação, um dever sentimental, sagrado, uma promessa a cumprir no Assu, naquele ano dos anos 50. Visitar, saudar o dono da casa, mestre de muitos sonhos e senhor incontestável da mais úbere, abundante, edênica, maravilhosa e fértil gleba de todo o Vale´- a "Frutilândia". A incumbência me fora dada por meu pai, Othoniel, anos antes convidado solenemente, insistentemente, para ser sócio, meio a meio, de um colossal empreendimento de fruticultura. Redenção econômica de toda a região, gerando riqueza, justiça social, inovando a produção de frutas. legumes, hortaliças, tudo em grande escala, gigantescas proporções. Os pobres sairiam da miséria, teriam moradia, grandes vilas operárias, escolas, assistência médica, futuro. Largariam os barões da cera, que nada plantavam, viviam em Natal jogando baralho no Natal Clube, tomando uísque, enriquecendo Maria Boa, passeando no Rio de Janeiro - impecável ternos de linho branco, lustrosos, gordos como bispos. Moderníssimas máquinas, escavadeiras imensas, dragas descomunais - rebocada desde Roterdã - abririam largo e profundo canal, em linha reta, de Assu a Macau. Ali, mar adentro, plantar-se-iam modernos, imponentes, equipados cais, frigoríficos, grandes armazéns. Luzentes guindastes, esteiras rolantes, saciariam a fome das bocarras dos porões das grandes embarcações da própria Companhia, espalhando por Oropa, França e Bahia cajus, mangas, pinhas, araticuns, mangabas, romãs, laranjas-cravo, abacaxis, maracujás - os dúlcidos e tropicais produtos do gigante complexo agroindustrial da biliardária sociedade CALDAS & MENEZES... De volta ao Assu e à dura realidade, de novo bati palmas na soleira da casinha modesta do senhor da "Frutilândia", naquela rua do Assu, naquela era dos anos cinquenta. Apareceu o amigo do meu pai, o sócio do sonho tão sonhado, tão detalhado, idealizado nas conversas dos dois. Disse-lhe quem era, fez-me uma festa daquelas, passando, suavemente, a mão na minha cachola sonhadora. Era magro, gestos nervosos, rápidos. Dando o nó na gravata, convidou-me a entrar, risonho, gentil, hospitaleiro. Calçava, notei, uma daquelas botas de feira. Calça, camisa, colete - tudo amarfanhado, encardido. Guiou-me em direção à cozinha, por uma picada, uma vereda aberta numa mata fechada de ferro-velho, pacotes de amarelados jornais e uma imensidão de garrafas até o teto - um "caminho de Santiago" que, como peregrino, perpassei, com medo de lacraia e caranguejeira. Enquanto conversávamos, ferveu água e serviu-me um café saboroso, pegando fogo, coado de um pano que devia ter uns bons anos de uso diário e constante. Na minha idade, não tinha engenho, nem arte e nenhuma tendência para falar sobre poesia ou literatura com o idealizador de "Frutilândia". Mesmo que a minha casa, em Natal, vivesse, pululasse em certos dias, cheia de literatos e candidatos a poeta, aperreando Othoniel sobre coisas de metrificação, leituras, autores e outras milongas mais - alguns deles pedindo remendos em versos de pé-quebrado. Ficava só cubando, sem pigorar, quem era besta? Sem anuência ou conhecimento do dono da casa, tinha cometido, já, no Atheneu, algumas glosas sacanas e "burilado" uns três ou quatro sonetos decassílabos à moda de Augusto dos Anjos - coisas horrorosas... Na cozinha acolhedora, o cavaco, o bate-papo, limitou-se, pois, às notícias da capital, aos meus estudos, `saudação do "sócio" de Natal, à mutua e sincera admiração entre os dois, às amenidades. Nada sobre a "Frutilândia". Nada, também, acerca da razão social Caldas & Menezes". Ele entretanto, já na despedida - lembro bem - deu umas boas cutucadas nos políticos do Estado e de outras plagas, pilheriando, rindo com gosto, divertido. Sol descambando, da porta da sala, do início do labirinto de ferro velho, jornal e garrafa de todo tamanho e cor, veio o chamamento: "Seu João, tá na hora!" Saímos. Era um meninote, chapéu-de-couro atolado na cabeça grande, cara de janduí. O homem bom me pediu licença e retornou aos cafundós do seu tugúrio. Voltou lépido, brilho nos olhos, vestindo um paletó tão encardido quanto o restante da indumentária. Numa das mãos, um surrado bisaco de lona; noutra, uma lazarina impecável, ajeitada mesmo - oi cano brilhando mais do que espinhaço de pão doce, a coronha envernizada, bonita como os seiscentos. O Poeta João Lins Caldas, sublime sonhador, senhor de vaticínios para o seu Vale - o sócio do meu pai! - trancou a porta capenga da casinha. Apertou-me a mão, com calor, despedindo-se. Pediu desculpas pela pressa - ia caçar! Argumentou, cavalheiro, que aquela era a hora dos preás e das rolinhas, das nambus escondidas no panasco dourado. E lá se foi, engravatado, predador solene, feliz da vida - o sonhador. O curumiaçu, secretário e cúmplice, seguiu-lhe os passos ligeiros, no rumo - presumi - da "Frutilândia", procurando a presa miúda e saborosa..."

Laélio Ferreia, crônica publicada em O Mossoroense, 2007

GILKA MACHADO (1893-1980) NONA REFLEXÃO Amei o Amor, ansiei o Amor, sonhei-o uma vez, outra vez (sonhos insanos!)... e desespero haja maior...