Com pedaços de gemidos
E o que sobra dos meus beijos,
Vou fazer uma casinha
Bem da cor dos teus desejos...
Tu verás jardins floridos
E tu´alma, que hoje é minha,
Há de errar pela casinha
Com pedaços de gemidos...
João Lins Caldas
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sábado, 6 de fevereiro de 2010
UMA ESTÓRIA QUE ACONTECEU EM PAU BRANCO
Pau Branco, se não me engano, é uma localidade pertencente ao município potiguar de São Rafael ou Upanema. Pois bem, tempos atrás naquele lugar realizava-se um forró pé de serra. A 'cana' dava na canela e a poeira subia no salão de barro batido. Certo rapaz já muito embriagado fora tirar uma certa moça pra dançar que ao levar um fora dela recebeu a frase adiante: "Eu só danço com gente de pau branco". Aquele moço saiu meio encabulado e logo convidou outra jovem que também se desculpou da mesma forma da primeira. A terceira mulher que ele se dirigiu era uma ' negona' que também saiu-se da mesma forma: "Eu só danço com gente de pau branco". Aquele jovem já puto da vida deu uma saidinha e, de frente a casa onde se realizava a festança, deparou-se com uma ruma de cal virgem. Pegou um bocado daquele produto, misturou com água, pintou o 'pinto' e, ao chegar perto daquela negona botou a genitália pra fora da calça e balançou dizendo assim: "E agora minha filha, dança ou não dança comigo?" É que neste sofrido sertão os causos chistosos também acontece.
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sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010
MOISÉS SESIÓM, O BOCAGE RIO GRANDENSE
"Perdoem-me as nove musas em particular e Menemosine no geral, dar ao poeta Manuel Maria Barbosa du Bocage as glórias da posia fescenina não há fama mais injusta e renome menos merecido. Bocage é altíssimo poeta sem produção sotádica "quinto livro". Mas, na acepção tradicional, dizer-se "versos de Bocage" é anunciar rimas que arrepíam os nervos pudicos.
Moisés Lopes Sesióm, Moisés Sesióm, falecido no Assu a 6 de março de 1932, é um poeta sem as honras do prelo. Possui, superior a esse título, sua podução inteiramente impressa na memória coletiva de uma região.
Raro será o rapaz, ou cidadão sizudo nas horas confidenciais de reminescências literárias ignorando uma ou algumas das "décimas" irresistíveis do poeta querido, de vida atribulada, de existência dura, de morte cruel.
Vezes, horas e horas, ouvi recitar versos e Sesióm, recordando sua boêmia, vivendo o anedotário, rico de episódios chistosos.
Mas, a parte característica na verve de Sesióm, a mais alta percetagem de versos, as respostas imprevistas e saborosas, exigem um ambiente mais restrito, uma atmosfera mais íntima que o horizonte amplíssimo dos j ornais.
Moisés Lopes, Sesióm é Miosés às avessas, nasceu no Caicó em 1884. Em 1907 fixou-se no Assu. E viveu por alí, pequeno bodegueiro, empregado no comércio e, por fim, soldado do Batalhão Policial.
Há que passe a vida escrevendo versos e morra sem ser poeta. Sesióm, sem saber, era poeta verdadeiro, espontâneo, inexgotável, imaginoso, original. Sua versalhada, satíica em proporção decisiva, não receia confronto com Laurindo Rabelo, o irrequieto Poeta Lagartixa. Apenas Laurindo Rabelo era um médico, tendo livros e amigos ilustres, Sesióm era quase analfabeto, desprotegido e paupérrimo.
Nem por isso desmerecerá para o fututo. Suas "décimas" entusiantes deviam ser reunidas em volume. Um volume fora dos mercados livrescos, mandado editar por um grupo de bibliófilos. Usa-se muito essas edições limitadas, hors commerce, defendendo do esquecimento um esforço humano digno de maior duração no tempo.
Sei muito bem que os versos de Sesióm estão mais seguros na retentiva popular do que nas páginas de um folheto. Mas essa impressão garantiria a pureza da produção humilde. impossibilitando as deturpações vindouras, instaladas no texto como letra integral.
Se o "Quinto Livro" de Bocage, e vinte volumes de alta pornografia sapientíssima estão editadas luxuosamente, custando caro, escondidos no "inferno" das bibliotecas eruditas, ciosas desses tomos de tiragens numecas, porque não estender a Moisés Sesióm o direito lógico e figurar ao lado, e muito justamente, dos seus colegas imponentes que não fizeram de melhor e de mais alegre?
A poética sensual e o hilaredo são atributos da Civilização. Os povos primitivos ou em estado de desenvolvimento inicial, não tem versos como os de Sesióm. Esses, além do mais, dariam testemunho de um engenho curioso e vibrante, diluído, apagado, improfícuo, anulado, no ciclo fechado das vidas pequeninas e melancólicas.
Aqui está um mote que lhe deram, glosado imediatamente, tal qual no Outeiros aristocráticos do século XVIII.
Bebo, fumo, jogo e danço,
Sou perdido por mulher!
Vida longa não alcanço
Na orgia ou no prazer,
Mas, enquanto não morrer
- Bebo fumo jogo e danço!
Brinco, farreio, não canço,
Me censusre quem quizer...
Enquanto eu vida tiver
Cumprindo essa sina venho,
E, além dos vícios que tenho,
- Sou perdido por mulher!...
Luiz da Câmara Cascudo
(Do livro intitulado de "O Livro das Velhas Figuras", 1978, IHGRN)
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Moisés Lopes Sesióm, Moisés Sesióm, falecido no Assu a 6 de março de 1932, é um poeta sem as honras do prelo. Possui, superior a esse título, sua podução inteiramente impressa na memória coletiva de uma região.
Raro será o rapaz, ou cidadão sizudo nas horas confidenciais de reminescências literárias ignorando uma ou algumas das "décimas" irresistíveis do poeta querido, de vida atribulada, de existência dura, de morte cruel.
Vezes, horas e horas, ouvi recitar versos e Sesióm, recordando sua boêmia, vivendo o anedotário, rico de episódios chistosos.
Mas, a parte característica na verve de Sesióm, a mais alta percetagem de versos, as respostas imprevistas e saborosas, exigem um ambiente mais restrito, uma atmosfera mais íntima que o horizonte amplíssimo dos j ornais.
Moisés Lopes, Sesióm é Miosés às avessas, nasceu no Caicó em 1884. Em 1907 fixou-se no Assu. E viveu por alí, pequeno bodegueiro, empregado no comércio e, por fim, soldado do Batalhão Policial.
Há que passe a vida escrevendo versos e morra sem ser poeta. Sesióm, sem saber, era poeta verdadeiro, espontâneo, inexgotável, imaginoso, original. Sua versalhada, satíica em proporção decisiva, não receia confronto com Laurindo Rabelo, o irrequieto Poeta Lagartixa. Apenas Laurindo Rabelo era um médico, tendo livros e amigos ilustres, Sesióm era quase analfabeto, desprotegido e paupérrimo.
Nem por isso desmerecerá para o fututo. Suas "décimas" entusiantes deviam ser reunidas em volume. Um volume fora dos mercados livrescos, mandado editar por um grupo de bibliófilos. Usa-se muito essas edições limitadas, hors commerce, defendendo do esquecimento um esforço humano digno de maior duração no tempo.
Sei muito bem que os versos de Sesióm estão mais seguros na retentiva popular do que nas páginas de um folheto. Mas essa impressão garantiria a pureza da produção humilde. impossibilitando as deturpações vindouras, instaladas no texto como letra integral.
Se o "Quinto Livro" de Bocage, e vinte volumes de alta pornografia sapientíssima estão editadas luxuosamente, custando caro, escondidos no "inferno" das bibliotecas eruditas, ciosas desses tomos de tiragens numecas, porque não estender a Moisés Sesióm o direito lógico e figurar ao lado, e muito justamente, dos seus colegas imponentes que não fizeram de melhor e de mais alegre?
A poética sensual e o hilaredo são atributos da Civilização. Os povos primitivos ou em estado de desenvolvimento inicial, não tem versos como os de Sesióm. Esses, além do mais, dariam testemunho de um engenho curioso e vibrante, diluído, apagado, improfícuo, anulado, no ciclo fechado das vidas pequeninas e melancólicas.
Aqui está um mote que lhe deram, glosado imediatamente, tal qual no Outeiros aristocráticos do século XVIII.
Bebo, fumo, jogo e danço,
Sou perdido por mulher!
Vida longa não alcanço
Na orgia ou no prazer,
Mas, enquanto não morrer
- Bebo fumo jogo e danço!
Brinco, farreio, não canço,
Me censusre quem quizer...
Enquanto eu vida tiver
Cumprindo essa sina venho,
E, além dos vícios que tenho,
- Sou perdido por mulher!...
Luiz da Câmara Cascudo
(Do livro intitulado de "O Livro das Velhas Figuras", 1978, IHGRN)
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quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010
POESIA
Por João Lins Caldas
A mirar-se nas águas se banhava
Nua, de pé, desenrolada a trança,
Olhava o seio, a coxa lisa olhava,
A rever tudo o que do olhar se alcança...
E a si, mansa e tímida, segredava,
Num frenesi de gozo e de bonança,
Que, formosa, mais bela se ostentava,
Meiga, na timidez de uma criança.
Revê o tronco, a curvatura branca,
E cora, e pasma e, mais ligeiramente,
Aperta as formas, o cabelo arranca...
E, aos raios da serena lua,
Revê nas águas, a corar, tremente,
A estátua branca da beleza nua.
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A mirar-se nas águas se banhava
Nua, de pé, desenrolada a trança,
Olhava o seio, a coxa lisa olhava,
A rever tudo o que do olhar se alcança...
E a si, mansa e tímida, segredava,
Num frenesi de gozo e de bonança,
Que, formosa, mais bela se ostentava,
Meiga, na timidez de uma criança.
Revê o tronco, a curvatura branca,
E cora, e pasma e, mais ligeiramente,
Aperta as formas, o cabelo arranca...
E, aos raios da serena lua,
Revê nas águas, a corar, tremente,
A estátua branca da beleza nua.
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terça-feira, 2 de fevereiro de 2010
POESIA
LOUCO
Por João Lins Caldas
"Há um louco feliz entre os mais loucos"
- Eleitos da ventura dizem todos.
E o louco diz achando os outros poucos
Naufragam como eu no mar dos lodos...
A multidão que se, ouvidos ocos
Dai-lhe riso p´ra rir em vez de agrados...
E, invejando, e só por todos modos...
Louco infeliz no seu caminho erguido
Segue invejado a invejar as flores
O louco sem descanso e sem cuidado.
Leva consigo pelo olhar tristonho
Os desprazeres das primeiras cores
E os desprazeres dos primeiros sonhos.
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Por João Lins Caldas
"Há um louco feliz entre os mais loucos"
- Eleitos da ventura dizem todos.
E o louco diz achando os outros poucos
Naufragam como eu no mar dos lodos...
A multidão que se, ouvidos ocos
Dai-lhe riso p´ra rir em vez de agrados...
E, invejando, e só por todos modos...
Louco infeliz no seu caminho erguido
Segue invejado a invejar as flores
O louco sem descanso e sem cuidado.
Leva consigo pelo olhar tristonho
Os desprazeres das primeiras cores
E os desprazeres dos primeiros sonhos.
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segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
POESIA
Ione Medeiros Santana de Moura é assuense por adoção. Se enquadra entre os poetas da nova geração do Assu. Do livro intitulado de "Vertentes", 2002, Coleção Assuense, transcrevo o poema sob o título de "Amor Proibido". Vejamos:
Amor proibido, foi tão lindo
Que ouve entre nós. Você veio para
Mim como um vento veloz, tão
Veloz que não percebia, quando
Deu conta, em seus braços me
Perdia, nos seus braços me perdia
Apaixonada e para você me
Entregava. Era como um sonho
O que faço sem você
Você finge que não
liga pra mim
e me deixa sofrer
Esse amor bonito
Cheio de pecado e
prazer.
De amor e de pecado, de pecado fui
Aprendendo e descobrindo o
Prazer. O que eu sentia era tão
forte que não sabia o que fazer.
Amor proibido.
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Amor proibido, foi tão lindo
Que ouve entre nós. Você veio para
Mim como um vento veloz, tão
Veloz que não percebia, quando
Deu conta, em seus braços me
Perdia, nos seus braços me perdia
Apaixonada e para você me
Entregava. Era como um sonho
O que faço sem você
Você finge que não
liga pra mim
e me deixa sofrer
Esse amor bonito
Cheio de pecado e
prazer.
De amor e de pecado, de pecado fui
Aprendendo e descobrindo o
Prazer. O que eu sentia era tão
forte que não sabia o que fazer.
Amor proibido.
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