quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

NO TIMÃO DA CULTURA

Maria Betânia Monteiro - repórter

Durante o primeiro turno da campanha política deste ano, a governadora eleita, Rosalba Ciarlini propôs a criação de um fundo estadual, onde 1% do valor do ICMS seria destinado à cultura. Para surpresa dos potiguares, o projeto parece ir além. Rosalba anunciou a criação da Secretaria Extraordinária de Cultura, uma proposta a princípio apresentada pelo ex-prefeito Carlos Eduardo Alves durante a campanha. Para comandar a nova secretaria, está confirmado o nome da professora Isaura Rosado.  “A secretaria está sendo criada, mas o fundo estadual de cultura também será criado”, disse Isaura Rosado em entrevista ao VIVER.

emanuel amaralSecretaria Extraordinária de Cultura será oficialmente criada em março, assim como a implantação do Fundo de Cultura. Haverá fusão da FJA com o novo órgão, que será comandado pela professora Isaura RosadoSecretaria Extraordinária de Cultura será oficialmente criada em março, assim como a implantação do Fundo de Cultura. Haverá fusão da FJA com o novo órgão, que será comandado pela professora Isaura Rosado
A primeira questão é o que muda com a criação desta nova secretaria? Como fica a Fundação José Augusto, atual gestora dos recursos culturais do estado? Serão criados novos cargos? E os quinhentos funcionários da FJA, para onde vão? Segundo Isaura Rosado, não é possível responder todas essas perguntas, já que o projeto de criação da nova secretaria ainda está sendo redigido e só em março de 2011 deverá ser votado pela Assembleia Legislativa.

Mesmo com a votação prevista para março, Isaura Rosado adianta que a Fundação José Augusto não será extinta. “A Fundação José Augusto é uma instituição muito importante. Não é intenção da governadora acabar com nada, pelo contrário, queremos valorizar o patrono da fundação e também as suas funções”, declarou a nova secretária, ela própria uma ex-presidente da fundação. A proposta é fundir a FJA e a secretaria, garantindo aos funcionários seus direitos e obrigações. Com a fusão, um novo administrador assumiria a presidência da fundação.

Hoje a Fundação José Augusto funciona com 95% de autonomia, ou seja, os recursos repassados pelo Governo do Estado são aplicados conforme as necessidades da fundação, precisando apenas da aprovação da presidência, cargo atualmente ocupado por Crispiniano Neto.

 A verba destinada à fundação percorre o mesmo caminho das secretarias do governo do estado. Anualmente é feito um planejamento, onde são calculados os recursos de cada secretaria e em seguida os valores são repassados, em duas remessas. O valor destinado anualmente para a Fundação José Augusto fica na casa do milhão. Parece muito, mas alguns eventos como o Projeto Seis e Meia e o Festival Agosto de Teatro, para serem realizados, dependem de outro tipo de verba, chamado de crédito suplementar. Isso porque o dinheiro encaminhado pelo governo é utilizado para pagar desde funcionários, até o cafezinho que é servido nas dependências da instituição.

O pouco dinheiro destinado à cultura, anualmente, apontava para a necessidade real da criação do fundo de cultura, proposta que garante no mínimo, três milhões de reais, para o setor anualmente. Além dele, será mantida a Lei Câmara Cascudo, mas não falou-se em ampliação do teto, que está há oito anos congelado em R$ 4 milhões.

 Lembrando que durante o debate entre os candidatos ao Governo do Estado, travado no dia 9 de setembro, na Casa da Ribeira, Rosalba garantiu que os recursos do fundo não deverão ser usados para o pagamento de funcionários.  Elevando o orçamento para cultura, qual seria então, a necessidade de criação de uma secretaria?

Segundo Isaura Rosado, a criação da secretaria de cultura é uma reivindicação antiga da população, em especial da classe artística do Rio Grande do Norte. Além disso, a FJA teria deixado de ser uma instituição privilegiada (como são todas as fundações), no que diz respeito contratação de serviço e execução orçamentaria. “A legislação equalizou a estrutura das fundações às secretarias, de modo que elas obedecem às mesmas leis e têm as mesmas obrigações”, justificou Isaura.

Propostas para 2011

Isaura Rosado disse que as propostas de Rosalba Ciarline, lançadas ao público durante a campanha para o Governo do Estado serão colocadas em prática. Sendo assim, os potiguares devem esperar pelo incremento do turismo, facilitado pela política de eventos culturais, como o Auto de natal e o Natal em Natal. Está prevista a melhoria e criação de museus na capital e no interior, bem como a implantação de uma série de festejos no mês de agosto, quando é comemorado o dia do folclore. “Vamos fazer de Natal, a capital do folclore, reverenciado o mestre Luís da Câmara Cascudo e a cultura popular do Estado”, disse.

Outra proposta de Rosalba Ciarline, que deverá ser colocada em prática é a criação de escolas de todas as formas de arte. “Serão criadas escolas de arte, musica, dança, artes visuais, tendo em vista a interiorização das ações”, garantiu Isaura. E já que a meta e colocar as propostas de Rosalba em prática, a ligação entre arte e educação deverá acontecer também no ambiente escolar.

Política de fomento

Uma das maiores reivindicações dos artistas é em relação à criação de uma política de fomento a cultura, de modo que a realização de grandes eventos (como os autos), não seja a única forma de expressão de músicos, dançarinos, artistas circenses, brincantes, escritores, artistas visuais, plásticos, artesãos, repentistas, ceramistas, tapeceiros, poetas, fotógrafos, escultores. “Com o fundo de cultura estadual, fomentaremos a cultura”, garantiu. Agora é só aguardar o recesso de fim de ano e torcer para que todas as propostas ganhem vida.

Currículo

A Secretária Extraordinária de Cultura, Isaura Amélia de Souza Rosado é graduada em Ciências Sociais (UERN), é Mestre em Educação (UFCE) e Doutora em Sociologia da Educação pela Universidade de Salamanca, Espanha. Professora aposentada da UFERSA; exerceu a Presidência do Conselho  dos Direitos das Mulheres, da  Capitania das Artes, da Fundação José Augusto e Fundação de Pesquisa do  RN.

(Fonte: Tribuna do Norte)

ANO NOVO NORDESTINO ...



Ilustração do blog.

"Um ano novo bem arretado pra vocês tudim!!!
Conselhos de um nodestino para um 2011 bem pai d’égua.
Metas metas para o Ano Novo
1 - Anote os seus querê e pendure num lugar que você enxergue todo dia.
2 - Mesmo que seus objetivos estejam lá prá baixa da égua, vale a pena correr atrás. Não se agonie e nem esmoreça. Peleje.
3 - Se vire num cão chupando manga e mêta o pé na carreira, pois pra gente ter o que quer, tem que virar o satanás.
4 - Lembre que pra ficar estribado é preciso trabalhar. Não fique só frescando.
Sobre o amor
5 - Não fique enrolando e arrudiando prá chegar junto de quem você gosta. Se vexe e se declare.
6 - Dê um desconto prá peste daquela cabrita que só bate fofo com você. Aperreia ela. Vá que dá certo e nasce um bruguelim réi amarelo.
7 - Se você ainda não tem ninguém, não pegue qualquer marmota. Escolha uma corralinda igual a você.

8  -  Não bula no que tá queto. Num seja avexado, pois de tanto coisar com uma, coisar com outra, você acaba mesmo é com um  chapéu de touro.
9  -  As cabritas num devem se agoniar. O certo é pastorar até encontrar alguém arretado. Num se atraque com um cabra peba, malamanhado e fulerage. O segredo é pelejar e não desistir nunca. Num peça pinico e deixe quem quiser mangar. Um dia vai aparecer um macho réi que dá certim na sua bitola.
Sobre o trabalho.
10 - Trabalhe, num se mêta a besta. Quem num dá um prego numa barra de sabão, tá lascado. 
11 - Se você vive fumando numa quenga, puto nas calças e não agüenta mais aquele seu  chefe fulêra, tenha calma, não adianta se ispritar. Se ele não lhe notou até agora é porque num tá nem aí que você se lasque de trabalhar.  Procure algo melhor e cape o gato assim que puder.

12 - Se a lida não está como você quer, num bote boneco, num se aperreie e nem fique de lundu. Saia com aquele magote de amigos pra tomar umas meropéias e conte uma ruma de piadas que tudo melhora.
Sobre a sua vidinha.
13 - Você já é um cagado por estar vivo. Pense nisso e agradeça a Deus. Cuide bem dos bruguelos e da mulher. Dê sempre mais que o sustento, pois eles lhe dão o conchego no fim da lida.
14 - Não fique resmungando e batendo no quengo por besteira. Seje macho e pense positivo.

15 - Num se avexe, num se aperreie e nem se agonie. Num é nas carreira que se  esfola um preá.
Arrumação motivacional.

16 - No forró da entrada do ano, coma aquela gororoba até encher o bucho. É prá dar sorte, mas cuidado, senão dá gastura.

17 - Tome um burrim e tire o gosto com passarinha ou panelada que é prá num perder a mania.
Prá começar o ano dicunforça:
18 - Reflita sobre as besteiras do ano passado e rebole no mato os maus pensamentos.
19 - Murche as orêia, respire fundo e grite bem alto: Sai mundiça!!!
20 - Ah, e não esqueça do grito de guerra, que é prá dar mais sorte ainda: Queima raparigal!!!
Agora é só levantar a cabeça e desimbestar no rumo da venta, que vai dar tudo certo em 2011, afinal de contas você é nordestino.
E para os que não são da terrinha, mas são doidim prá ser, nosso desejo é que sejam tão felizes quanto nós.
Pense num ano que vai ser muito bom. Respeite e viva esse 2011..."


Postado por Fernando Caldas
(email enviado por um amigo).

RESGATE DE UM IMORTAL



O RN tem nomes consagrados na cultura brasileira, desde o provincial periodo de Luiz da Câmara Cascudo, intelectual que dimensionou a terra de Poti em todo os rincões da arte e do saber universal, foi o maior folclorista da América Latina, elevando o nome do estado em fronteiras do além-mar.
Se vivo fosse estaria completando hoje 112 anos.

Conhecido por suas marcas como folclorista e historiador, Luiz da Câmara Cascudo foi também autor de vários livros, trabalhou como professor, advogado, jornalista e um importante símbolo das raízes culturais do Rio Grande do Norte.

Cascudo foi um dos historiadores mais importantes para o Brasil na época em que a cultura não tinha o valor de marco como tem hoje.
 Nascido e criado em Natal, a família mantem sua casa como um museu de cultura, na Ribeira.

De acordo com dados da história do RN, Cascudo era um apaixonado pela sua terra onde foi professor da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e lutou por incentivos a cultura potiguar.
Como bom folclorista Câmara Cascudo era um apaixonado pelas manifestações artísticas de música, dança e apresentações da "cultura de raiz". 
 
Câmara Cascudo é o autor dos livros Dicionário do Folclore Brasileiro (1952), História da Alimentação no Brasil, Alma Patrícia (1921), Contos tradicionais do Brasil (1946) e muitos outros, como Nomes da Terra, enriquecendo a toponímia potiguar.

Cascudo foi também um pesquisador do período das invasões holandesas e como resultado publicou Geografia do Brasil holandês (1956).

Suas memórias, O tempo e eu (1971) foram editadas postumamente, sendo o legado deixado por Cascudo um dos maiores acervos da Cultura do Estado.


 Escrito por aluiziolacerda às 17h25

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

MARCO VIRADA DO SÉCULO - ASSU, 1900

Aos amigos e leitores deste blog, desejo um Feliz Ano Novo!

O VERÃO DE MARINA ELALI

Maira Bethânia Monteiro - repórter


O ano de 2010 foi um ano generoso para a cantora potiguar Marina Elali. Ela fez turnê pelo Brasil com o cantor e compositor cubano Jon Secada e emplacou mais uma música em novelas da Rede Globo. A música “Happy”, tema de Estela, personagem vivido por Cleo Pires ganhou vida em sua voz. “Em meia década de carreira, tive seis músicas tocando em novelas da Rede Globo, isso é muito bom”, disse Marina do Rio de Janeiro, cidade onde mora atualmente. Alguns desses sucessos serão revividos pela cantora, durante a temporada de shows no Hotel Pirâmide (Via Costeira), todas as terças feiras do mês de janeiro — dias 4, 11, 18 e 25. A primeira apresentação começa no dia quatro, a partir das 22h.

Enquanto cuida do próximo disco, com algumas composições suas, ela resolveu se dar férias: “Quero ficar em casa com a família e provar das comidinhas gostosas do Mangai”, brincou.

No show de Natal, além dos sucessos “Você”, “One Last Cry”, “Eu Vou Seguir”, “All She Wants - O Xote das Meninas”, Marina apresentará em seu espetáculo releituras de músicas de artistas consagrados e a nova música “Happy”. O fato de ter conquistado espaço em novelas globais, feito parcerias com nomes como Agnaldo Rayol, Fábio Jr., Belo, Pery Ribeiro e Jon Secada é o resultado de sua paixão pela música e um forte investimento em cursos, turnês, gravação de CDs dentre outras ações. Marina é formada em música e canto no Berklee College of Music, em Boston, nos Estados Unidos. Do seu avô materno, o compositor Zé Dantas (parceiro de Luiz Gonzaga), Marina herdou a veia de compositora.

Em seis anos de carreira Marina Elali lançou dois CDs e um DVD. Nesse período de tempo, já ganhou dois discos de ouro, emplacou seis músicas em novelas da Rede Globo, seis músicas em trilhas sonoras de filmes, uma música numa minissérie da Rede Globo e participou de mais de 25 coletâneas. Em 2005, a música “Você” (Roberto Carlos/ Erasmo Carlos) foi tema da novela “América” na voz de Marina, que inclusive fez uma participação no último capítulo da novela. Em 2006, lançou o seu primeiro CD, que leva seu nome e começou a trilhar sua história musical. O álbum foi disco de ouro e teve sete músicas incluídas em trilhas sonoras. O destaque foi a música “One Last Cry”, que ganhou versão remix e foi uma das músicas mais executadas nas rádios pop.

Em 2007, lançou o seu segundo CD “Marina Elali, De Corpo e Alma Outra Vez”, também foi disco de ouro. O álbum traz um Repertório romântico, incluindo um dueto com Fábio Jr.

Em 2009, depois de emplacar vários sucessos em novelas, filmes e minisséries, Marina Elali lançou seu primeiro DVD. Nele estão reunidos os grandes hits que conquistaram o Brasil, gravados durante dois shows, no Rio de Janeiro e em Natal. Nessas apresentações, Marina mostra que é uma artista completa, através de sua performance e composições. Foram incluídos também videoclipes, um dueto especial com Jon Secada – na faixa “Lost Inside Your Heart”, que fez parte da trilha sonora de “Viver a Vida”.

Em 2010, foi lançado no Brasil, o novo CD/DVD do cantor Jon Secada, do qual Marina participa cantando ao vivo as músicas “Lost Inside Your Heart” e a inédita “Só te ver sorrindo...”, de autoria de Jon Secada, Jose Gaviria e de Marina. O show foi gravado no Rio de Janeiro e também teve a participação do Grupo Monobloco.

(Fonte: Tribuna do Norte)

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

NO CAMINHO DO PIATÓ

Bela fotografia do fotógrafo (vigilante  permanentedas principalmente das coisas e dos fatos do Açu-RN) Jean Lopes. Jean é ganhador de muitos prêmios país afora pelo seu brilhante trabalho através da fotografia. Afinal de contas Jean é natural de onde? Não é do Açu! Terra de tantas figuras, de tantos poetas, artistas plásticos e de bons fotógrafos como ele própio. Feliz Ano Novo Jean, que 2011 você venha com mais belíssimos trabalhos.

Fernando caldas

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

"ARTE DA TERRA"

20/07/2006
Celso da Silveira, poeta
clique para ver a imagem no tamanho original...

"Celso da Silveira merece também um lugar na imortalidade. Tem todos os méritos. Tem uma obra. Um trabalho digno de respeito. É um escritor, é um poeta, será o que quiser."

Dorian Jorge Freire


Nasceu em Assu, RN às 9 horas do dia 25 de outubro de 1929, sendo filho de João Celso da Silveira e Mariazinha Dantas da Silveira. Foi menino "levado", inquieto, peralta, traquinas, desassossegado. Típico menino de rua sem o sentido pejorativo de criança abandonada. Mas, criança carente de aventuras: jogo de bola de meia, queda de corpo, enpinar papagaio com linha cerol, encher balão Junino, na Matriz do padroeiro da cidade nos meses de junho, e de furar um buraquinho no papel de seda para que ele queimasse antes de ultrapassar a torre do "carneirinho" da igreja de São João Batista. E mais: sua grande farra era brigar com a meninada e em casa, ter estória para contar.

Uma vez, com seu amigo Bezerrinha (Antônio Bezerra de Gouveia - vizinho) sugeriu plantarem juntos um pé de farinha com açúcar preto, para terem o que lanchar sem tirar dinheiro escondido dos pais.

Cresceu, estudou no colégio das freiras, migrou para Fortaleza e foi fazer Admissão ao Ginásio no Colégio Castelo Branco da Arquidiocese. Fez-se ajudante de missa e bençãos de maio, a fim de usufruir de licença para comprar hóstias no Seminário de Prainha. No caminho vinha, aqui e ali, degustando as bolachinhas que iam ser o corpo e vida de Cristo depois de benzidas pelo celebrante.

Voltou ao Rio Grande do Norte, formou-se em Jornalismo, exerceu a função e por ela chegou ao ponto em que se encontra - professor de Comunicação aposentado, autor de 38 livretos, amigo e estimado por todos que o conheceram na convivência do bar ou do trabalho.

Este é o retrato como gosta de ser conhecido na cidade do Natal.

(in Celso da Silveira - Seleta de Causos - coleção Mossoroense, 2002)



Também daquela faixa algo heterogênea, do ponto de vista estético, embora todos praticantes do verso livre, com alguma incursão na temática regional, Celso da Silveira faz a sua estréia poética já na década de 1950, com 26 poemas do Menino Grande (1952). Daí em diante, colaborando nos jornais de Natal e com militância jornalística (primeiro assessor de Imprensa do governo Aluízio Alves), só voltaria a publicar livro de poesia em 1961, com imagem virtual, de parceria com Myriam Coeli.

Mais de 20 anos e passam até Celso da Silveira retomar a publicação de seus livros de poesia, Memorial do Grande Ponto (1983), Poesia Agora (1984), No reino da aresia (1987). Na metade da década de 90 publica mais três livros, Eu, pecador (1992), Versicanto (1992) e Trovas (19993). O poeta também incursiona por outros gêneros, do ensaio literário às narrativas, sendo que na prosa de ficção é elogiado como "excelente contador de estórias" e "insuperável contador de causos".

Presente em várias antologias poéticas, as mais recentes, Um dia a poesia (1996) e Poesia circular (1996), tendo passado pela direção da Tribuna do Norte, Jornal de Natal e rádio Cabugi, Celso da Silveira pertence à Academia de Trovas do Rio Grande do Norte, e se orgulha, segundo ele próprio, de dois títulos: o de Melhor Ator do Segundo Festival Nortista de Teatro Amador (Recife, 1956), e o de Asinus Minor, do Clube Mundial dos Jumentos - Primeira Cocheira Iguatutiva, concedido pelo padre cearense Antônio Vieira, autor do livro O jumento, nosso irmão.

(Assis Brasil - in A Poesia Norte-rio-grandense no Século XX)



Epitáfio



Aqui jaz o poeta

e não o canto

que dele foi deflagrado

como a flecha de um arco.

Em cada intercessão

do trajeto alcançado

inércia e movimento

ganham o mesmo compasso.

Paro e passo, paripassu

o canto e o silêncio

para sempre viajado.

(Poesia Agora - 1994)



Égua no pátio



A égua cardã flutuava

no plano plano do pátio.

As patas de luz tocavam

os extremos de outras patas

invertidas no chão molhado,

assim como refletisse

o animal no espelho.

- Como se fosse o animal

um objeto levitado.

(Poesia Agora - 1994)
Antipassadas



Agora que já é noite

no sobrado do meu avô

ouço passos de fantasmas

no assoalho do corredor.

Vêm lá da camarinha

subindo degraus da escada

ou são canções de ninar

ouvidas por entre fraldas?

Sussurros de quem se ama

sob lençóis no escuro,

vêm por quarto da cama

ou seguem ao fundo do muro?

Não há equívoco, por certo ...

vou surpreende-los no coito.

- Na cama tudo deserto.

ao muro não me afoito.

São fantasmas de ancestrais,

só fazem o bem, nada mais!

(Eu, pecador - 1992)
(Do site GeraldoRN)

Postado por Fernando Caldas

sábado, 25 de dezembro de 2010

CRISTO, ESTE ESQUECIDO

Quadro 1

Diálogo 1

- Alô? Mamãe? É Paulo, tudo bem?

- Olá, meu filho, tudo em paz. E você, como está de novo emprego e nova cidade?

- Muito bem, mãe. Estou ligando para que a senhora e o velho venham passar o feriadão da Semana Santa aqui. Vai ser animado, churrasco, música, bebidas, uma beleza!

- Que bom, filho, nós não tínhamos ainda pensado o que fazer nesses feriados. Nós vamos.

- Vê se o velho traz aqueles whiskies 12 anos que ele guarda, tá? Um beijo.

Quadro 1

Diálogo 2

- Olá Suzana, como vai? Faz tanto tempo que não lhe vejo.

- Tudo bem, Alice. É a correria do dia-a-dia, agora pior com a chegada do Natal. Um saco! As crianças eufóricas com o Papai Noel e seus presentes, ajeitar a arvore, você sabe como é que é.

- Estou na mesma situação. Fora a tristeza que dá na gente, não é? Coisa chata, o Natal.

- Eu detesto.

- Eu também. Feliz Natal.

- Pra você também.

Quadro 2

Monólogo 1 (A mãe de Paulo, do diálogo 1)

Meu Jesus, ajudai-me nesse momento que meu filho está na mesa de operação. Foi um acidente tão feio, Senhor, que só Sua bondade pode salvá-lo. Por favor, não deixe que ele morra, ele é ainda tão moço, tem tanta vida pela frente. E o Senhor sabe que nunca Lhe esqueço. Oh, meu Jesus, intervenha. Atenda esse apelo de uma mãe aflita.

Quadro 2

Monólogo 2 (Suzana ou Alice)

Senhor, Vós que morrestes na cruz socorrei meu filho no julgamento de amanhã. Eu sei que ele tinha bebido e bateu no outro carro de forma irresponsável, mas tanta gente comete erros e é perdoado, não é, Jesus? Sempre confiei no Senhor e creio no Seu poder para ajudar meu filho. E o rapaz do outro carro, de nome Paulo, que ainda está no hospital entre a vida e a morte, não deixe que ele morra, Senhor. Ajude a mim e à mãe dele, que deve estar desesperada.

Pode parecer duro e cruel, mas é assim que Cristo é tratado. Na sua morte, a euforia é geral. Afinal, é um feriadão, dá pra ir para a praia, uma fazenda, ou ficar em casa, recebendo amigos para festas e muita diversão. Poucos param para reverenciar Cristo. Poucos sequer sabem da sua agonia. E olhe que ele pagou com a própria vida sua missão.

Já no seu nascimento, as pessoas só se lembram de presentes, festas, Papai Noel, árvores de Natal, etc. Muito raramente, ouvimos ou vemos alguém se reportar a 25 de dezembro como o dia em que Ele nasceu. Poucos fazem dessa data um momento de alegria por Jesus haver nascido e nos dar tantas e tantas lições. Lições que pouco aprendemos. Ou, se aprendemos, raramente as colocamos em prática. É triste, mas é a verdade.

Colunistas Minervino Wanderley
(NatalPress}

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO