Tempos atrás enterrar uma pessoa morta numa rede era muito comum no interior do Nordeste brasileiro. Pois bem, o poeta João Lins Caldas estando num bar da cidade de Assu, interior do Rio Grande do Norte, presenciou um cortejo fúnebre passar. Perguntou Caldas a alguém: "quem morreu!"- O interlocutor, respondeu: "Isabel". Foi o bastante para o poeta que no mesmo lugar que se encontrava escreveu o poema de versificaçao complexa, considerado por grandes conhecedores e críticos de arte no Brasil, como um dos mais belos da língua portuguesa. Ha informaçoes, portanto, que o poema abaixo transcrito teria sido lido através da rádio britânicica BBC, na dévcada de quaresta. Vejamos adiante o referenciado poema sob o título Isabel:
Uma Isabel morreu no mundo.
Tinha pai e mãe, irmãos e sobrinhos, aquele mundo de primos nomundo.
Avós enterrados, bisavós trepidantes nos cernes duros de árvores agigantadas.
Ascendentes outros na nervura de asas e barbatanas de peixes.
Isabel hoje estava cansada.
Remontava das suas origens a dias muito anteriores aos dias de Tebas,
Viveu de fresco os poemas de Homero,
A guerra de Tróia,
O passado de Sócrates,
E,caída Cartago, soldados ruivos, assalariados, mortos.
Não soube nada de sua crônica. Era uma mulher, vestida de saia, os cabelos compridos
E se alimentava de pão, rapadura e mel.
Isabel tinha linhas nas mãos,
Uma sorte que estava escrita, diferente sem dúvida das outras sortes.
O destino de Isabel, o destino da vida, como dos outros que carrega a morte.
Eu nunca vi Isabel.
Avós enterrados, bisavós trepidantes nos cernes duros de árvores agigantadas.
Ascendentes outros na nervura de asas e barbatanas de peixes.
Isabel hoje estava cansada.
Remontava das suas origens a dias muito anteriores aos dias de Tebas,
Viveu de fresco os poemas de Homero,
A guerra de Tróia,
O passado de Sócrates,
E,caída Cartago, soldados ruivos, assalariados, mortos.
Não soube nada de sua crônica. Era uma mulher, vestida de saia, os cabelos compridos
E se alimentava de pão, rapadura e mel.
Isabel tinha linhas nas mãos,
Uma sorte que estava escrita, diferente sem dúvida das outras sortes.
O destino de Isabel, o destino da vida, como dos outros que carrega a morte.
Eu nunca vi Isabel.
(João Lins Caldas)
Arte: Portinare.
Postado por Fernando Caldas
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