domingo, 7 de agosto de 2011

LAGOA DO PIATÓ

Fotografia do Murau [Facebook] de Ione Salem.

Sou Jandui, sou da taba,
Meu patrimônio ele só,
Riqueza que não se acaba,
Tem a várzea e o piató

Peixe, banho de lagoa
Riqueza que se conta mais
Bem vastos carnaubais.
Filho da terra dileta
O bravo de Curuzu
Nosso, um destino poeta,
Grandeza que é mesmo o Açu.

João Lins Caldas

TROVINHAS AMOROSAS

Parece troça, parece,
mas é verdade patente,
que a gente nunca se esquece
de quem se esquece da gente

Jader Andrade

A saudade se embaraça
e a paixão se intensifica...
- Nã0 pelo instante que passa,
mas pelo instante que fica!

Eduardo A. O. Toledo

As esperanças dos noivos
são coisas bem venturosas:
- Não querem na vida os goivos,
os sonhos enchem de rosas.

João Lins Caldas

sábado, 6 de agosto de 2011



Mané Beradeiro
Cidadão da lendária e mítica São Sarauê.
Contador de Causos e declamador de poesia matuta 
na literatura do Rio Grande do Norte

visite:http://franciscomartinsescritor.blogspot.com


[Do blog: Notícias da Lusofonia, de Ceicinha Câmara]

sexta-feira, 5 de agosto de 2011



Uma coisa que a ingratidão esquece é que o mundo dá tantas voltas que amanhã poderá estar precisando novamente de quem já lhe estendeu a mão, deu colo e amor. Certas coisas não deveriam ser esquecidas nunca. Amor com amor se paga. Bondade com bondade se paga. Afeto com afeto se paga. Dedicação com dedicação se paga. Cuidado com cuidado se paga. Ser grato é algo sublime, coisa de Deus.
De: MC




DO CHARGISTA POTIGUAR IVAN CABRAL

Charge do blog: leonardosodre.blogspot.com


FLOR ALADA


A lua irrompe a convite da noite
Resta ainda uma rosa acordada
O vento sopra e a estremece inteira
Transfigurando-a em flor alada

Ao som de sussuros bailam ao luar
Não há testemunhas, dorme o jardim
Aurora anuncia a necessária despedida
Beijam-se ao acorde de um bandolim

O sol inflige o podar das asas
A flor silente respira solidão
Na lembrança o aroma da cumplicidade
Nenhuma dança de amor é em vão...


JOÃO LINS CALDAS NA NOROESTE DO BRASIL

                                                         Imagem: flickr.com - Antigo vagão da E. F. Noroeste do Brasil.

João Lins Caldas [poeta potiguar do Assu] era funcionário público do Ministério do Trabalho no Rio de Janeiro. Entre 1927-30, esteve em Bauru, interior de São Paulo trabalhando na administração da  Estrada de Ferro Noroeste do Brasil - NOB, também conhecida popularmente como o "Trem do Pantanal". Aquela ferrovia que no começo era de iniciativa privada, passou a partir de 1917 a ser controlada pela união. O trem partia de Bauru, seguindo em direção noroeste a Mato Grosso [hoje Mato Grosso do Sul]. Pois bem, Caldas logo que chegou na terra baruense, assumiu o emprego e logo também começou a investigar irregularidades praticadas por pequenos funcionários e diretores daquela companhia. Não aceitando desmando no serviço público federal começou a denunciar através de ofícios e telegramas ao Ministro da Viação e Obras públicas José Américo de Almeida e ao presidente Getúlio Vargas cujas denuncias, talvez, tenha sido o motivo para que Vargas  por decreto lhe aposentou precocemente. O bravo Caldas [nada o intimidava] usava até da sua arte de poetar para registrar os apadrinhamentos, os abusos praticados naquela ferrovia que o deixava indignado, conforme podemos conferir no longo poema [muito atual] intitulado Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, escrito em 1927, que transcrevo adiante:  


Bauru. Nobreza da Noroeste.
A Cabeça tem corpo e Bauru tem cidade...
Capadácios, com milhares de contos.
Cafezais que vão longe, rumo de Mato Grosso...
 - E quando, enfim, tudo já desbravado...
As madeiras que se perdem, podres nas plataformas
Aqui e ali um assassinato.
Outro, um chefe político...
E mais o tom doutoral de um professo ser termos...
Ah!  Eu conheço isto,
Eu também que tolero tantas cousas.                                           
Vi a barranca do Paraná.
A ponte como torre.
E vi o orgulho da diretoria
Engenheiros sem construções, fardados nos seus empregos.
Eu, pobre de mim, funcionário da engenharia...
Outros professam melhores empregos.
Há a hora da política, com liberdade e compra de votos.
Circulares de armas afeito que ninguém vê nas repartições.
Um voto? Votar não se pode, quando a idéia é um pouco de encontro ao governo.
E o mais que se vê é a musica de pancadaria.
Mas é, um pouco, para armar por fora.
Eu sei, não logro uma promoção.
Não sei, não ouso pedir, tem o filho do senhor diretor.
Guia, quase, um automóvel.
Um pirralho, meu Deus, e eu que não vejo olhos tão inteligentes!
Musica sim, para quase tantas verbas!
Um criado é que sabe ser um ser inteligente.
Aquele, ali, promovido?...
Tem, com certeza, o seu valor...
O valor com certeza é ir a casa de quem se agrada...
Que casa linda, aqui, a do senhor diretor!
Os casamentos se fazem como em nobreza...
Esta terra, que jeito de nobreza ela guarda nos gestos!
Os capitães assassinos de inteligências intensificadas...
E ah! Como bem aqui se paga imposto!/ As ruas estão arruadas...
Um pouco, com as árvores que se cortam das ruas...
Calçamentos, do bom, do dinheiro do povo...
Orçamentos que não se vêem a passar de mil contos...
Anda bem, o povo mesmo é que não sabe nada...
Paga, paga outra vez...
Gritar? Isto é para mais uma vez o calçamento...
Histórias da Noroeste do Brasil
O que se ronca, palavreado por fora.
Regulamentos, leis, para o registro de folhas...
Este que tem a sua casa, ali, num pacote de velas...
Ali, também, aquela casa de comércio.
Essa outra com o seu associado.
Negócios para a estrada e negócios da estrada...
Escritos que me recordam a segunda seção...
Ah, mas no fim que dá certo.
Ó belas cousas da Noroeste!
Propinas da seção de embarque...
Os basbaques lá vão, eu sou bastante que ainda trabalho...
Eu sou basbaque, cumpro um dever.
Eu basbaque, tenho um dever.
Malha, martelo, malha este malho.
Noroeste do Brasil, minha paixão! 
Propinas da seção de embarque
- Os basbaques lá vão, que eu sou basbaque e sem que trabalhem...
Que dirá o diretor do tráfego,
Negócios por esta Noroeste,
Um sobrinho em negócios - Eu sei um pouco da fiscalização -
Mas vamos, sou poeta, e me falta um dever
Tenho um dever, e sem adulação.
Malha, martelo, bata no chão.

Postado por Fernando Caldas


Em tempo: O referenciado poema é parte integrante da Tese de Doutorado da professora Cássia Matos da UERN. 













quinta-feira, 4 de agosto de 2011

08_04_agripino_e_robson


CHARGE DO DIA

A Charge Online



FLOR DO AMOR

Quero te ofertar a flor
Dos beijos que plantei em tua boca.
Tem o perfume suave do amor
E a ternura de almas se encontrando.
Quando vires a flor entreaberta,
Lembra-te, querido amor,
Das lágrimas que a regaram.
E sentirás, quando beijá-la,
Um amargo sabor de sal
Que as pétalas trêmulas captaram.

Maria Eugênia Montenegro, poetisa potiguar do Assu.








quarta-feira, 3 de agosto de 2011

"Política é feita de tudo que é bom: música, foguetão, dança..."

Theodorico Bezerra

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO