quarta-feira, 15 de maio de 2013


A ti ofereço esta flor
que desabrocha em delírios e sons
contem o cheiro dos carinhos
que tem perfume do amor
e a maciez de tua tez
em suas pétalas multicolores.
Na mais rica sinfonia
a mais graciosa e linda flor
na mais suave melodia.
E se um dia tudo há-de ser silencio
que dance eu sem me cansar
com os sons da minha alma.
Cristina Costa

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A ti ofereço esta flor 
que desabrocha em delírios e sons
contem o cheiro dos carinhos 
que tem perfume do amor 
e a maciez de tua tez 
em suas pétalas multicolores.
Na mais rica sinfonia 
a mais graciosa e linda flor
na mais suave melodia.
E se um dia tudo há-de ser silencio
que dance eu sem me cansar 
com os sons da minha alma.

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 foto de Abra Seu Coração!!! Voe Como As Borboletas.
O que aprofunda o seu conhecimento torna menos funda a ignorância!

(Simples-mente)
[Emílio Miranda]
















O que aprofunda o seu conhecimento torna menos funda a ignorância!

(Simples-mente)
[Emílio Miranda]


O CANTOR DA MINHA ADOLESCÊNCIA

MANÉ RAPOSA – A ESTRELA DO MUNICIPAL


Manoel Balbino dos Santos - "Manê Raposa" (foto) – 65 anos, casado com Raimunda Maria de Souza, pai de três filhos. Nasceu no sítio Timbaúba – Ipanguaçu. Veio para o Assu com quatro anos morar com os avós. Estudou até o científico no Ginásio Pedro Amorim, naquela cidade, concluindo em 1972.

EMPREGOS

O primeiro emprego foi como padeiro de Jaime de Antônio Carneiro, depois com Tarcísio da sorveteria, em seguida (1967) ingressou como vocalista na Banda do Sr. Cristóvão “Os Professores”. Aí vieram:Sambrasa (Caicó); Fórmula Cinco(Macau); The Love (Lajes); Alta Tensão(Sapé-PB); Perdidos & Achados(Mossoró); Brasa Samba Show (Assu);Banda Saltérios (Assu); Sistema Cinco (Afonso Bezerra);Roda de Samba (Assu) e Banda Terço (Assu). Sempre como vocalista.

Atualmente Manoel não exercita mais essa atividade, se limitando a ficar em casa com a esposa, que é aposentada, ele não, e a enviar “bilhetes” para amigos quando tem alguma dificuldade. Manoel e família moram na casa n 1738 da Rua 24 de Junho – vizinha a AABB.

ENTREVISTA CONCEDIDA A GILVAN LOPES EM MARÇO DE 2008:

G: Você desistiu de ser interprete. O que deu errado?
- Um arrependimento. Foi só uma oportunidade que eu tive de gravar com Roberto Múller, ele quis me levar, eu não fui. Isso contribuiu muito para não dar certo. Foi o meu primeiro erra na carreira, em 1972, aqui em Assu.

G: Mesmo com esse arrependimento continuou cantando?
Continuei. Era minha vida, né? O conjunto era melhor do que o vestibular... Em conjunto nunca me decepcionei.

G: Mané Raposa. Como surgiu esse nome?
A gente vinha de um jogo em Jucurutu num carro tipo Pau-de-arara fomos jogar lá aí, de lá pra cá, eu me levantei e gritei: - Lá vai uma raposa! – Todo mundo olhou ninguém viu. Daí pra cá, Chico Lamparina e outros me batizaram de “Mané Raposa”. Hoje se perguntarem quem é Manoel Balbino, ninguém sabe.

G: E quanto a “Mané Fox”?
Foi uma turma do municipal: Ronaldo Soares, Lourinaldo, Jaques – irmão de Chico Lamparina, e outros... Abrahão que está no Canadá, Olegário, Seu Ademar do Correio – que era professor de inglês... Eu não sabia não, mas depois me disseram que ‘fox’ era raposa... Raposa em inglês, mas num pegou não. Até hoje, graças a Deus, a raposa é mais forte.

G: Quando foi o auge de Mané Raposa?
- De 70 a 85 quando acabou a Roda de Samba.

G: O que você ganhou nessa época? O que tirou de positivo?
As amizades que eu tenho, eu ganhei com a música. Gilvan, eu vou dizer uma coisa a você: Tem um amigo meu em Macau, fui tocar uma vez lá, assim que tinha surgido “Mar de Rosas”. Eu cantei “Mar de Rosas” 25 vezes numa festa só pra esse senhor, ele era estivador... Eu cantava, ele fazia assim (faz gesto) com o dedo. Eu cantava de novo. Até hoje é o maior amigo que tenho em Macau. Seu Gino.

G: Como era cantar em inglês, sem saber inglês?
- Decorava a pronúncia e a melodia. Pronto. Cantava por intuição. Eu dizia uma coisa, as pessoas entendiam outra. Mas, eu acho que isso nunca existiu não.

G: Está a quanto tempo fora de banda?
Desde 1985.

G: Segundo Barrinho (Valderson Inácio de Oliveira), companheiro de Roda de Samba e farra, você já se despediu da vida artística 16 vezes... Vai ter outra?
Todo ano, né? Enquanto tiver voz...

G: Que história é essa dos bilhetes?
É assim: as vezes eu não quero falar no seu ouvido na frente de alguém, aí escrevo um bilhete com aquilo que estou necessitando, você ler e me atende? Né certo?

G: Quem são as pessoas mais endereçadas, você pode dizer?
Há!... A pessoa que recebeu mais bilhete foi Rivanildo do Cartório. Perdi a conta. Depois dele, Quinha de João branco, Batistinha do Jogo do Bicho e outros... Agora quero ver bandas, tá com amigos... Gosto muito de Djavan. É.

Fonte: Revista Rebuliço nº 17, Jan/Fev/Março de 2008.

terça-feira, 14 de maio de 2013


 
O Amor do Soldado


Em plena guerra levo-te a vida
 a ser o amor do soldado.

 Com teu pobre vestido de seda,
 tuas unhas de pedra falsa
 te toco caminhar pelo fogo

 Vem aqui, vagabunda,
 vem beber sobre meu peito
 rubro sereno.

 Não querias saber onde andavas,
 eras a companheira do baile
 não tinhas partido nem pátria.

 E agora a meu lado caminhando
 vês que comigo vai a vida
 e que detrás está a morte.

 Já não podes voltar a dançar
 com teu traje de seda na sala.

 Te vais a rasgar os sapatos,
 mas vais crescer na marcha.

 Tens que andar sobre as espinhas
 deixando gotinhas de sangue.

 Beija-me de novo, querida
 Limpa o fuzil, camarada.
  

 PABLO NERUDA















O Amor do Soldado

Em plena guerra levo-te a vida
a ser o amor do soldado.

Com teu pobre vestido de seda,
tuas unhas de pedra falsa
te toco caminhar pelo fogo

Vem aqui, vagabunda,
vem beber sobre meu peito
rubro sereno.

Não querias saber onde andavas,
eras a companheira do baile
não tinhas partido nem pátria.

E agora a meu lado caminhando
vês que comigo vai a vida
e que detrás está a morte.

Já não podes voltar a dançar
com teu traje de seda na sala.

Te vais a rasgar os sapatos,
mas vais crescer na marcha.

Tens que andar sobre as espinhas
deixando gotinhas de sangue.

Beija-me de novo, querida
Limpa o fuzil, camarada.


PABLO NERUDA
Imagem do Facebook

TALENTO ASSUENSE

DICA DA NOBEL CULTURAL
 
Na Nobel, além de literatura, um pouco da melhor música, a Prata da Casa Musical.
Não há como ficar indiferente ao lirismo do assuense Mariano Tavares. Como não embarcar nos seus sonhos, e segui-los, como um trem desenfreado, sem parar, sem parar? É difícil, também, não perceber participações especiais, destacando-se a sonoridade de um piano, que nos empurra, conduz. São os acordes galopantes de Humberto Luiz, arranjador e coprodutor.
Afinal, para onde os sonhos vão? Se perdem a noção, amam demais, são mais reais quando se vestem de dor? Não sei, não sei.
E, se a dor fosse morta, em pleno cartaz, seria o fim?
Talvez restasse a poesia, para montar cavalos de Troia, para nos aliviar.
Trecho de “PARA ONDE OS SONHOS VÃO?” (Faixa 08, com a participação de Simona Talma)
Será que os sonhos também se embriagam?
Perdem a noção do tempo e os limites?
Será que amam demais?
Será que são mais reais?
Quando se vestem de dor?

Serviço:
CD “SEM PARAR”, Mariano Tavares, 2012
11 faixas, preço: R$ 20,00 

Onde comprar: Livraria Nobel Salgado Filho.

segunda-feira, 13 de maio de 2013

"A História da Abolição no Assu'' - RN


Hoje, 13, é o dia da Abolição dos Escravos. Este livro, publicado em 1885 (reeditado pela Sebo Vermelho Edições, de Natal), conta "a história da abolição no Assu", Rio Grande do Norte, bem como determina as datas e a ordem dos acontecimentos históricos, relativos a escravos africanos e da "Áurea Lei que aboliu a escravidão". E lá está o Assu, registrado como um dos primeiros municípios brasileiros, depois de Mossoró-RN, a abolir os escravos existentes naquele importante município potiguar, em 24 de junho de 1885, senão vejamos adiante:







Governadora Rosalba almoça com Ronaldo Fenômeno, Bebeto e membros da Copa 2014 http://bit.ly/166OEQc
Governadora Rosalba almoça com Ronaldo Fenômeno, Bebeto e membros da Copa 2014 http://bit.ly/166OEQc


O assuense Armênio Tinôco, ladeado pelo ex jogador Ronaldo Fenômino.

"A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil, pela Princesa Isabel (Princesa Imperial do Brasil."
A Lei Áurea (Lei Imperial n.º 3.353), sancionada em 13 de maio de 1888, foi a lei que extinguiu a escravidão no Brasil, pela Princesa Isabel (Princesa Imperial do Brasil.


A BUSCA PELA TRIPULAÇÃO DA B-24 PERDIDA NA AMAZÔNIA

Um B-24 decolando, visão comum em Parnamirim Field
Um B-24 decolando, visão comum em Parnamirim Field
O RESGATE NA DÉCADA DE 1990 
Quando, finalmente, em janeiro de 1943, o presidente Roosevelt convenceu Getúlio Vargas a entrar na guerra, este firmou um contrato que cedia bases no nordeste e norte do país às forças americanas em troca de uma usina siderúrgica (CSN) de última geração a ser instalada em Volta Redonda, RJ. O que se seguiu foi uma intensa construção de bases operacionais em Belém, Fortaleza, Natal, Recife, Salvador e Ilhéus com um afluxo imenso de militares americanos apoiando aeronaves que fariam a travessia do Atlântico rumo à África e à guerra no norte daquele continente.
Essa inusitada invasão de militares estrangeiros suscitou a criação de várias estórias relacionadas ao choque cultural de duas nações com costumes tão diferentes. Conta-se até que o termo forró nasceu dessa convivência forçada. Registrou-se que militares instalados em Pernambuco para construir a Base de Recife, promoviam bailes abertos ao público, ou seja, for all. Assim, o termo passaria a ser pronunciado “forró” pelos nordestinos. Nada comprovado, no entanto. Outra consequência quase natural de tantas aeronaves de guerra sobrevoando as regiões norte e nordeste, foram os acidentes aéreos.
Consolidated B-24 “Liberator” era o bombardeiro americano de maior produção que qualquer outro avião americano durante a Segunda Guerra Mundial, e foi usado pela maioria dos Aliados durante o conflito. Era um bombardeiro pesado desenhado especialmente para voos de longa distância, tinha capacidade de levar 5800 quilos de bombas e era guarnecido por dez tripulantes. Grande número dessas aeronaves compôs as esquadrilhas que faziam pousos no Brasil para depois atravessar o Atlântico. Assim, as 09:15 da manhã do dia 11 de abril de 1944 a aeronave B-24 “Liberator” número de série 42-95064 da USAAF solicitou ao centro de controle de Belém, informações sobre as condições meteorológicas. Foi a última comunicação que fez, nada mais se soube dela durante 51 anos.
Local da queda de uma aeronave na selva. Dependendo da situação geográfica do local, os destroços podem demorar anos, ou jamis serem encontrados
Local da queda de uma aeronave na selva. Dependendo da situação geográfica do local, os destroços podem demorar anos, ou jamis serem encontrados
Os Estados Unidos mantêm um órgão destinado a identificar restos mortais de seus soldados considerados desaparecidos em combate e procurar os possíveis parentes desses militares mortos. Esse órgão, Laboratório Central de Identificação do Exército  no Havaí (CILHI), já identificou milhares de soldados desaparecidos – especialmente do Vietnã – a partir mesmo de restos mortais diminutos, após um processo que envolve longas horas de análise científica e emprego da técnica de DNA. Pois, no ano de 1990, o CILHI recebeu informações que uma equipe de militares da FAB havia encontrado destroços de uma aeronave B-24 em uma área desabitada, isolada da floresta amazônica. Deslocou então 15 homens do exército para, juntamente com militares brasileiros, fazer a identificação da aeronave e, se possível, recolher restos mortais dos tripulantes.
Uma equipe da FAB ajudou os pesquisadores CILHI durante um esforço de recuperação de três semanas em uma área de densa floresta cerca de 50 milhas a nordeste do rio Amazonas próxima à cidade de Macapá, localizada cerca de 250 quilômetros a noroeste do destino do avião, Belém. Inicialmente os pesquisadores encontraram dois conjuntos de “dog tags” (plaquetas de identificação que os militares trazem penduradas no pescoço) e numerosos fragmentos de ossos no local.
Uma B-24 sobre a selva amazônica em direção a Belém e depois Natal
Uma B-24 sobre a selva amazônica em direção a Belém e depois Natal
Ficou patente, pelas condições dos fragmentos da aeronave, que todos os 10 tripulantes morreram na queda, não havia sinais que indicassem alguma possível sobrevivência. Duas semanas de escavação no local do acidente não acrescentou nada ao que já se tinha descoberto. Contudo, depois terem escavado vários metros de profundidade e estarem começando a perder a esperança, eles começaram a encontrar ossos, anéis e “dog tags” com nomes e as patentes escritas sobre eles.
Onde o avião caiu um investigador encontrou uma carteira, e outro teria encontrado várias notas de dólar de 1944, concluiu-se que o impacto de alta velocidade da queda significava que pouco restou da aeronave. E a maior parte dos destroços – espalhados por uma vasta área e em repouso por 51 anos – nunca serão recuperados. Depois de três semanas, a equipe recuperou os restos mortais de todos os 10 tripulantes e realizou um serviço cerimonial para a tripulação em Macapá, capital do Amapá e, em seguida, os restos foram levados para os EUA.
Em pouco tempo, mais tarde, os peritos forenses CILHI confirmaram que os restos mortais eram, de fato, da tripulação do “Liberator” 42-95064.
Túmulo dos aviadores mortos na amazônia
Túmulo dos aviadores mortos na amazônia
Os tripulantes foram identificados como sendo:
1 – Segundo tenente Edward I. Bares, piloto;
2 – Segundo tenente Robert W. Pearman, co-piloto;
3 – Segundo tenente Laurel C. Stevens, bombardeador;
4 – Primeiro tenente Floyd D. Kyte Jr., navegador;
5 – Sargento John Rocasey, artilheiro do nariz da aeronave;
6 – Sargento John E. Leitch, engenheiro de voo;
7 – Sargento. Michael Prasol, artilheiro de cauda;
8 – Sargento Herman Smith, artilheiro do ventre;
9 – Sargento Max C. McGilvrey, artilheiro da torre superior;
10 – Sargento Harry N. Furman, operador de rádio (substituto não registrado como tripulante efetivo).
O desconhecido Harry N. Furman não faz parte da tripulação original do avião, provavelmente substituiu o operador de rádio Sargento Abe Pastor, no vôo fatídico. O destino de Pastor é desconhecido. “É provável que o chefe da equipe de terra pode muito bem ter substituído um dos tripulantes, que teria ido por mar”, disse Kevin Welch, um veterano B-24. “Às vezes, algumas posições eram operadas por tripulantes não-membros”.
Os restos da tripulação foram enterrados no Cemitério Nacional de Arlington, Washington, no dia 20 de fevereiro de 1995. JAIR, Floripa, 04/05/12.
Dados sobre essa matéria podem ser encontrados nos saites:
Autor – Jair C. Lopes

domingo, 12 de maio de 2013

Dia das mães

"Mãe! eu volto a te ver na antiga sala 
onde uma noite te deixei sem fala 
dizendo adeus como quem vai morrer. 
E me viste sumir pela neblina, 
porque a sina das mães é esta sina: 
amar, cuidar, criar, depois... perder. 
Perder o filho é como achar a morte. 
Perder o filho quando, grande e forte, 
já podia ampará-la e compensá-la. 
Mas nesse instante uma mulher bonita, 
sorrindo, o rouba, e a avelha mãe aflita 
ainda se volta para abençoá-la 

Assim parti, e nos abençoaste. 
Fui esquecer o bem que me ensinaste, 
fui para o mundo me deseducar. 
E tu ficaste num silêncio frio, 
olhando o leito que eu deixei vazio, 
cantando uma cantiga de ninar. 

Hoje volto coberto de poeira 
e te encontro quietinha na cadeira, 
a cabeça pendida sobre o peito. 
Quero beijar-te a fronte, e não me atrevo. 
Quero acordar-te, mas não sei se devo, 
não sinto que me caiba este direito. 

O direito de dar-te este desgosto, 
de te mostrar nas rugas do meu rosto 
toda a miséria que me aconteceu. 
E quando vires e expressão horrível 
da minha máscara irreconhecível, 
minha voz rouca murmurar: ''Sou eu!" 

Eu bebi na taberna dos cretinos, 
eu brandi o punhal dos assassinos, 
eu andei pelo braço dos canalhas. 
Eu fui jogral em todas as comédias, 
eu fui vilão em todas as tragédias, 
eu fui covarde em todas as batalhas. 

Eu te esqueci: as mães são esquecidas. 
Vivi a vida, vivi muitas vidas, 
e só agora, quando chego ao fim, 
traído pela última esperança, 
e só agora quando a dor me alcança 
lembro quem nunca se esqueceu de mim. 

Não! Eu devo voltar, ser esquecido. 
Mas que foi? De repente ouço um ruído; 
a cadeira rangeu; é tarde agora! 
Minha mãe se levanta abrindo os braços 
e, me envolvendo num milhão de abraços, 
rendendo graças, diz: "Meu filho!", e chora. 

E chora e treme como fala e ri, 
e parece que Deus entrou aqui, 
em vez de o último dos condenados. 
E o seu pranto rolando em minha face 
quase é como se o Céu me perdoasse, 
me limpasse de todos os pecados. 

Mãe! Nos teus braços eu me transfiguro. 
Lembro que fui criança, que fui puro. 
Sim, tenho mãe! E esta ventura é tanta 
que eu compreendo o que significa: 
o filho é pobre, mas a mãe é rica! 
O filho é homem, mas a mãe é santa! 

Santa que eu fiz envelhecer sofrendo, 
mas que me beija como agradecendo 
toda a dor que por mim lhe foi causada. 
Dos mundos onde andei nada te trouxe, 
mas tu me olhas num olhar tão doce 
que , nada tendo, não te falta nada. 

Dia das Mães! É o dia da bondade 
maior que todo o mal da humanidade 
purificada num amor fecundo. 
Por mais que o homem seja um mesquinho, 
enquanto a Mãe cantar junto a um bercinho 
cantará a esperança para o mundo!"

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO