quarta-feira, 12 de março de 2014

A chuva chove mansamente … como um sono
que tranquilize, pacifique, resserene…
A chuva chove mansamente… Que abandono!
A chuva é a musica de um poema de Verlaine…

E vem-me o sonho de uma véspera solene,
em certo paço, já sem data e já sem dono…
Véspera triste como a noite, que envenene
a alma, evocando coisas líricas de outono…

num velho paço, muito longe, em terra estranha,
com muita névoa pelos ombros da montanha…
paço de imensos corredores espectrais,

onde murmurem velhos órgãos árias mortas,
enquanto o vento, estrepitando pelas portas,
revira in-fólios, cancioneiros e missais…

*Cecília Meireles

Nenhum comentário:

Todos os sentimentos, todas as ideias, o irrequieto de todos os nossos pensamentos partem sem dúvida de uma desintegração. João Lins Caldas