terça-feira, 25 de dezembro de 2012

Nem a seca tira a beleza do Sertão



Neste fim de semana resolvi fazer uma viagem pelo interior do RN com o objetivo de fotografar os males causados pela seca. Sai de Natal as 6 horas da manhã do sábado, na companhia do parceiro Jailson Fernandes, paramos em Santa Cruz, São Bento do Trairi, Parelhas e Caicó e só chegamos de volta a Natal no finalzinho do domingo.

Os registros não foram somente de tristeza, o interior do RN é belo e no meio de toda sua fragilidade por causa da terrível seca, a gente encontra não só o belo, mas a demonstração da força e fé do sertanejo, seja na beleza dos templos religiosos, seja no Santuário de Santa Rita de Cássia em Santa Cruz ou mesma  na grande feira livre desta Cidade que movimenta economicamente, além de ser um grande atrativo para toda região e que atraem gente de longínquos lugares nos seus antiquados pau-de-arara. O belo está em todos os lugares, seja no verde da algaroba que não se fragiliza com a seca, seja no cantar dos galos de campina nos galhos secos da árvore que hiberna na esperança que a chuva chegue para novamente expor suas folhagem verde e bela.

Para amenizar o calor, seja andando a pé ou numa carroça só o guarda-chuvas ou a sombrinha colorida que até parece que da mais vida ao lugar num cenário onde casas já viraram ruínas  abandonadas por aqueles que foram em busca de vida melhor, muitas vezes na cidade grande.

A vida e a morte está sempre presente e é muito mais evidente nesta época. A vida demonstrada no nascimento do bezerro e a morte nas cruzes que ficam a beira da estrada ou nos restos dos animais mortos pela falta de alimento. Mas a esperança vem dos céus, tanto por sua beleza como pela fé extrema do homem do campo.

Se tem vidas, resta esperanças. Os galhos estão secos mais as árvores não mortas. Não é a seca ferrenha gerada pela falta de chuvas que vai tirar a esperança do sertanejo. Homem forte e sofredor, valente e de fé que enquanto a chuva não vem ele busca as mais sofridas formas para manter o seu gado vivo. Os que moram ao lado das barragens, que também já esvaziam por causa da estiagem, da evaporação e das comportas abertas, sofrem menos, pois ainda existe um reserva de capim e que a medida que a água dos açudes vai baixando ele vai plantando na margem ainda úmida.

A situação provocada pela seca se agrava a cada dia, mas a fé do sertanejo o mantem de pé e mesmo com os indícios que 2013 seja um ano de pouca chuva, ele continua esperançoso e não concebe a ideia de que o inverno não venha, pois a caos já chegou e mais um ano sem chuvas será não só um grande castigo dos céus, mas também uma catástrofe que trará prejuízos incalculáveis e mortais.

Do blog Fotojornalismo Canindé Soares

    segunda-feira, 24 de dezembro de 2012


    A melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. 

    Feliz Natal e Próspero Ano Novo! 

    A  melhor mensagem de Natal é aquela que sai em silêncio de nossos corações e aquece com ternura os corações daqueles que nos acompanham em nossa caminhada pela vida. 
Feliz Natal e Próspero Ano Novo!  <3

    Carta de Câmara Cascudo a Lêdo Ivo

    Quando o poeta Renato Caldas desejava publicar a segunda edição do seu livro intitulado Fulô do Mato, Câmara Cascudo apresentou aquele bardo assuense (que precisava de ajuda para publicar a referenciada antologia) ao poeta alagoano Lêdo Ivo, através de carta conforme adiante transcrita:

    Natal, 18-VIII-1945
    Poeta Lêdo Ivo

    Poeta por poeta seja tratado e assim, com um abraço, tenho tôda a alegria em mostrar a você o meu velho camarada e amigo secular Renato Caldas, poeta de letras populares, cheio de verve e obstinação mental, vivo vivo como um pé de vento. Renato vai publicar o livro dêle em segunda polarização e eu peço para êle sua amizade natural, nos vários planos de coração e de espírito. Será uma relação que você não esquecerá porque o Renato é miolo de aroeira, não esquecendo ponta de prego que o riscou nem cheiro de flor roçando nas folhas. Mande-me suas notícias. Tenho lido os poemas, clareira no meio dessa poeirada política indispensável. Como vai o Diretor? Lembre-me respeitosamente. Abrace aí o Renato e disponha do seu velho e certo adm. e amigo

    Luiz da Câmara Cascudo

    Rua da Conceição, 565


    Mensagem universal

    Maldita a mão que empunhou primeiro
    As armas e a Bandeira da Discórdia;
    E, no momento estremo, derradeiro
    Vibrou o golpe de Misericórdia.

    Maldito, o que partiu como guerreiro,
    Semeando a semente da Mixórdia
    E aquele que serviu de sinaleiro
    Para afastar dos homens a Concórdia.

    Benditos sejam os olhos que perdoam,
    Os lábios que unem... que se beijam,
    As mãos humildes que nos abençoam.

    Bendita a Paz sublime e Redentora!
    Benditos os pensamentos que vicejam
    Em prol da humanidade sofredora.

    Renato Caldas, poeta potiguar
    Mensagem universal

Maldita a mão que empunhol primeiro
As armas e a Bandeira da Discórdia;
E, no momento estremo, derradeiro
Vibrou o golpe de Misericórdia.

Maldito, o que partiu como guerreiro,
Semeando a semente da Mixórdia
E aquele que serviu de sinaleiro
Para afastar dos homens a Concórdia.

Benditos sejam os olhos que perdoam,
Os lábios que unem... que se beijam,
As mãos humildes que nos abençoam.

Bendita a Paz sublime e Redentora!
Benditos os pensamentos que vicejam
Em prol da humanidade sofredora.

Renato Caldas, poeta potiguar


    DE NOVO, O MUNDO NÃO SE ACABOU. MAS ATÉ QUANDO?

    Pirâmide Kukulkan, em Chichen Itza, no México
    Pirâmide Kukulkan, em Chichen Itza, no México
    Fonte - http://www.jb.com.br/ciencia-e-tecnologia/noticias/2012/12/22/de-novo-o-mundo-nao-acabou-mas-ate-quando/
    O dia 21 de dezembro passou, e você está sentado na cadeira lendo este texto. Ou seja, o mundo não acabou. Mesmo os mais céticos, que não acreditavam que o planeta seria destruído nessa data, provavelmente passaram a fatídica sexta-feira com os olhos e ouvidos mais apurados. Em segredo, ficaram atentos a ruídos que poderiam anunciar uma chuva de meteoros, um planeta em rota de colisão com a Terra ou um tsunami. Prestaram atenção aos mínimos tremores: “Não, não é um terremoto – apenas o celular vibrando”. Olhavam furtivamente para o céu. Claro que nada além do normal aconteceu, como especialistas já previam.
    De qualquer maneira, o alarde provocado por interpretações apocalípticas do calendário maia causaram angústia em muita gente que não gostaria de ver encerrada tão repentinamente a vida terrestre. Por ora, você pode ficar mais tranquilo. Mas até quando?
    Apocalípticos
    O médico e astrólogo erudito Michel de Nostredame nasceu em 1503, na França. Porém a forma latina de seu nome, Nostradamus, ficou conhecida por uma outra ocupação: suas profecias. Ele escreveu inúmeras previsões sobre o futuro, algumas vezes até especificando quando os fatos iriam acontecer. Codificadas, as profecias eram escritas em quatro versos, ou seja, com pouco aprofundamento e descrição. Com isso, seus escritos foram e são interpretados de formas diversas.
    Nostradamus
    Nostradamus
    Alguns intérpretes garantem que o francês adivinhou o surgimento de Napoleão Bonaparte e Adolf Hitler. Em uma de suas profecias, Nostradamus fazia menção ao ano de 1999, quando surgiria o rei do terror, que o planeta conheceria no continente asiático. Além disso, escreveu que o “grande fogo”, ou seja, o Sol, tombaria do céu e deixaria a Terra em trevas durante alguns dias. A Terra tremeria logo a seguir. O rebuliço todo, naquele ano, aconteceu devido a um eclipse total do Sol no dia 11 de agosto, o último do milênio. Muito se falou, então, que os escritos de Nostradamus previam o fim do mundo naquela data.
    Nada aconteceu. Os mais assustados, contudo, mal tiveram tempo para comemorar, pois uma nova neurose apocalíptica surgia com muito mais força: o bug do milênio. Com a virada de 1999 para 2000, a preocupação era com computadores que utilizavam softwares mais antigos, nos quais os dígitos referentes ao ano nas datas passaria de 99 para 00 e a máquina consideraria como 1900. O temor racional é que isso geraria uma grande confusão em alguns sistemas, principalmente do setor bancário – boletos emitidos com 100 anos de atraso, bagunça na lista de credores e devedores, caos nos radares de aeroportos, etc. A insegurança se disseminou e gerou um certo pânico a uma parte da população, que de alguma maneira ligou tudo ao fim do mundo.
    Maias
    Nada aconteceu. Apesar dos dois temores recentes de um possível fim da vida na Terra – e a consequente invalidação dessas teorias -, nunca se falou tanto no assunto quanto em 2012. E novamente, por interpretações equivocadas. A Estela 6 é um tipo de totem, provavelmente do século 7, encontrado no antigo assentamento de Tortuguero, no México. Nesse e em outros monumentos, há gravações do calendário maia, no qual o último dia seria 21 de dezembro de 2012.
    Entretanto, afirmam os especialistas, isso não quer dizer que o mundo acaba aí, mas apenas que se encerra o baktun 13, uma marcação de tempo equivalente a milhares de anos. Para justificar essa ideia, houve teorias sobre uma desordem gravitacional provocada pelo alinhamento dos planetas, tempestades solares, astros em rota de colisão com a Terra.
    Novamente nada aconteceu. Mas muitas pessoas continuam preparadas, se preparando e prestes a se preparar. Já teve até gente afirmando que, em 2013, o movimento de rotação do planeta cessará, e quem tiver o azar de permanecer no lado escuro não terá boa sorte. O professor Hernán Mostajo, diretor do Museu Internacional de Ufologia, História e Ciência de Santa Maria, Rio Grande do Sul, está acostumado a ouvir relatos não muito racionais.
    “O dia 21 de dezembro é só um ciclo no calendário maia, uma divisão de tempo de longa duração”, diz. Para ele, acreditar em catástrofes naturais sem nenhum embasamento científico tem a ver com o desejo de presenciar algo muito inusitado. “Sempre foi assim. As pessoas se entregam a uma falsa realidade. É uma vontade tão fantástica de ver isso que acabam transformando o imaginário em realidade aparente”, afirma.
    O fim
    E pelo lado da ciência? Algum dia a Terra deve, sim, acabar – isso é consenso. Entretanto, de acordo com o professor Adolfo Stotz Neto, presidente do Grupo de Estudos de Astronomia do Planetário da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), o fim vai demorar muito tempo. “As distâncias e eventos no universo são absolutamente lentos”, afirma.
    Sol quente
    Segundo ele, o fim do mundo vai acontecer em decorrência de uma expansão do sol, antes de sua morte. “Daqui a cinco bilhões de anos, antes que ele arrefeça, perderá força de sustentação e se expandirá. Obviamente a Terra fará parte do sol”, revela. “O fim natural da Terra vai acontecer, quando o sol se transformar em um gigante vermelho e seu raio crescer”, explica o professor Wagner Marcolino, do Observatório do Valongo, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ressaltando, assim como Adolfo, que isso só deve acontecer daqui a bilhões de anos.
    Outro perigo são as quedas de asteroides. “Existem crateras que comprovam que já caíram asteroides muito grandes”, conta Marcolino. “Garanto que não tem como acontecer um grande choque em 50 ou 100 anos. E os cometas são mais perigosos do que asteroides, mas são feitos de água e gelo, então se desmancham antes de cair”, pontua Stotz Neto. Conforme o pesquisador, Júpiter, o maior planeta, é o “escudo” do sistema solar, pois absorve a maioria dos cometas. “Os asteroides perigosos são os de níquel e ferro, mas apenas uma vez foi registrado que um atingiu uma pessoa. Noventa e nove por cento cai na água”, conclui.
    A probabilidade de você acompanhar a destruição da Terra, portanto, é irrisória. Mas, até a hora final, pode ter certeza: muita gente vai se preparar para o apocalipse. E nada vai acontecer. Então vão se preparar para o próximo. E para o próximo.

    Natal, a cidade que completa amanhã 413 anos, está sem prefeito


    Veja na íntegra nota oficial do vereador Ney Lopes Júnior anunciando o seu afastamento da prefeitura da capital potiguar, em cumprimento a ordem judicial do desembargador Amaury Moura: 
    A decisão judicial impede que pratique qualquer ato administrativo, inclusive a determinação para o pagamento dos salários que vinha dando total prioridade.
    Nestas condições aguardarei, já afastado da Prefeitura de Natal, o momento de transmissão do cargo de Prefeito, a quem for determinado pela justiça.
    Encaminho ofício à Câmara Municipal de Natal, comunicando o meu afastamento imediato do cargo de Prefeito de Natal e por ato contínuo, a assunção ao cargo de vereador municipal, até o último dia do mandato.
    Ratifico que a minha investidura como Prefeito de Natal decorreu do impedimento legal da Prefeita Micarla de Souza, afastada por ordem judicial e da regra legal expressamente consignada no artigo 51, parágrafo único, da Lei Orgânica do município de Natal.
    Durante o curto período do exercício do cargo de Prefeito de Natal gratifica-me ter assinado, após esforços contínuos, os contratos com a Caixa Econômica que viabilizam definitivamente a efetivação das obras de mobilidade urbana na Copa do Mundo de 2014 em Natal, a reforma da Maternidade Leide Morais e as obras de urbanização do Passo da Pátria.
    Além disso, mantive-me abnegado na busca de soluções para o pagamento do funcionalismo público, professores e terceirizados, todos em atraso há meses.
    Infelizmente, este esforço é interrompido, pelas razões expostas.
    Desconheço, até o momento, o posicionamento do vereador Edivan Martins, presidente da Câmara Municipal de Natal, não tendo sido possível contato com o mesmo, após a ordem judicial.
    No cumprimento da difícil missão que me foi outorgada, agradeço o apoio, compreensão e estímulo da população; dos órgãos de imprensa; dos auxiliares e funcionários da Prefeitura de Natal; do Ministro e Senador Garibaldi Alves Filho, que demonstrou solidariedade e receptividade para intervir, com sucesso, junto ao Ministério da Saúde; do futuro prefeito Carlos Eduardo, a sua equipe de transição, da governadora Rosalba Ciarlini, que atendeu a solicitação que lhe fiz, mantendo a tradição na orla marítima da cidade, com o espetáculo pirotécnico no final de ano, em razão da Prefeitura ter outras prioridades financeiras a atender, a começar pelo pagamento do funcionalismo. Além do Procurador Geral do Município Francisco Wilkie e do futuro Procurador Geral Carlos Castim.
    Em momento algum me omiti durante a temporariedade do exercício da Prefeitura de Natal, enfrentei o desafio com responsabilidade e equilíbrio e procurei cumprir o dever, mesmo diante de todas as dificuldades e limitações do exíguo tempo.
    Às vésperas do Natal do Senhor e no simbolismo da cidade, cujo nome recorda a manjedoura de Belém, lembro Clarice Palma, a conterrânea ilustre, chamada “a embaixatriz poética do Nordeste”, que eternizou o Natal em Natal com o seu poema “Minha cidade-luz!”: “Já vem chegando o Natal, nascimento de Jesus; e Natal, cidade-luz; é o Presépio Iluminado; sob um céu azulado; junto ao mar sereno e lindo; como um lençol verde e infindo; ornado de brancas rendas; feitas de brancas espumas!”
    A todos os natalenses e norte-rio-grandenses desejo um Feliz Natal, com Paz, Amor e Fraternidade.
    Natal, 24 de dezembro de 2012.
    Ney Lopes Jünior
    Vereador de Natal”
    Não se pode entrar na vida de alguém, fazer com que ela se importe depois simplesmente sair.”

    The Walking Dead.

    Permita-se
    Hoje eu recebi procuração de um pássaro para abrir a manhã e fechar o anoitecer.

    Manoel de Barros

    Infinito Particular

    domingo, 23 de dezembro de 2012

    UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO