terça-feira, 6 de maio de 2014
Entrada gratuita: Companhias de Dança Contemporânea se apresentam nesta semana em Natal
Apresentações fazem parte do Encontro Internacional de Dança Contemporânea com programação gratuita
Compagnie Ladainha (França) – Foto Andrea Rêgo Barros
O Encontro Internacional de Dança Contemporânea se estende até o dia 23 de maio, em Natal, RN. com programações gratuitas e espetáculos de companhias nacionais e internacionais. Nesta semana, dias 6, 7, 8 e 9 de maio, o evento enriquecerá as avenidas da cidade e os palcos da Casa da Ribeira e do Teatro Alberto Maranhão com mostras de dança e intervenções urbanas. Ao todo, são 12 países participantes e 15 companhias que, juntas, somam 23 espetáculos.
Blick – Cae – La Noche En Okinawa
As Companhias Blink Danzateatro (Argentina), Compagnie Ladainha (França), Virtual Cia. De Dança (SP – Brasil), Los Innato (Costa Rica) e os solistas Solos de Stuttgart (Alemanha), Giles Noel (Bélgica), Teresa Alves da Silva (Portugal), Sonia Rodríguez (Espanha), Anneke Ghysens (Bélgica), Milán Újvári (Hungria) e Joachim Maudet (França) compõem as próximas apresentações do Encontro.
Virtual Companhia de Dança – WAQAY Pata – Foto Cláudia Olher
O evento, que conta com incentivo do Ministério da Cultural/FUNARTE (Fundação Nacional de Artes) e parceria com o VIVA Dança (BA- Brasil) e o Fórum Internacional de Dança do Estado de São Paulo – FIDESP, visa ampliar e capacitar o cenário artístico potiguar na dança. Além de proporcionar uma diversificação de apresentações para a população, traz oficinas, mostras de vídeos, residência artística e debates.
Los Innato – Etéria
Mais informações e programação completa no site www.encontrodedanca.com
Serviço:
Dia 06/05
Mostra Internacional de Dança – Intervenção Urbana
Blink Danzateatro (Argentina) – Te Bailo?
Horário: 17h
Local: av. Salgado Filho e Av. Bernardo Vieira
Duração: 40min
Classificação: livre
Mostra Internacional de Dança
Compagnie Ladainha (França) – RB&QDP
Horário: 20h
Local: Casa da Ribeira
Duração: 50min
Classificação: Livre
Dia 07/05
Mostra Internacional de Dança
Blink Danzateatro (Argentina) – Cae La noche em Okinawa
Horário: 20h
Local: Casa da Ribeira
Duração: 52min
Classificação: 18 anos
Dia 08/05
Mostra Internacional de Dança
Virtual Cia. De Dança (SP – Brasil) – Waqay Pata
Horário: 20h
Local: Casa da Ribeira
Duração: 45min
Classificação: 14 anos
Dia 09/05
Mostra Potiguar de Dança e Convidados – Intervenção Urbana
Los Innato (Costa Rica) – Etérea
Horário: 18h
Local: pátio do Teatro Alberto Maranhão
Duração: 11min
Classificação: Livre
SOLOS
Turnê Solos de Stuttgart (Alemanha)
Giles Noel (Bélgica) – Appels, appels, appels
Teresa Alves da Silva (Portugal) – Lake
Sonia Rodríguez (Espanha) – Caos
Anneke Ghysens (Bélgica) – The M.O.X. Pill
Milán Újvári (Hungria) – From The Waltz To The Mambo
Joachim Maudet (França) – Open Mic. Suffocation
Horário: 20h
Local: Teatro Alberto Maranhão
Duração: 90min
Classificação: livre
As fotos de Brunno Martins já estão disponíveis no flickr.
http://vivernatal.wordpress.com/
La "Bibliocuriosidad" del día: La "Biblioparada".
Estas mini-bibliotecas pertenecen a una iniciativa que se está llevando a cabo en Bogotá, Colombia, y consiste en la ubicación de pequeñas bibliotecas en las paradas del bus para que los libros estén al alcance de todo el que espera pacientemente el transporte público.
O "Bibliocuriosidad" do dia: La "Biblioparada".
Essas bibliotecas pertencem a uma iniciativa que está sendo realizada em Bogotá, na Colômbia e é o local de pequenas bibliotecas em pontos de ônibus para disponibilizar livros para todos os transportes públicos que aguarda pacientemente. (Traduzido por Bing)
Essas bibliotecas pertencem a uma iniciativa que está sendo realizada em Bogotá, na Colômbia e é o local de pequenas bibliotecas em pontos de ônibus para disponibilizar livros para todos os transportes públicos que aguarda pacientemente. (Traduzido por Bing)
Mergulho suavemente nesse teu aconchego.
Quais braços de sereno mar,
que ondula e me embala, fazendo-me sonhar.
Vejo na lua o brilho do teu olhar,
que me faz iluminar.
Ouço nas ondas o teu murmúrio quente
quem me leva a naufragar.
Eu sou o mar, tu a luz do luar.
Eu sou o vento, tu a estrela no firmamento.
Quais braços de sereno mar,
que ondula e me embala, fazendo-me sonhar.
Vejo na lua o brilho do teu olhar,
que me faz iluminar.
Ouço nas ondas o teu murmúrio quente
quem me leva a naufragar.
Eu sou o mar, tu a luz do luar.
Eu sou o vento, tu a estrela no firmamento.
Cristina Costa
domingo, 4 de maio de 2014
Entre a cafeteria e a adega
http://www.tribunadonorte.com.br/
Cafés, vinhos e bons pratos formam um conjunto que se harmoniza no Feitoria, novo espaço aberto semana passada na Avenida Jaguarari. No mesmo local já funcionaram outros cafés bem frequentados. A diferença desta vez, segundo a proprietária Maria Eunice Dieb, está no cardápio que favorece as refeições gourmet, em sintonia com a convidativa adega. E claro, vários cafezinhos para acompanhar.
“O cardápio foi elaborado de forma a servir bem do café da manhã até o jantar. O chef também teve o cuidado de pensar pratos que pudessem ser harmonizado com os vinhos da casa”, explica Maria Eunice. O Feitoria é um espaço amplo e clean, com direito a uma charmosa área externa. Comporta até 70 pessoas. “Nossa proposta é mais extensa que a dos cafés anteriores. Oferecemos uma experiência gastronômica maior”, ressalta.
Os cafés ganham a diversidade de sempre, desde o expressos carioca ou descafeinado, o latte de soja, hot whisky, com brigadeiro, paçoquinha, etc. Os cappuccinos têm receitas variadas, de brownie a papaya, quentes ou gelados. Para começar harmonizando com os cafés, há salgados como as quiches de camarão, tomate com manjericão, e frango com catupiry; coxinha de carne de sol; pastel de palmito, bolinho de arroz, entre outros.
Os recheios das tapiocas podem combinar com café ou vinho; há de patê de salmão com rúcula, grelhado com queijo coalho, carne de sol na nata e pesto de ervas, crocante com cartola, goiaba e queijo manteiga, entre outros. Os sanduíches levam rosbife com molho de mostarda e mel, ou vegetariano em molho de hortelã. Crepes: de frango ao creme de batata doce ou de biomassa, granola e hortelã. Há também tortillas e omeletes (napolitano, vegetariano, frango com milho).
A porção ‘restaurante’ do Feitoria já acena ao bom de garfo com uma entrada na forma de tapas com cubos de queijo grelhado, rolinhos de queijo do reino, mini brusquetas de azeitona com tomate confit. No segmento de saladas, opções com rosbife, peito de frango grelhado, marroquina com camarão, mediterrânea, caprese, mexicana (filé de peixe com geleia de pimenta), entre outros.
Os pratos principais saem em bem elaboradas porções únicas, como: peito de frango com maracujá, salmão ao molho da casa, filé ao molho Robert com risoto de açafrão, steak ao cogumelo, espaguete a peperonata com escalope bovino (ou de camarão). Os caldos seguem a linha saborosa, como no jerimum com carne de sol, macaxeira e curry com peito de frango, etc. Para os adeptos de um bom vinho, o consumo na casa é só por garrafa, e há opções entre espumantes franceses e nacionais, e vinhos argentinos, chilenos, portugueses e espanhóis.
Cafés, vinhos e bons pratos formam um conjunto que se harmoniza no Feitoria, novo espaço aberto semana passada na Avenida Jaguarari. No mesmo local já funcionaram outros cafés bem frequentados. A diferença desta vez, segundo a proprietária Maria Eunice Dieb, está no cardápio que favorece as refeições gourmet, em sintonia com a convidativa adega. E claro, vários cafezinhos para acompanhar.
“O cardápio foi elaborado de forma a servir bem do café da manhã até o jantar. O chef também teve o cuidado de pensar pratos que pudessem ser harmonizado com os vinhos da casa”, explica Maria Eunice. O Feitoria é um espaço amplo e clean, com direito a uma charmosa área externa. Comporta até 70 pessoas. “Nossa proposta é mais extensa que a dos cafés anteriores. Oferecemos uma experiência gastronômica maior”, ressalta.
Os cafés ganham a diversidade de sempre, desde o expressos carioca ou descafeinado, o latte de soja, hot whisky, com brigadeiro, paçoquinha, etc. Os cappuccinos têm receitas variadas, de brownie a papaya, quentes ou gelados. Para começar harmonizando com os cafés, há salgados como as quiches de camarão, tomate com manjericão, e frango com catupiry; coxinha de carne de sol; pastel de palmito, bolinho de arroz, entre outros.
Os recheios das tapiocas podem combinar com café ou vinho; há de patê de salmão com rúcula, grelhado com queijo coalho, carne de sol na nata e pesto de ervas, crocante com cartola, goiaba e queijo manteiga, entre outros. Os sanduíches levam rosbife com molho de mostarda e mel, ou vegetariano em molho de hortelã. Crepes: de frango ao creme de batata doce ou de biomassa, granola e hortelã. Há também tortillas e omeletes (napolitano, vegetariano, frango com milho).
A porção ‘restaurante’ do Feitoria já acena ao bom de garfo com uma entrada na forma de tapas com cubos de queijo grelhado, rolinhos de queijo do reino, mini brusquetas de azeitona com tomate confit. No segmento de saladas, opções com rosbife, peito de frango grelhado, marroquina com camarão, mediterrânea, caprese, mexicana (filé de peixe com geleia de pimenta), entre outros.
Os pratos principais saem em bem elaboradas porções únicas, como: peito de frango com maracujá, salmão ao molho da casa, filé ao molho Robert com risoto de açafrão, steak ao cogumelo, espaguete a peperonata com escalope bovino (ou de camarão). Os caldos seguem a linha saborosa, como no jerimum com carne de sol, macaxeira e curry com peito de frango, etc. Para os adeptos de um bom vinho, o consumo na casa é só por garrafa, e há opções entre espumantes franceses e nacionais, e vinhos argentinos, chilenos, portugueses e espanhóis.
O velho charme do Grande Ponto
http://www.tribunadonorte.com.br/
Tádzio França
Repórter
Cinthia Lopes
Editora
Muita coisa acontecia no coração dos natalenses quando se cruzava a avenida Rio Branco e a rua João Pessoa. O chamado Grande Ponto foi o epicentro de lazer, modismos e gastronomia da Cidade Alta durante décadas do século passado - o lugar para ver e ser visto. Mas o tempo passou, a badalação e o glamour foram para outros endereços, e o velho centro virou um endereço banal. Iniciativas isoladas estão surgindo de algum tempo para cá, visando retomar o sabor de anos passados. Novos cafés, lanchonetes (como a Mr Mix, que inaugurou na Felipe Camarão) e a movimentação dos sebos estão restituindo algo do charme que o bairro mais antigo da capital já possuiu. Boas surpresas a cada esquina.
Café regional palaciano
A empresária e chef Ana Tereza Gedeão ficou surpresa ao ser convidada para criar um espaço gastronômico na Cidade Alta. Ela topou, e assim nasceu o Café Espresso com Arte, aberto semana passada, na Pinacoteca do Estado. “É como um retorno ao passado, afinal, morei na Cidade Alta até os 13 anos de idade”, diz. O café ocupa um pequeno espaço abaixo da escadaria centenária do Palácio Potengi. Cinco mesas de ferro, projetadas por Guaraci Gabriel, acomodam a clientela. O estabelecimento não interfere na arquitetura do palácio.
Ana Tereza conta que pensou num cardápio que reunisse suas raízes regionais e a classe que um ambiente palaciano exige. “Criei petiscos que agradam o paladar nordestino, e que ao mesmo tempo são diferenciados com um toque gourmet”, explica ela, que também é sócia num bistrô em Martins. O cliente conta com o luxo regional de saborear um café coado na hora, em cima da mesa. O café também vem de Martins. A partir da próxima semana, a máquina de café expresso já estará instalada, como mais uma opção.
Os acompanhamentos para o cafezinho são variados e tentadores. Entre pães e sanduíches, opções como o pão francês assado com queijo do reino, brusqueta nordestina (pão francês no molho de tomate caseiro, pimenta de cheiro e manteiga da terra), brusqueta com pão de manjericão, tomates temperados e gratinados, e sanduíche de frios. Para os fãs de tapiocas há recheios de camarão, carne do sol, queijo de manteiga, coalho, com manteiga da terra, coalho ao pomodoro, e o destaque, crespinhos (tipo chips) de tapioca com carne de sol na nata.
O setor de sobremesas é igualmente bem elaborado: mel de engenho com farinha de mandioca e farofa de castanha; torta de doce de leite; cheesecake de caju e castanha; queijo com mel de engenho, e bolos caseiros. Os sorvetes são feitos pela própria Ana Tereza, em receitas como biscoito de gengibre com sorvete de tapioca e mel de engenho, sorvete de jerimum com calda de macaxeira caramelada; nata goiaba; cartola com calda de queijo, entre outros. Ana Tereza acredita que o apelo cultural do palácio pode atrair um público que não costuma frequentar o centro. “Há ainda um projeto musical a ser implementado em breve”, ressalta.
Alma do Grande PontoO Café São Luiz é patrimônio da Cidade Alta desde 1953. Repaginado em novembro do ano passado, ganhou nova vida, público e movimento. O agora Grande Ponto Café São Luiz vive uma das suas melhores fases, reunindo veteranos e uma nova clientela atraída pelo clima e sabores da casa. “Sim, a receptividade foi ótima. Até as mulheres começaram a vir aqui!”, brinca Paulo França, um dos proprietários. Para ele, muitos fatores ajudaram a renovar o interesse no café. “O maior é a diversidade do cardápio. Temos de crepes a tapiocas, cafés e shakes. A nova ambientação também ajuda”, diz.
Para abrir o apetite no Café São Luiz, há iguarias como os crepes de carne de sol com queijo coalho, tomate seco e rúcula, creme de avelã com amêndoas, entre outros. Omeletes com recheio de carne de sol e orégano, patê de frango, tomate seco e rúcula. Cuscuz com carne de sol e coalho, além de sanduíches, empadas, coxinhas, quatro opções em saladas, etc.
O café também conta com movimentação cultural própria. “Faremos pelo menos uma sexta cultural por mês”, diz Paulo França. O projeto Serestas ao Luar percorreu o centro e terminou numa noite animadíssima no café. O novo ambiente comporta 40 pessoas, mas a mesa na calçada da Princesa Isabel seguiu garantida. “Só a partir das 16h, para não atrapalhar o movimento”, afirma. O cenário continua tradicional, porém mais bonito.
Universo de café e livros
O espaço aconchegante, climatizado, repleto de livros e com cheiro de café no ar, contrasta com o “mundo” lá fora – no caso, a barulhenta Ulisses Caldas. Foi assim que, há um ano, o Sebo Café Universo Literário ganhou a simpatia de quem circula pela área e deseja um pouco de sossego e leitura em meio ao caos urbano. “Eu já trabalhava com sebos, e em viagens percebi que eram comuns espaços como esse. Ainda não existia em Natal, então resolvi criar um”, explica a proprietária Jane Santos.
O sebo/café virou point de funcionários da prefeitura, assembleia, e das muitas repartições em volta. O local conta com duas mesas, acesso à Internet, e música ambiente. O cardápio é simples, apenas com cafés expresso e cappuccino, chá e bolo. Ideal para conduzir um bate-papo ou folhear uns livros. Jane gostaria que os atrativos da Cidade Alta fossem mais divulgados em roteiros turísticos. “Muitos natalenses simplesmente não conhecem as coisas boas que existem por aqui”, diz.
Sábados de Ramos
Os sebos são presenças tradicionais no centro da cidade. O Balalaika está na área desde 1992. Há tempos deixou de ser só um ponto para venda e troca de livros para se tornar um espaço cultural. “Em sebo muita gente aparece mais para conversar do que para comprar. Recebemos estudantes, professores, músicos, intelectuais, artistas...a gente tinha que criar algo a partir disso”, diz o proprietário Severino Ramos.
O mais novo projeto cultural do sebo é o ‘Sábado de Ramos’, que fará sua 4ª edição neste sábado, das 14 às 22h. A ideia é homenagear um poeta, que desta vez será Zila Mamede. A festa extrapola o sebo e vai para a rua, com palco montado na Vigário Bartolomeu. O som ficará a cargo de vozes que já musicaram Zila, como Glorinha Oliveira, Andiara, Lene Macedo, Mirabô, Galvão e Babal, entre outros. Serão acompanhados por quarteto formado por Franklin Novaes, Carlança, Sérgio Brito e Fidja. Entre um cantor e outro, recitais com versos de Zila.
Há também gastronomia. O chef Alexandre Gurgel vai servir um arroz de mariscos chamado ‘praieira’. “O prato é determinado pela região e gostos do poeta homenageado. Zila gostava do mar, por isso pensei nos mariscos”, explica. Segundo Ramos, muitos núcleos pequenos contribuem para manter o centro vivo: o Samba do Nélio na 1ª sexta do mês, o samba de Nazaré aos sábados à tarde, as festas do Bardallos, entre outras iniciativas. “A ênfase na parte cultural é o nosso maior trunfo”, conclui.
Serviço:Café Espresso com Arte.
Pinacoteca do Estado. Aberto de terça à sexta, das 10 às 17h30.
Grande Ponto Café São Luiz.
Av. Princesa Isabel. Aberto de 2ª à 6ª das 7 às 19h, e sábado das 7 ás 13h.
Sebo Café Universo Literário.
Rua Ulisses Caldas, 105. Aberto de 2ª à 6ª das 8 às 18h, e sábado das 8h30 às 12h.
Sábado de Ramos.
Sábado, das 14 às 22h, no Sebo Balalaika, Rua Vigário Bartolomeu. Acesso gratuito
Tádzio França
Repórter
Cinthia Lopes
Editora
Muita coisa acontecia no coração dos natalenses quando se cruzava a avenida Rio Branco e a rua João Pessoa. O chamado Grande Ponto foi o epicentro de lazer, modismos e gastronomia da Cidade Alta durante décadas do século passado - o lugar para ver e ser visto. Mas o tempo passou, a badalação e o glamour foram para outros endereços, e o velho centro virou um endereço banal. Iniciativas isoladas estão surgindo de algum tempo para cá, visando retomar o sabor de anos passados. Novos cafés, lanchonetes (como a Mr Mix, que inaugurou na Felipe Camarão) e a movimentação dos sebos estão restituindo algo do charme que o bairro mais antigo da capital já possuiu. Boas surpresas a cada esquina.
Café regional palaciano
A empresária e chef Ana Tereza Gedeão ficou surpresa ao ser convidada para criar um espaço gastronômico na Cidade Alta. Ela topou, e assim nasceu o Café Espresso com Arte, aberto semana passada, na Pinacoteca do Estado. “É como um retorno ao passado, afinal, morei na Cidade Alta até os 13 anos de idade”, diz. O café ocupa um pequeno espaço abaixo da escadaria centenária do Palácio Potengi. Cinco mesas de ferro, projetadas por Guaraci Gabriel, acomodam a clientela. O estabelecimento não interfere na arquitetura do palácio.
Ana Tereza conta que pensou num cardápio que reunisse suas raízes regionais e a classe que um ambiente palaciano exige. “Criei petiscos que agradam o paladar nordestino, e que ao mesmo tempo são diferenciados com um toque gourmet”, explica ela, que também é sócia num bistrô em Martins. O cliente conta com o luxo regional de saborear um café coado na hora, em cima da mesa. O café também vem de Martins. A partir da próxima semana, a máquina de café expresso já estará instalada, como mais uma opção.
Os acompanhamentos para o cafezinho são variados e tentadores. Entre pães e sanduíches, opções como o pão francês assado com queijo do reino, brusqueta nordestina (pão francês no molho de tomate caseiro, pimenta de cheiro e manteiga da terra), brusqueta com pão de manjericão, tomates temperados e gratinados, e sanduíche de frios. Para os fãs de tapiocas há recheios de camarão, carne do sol, queijo de manteiga, coalho, com manteiga da terra, coalho ao pomodoro, e o destaque, crespinhos (tipo chips) de tapioca com carne de sol na nata.
O setor de sobremesas é igualmente bem elaborado: mel de engenho com farinha de mandioca e farofa de castanha; torta de doce de leite; cheesecake de caju e castanha; queijo com mel de engenho, e bolos caseiros. Os sorvetes são feitos pela própria Ana Tereza, em receitas como biscoito de gengibre com sorvete de tapioca e mel de engenho, sorvete de jerimum com calda de macaxeira caramelada; nata goiaba; cartola com calda de queijo, entre outros. Ana Tereza acredita que o apelo cultural do palácio pode atrair um público que não costuma frequentar o centro. “Há ainda um projeto musical a ser implementado em breve”, ressalta.
Alma do Grande PontoO Café São Luiz é patrimônio da Cidade Alta desde 1953. Repaginado em novembro do ano passado, ganhou nova vida, público e movimento. O agora Grande Ponto Café São Luiz vive uma das suas melhores fases, reunindo veteranos e uma nova clientela atraída pelo clima e sabores da casa. “Sim, a receptividade foi ótima. Até as mulheres começaram a vir aqui!”, brinca Paulo França, um dos proprietários. Para ele, muitos fatores ajudaram a renovar o interesse no café. “O maior é a diversidade do cardápio. Temos de crepes a tapiocas, cafés e shakes. A nova ambientação também ajuda”, diz.
Para abrir o apetite no Café São Luiz, há iguarias como os crepes de carne de sol com queijo coalho, tomate seco e rúcula, creme de avelã com amêndoas, entre outros. Omeletes com recheio de carne de sol e orégano, patê de frango, tomate seco e rúcula. Cuscuz com carne de sol e coalho, além de sanduíches, empadas, coxinhas, quatro opções em saladas, etc.
O café também conta com movimentação cultural própria. “Faremos pelo menos uma sexta cultural por mês”, diz Paulo França. O projeto Serestas ao Luar percorreu o centro e terminou numa noite animadíssima no café. O novo ambiente comporta 40 pessoas, mas a mesa na calçada da Princesa Isabel seguiu garantida. “Só a partir das 16h, para não atrapalhar o movimento”, afirma. O cenário continua tradicional, porém mais bonito.
Universo de café e livros
O espaço aconchegante, climatizado, repleto de livros e com cheiro de café no ar, contrasta com o “mundo” lá fora – no caso, a barulhenta Ulisses Caldas. Foi assim que, há um ano, o Sebo Café Universo Literário ganhou a simpatia de quem circula pela área e deseja um pouco de sossego e leitura em meio ao caos urbano. “Eu já trabalhava com sebos, e em viagens percebi que eram comuns espaços como esse. Ainda não existia em Natal, então resolvi criar um”, explica a proprietária Jane Santos.
O sebo/café virou point de funcionários da prefeitura, assembleia, e das muitas repartições em volta. O local conta com duas mesas, acesso à Internet, e música ambiente. O cardápio é simples, apenas com cafés expresso e cappuccino, chá e bolo. Ideal para conduzir um bate-papo ou folhear uns livros. Jane gostaria que os atrativos da Cidade Alta fossem mais divulgados em roteiros turísticos. “Muitos natalenses simplesmente não conhecem as coisas boas que existem por aqui”, diz.
Sábados de Ramos
Os sebos são presenças tradicionais no centro da cidade. O Balalaika está na área desde 1992. Há tempos deixou de ser só um ponto para venda e troca de livros para se tornar um espaço cultural. “Em sebo muita gente aparece mais para conversar do que para comprar. Recebemos estudantes, professores, músicos, intelectuais, artistas...a gente tinha que criar algo a partir disso”, diz o proprietário Severino Ramos.
O mais novo projeto cultural do sebo é o ‘Sábado de Ramos’, que fará sua 4ª edição neste sábado, das 14 às 22h. A ideia é homenagear um poeta, que desta vez será Zila Mamede. A festa extrapola o sebo e vai para a rua, com palco montado na Vigário Bartolomeu. O som ficará a cargo de vozes que já musicaram Zila, como Glorinha Oliveira, Andiara, Lene Macedo, Mirabô, Galvão e Babal, entre outros. Serão acompanhados por quarteto formado por Franklin Novaes, Carlança, Sérgio Brito e Fidja. Entre um cantor e outro, recitais com versos de Zila.
Há também gastronomia. O chef Alexandre Gurgel vai servir um arroz de mariscos chamado ‘praieira’. “O prato é determinado pela região e gostos do poeta homenageado. Zila gostava do mar, por isso pensei nos mariscos”, explica. Segundo Ramos, muitos núcleos pequenos contribuem para manter o centro vivo: o Samba do Nélio na 1ª sexta do mês, o samba de Nazaré aos sábados à tarde, as festas do Bardallos, entre outras iniciativas. “A ênfase na parte cultural é o nosso maior trunfo”, conclui.
Serviço:Café Espresso com Arte.
Pinacoteca do Estado. Aberto de terça à sexta, das 10 às 17h30.
Grande Ponto Café São Luiz.
Av. Princesa Isabel. Aberto de 2ª à 6ª das 7 às 19h, e sábado das 7 ás 13h.
Sebo Café Universo Literário.
Rua Ulisses Caldas, 105. Aberto de 2ª à 6ª das 8 às 18h, e sábado das 8h30 às 12h.
Sábado de Ramos.
Sábado, das 14 às 22h, no Sebo Balalaika, Rua Vigário Bartolomeu. Acesso gratuito
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO





