quinta-feira, 11 de junho de 2026

 Paulo Varela, o Poeta Abandonado


Pelas ruas da cidade caminhava devagar,

levando nos ombros versos que ninguém quis escutar.

Era Paulo Varela, poeta de coração aberto,

mas vivia tão sozinho, mesmo estando tão perto.


Escrevia suas dores nas páginas do destino,

transformando sofrimento em poesia e desatino.

Falava de esperança, de amor e de emoção,

mas poucos perceberam a tristeza em seu coração.


Nas praças fez morada sob o frio do luar,

em bancos adormecia sem ter onde descansar.

Buscou abrigo nos amigos, procurou compreensão,

mas encontrou muitas portas fechadas na escuridão.


A depressão, silenciosa, foi roubando sua luz,

enquanto a indiferença aumentava sua cruz.

O homem que dava vida às palavras mais bonitas

via suas próprias lágrimas caírem tão aflitas.


Quantas vezes pediu ajuda? Quantas vezes quis falar?

Quantas noites enfrentou sem ninguém para escutar?

A cidade seguia o rumo de seus dias apressados,

sem notar que seus poetas também podem ser quebrados.


E quando a morte chegou, fria como o vento forte,

levou consigo um artista para além da própria sorte.

Partiu Paulo Varela, sem o abraço que esperava,

sem o reconhecimento que sua história merecia e sonhava.


Hoje ecoam seus versos nas esquinas da memória,

como um pedido de justiça gravado na sua história.

Que nunca mais se abandone quem carrega a criação,

pois um poeta não precisa apenas de aplausos, mas de mão.


E Paulo vive nos versos que o tempo não destrói,

na lembrança que resiste, na saudade que corrói.

Poeta que foi esquecido enquanto estava entre nós,

mas cuja voz permanece, eternamente, em nossa voz.

Josivan bezerra

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