sábado, 23 de novembro de 2013


PADRE MARCELINO (*) 


Igreja Martriz de Jardim do Seridó



(Nota de Othoniel Menezes aposta a uma das sextilhas do livro “Sertão de Espinho e de Flor” (poema em 16 Cantos), no livro “OTHONIEL MENEZES - Obra Reunida”. 


“Por que não, se o padre é um santo?
Lidou tanto, perdoou tanto,
que anda curvado, a tremer…
A cabeça, alva, é um capulho,
esgarçado ao sol de julho…
– São Marcelino há de ser.

* * *

Todo este poema, desde a primeira página, vê-se logo, é uma apologia, uma defesa do sertão e da admirável gente – vítimas, imbeles[1] e resignadas, do celerado abandono a que, de trezentos anos a esta época de atômica superfetação[2] da democracia, os relegaram, os políticos e o governo da república; vítimas da imbecil ironia de muitos “escritores’ e “poetas” granfinos, irmãos desnaturados, caluniadores de Jeca Tatu e Manoel Xiquexique, que aqui continuam a lutar sozinhos, pegando queda de corpo com o sol, para gáudio do parasitismo dourado dos “mestiços neurastênicos do litoral”.

A expressão anotada inspira-se nas recordações de infância do Autor, quando via ele, na figura do pároco de uma freguesia, a encarnação da pureza e da bondade dos velhos ministros da Igreja, e cujas mão eram beijadas, a cada encontro do dia, por todos os habitantes do lugar.

Seguem umas notas biográficas, devidas à incansável prestimosidade do Dr. Heráclio Pires, que já ilustrou várias das presentes NOTAS. Delas ressalta, simpática e original, a personalidade do vigário de Jardim do Seridó, naquela época (1899-1908), e evocada no poema:

“Era paraibano, e chegou ao Jardim em fins de 1899, como vigário. Foi um dos melhores homens – padres, sobretudo – de quantos tenho conhecido. Quando aqui chegou, já beirava pelos oitenta anos, trazendo uma velha criada e uma moçoila, que era sua sobrinha. O padre Marcelino Rogério dos Santos Freire era tio legítimo do major Umbelino Freire de Gouveia Melo, que foi administrador dos Correios, em Natal. A indumentária do velho sacerdote era o que havia de mais pitoresco, e assim o vi milhares de vezes. Avalie o amigo como ele resolveu o caso do preço, então elevadíssimo, dos chapéus sacerdotais: chamou a um dos nossos mais hábeis “carapuceiros” (fabricantes de chapéu-de-couro), deu-lhe todas as medidas, e mandou fazer um cahpéu de couro para o seu uso diário, com o formato dos chapéus de padre; depois de bem pintado a Nubian[3], ficou mesmo um belo chapéu.

Restava o caso da batina, o que, entretanto, não embraçou o nosso herói: mandou costurá-la de brim preto, com a dupla vantagem de ser mais fresca, neste rigoroso clima do sertão, e mais econômica! Veja que tudo ele resolveu sem ferir as exigências litúrgicas ou canônicas e, portanto, merecia aplausos. Também conheci aqui um oficial da nossa Polícia e que, um belo dia, me apareceu no balcão (o dr. Heráclio manteve uma ótima farmácia, em Jardim, por alguns decênios) com uma farda… de brim preto! Com os respectivos galões e botões próprios; menos, apenas, o cinturão… Censurando, eu, a propósito, o mau gosto da nossa Polícia, em adotar tal fazenda para os seus oficiais, ele me respondeu, com a maior naturalidade, que absolutamente não se tratava disso e, sim, que havia mandado confeccionar aquela farda funérea, porque lhe havia morrido o pai!… (…).

Voltando ao padre Marcelino: aqui passou ele cerca de 8 a 10 anos, durante os quais amealhou alguma pecúnia. Voltou à Paraíba, onde D. Adauto o agraciou com o título de Cônego. Ali morreu, com mais de 90 anos de idade”.

(*) Padre Marcelino Rogério dos Santos Freire (Vigário de Pedra Lavrada/PB, de 1860 a 1870 e de Jardim do Seridó/RN entre 1899 a 1908).
[1] Que não é belicoso; não beligerante.
[2] Coisa que se acrescenta inutilmente a outra; excrescência, redundância.
[3] Antiga marca de tinta para calçados.

LEMBRANDO ZÉ DA LUZ (*) - POETA PARAIBANO



(in “OTHONIEL MENEZES – Obra Reunida” – Editora UNA, Natal-RN, 2011)


“Me alembro qui um sordado
quaje perde farda e gorro
só pruquê Né Alejado
tinha um dado aviciado,
com três cabra e três cachorro.

Os butiquim, qui são feito,
uns maió, outros miúdo,
é um retrato perfeito
daquelas casa sem jeito
dos jagunço de Canudo!”


(Zé-da-Luz,51 “Um Natal na minha terra”,em O Cruzeiro, 18.12.1948)

Severino de Andrade Silva (Zé da Luz). Nasceu em Itabaiana em 29 de março de 1904 e faleceu no Rio de Janeiro em 12 de fevereiro de 1965. Poeta popular, ficou famoso, nacionalmente, com o poema “As flô de Puxinanã”.

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

CRC/RN


O contabilista assuense João Gregório Júnior venceu a eleição para dirigente do Conselho Regional de Contabilidade - CRC/RN, para um mandato de 4 anos, obtendo 2.134 votos (chapa 1), contra 1.154 (chapa 2). Fica os parabéns do editor deste blog. É o Assu sempre mais!


Fernando Caldas

Deputado Estadual George Soares participa de Encontro Estadual do PR/RN em Natal



Nesta sexta-feira (22/11), Deputado Estadual George Soares marcou presença no Encontro Estadual do Partido da República do Rio Grande do Norte (PR/RN) no Versailles Recepções de Cidade Jardim, em Natal. O parlamentar esteve na companhia do presidente do PR/RN, o deputado federal João Maia, prefeitos, vice-prefeitos, vereadores e demais lideranças e filiados do partido em todo o estado.



Em seu pronunciamento, George Soares classificou o evento como o maior encontro político partidário do estado em 2013 e exaltou a força do partido e seus correligionários. "Começamos com a ideia de criar núcleos pensantes de decisão, com mesmo peso para prefeitos, deputados, vereadores, ex-vereadores e prefeitos, o PR Jovem, o PR mulher. Todos têm participação no partido, diferentemente do que acontece com outras legendas", enfatizou o deputado, exaltando o caráter democrático do PR.

Quanto à proposta de afastamento político do Governo do Estado, o parlamentar criticou a falta de diálogo e o isolamento governista em relação aos aliados. "Vão dizer que parece fácil sair de um governo que não tem aprovação popular, mas o PR não pode levar a conta sem estar participando. Não somos consultados. Nós não estamos efetivamente no governo. Hoje nossa preocupação é fortalecer prefeitos, vereadores, lideranças. Estendemos a mão, mas não podemos ajudar quem não quer ser ajudado", posicionou-se o deputado. O rompimento foi confirmado pelos presentes em decisão tomada por consenso geral durante o encontro.

(Do face do deputado George Soares)




ARENA DAS DUNAS


Do face Arena das dunas

Os dois telões de LED da Arena das Dunas já estão instalados. Localizados no setor noroeste e setor sudeste, as estruturas possuem 63,7 metros quadrados, sendo 10,24 metros de largura e 6,22 de altura. O telão de alta resolução tem capacidade de definição de 280 trilhões de cores. Paralelo aos telões, está sendo montado o sistema de refletores, que contará com 306 peças.

BARBEIRADAS

Por Valério Mesquita, escritor

1) No Grande ponto dos anos sessenta, quem não se lembra da famosa Barbearia Bom Jesus onde pontificava o exímio cirurgião-barbeiro Antônio Guedes? Toinho, baixinho, bigode astucioso, era um mulherengo incorrigível. Aliás, sofria de uma doença benéfica e invejada por muitos chamada "priapismo (ereção permanente). Certa manhã, chega o seu freguês habitual: o não menos popular Luiz Tavares, com aquela "insustentável leveza de ser". A operação foi iniciada, com espuma em profusão espalhada pelo rosto de Luiz. Nisso, ao largo, passa uma mulher com os seus dotes expostos e generosos. Toinho não resistiu. Abandonou o freguês e iniciou o ritmo da busca. De repente, Luiz Tavares abriu o vozeirão: "Cadê Toinho? Aquele f.d.p. saiu assim e me deixa com essa porcaria na cara?". Irritadíssimo, vai a porta da barbearia de revolver em punho, esperar Guedes. A manicure percebendo o perigo iminente corre para avisara Toinho que lépido e fagueiro sem nada perceber se aproximava: "Guedes por favor não vá! O homem tá lá armado pra lhe dá um tiro!" Toinho escafede-se. E, por via de dúvidas, só voltou dia seguinte, após a providência preventiva de colocar um pastorador à porta da barbearia.

2) Fernando Macedo contou-me essa do nosso Antônio Guedes, cabeleireiro famoso de Natal. Toinho é o conhecido barbeiro das figuras políticas do estado, célebre pelas posições e votos afirmativos dependendo do freguês da hora. Quando o presidente João Batista Figueredo visitou Natal logo imaginaram uma presepada para o inefável Toinho. Recebeu um telefonema de um alguém se identificando coronel da segurança do Planalto chamando-o ao hotel a fim de barbear o presidente. Para um supremo mandatário da Revolução não poderiam faltar exigências e aquele clima de mistério. "Olha senhor Guedes, esteja no hotel às 06.30 da manhã munido de uma navalha n. 01, creme de barbear mentolado, talco neutro, bata branca com uma capa de chuva por cima. A senha para a segurança a fim de facilita ar a identificação é "Navalha afiada", entendeu?". "Entendi sim senhor", disse Guedes ao telefone já fazendo antecipadas reverências. Dia seguinte, partiu célere para o hotel conforme as recomendações. Ao chegar no saguão, dirigiu-se aos agentes e soltou a senha: "Navalha afiada!". Desconfiada, a turma da PF pensando em um atentado caiu em cima de Toinho que só foi liberado horas depois quando descobriram ter sido vítima de um trote.

3) O grande Luiz Tavares, de inesquecível memória, trabalhou na Merenda Escolar, em Natal. Vez em quando, dirigia uma velha pick-up Willys da repartição e fazia as suas "barbeiragens". Afobado e teimoso, com aquele corpanzil era difícil ser contraditado. Certa manhã, ao fazer uma manobra na pick-up guerreira subiu a calçada ameaçando alguns assustados pedestres que tiveram ainda de troco, do Luiz a sentença cavalar: "Olha os pés felas das putas"> Quem iria refutar aquela insustentável leveza de ser. "Esse povo não sabe que pick-up da Willys não tem jogo", justificou  sem contestação.


POETA ASSUENSE

INTUSIASMO


 


Teus óios esverdeado,
Só parece dois sordado
Do Exército Nacioná.
Ou dois cabo, dois sargente,
Dois Furrié, dois Tenente,
Dois Majó, dois Generá.

São dois fuzi, dois canhão,
Duas granada de mão,
Duas combré, dois punhá...
Tenho certeza qui morro
Mas, pra riba deles corro;
Eu quero é me estraçaiá.

São dois espinho reimôso,
São dois menino teimôso,
São dois pecado mortá.
Deus me perdói a lembrança –
Duas hósta de esperança
Prus meus ôio acumungá.
........................................
São duas pena de morte,
São duas lei marciá.

Renato Caldas - Poeta assuense
*08/10/1902 + 26/10/1991.






















PARABÉNS AOS MÚSICOS... HOJE É O DIA DE VOCÊS!!! 
Tem dia que parece magia, Dia encantado, Cheio de alegria, Dia de olhar ao redor e só ver poesia... Vejo flores se abrindo, Criança sorrindo, Idosos felizes. O sol brilha diferente, O sorriso amanhece estampado na cara da gente, O nosso olhar brilha mais que as estrelas, O nosso coração ao invés de pulsar, dança! A nossa alma semeia esperança, Acolhe, cura, edifica, Sonha, ama, compartilha... Traduz, transmite toda emoção vivida, Toda felicidade sentida. Ela simplesmente desabrocha vida.

Neidinha Borges 
Por que te amo?

Por que tentar explicar
O que é inexplicável?
Como falar de um amor
Misterioso, adorável?...

Te amo pois te preciso,
Te amo de amar sem fim!
E espero que também
Tu necessites de mim...
Te amo porque te amo,
É isso... simples assim!

Se te amo simplesmente
Porque amo te amar,
Se adoro te adorar,
Se te quero loucamente,
Que posso pedir aos céus?
Que dure infinitamente!

Te amo porque te amo,
Te amo de amar sem fim,
Te amo porque te amo,
É isso... simples assim!.

Rita de Cassia Querreira


Falam que o tempo apaga tudo.
Tempo não apaga, tempo adormece...

Raquel de Queiroz



UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO