segunda-feira, 24 de junho de 2013
Entrevista com Claudio Barra, membro do Partido NOVO
Abaixo a entrevista concedida por Claudio Barra, personagem importante no Partido NOVO.
1) Qual é a posição do NOVO em relação a reeleição para cargos do legislativo? Por quê?
RESPOSTA: O NOVO acredita na limitação ao “carreirismo político”. Para tanto, é vedado ao filiado eleito para cargo no Poder Legislativo que se candidate a mais de uma reeleição consecutiva. A oxigenação do sistema político é fundamental. A atuação parlamentar deve ser uma prestação de serviço do cidadão eleito e não uma profissão.
2) É comum o NOVO dizer que não é político, mas um partido político que se recusa a ser político não soa estranho? Para quando podemos contar com o NOVO participando de eleições? O que ainda falta?
RESPOSTA: O NOVO nasce sem políticos porque tem como objetivo atrair a participação do cidadão comum, o pagador dos impostos, o cidadão de bem, que normalmente não participa da vida política e partidária porque acredita que não pode fazer a diferença e que é um ambiente de desvios e corrupção. O NOVO é a semente de transformação das velhas práticas políticas tão condenadas pela sociedade. Temos a perspectiva de finalizar o processo de coleta de assinaturas de apoio nos próximos meses e, com isso, conseguir o registro junto ao TSE. Buscamos
3) Liberação das drogas, aborto, venda de órgãos, eutanásia, redução da maioridade penal e pena de morte. Qual é a posição do NOVO sobre esses temas?
RESPOSTA: São temas complexos e para os quais o NOVO ainda não tem uma posição fechada. Pretendemos abrir discussões sobre estes temas com os futuros filiados do NOVO. Mas vale mencionar que os debates terão sempre como base os valores do NOVO. Para alguns destes itens, por exemplo, poderíamos recomendar plebiscitos e uma decisão no nível estadual.
4) O que o NOVO tem de diferente em relação a outros partidos políticos?
RESPOSTA: Do ponto de vista da estruturação partidária, destaco alguns diferenciais que já fazem parte do Estatuto do NOVO. Primeiramente, a Ficha Limpa é pré-requisito para filiação partidária de todos os membros. A gestão partidária não pode ser feita por candidato ou por ocupante de cargo eletivo, ou seja, é independente e descentralizada. Os suplentes e vices candidatos são escolhidos em convenção de modo independente da candidatura ao cargo principal. Os candidatos assumem compromisso de cumprimento do mandato parlamentar, de gestão e de atuação legislativa, prevendo metas a serem cumpridas. O NOVO prestará suporte ao candidato e ao mandatário, com a criação de órgão de apoio e controle que desenvolverá técnicas, métodos, e padrões de atuação que resultem na maior eficiência de suas atividades. Do ponto de vista programático, o NOVO pretende preservar as liberdade individuais e a propriedade privada em oposição ao estado paternalista; rever o papel do estado, reduzindo o escopo de atuação, a carga tributária, a complexa legislação e regulamentação. Pretendemos promover a livre iniciativa com estímulo a um ambiente empreendedor e a cultura da excelência. Para finalizar, achamos fundamental a implantação de uma gestão pública eficiente, promovendo a boa governança e a transparência dos gastos, ciente, sempre, de que os recursos públicos são escassos.
5) Se o NOVO tivesse a chance de aprovar uma única lei no Brasil. Qual lei seria essa?
RESPOSTA: Uma medida importante seria a proibição de endividamento adicional do estado e teto para impostos.
A VELHA CASINHA E A SECA
Casinha de taipa
Perdida na caatinga
Sem vizinho e sem árvore
Existe pobreza mas és linda.
Casinha de barro e de varas
Em pleno sertão
Cedo me levanto
Em busca da refeição.
Olho para o horizonte
Não existe plantação
A seca devorou tudo
No meu velho torrão.
Sonho com uma vida digna
E um destino igual
A natureza é bonita
Que se dane a seca industrial.
Marcos Calaça
Casinha de taipa
Perdida na caatinga
Sem vizinho e sem árvore
Existe pobreza mas és linda.
Casinha de barro e de varas
Em pleno sertão
Cedo me levanto
Em busca da refeição.
Olho para o horizonte
Não existe plantação
A seca devorou tudo
No meu velho torrão.
Sonho com uma vida digna
E um destino igual
A natureza é bonita
Que se dane a seca industrial.
Marcos Calaça
domingo, 23 de junho de 2013
Aspiração
(1973)
Hoje eu quero
um poema transparente,
semelhante à lágrima
que iludiu meus olhos desatentos.
Um poema capaz de coragem,
desses que podem ser ouvidos
na chuva, na greve, ao fim
da batalha perdida.
Um poema capaz de resistir
como granito ao vento,
como o homem resiste
se o aço lhe alcança o ombro.
Um poema capaz de liberdade.
Capaz de falar nesta hora noturna
quando todos dormem, e o silêncio oficial
amordaçou as cantigas do meu povo.
*Pedro Tierra, em:
Poemas do povo da noite.*
De: Yara Darin
Júlio Soares, o poeta boêmio
Júlio Soares Filgueira (1898-1954) era natural do Assu, interior do Rio Grande do Norte. Ainda jovem regressou ao Rio de Janeiro então capital federal, onde fizera o curso Madureza, aratório para a universidade, equivalente ao curso cientifico. O antologista Ezequiel Fonseca Filho em seu livro Poetas e Boêmios do Açu, 1984, depõe que fora companheiro de quarto de Júlio na capital carioca, na rua do Catete no seu tempo de estudante de medicinada na capital carioca. Ezequiel na referida antologia depõe que “Júlio não descendia da tradicional família dos Soares de Macedo, como muita gente pensa. Era Soares do Piató, outra família de raízes profundas na vaqueirice da região. Enquanto a família Soares de Macedo, honra-se da linhagem portuguesa os Açores, os Soares do Piató, vangloriam-se do sangue genuinamente nacional, do caboclo brasileiro.
Júlio
tinha todas as características de sua estirpe. Arredio, desconfiado,
valente e audaz, muito cedo entregou-se à boemia, o que constituiu o traço
frizante de sua vida.
Nasceu na
cidade de Açu, a 23 de maio de 1898, e veio a falecer a 15 de dezembro de 1954,
em Fortaleza, capital do Ceará, com 53 anos de idade".
E Júlio
Soares, angustiado, consumido pelo vício da bebida, escreveu no melhor do seu
poetar, os versos abaixo transcritos:
Este meu rosto, triste, macilento,
Pendido sobre o peito dolorido,
Bem demonstra o pesar e o sofrimento
De um desgraçado ou de um desiludido.
Este meu riso, sem contentamento
Este meu vago olhar amortecido
São os sinais amargos do tormento
Da vida indesejável de um perdido
Vivo sempre a beber, de bar em bar,
Afogando num cálice de aguardente
A dor que faz meu peito pensar?
Chorando ou rindo, vou passando a esmo,
E no vício morrendo lentamente
Fazendo assim o enterro de mim mesmo.
Em tempo: Escutei muitas vezes, José Caldas Soares Filgueira - Dedé
Caldas, sobrinho de Júlio pelo lado paterno, declamar com voz embargada e
lágrimas nos olhos, o referenciado poema.
Fernando Caldas
Crédito da foto: Iza Caldas
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