O que é estudar História? O que é fazer História? Será que é tudo aquilo que encontramos nos estereótipos dos comentários dos tios no almoço de domingo ou aquelas piadinhas que vemos com frequência em várias páginas do Facebook?
Se você ainda é jovem e pensa em ser historiador; se você já não é tão jovem assim, mas tem a vontade de seguir carreira acadêmica na área de História; se você está em dúvida sobre qual caminho escolher na vida e uma das opções é o curso de História, continue lendo, porque esse artigo foi feito especialmente para você.
O que iremos fazer aqui é o seguinte: desmistificar o curso, ampliar a sua visão acerca das atividades do historiador e te dar algumas bases para que você já inicie o próximo semestre sabendo o que vai encontrar pela frente. E desde já aconselhamos: não se assuste, é grande o número de pessoas que se surpreendem logo nas primeiras disciplinas cursadas na faculdade.
Para ir se acostumando com a desconstrução que o curso oferece, abra seu bloco de notas e guarde algumas informações, vá atrás depois. Se você quer mesmo ser um historiador, deve manter acesa essa chama da curiosidade aí dentro. Lembre-se: a História não está morta, fixa, inalterável, há sempre mais a ser descoberto.
Fonte – imagensnarrativas.wordpress.com
História como ciência: o que você sabe a respeito?
A História sempre esteve presente em tudo. Se partirmos para a definição encontrada no guia de praticamente todo historiador (estamos falando de Apologia da História, a obra inacabada de Marc Bloch), a História estuda o ser humano, mas não somente isso, estuda as ações do ser humano no tempo. Então, partindo desta definição basilar, há muito para se debruçar sobre e, consequentemente, a ciência acaba trabalhando com outras, como a Sociologia, Psicologia, a lista pode ser extensa.
Mas, essa interdisciplinariedade nem sempre esteve no ato de fazer história. Para isso, vamos voltar ao século XIX, quando finalmente a História foi reconhecida como ciência.
Ela surgiu após a influência positivista do filósofo Augusto Comte, que viria a influenciar uma série de intelectuais até mesmo no século XX. E é através dos nomes de Leopold Von Ranke e Fustel de Coulanges, prussiano e francês, respectivamente, que vemos a História tomar seus rumos de uma forma mais sistematizada.
E qual era a visão de “fazer história” que a metodologia positivista possuía? – Uma história contada de forma linear, progressivamente. – Apresentar fatos históricos de forma verdadeira. – Neutralidade e objetividade, narrar o passado com imparcialidade. – Resgatar o passado em sua totalidade através de documentos oficiais e atestados como legítimos. – Uma História marcada por grandes acontecimentos, fatos históricos e rupturas que explicitam o progresso histórico.
As características do positivismo, como você poderá ver ao longo do curso, se mostram claramente ineficientes e incompletas quando aplicadas para a análise dos acontecimentos.
Fonte – uranohistoria.blogspot.com
Primeiramente que a linearidade atrapalha a compreensão da trama complexa de fatores, múltiplos em suas naturezas, que devem ser organizados e dialogados entre si. E, como já dizia Lucien Febvre, “a história é filha do seu tempo”. Não há imparcialidade na análise historiográfica, de forma que apresentar fatos históricos como unicamente verdadeiros, inalteráveis, torna-se uma pretensão grandiosa, já que às vezes existem detalhes que passam despercebidos, que ninguém descobriu ainda, com o poder de mudar a compreensão que temos sobre algo.
Existem múltiplas formas de se olhar para um fato e, em muitas vezes, algumas formas se complementam. O ponto é que de tempos em tempos vemos a história sendo revisada, vestígios do passado que se faziam ocultos são descobertos e casos tidos como “fechados” se mostram diferentes.
É ainda no século XIX que vemos ascensão de outra corrente historiográfica que viria formar um grande número de pesquisadores adeptos, muitos deles você poderá encontrar enquanto estiver cursando na faculdade.
Estamos falando do marxismo como metodologia para o fazer história, o Materialismo Histórico, que se origina da filosofia de Marx, o Materialismo Dialético.
Resumidamente, tal metodologia analisa os processos históricos através do prisma da relação do ser humano com os meios de produção. Ela é uma metodologia materialista, pois despreza o metafísico, partindo do princípio de que o ser humano e a sua consciência são determinados pela matéria.
Esta abordagem, logicamente, vai pender para os campos da economia e do social, onde encontraremos grandes historiadores como Eric J. Hobsbawm e E. P. Thompson.
Fonte – imagensnarrativas.wordpress.com
O materialismo histórico é fruto do seu tempo, de uma Europa em ebulição após a Revolução Industrial e a consequente disseminação do liberalismo através da classe burguesa, da consolidação política dos operários que alienavam sua força de trabalho e enfrentavam duramente os períodos instáveis da economia. É coerente que a História, a partir deste tempo, também seja feita com um olhar voltado para o que estava em discussão na época: os meios de produção.
Mas então, é só isso? A maioria dos graduandos entram no curso sem conhecer um dos movimentos intelectuais mais importantes do século XX: a Escola dos Annales. Trata-se de uma escola que revolucionou a historiografia de forma única e trouxe uma amplitude muito maior para os estudos analíticos das ações do ser humano no tempo.
Ela se iniciou na década de 1920 através de Marc Bloch e Lucien Febvre, já citados aqui neste texto, uma mostra da importância que os dois tiveram para a historiografia. Eles formaram a primeira geração do movimento, indo de encontro ao positivismo e toda a sua herança, procurando ampliar os estudos para a chamada “história total”. Enquanto o positivismo focava somente em grandes acontecimentos, em figuras marcantes e pontos de ruptura, a História de Bloch e Febvre vem para a abranger campos inexplorados, aliando-se à interdisciplinariedade a fim de compreender com mais clareza os fatos no tempo.
A segunda geração da escola é liderada por Fernand Braudel, que dá continuidade à revolução feita pelos seus antecessores, chegando então à terceira geração de Jacques Le Goff, grande medievalista que provavelmente você encontrará bastante durante o curso.
Fonte – mestresdahistoria.blogspot.com
Todas essas gerações possuem as suas peculiaridades, mas todas dialogam entre si, nunca ficando restritas a um modo fixo de entender os acontecimentos, mas sempre procurando problematizar, aplicar novos métodos e, consequentemente, compreender melhor o que faz parte do nosso mundo.
O que alguém formado em História faz?
Você sabe responder essa pergunta? Normalmente a resposta remete às salas de aula lotadas de alunos do ensino fundamental e médio que na maioria dos casos não estão nem aí para nada. Ou para as salas das universidades onde o ensino é um pouco mais específico. Ou seja, a imagem do historiador é sempre vinculada à profissão de professor. E isso não é acontece à toa.
As disciplinas ofertadas no curso de Licenciatura em História, que é o mais popular e, falando de mercado, o mais vantajoso, passam pelo mais puro estudo historiográfico para a análise de um PPP (Projeto Político Pedagógico), por exemplo.
Fonte – arquivohistorico.blogspot.com
Basicamente, a escolha pelo Bacharelado te permite ser o historiador que uma pessoa formada em Licenciatura também é. Porém, o mercado é bem mais restrito, já que não existe oficialmente a profissão de historiador no Brasil. A profissão está esperando a sua regulamentação no Legislativo através da PL 4699/12. O seu status no momento é: “aguardando apreciação pelo Senado Federal”. Ok. Enquanto isso não acontecesse, fazer Licenciatura vai continuar sendo a melhor opção para quem quer ser historiador e ter uma vida confortável financeiramente.
Sim, porque essa fama de que historiador ganha mal ou “passa fome” é nada mais do que boato. Existe sim, ainda, a falta da valorização do professor, sendo necessário realizar mestrados e doutorados para finalmente chegar a um conforto financeiro, porém, o caminho para isso não é tão doloroso como se pensa.
Aliás, você já parou para pesquisar na lista de atividades remuneradas que alguém formado em História pode desempenhar, além de professores e pesquisadores de universidades?
Fonte – elmissioneiro.blogspot.com
– Gestão documental em arquivos públicos e privados.
– Pesquisadores em empresas voltadas para a “história empresarial”.
– Técnicos em órgãos de preservação de patrimônios.
– Atividades dentro do campo arqueológico.
– Consultores em produções de filmes, peças, livros de ficção, novelas, seriados, jornais e quase tudo o que você assiste na televisão.
– ONGs que procuram resgatar a memória de algum ícone ou acontecimento específico.
– Trabalhar em campanhas eleitorais.
Fonte – paracatumemoria.wordpress.com
Como você pode ver, o mercado é bem amplo. Você pode trabalhar como consultor para uma empresa a fim de resgatar a sua história, ganhando muito bem, aliás, enquanto desenvolve a sua pesquisa principal numa universidade, satisfazendo seu bolso e sua mente.
Sem falar que os professores de História não ficam restritos apenas ao seu curso de origem. Eles estão espalhados em outros como os de Jornalismo, Arquitetura e Urbanismo, Museologia, por exemplo. Os estereótipos são realmente verdadeiros?
O que mais se escuta quando o assunto é o curso de História na faculdade? Os estereótipos são quase sempre os mesmos, apenas variando um pouquinho. Vamos até fazer uma listinha aqui para facilitar:
– Camisa vermelha do Che Guevara. – Marxista/socialista/comunista. – Ateu. – Homens usam barba e deixam o cabelo crescer. – Todos andam de sandálias. – Uso de drogas ilícitas. – Paz e amor livre.
Então, possivelmente você vai encontrar esse tipo de pessoa em alguns cursos da universidade, mas não, essa ideia de que todo aluno de História é sempre de esquerda, ateu e adora usufruir de drogas ilícitas naturais, logicamente, é nada mais do que… um estereótipo.
Você vai encontrar pessoas de todos os tipos no seu curso, desde o religioso mais fervoroso ao niilista.
Só para você ter uma ideia da pluralidade de personalidades que temos entre os historiadores, Marc Bloch batalhou ativamente na Segunda Guerra Mundial (sendo essa a causa de sua morte). E se por um lado se fala tanto em historiadores declaradamente de esquerda, esquece-se que existem outros declaradamente de direita, conservadores, como o britânico Paul Johnson.
Universidades são os lugares onde você, com toda a certeza do mundo, terá que lidar com um grande número de pessoas que pensam diferente de você, se vestem diferente, falam diferente e agem de forma diferente.
Partindo de uma visão generalizadora, não há somente um estereótipo, existem vários e talvez você se confunda entre eles quando acabar percebendo que, na verdade, ficar restringindo a compreensão da personalidade de alguém à uma bolha é algo ineficiente. Algo que um historiador não deve fazer.
Boa sorte para quem fez o Enem este ano. E se você escolher História como curso, temos a certeza de que nunca mais será o mesmo.
Equipe de produção do artigo:
Beatriz de Miranda Brusantin
Doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas
Coordenação de Produção e Pesquisa Histórica
Bruno Henrique Brito Lopes
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Coordenação de Redação e Edição
Raphael Esteves de Almeida Jacinto
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Produção de texto
Vamberto Gonçalves da Silva
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Dannyel Oliveira Souza
Graduanda em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Rafael Ragner Valentim Phaelante da Câmara Lima
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Felipe Nunes de Almeida Pereira
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
O que é estudar História? O que é fazer História? Será que é tudo aquilo que encontramos nos estereótipos dos comentários dos tios no almoço de domingo ou aquelas piadinhas que vemos com frequência em várias páginas do Facebook?
Se você ainda é jovem e pensa em ser historiador; se você já não é tão jovem assim, mas tem a vontade de seguir carreira acadêmica na área de História; se você está em dúvida sobre qual caminho escolher na vida e uma das opções é o curso de História, continue lendo, porque esse artigo foi feito especialmente para você.
O que iremos fazer aqui é o seguinte: desmistificar o curso, ampliar a sua visão acerca das atividades do historiador e te dar algumas bases para que você já inicie o próximo semestre sabendo o que vai encontrar pela frente. E desde já aconselhamos: não se assuste, é grande o número de pessoas que se surpreendem logo nas primeiras disciplinas cursadas na faculdade.
Para ir se acostumando com a desconstrução que o curso oferece, abra seu bloco de notas e guarde algumas informações, vá atrás depois. Se você quer mesmo ser um historiador, deve manter acesa essa chama da curiosidade aí dentro. Lembre-se: a História não está morta, fixa, inalterável, há sempre mais a ser descoberto.
Fonte – imagensnarrativas.wordpress.com
História como ciência: o que você sabe a respeito?
A História sempre esteve presente em tudo. Se partirmos para a definição encontrada no guia de praticamente todo historiador (estamos falando de Apologia da História, a obra inacabada de Marc Bloch), a História estuda o ser humano, mas não somente isso, estuda as ações do ser humano no tempo. Então, partindo desta definição basilar, há muito para se debruçar sobre e, consequentemente, a ciência acaba trabalhando com outras, como a Sociologia, Psicologia, a lista pode ser extensa.
Mas, essa interdisciplinariedade nem sempre esteve no ato de fazer história. Para isso, vamos voltar ao século XIX, quando finalmente a História foi reconhecida como ciência.
Ela surgiu após a influência positivista do filósofo Augusto Comte, que viria a influenciar uma série de intelectuais até mesmo no século XX. E é através dos nomes de Leopold Von Ranke e Fustel de Coulanges, prussiano e francês, respectivamente, que vemos a História tomar seus rumos de uma forma mais sistematizada.
E qual era a visão de “fazer história” que a metodologia positivista possuía? – Uma história contada de forma linear, progressivamente. – Apresentar fatos históricos de forma verdadeira. – Neutralidade e objetividade, narrar o passado com imparcialidade. – Resgatar o passado em sua totalidade através de documentos oficiais e atestados como legítimos. – Uma História marcada por grandes acontecimentos, fatos históricos e rupturas que explicitam o progresso histórico.
As características do positivismo, como você poderá ver ao longo do curso, se mostram claramente ineficientes e incompletas quando aplicadas para a análise dos acontecimentos.
Fonte – uranohistoria.blogspot.com
Primeiramente que a linearidade atrapalha a compreensão da trama complexa de fatores, múltiplos em suas naturezas, que devem ser organizados e dialogados entre si. E, como já dizia Lucien Febvre, “a história é filha do seu tempo”. Não há imparcialidade na análise historiográfica, de forma que apresentar fatos históricos como unicamente verdadeiros, inalteráveis, torna-se uma pretensão grandiosa, já que às vezes existem detalhes que passam despercebidos, que ninguém descobriu ainda, com o poder de mudar a compreensão que temos sobre algo.
Existem múltiplas formas de se olhar para um fato e, em muitas vezes, algumas formas se complementam. O ponto é que de tempos em tempos vemos a história sendo revisada, vestígios do passado que se faziam ocultos são descobertos e casos tidos como “fechados” se mostram diferentes.
É ainda no século XIX que vemos ascensão de outra corrente historiográfica que viria formar um grande número de pesquisadores adeptos, muitos deles você poderá encontrar enquanto estiver cursando na faculdade.
Estamos falando do marxismo como metodologia para o fazer história, o Materialismo Histórico, que se origina da filosofia de Marx, o Materialismo Dialético.
Resumidamente, tal metodologia analisa os processos históricos através do prisma da relação do ser humano com os meios de produção. Ela é uma metodologia materialista, pois despreza o metafísico, partindo do princípio de que o ser humano e a sua consciência são determinados pela matéria.
Esta abordagem, logicamente, vai pender para os campos da economia e do social, onde encontraremos grandes historiadores como Eric J. Hobsbawm e E. P. Thompson.
Fonte – imagensnarrativas.wordpress.com
O materialismo histórico é fruto do seu tempo, de uma Europa em ebulição após a Revolução Industrial e a consequente disseminação do liberalismo através da classe burguesa, da consolidação política dos operários que alienavam sua força de trabalho e enfrentavam duramente os períodos instáveis da economia. É coerente que a História, a partir deste tempo, também seja feita com um olhar voltado para o que estava em discussão na época: os meios de produção.
Mas então, é só isso? A maioria dos graduandos entram no curso sem conhecer um dos movimentos intelectuais mais importantes do século XX: a Escola dos Annales. Trata-se de uma escola que revolucionou a historiografia de forma única e trouxe uma amplitude muito maior para os estudos analíticos das ações do ser humano no tempo.
Ela se iniciou na década de 1920 através de Marc Bloch e Lucien Febvre, já citados aqui neste texto, uma mostra da importância que os dois tiveram para a historiografia. Eles formaram a primeira geração do movimento, indo de encontro ao positivismo e toda a sua herança, procurando ampliar os estudos para a chamada “história total”. Enquanto o positivismo focava somente em grandes acontecimentos, em figuras marcantes e pontos de ruptura, a História de Bloch e Febvre vem para a abranger campos inexplorados, aliando-se à interdisciplinariedade a fim de compreender com mais clareza os fatos no tempo.
A segunda geração da escola é liderada por Fernand Braudel, que dá continuidade à revolução feita pelos seus antecessores, chegando então à terceira geração de Jacques Le Goff, grande medievalista que provavelmente você encontrará bastante durante o curso.
Fonte – mestresdahistoria.blogspot.com
Todas essas gerações possuem as suas peculiaridades, mas todas dialogam entre si, nunca ficando restritas a um modo fixo de entender os acontecimentos, mas sempre procurando problematizar, aplicar novos métodos e, consequentemente, compreender melhor o que faz parte do nosso mundo.
O que alguém formado em História faz?
Você sabe responder essa pergunta? Normalmente a resposta remete às salas de aula lotadas de alunos do ensino fundamental e médio que na maioria dos casos não estão nem aí para nada. Ou para as salas das universidades onde o ensino é um pouco mais específico. Ou seja, a imagem do historiador é sempre vinculada à profissão de professor. E isso não é acontece à toa.
As disciplinas ofertadas no curso de Licenciatura em História, que é o mais popular e, falando de mercado, o mais vantajoso, passam pelo mais puro estudo historiográfico para a análise de um PPP (Projeto Político Pedagógico), por exemplo.
Fonte – arquivohistorico.blogspot.com
Basicamente, a escolha pelo Bacharelado te permite ser o historiador que uma pessoa formada em Licenciatura também é. Porém, o mercado é bem mais restrito, já que não existe oficialmente a profissão de historiador no Brasil. A profissão está esperando a sua regulamentação no Legislativo através da PL 4699/12. O seu status no momento é: “aguardando apreciação pelo Senado Federal”. Ok. Enquanto isso não acontecesse, fazer Licenciatura vai continuar sendo a melhor opção para quem quer ser historiador e ter uma vida confortável financeiramente.
Sim, porque essa fama de que historiador ganha mal ou “passa fome” é nada mais do que boato. Existe sim, ainda, a falta da valorização do professor, sendo necessário realizar mestrados e doutorados para finalmente chegar a um conforto financeiro, porém, o caminho para isso não é tão doloroso como se pensa.
Aliás, você já parou para pesquisar na lista de atividades remuneradas que alguém formado em História pode desempenhar, além de professores e pesquisadores de universidades?
Fonte – elmissioneiro.blogspot.com
– Gestão documental em arquivos públicos e privados.
– Pesquisadores em empresas voltadas para a “história empresarial”.
– Técnicos em órgãos de preservação de patrimônios.
– Atividades dentro do campo arqueológico.
– Consultores em produções de filmes, peças, livros de ficção, novelas, seriados, jornais e quase tudo o que você assiste na televisão.
– ONGs que procuram resgatar a memória de algum ícone ou acontecimento específico.
– Trabalhar em campanhas eleitorais.
Fonte – paracatumemoria.wordpress.com
Como você pode ver, o mercado é bem amplo. Você pode trabalhar como consultor para uma empresa a fim de resgatar a sua história, ganhando muito bem, aliás, enquanto desenvolve a sua pesquisa principal numa universidade, satisfazendo seu bolso e sua mente.
Sem falar que os professores de História não ficam restritos apenas ao seu curso de origem. Eles estão espalhados em outros como os de Jornalismo, Arquitetura e Urbanismo, Museologia, por exemplo. Os estereótipos são realmente verdadeiros?
O que mais se escuta quando o assunto é o curso de História na faculdade? Os estereótipos são quase sempre os mesmos, apenas variando um pouquinho. Vamos até fazer uma listinha aqui para facilitar:
– Camisa vermelha do Che Guevara. – Marxista/socialista/comunista. – Ateu. – Homens usam barba e deixam o cabelo crescer. – Todos andam de sandálias. – Uso de drogas ilícitas. – Paz e amor livre.
Então, possivelmente você vai encontrar esse tipo de pessoa em alguns cursos da universidade, mas não, essa ideia de que todo aluno de História é sempre de esquerda, ateu e adora usufruir de drogas ilícitas naturais, logicamente, é nada mais do que… um estereótipo.
Você vai encontrar pessoas de todos os tipos no seu curso, desde o religioso mais fervoroso ao niilista.
Só para você ter uma ideia da pluralidade de personalidades que temos entre os historiadores, Marc Bloch batalhou ativamente na Segunda Guerra Mundial (sendo essa a causa de sua morte). E se por um lado se fala tanto em historiadores declaradamente de esquerda, esquece-se que existem outros declaradamente de direita, conservadores, como o britânico Paul Johnson.
Universidades são os lugares onde você, com toda a certeza do mundo, terá que lidar com um grande número de pessoas que pensam diferente de você, se vestem diferente, falam diferente e agem de forma diferente.
Partindo de uma visão generalizadora, não há somente um estereótipo, existem vários e talvez você se confunda entre eles quando acabar percebendo que, na verdade, ficar restringindo a compreensão da personalidade de alguém à uma bolha é algo ineficiente. Algo que um historiador não deve fazer.
Boa sorte para quem fez o Enem este ano. E se você escolher História como curso, temos a certeza de que nunca mais será o mesmo.
Equipe de produção do artigo:
Beatriz de Miranda Brusantin
Doutora em História Social pela Universidade Estadual de Campinas
Coordenação de Produção e Pesquisa Histórica
Bruno Henrique Brito Lopes
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Coordenação de Redação e Edição
Raphael Esteves de Almeida Jacinto
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Produção de texto
Vamberto Gonçalves da Silva
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Dannyel Oliveira Souza
Graduanda em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Rafael Ragner Valentim Phaelante da Câmara Lima
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Pesquisa Histórica
Felipe Nunes de Almeida Pereira
Graduando em História pela Universidade Católica de Pernambuco
Faltam-me palavras para dar conta do que está acontecendo no Brasil. Eu nunca vi o país assim. Já vi crises violentas como a morte de Getúlio ou o golpe militar, mas esta tem uma característica diferente; é pastosa, uma areia movediça que engole tudo. O que é uma crise? Digamos que um projeto político ou empresarial quisesse chegar a determinado objetivo. Corria um risco. Se não desse certo, teríamos uma crise. Era a época dos riscos. Hoje vivemos na incerteza, porque não sabemos como agir. Hoje, a crise é sonâmbula ? como chegar e onde chegar? O grave é que esses impasses estão eliminando os instrumentos institucionais da democracia. O Congresso brasileiro é chefiado por dois sujeitos investigados com provas e recibos por crimes na Lava-Jato, e também o Renan quando fugiu para não ser cassado pela evidência de suas jogadas. E hoje preside o Senado. Conta isso para um alemão, um inglês, e eles não acreditarão.O Brasil está se esvaindo em sangue por causa de um cabo de guerra entre Dilma e Cunha, em amor e ódio, em busca de proteção mútua: "Você me salva do impeachment e eu tento evitar sua cassação". O Brasil está paralisado porque o Cunha está mandando no país, porque detém o poder de chantagear todo mundo, mesmo denunciado até pela Suíça (que chic!). Como pode o Legislativo estar nas mãos desses caras? Parece não haver um só lugar onde não haja roubo. Na saúde, na merenda escolar, na educação.O Brasil está encurralado entre uma flébil tentativa de ajustar as contas públicas e o ajuste sendo usado como moeda de troca. O Congresso está bloqueando nossa recuperação. O Brasil está sendo chantageado. "Se o Brasil não me atender, eu destruo o Brasil." Antigamente o segredo era a alma dos negócios espúrios. Hoje os mais sujos interesses são expostos à luz fria de um bordel. Está tudo em nossa cara. Sempre houve roubalheira, considerada apenas um "pecado" e era uma roubalheira setorial, descentralizada, e não esta coisa sólida, extensa, onipresente. Tudo o que já apareceu nessa extraordinária ressurreição do Judiciário, por conta dos competentes juízes e procuradores, será um troco, uma mixaria quando chegarem ao fundos de pensão, ao BNDES e a outras empresas públicas. A política está impedindo a política. Mentem e negam o tempo todo e não desmoralizam a verdade apenas; estão desmoralizando a mentira. São patranhas tão explícitas, tão cínicas que desmoralizam a mentira. O óbvio está escondido debaixo da mesa. O óbvio está no escuro, o óbvio está na privada. Quanto à verdade, é fácil descobri-la: ela é o contrário, o avesso de tudo que políticos investigados afirmam. Ninguém acredita mais no que o Lula fala (só pobres analfabetos e intelectuais imbecis), ninguém acredita mais no que a Dilma gagueja sob o som dos panelaços, nem no Renan, no Cunha, mas o show continua. Há um complô de enganação da sociedade. Por quê? Porque a sociedade para eles é um bando de idiotas que precisam ser tutelados pelo Estado de esquerda ou enrolados pelos oligarcas privados. Esse foi nosso pior destino: a união entre a chamada esquerda e a velha direita. Dilma não sai nem morta, ela disse. Cunha não sai nem morto. E os dois em confronto encurralam o país numa briga de foice. São demitidos 3 mil por dia e o total geral de desempregados já está em 1 milhão e 200 mil de pobres vítimas desse prélio de arrogância e narcisismo. Teremos um déficit fiscal de R$ 70 bilhões. E tudo bem? No Congresso ninguém liga. Dane-se o país, quero o meu... Faltam-me palavras. Que nome dar por exemplo a esse melaço de gente que odeia reformas e o novo? Que medula, que linfa ancestral os energiza, que visgo é esse que gruda em tudo? É uma pasta feita de egoísmo, preguiça, herança colonial, estupidez e voracidade pura. Que nome dar? A gosma do Mesmo? O dicionário não basta para descrever uma figura como o Cunha, cuja aparência não engana. Ele é o que parece, nunca vi um desenho tão perfeito de uma personalidade. O povo vê horrorizado sua carantonha e seu bico voraz e percebe que está diante do mal. O povão não entende muito, mas tem sensibilidade. Cunha é a cara do pesadelo brasileiro. E tantos outros, escondidos por sorrisos, cabelinhos de acaju ou de asas da graúna. Nós jornalistas e comentaristas tentamos ver algum ângulo novo na crise atual, mas já estamos nos repetindo, martelando o óbvio. Todos os artigos parecem um só. Eu busco novas ideias, novas ironias para esculachar essa vergonha, mas ela é maior que as palavras. Falamos, falamos e não descobrimos o essencial: como é que essa porra vai acabar? O Brasil estava entrando no mundo contemporâneo com uma nova visão de economia e gestão e vieram esses caras e comeram tudo, como as porcadas magras quando invadem o batatal. Essa crise é terrível porque é uma caricatura. É crise do superficial, do inerte, da anestesia sem cirurgia. A crise é um pesadelo humorístico. A crise não merece respeito. Sei lá, a depressão de 29 foi uma tragédia real. Esta nossa é uma anedota. Ela foi criada artificialmente por essa gentalha que tomou o poder e resolveu ser contra "tudo isso que está ai". Quem estava aí era o Brasil. Eram a s conquistas da democracia, essa palavra que eles usam com boquinha de nojo, apenas como pretexto, como estratégia para a tal "linha justa". Como dizia o Bobbio: "O que mais une o fascismo e o comunismo é seu ódio à democracia." O que provocou tudo isso? Foi o populismo endêmico, o patrimonialismo secular, a ignorância histórica. E esse sarapatel pariu um sujeito despreparado e deslumbrado consigo mesmo, cujo carisma de operário fascinou intelectuais babacas e comunas desempregados desde 1968, que resolveram fazer uma revolução endógena, um "gramscianismo" de galinheiro. O PT está arrasando o país. Essa é a verdade. Temos que dar nome aos bois, ou melhor, ao boi. O causador disso tudo que nos acontece e que poderá durar muito tempo foi o Lula. Sim. Esse homem que nunca viu nada, que não sabia de nada é o grande culpado da transformação. Mas, o MPF e a Polícia Federal estão chegando perto dele e de suas ocultações. Ele é o boi.
Bairro Rocas, de antigamente, Natal/RN.
Direito do arrependimento - Quando você pode devolver a compra e ter o dinheiro de volta?
Já sentiu aquele arrependimento ao comprar um produto na qual não precisava? Ou notou que o produto oferecido pelo telemarketing não era aquilo tudo? Bateu aquela frustração, pois imaginava que o produto era de outra maneira?
Com todos esses questionamentos, podemos devolver o produto e reaver o seu dinheiro de volta?
Bem, para que possamos responder, precisamos olhar para no nosso Código de Consumidor Brasileiro, o famoso CDC.
O artigo 49, “caput”, do CDC, deixa bem claro que: “Art. 49. O consumidor pode desistir do contrato, no prazo de 7 dias a contar de sua assinatura ou do ato de recebimento do produto ou serviço, sempre que a contratação de fornecimento de produtos e serviços ocorrer fora do estabelecimento comercial, especialmente por telefone ou a domicílio”
E diante de tal situação, o direito do consumidor de se arrepender é possível, mas,somente quando a contratação ou compra ocorrer por telefone, em domicílio ou compras online.
Tudo isso, por que ao comprar por telefone e pela internet o consumidor não possui contato direto com o produto, e com isso, confia na propaganda sendo facilmente enganado.
E ainda, na venda no domicílio do consumidor o vendedor se aproveita da tranquilidade do comprador para incentivá-lo a comprar por impulso.
Mas Atenção! Quando o cliente se dirige à loja física e efetua a compra diretamente não tem direito ao arrependimento.
Afinal, presume-se que refletiu antes de comprar e teve contato direto com produto.
Mas Lembre-se! Documentar o pedido de desistência é fundamental para futura prova anotando os protocolos de atendimento ou enviando notificação por escrito com aviso de recebimento ao endereço comercial oficial da empresa.
O consumidor terá direito ao ressarcimento integral dos valores desembolsados de imediato monetariamente atualizados, inclusive custos indiretos que teve com a compra.
Também não poderá ser cobrado por valores referentes à logística reversa para devolução do produto.
Importante ressaltar que mesmo depois deste prazo ou mesmo sem direito ao arrependimento, tem direito à revisão ou cancelamento da compra com o ressarcimento de danos quando comprovada alguma prática abusiva e legalmente proibida por parte do vendedor ou fornecedor de serviços.
Um dia, cansado de falar com gravações telefônicas das empresas e com órgãos públicos que não entendem nem resolvem o seu problema, você decide processar alguém. Aí você descobre que saiu da panela para cair no fogo. E fogo brando...
A história é recorrente: você é lesado pelo banco, pela administradora do cartão de crédito, pela concessionária de luz, água ou telefone, ou por todos eles ao mesmo tempo, o que é mais comum, e, se você mora no estado do Rio de Janeiro, em algum momento será lesado também pelo Estado. Com certeza.
Um dia, cansado de falar com gravações telefônicas das empresas e com órgãos públicos que não entendem nem resolvem o seu problema, você decide processar alguém. Aí você descobre que saiu da panela para cair no fogo. E fogo brando...
Quando você começa um processo na justiça do Rio de Janeiro, na verdade você não está só começando um processo. Você está mergulhando num poço sem fundo e sem volta no que há de mais burocrático em termos de serviços públicos.
Existe na Corregedoria do Tribunal de Justiça um manual chamado Consolidação Normativa, que explica alguns procedimentos da rotina dos servidores. Pra início de conversa, o seu processo será distribuído (sorteado para um cartório) e autuado (juntados os documentos, colocando-se capa, número e páginas). Este serviço, que parece simples, é o pontapé inicial na perda de tempo, porque o manual gasta sete páginas para ensinar o servidor a distribuir e autuar um feito. Aí, o oficial de justiça tem que citar o réu (comunicar ao sujeito que há uma ação em trâmite contra ele). Parece simples. O oficial vai até lá, cita o indivíduo, volta e entrega o mandado cumprido. Certo? Errado. O manual gasta inacreditáveis 20 páginas só para ensinar o oficial de justiça a cumprir um mandado.
E as custas judiciais? O manual da Corregedoria gasta inúmeras páginas para orientar sobre o recolhimento de custas. Por um motivo que ninguém conhece, as custas são baseadas em um apanhado de leis, decretos, decretos-leis, portarias, atos, enunciados, pareceres, acórdãos, decisões administrativas e de achismos, frutos da interpretação de juízes que fizeram concurso para julgar, mas acabaram parando na área administrativa, desconhecem por completo as regras de custas, mas decidem marcar a sua gestão com interpretações personalíssimas das já confusas regras. Não acredita? Vou dar um exemplo de um caso real.
Um cidadão faleceu e deixou um único imóvel de herança para os dez filhos; logo, cada um herdou 10% do imóvel. A família entrou com o inventário, pagando as custas equivalentes à totalidade do imóvel. No meio do processo (que, claro, eternizava-se), faleceu um dos filhos, deixando como único bem a décima parte do imóvel que herdou do pai. Pergunta: o que deveria ser pago de custas no inventário deste filho, já que foi pago o valor integral de custas quando da morte do pai e o filho só herdou a décima parte deste imóvel? A resposta seria óbvia: ele deveria pagar custas sobre o que ele herdou, já que seria dono somente da décima parte do imóvel e os demais 90% pertencem aos seus irmãos, ainda vivos. Ledo engano. Uma mente judicial brilhante decidiu que o filho deveria pagar custas sobre a totalidade do imóvel, ainda que herdando só 10% dele. E isso significa que a cada filho que morrer as custas serão pagas novamente sobre todo o imóvel e o Estado arrecadará 11 vezes as custas sobre o mesmo imóvel, ainda que cada filho que venha a falecer seja dono somente de 10% do bem. É ou não é brilhante? Do ponto de vista moral é altamente questionável, mas para fins de arrecadação...
O resultado desse emaranhado é que ninguém se entende e gera uma situação curiosa: o advogado não sabe recolher custas, o servidor não sabe certificar o recolhimento errado do advogado e todo mundo finge que está tudo bem. E quando algum ator deste teatro rocambolesco quiser discutir as custas dá-se a desgraça, porque os demais atores discordam e o processo passa meses girando em torno da discussão sobre o correto recolhimento das custas, esquecendo-se do principal, que é o pedido do cidadão na ação. E aí o processo se arrasta infinitamente.
E não termina aí. A falta de servidores é generalizada. O servidor é quem distribui, autua, atende, processa, despacha, decide e faz as sentenças no lugar do juiz. Então, sem servidor, o processo não anda. E o que faz a Corregedoria, responsável pelos servidores, para mudar este quadro caótico? Ela remove servidores para lá e para ca, contra a vontade, entre cidades distantes, causando prejuízos de toda sorte, aumentando a confusão e punindo o servidor ao tratá-lo como um objeto, levado de um lado para outro. Nessa brilhante estratégia, os servidores andam, mas os processos continuam parados...
Nesta política de remoções forçadas, um comissário de infância quase morreu na última semana. Foi removido pela Corregedoria para uma cidade distante 100 km de sua residência e foi escalado para cobrir um evento de madrugada. Sem hora extra. Sem estrutura. Sem transporte. Sem alimentação. Sem ressarcimento de despesa. Sem respeito. Sem sentido... E foi com o seu próprio carro. No evento, teve bastante trabalho com menores ingerindo bebidas alcoólicas e diversos registros na delegacia local. Na volta, já de madrugada, dormiu ao volante e bateu de frente num poste. Não morreu. Graças a Deus. Porque só se pode contar com a providência divina para evitar uma tragédia maior em meio à burocracia e à desorganização que imperam na Corregedoria da Justiça.