domingo, 24 de agosto de 2014

"Por quantas dimensões a vida precisa passar? Por quantas estradas precisamos caminhar em busca do grande segredo da existência? A tarefa é difícil, mas não há argumento que nos impeça de seguir adiante. Não sabemos o que levou as coisas a serem como são. Não sabemos o que nos espera adiante. Mas devemos tentar ir o mais longe possível. Mesmo no meio do deserto, é importante descobrir as maravilhas enterradas na areia".

L. Eisley
 — com Ponte de Sonhos.
Foto: "Por quantas dimensões a vida precisa passar? Por quantas estradas precisamos caminhar em busca do grande segredo da existência? A tarefa é difícil, mas não há argumento que nos impeça de seguir adiante. Não sabemos o que levou as coisas a serem como são. Não sabemos o que nos espera adiante. Mas devemos tentar ir o mais longe possível. Mesmo no meio do deserto, é importante descobrir as maravilhas enterradas na areia".

L. Eisley

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Romance verde maduro

Eduardo Olympio, 19/08/2014, poeta baiano

O militar Né Quiabo,
Sorteado com um passe,
Foi ao camarada Nabo,
Pedindo que lhe ajudasse,
Pois o colega era cabo,
A sair de certo impasse.

Apesar de alguma idade,
Que o alto Quiabo ostentava,
Era solteiro, verdade!
De soldado não passava
E, em face à dificuldade,
Para a patente apelava.

Namorou, certo verão,
Elga Couve de Bruxelas,
Que, mesmo usando tacão,
Não lhe dava nas canelas.
Elga quis separação.
Né ficou sem as “costelas”.

"O passe era duplo", disse,
Dava direito ao cinema
E ao jantar que se seguisse
Pra dois também sem problema.
Contava assim que saísse
Resolvido esse dilema.

O cabo, nobre, gentil,
Fiável parceiro antigo,
Que já provara, ao Brasil,
Ser leal mesmo em perigo,
Dar-lhe-ia, vezes mil,
Conselho, socorro e abrigo.

Antes que aquele momento
Adjutório passasse,
Veio ao cabo em pensamento
A imagem de Lisa Alface:
Perfeito acompanhamento
Para fazer juz ao passe.

Lisa Alface era viúva
Do japonês Tchô Tomate,
Que morou no Alagachuva,
Antes de virar mascate,
Vendendo sapato, luva,
Miudezas e erva-mate.

Tomado de entusiasmo,
Nabo propôs ao soldado,
Para evitar-lhe o marasmo,
Um rendez-vous arranjado,
Deixando-lhe assim! de pasmo,
Com o plano apresentado.

Mas, pra Né, a bela senhora,
Circunspecta e estudada,
Não perderia uma hora
Com um quase...quase nada.
Antes, depois, mais agora,
Não se via na empreitada.

Cabo Nabo precisou
Desdobrar-se em argumentos,
Permitisse-o, implorou,
Cuidar dos entendimentos.
Quiabo, enfim, concordou
Que houvesse prosseguimentos.

Isso depois que o colega
Instilou-lhe a confiança,
Pois sentira-se em refrega
Dos nervos, soltos em dança,
Já que presumira nega
Do convite e da esperança.

E tarde, suave aragem
Pareceu incentivar
Que inocente traquinagem
Então tivesse lugar.
E o cabo enviou mensagem
WhatsApp do seu celular.

Lisa recebeu-o lá fora:
…Vir aqui, por que será?
Mas, de cuidados senhora,
Sobre a mesa pôs o chá,
Geleia, doce de amora,
Sequilhos do Ceará.

Nabo, que tinha pedido
Essa importante audiência,
Fora amigo do marido
E a tratara, com decência,
Durante o luto sofrido
E depois, mas sem querência.

O cabo à vontade estava,
Um chazinho a ingerir,
Pra viúva perguntava:
“Desistira de sair?
Companhia precisava,
A um cinema, que tal ir"?

"Mas com quem"?, lhe interrogou,
"O bom amigo é casado,
E a mulher que desposou,
Prefere estar ao seu lado,
Uma vez, me confessou,
E isso foi-me assimilado".

"Além do ilustre casal,
Cuja fina companhia
É uma graça divinal,
Amizade ou mancebia,
Em concreto ou virtual,
Não na minha freguesia".

“Afora especial amiga,
Preciosa mãe do amor,
Generosa rapariga,
Que luta com destemor
Pela causa a que se liga,
A autêntica de Lis flor.”

Mas, De Lis longe morava,
Não se viam com frequência,
De cinema não gostava,
E Lisa tinha ciência.
Essa, então, se dedicava
Aos trabalhos da docência.

Finalizado o discurso,
A palavra concedida,
O cabo entrou com recurso
Pra esclarecer a medida
E, antes que houvesse decurso,
Sua ideia foi exibida.

Trouxe o bom amigo à tona,
Cobrindo-o com elogio:
“Não era homem de zona,
Do jogo ou do mulherio”.
Lisa sentiu, “de carona”,
Correr-lhe algum arrepio.

Já casada conhecera
Né Quiabo, numa tarde.
O finado a convencera,
Sem necessitar alarde,
Tratar-se de homem sem cera,
Provara não ser covarde.

Não era mulher-objeto,
Mas, lembrando-se de Né,
Por caminho não direto,
Pressentiu que ía dar pé,
Pois lhe despertou afeto
E um certo calor até.

Depois do chazinho findo,
Lisa Alface renovada,
Bons sentimentos fluindo,
Declarou-se premiada,
Com o coração tinindo
E mesmo um pouco apressada.

Já no anoitecer seguinte,
Né Quiabo se aprumava
De terno, por conseguinte,
O encontro valorizava,
À porta dessa sainte,
Que até então se fechava.

Especial formosura,
Em verde e sexy vestido,
Como se fosse “in natura”,
Embora rico tecido,
Exaltado sem censura,
Pelo futuro marido.

Depois da ceia, uma estrela
Para os dois então brilhou.
Né, tão sedutora ao vê-la,
Apaixonado ficou
E, com medo de perdê-la,
Rápido se declarou.

Como a história que restou
Do meu tempo de petiz,
Lisa com Né se casou,
Para sempre foi feliz.
A lua de mel doou
A madrinha Flor-De-Lis.





quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Nem tudo que se sente, se diz;
Nem tudo que se pensa, se explica;
Nem tudo que se tem, se quer;
Nem tudo que se vive, se faz viver;
Nem tudo se é como deveria ser. 
Nem tudo ...
*Thici Ferrinho
De:YD

terça-feira, 19 de agosto de 2014

Eu quero…
Não sei se o que quero
é certo ou errado.
Se quero o perfeito
ou a imperfeição.
Quero um anjo sereno
de pele morena,
e olhos de mansidão.
Quero amar e ser amada
como musa delicada
possuída e encarnada
como fera indomado
numa doce e louca paixão.

Cristina Costa
Foto: ღ═════════ღ☆ღ═════════ღ
Eu quero…
Não sei se o que quero
é certo ou errado.
Se quero o perfeito 
ou a imperfeição.
Quero um anjo sereno
de pele morena, 
e olhos de mansidão.
Quero amar e ser amada
como musa delicada
possuída e encarnada
como fera indomado
numa doce e louca paixão.
ღ═════════ღ☆ღ═════════ღ
Essa casinha caiada
Feita por agricultores,
Vive caindo o rebôco
Longe de seus moradores.
Cada telha despencada
Ela grita revoltada:
Daqui já saiu doutores
(Hélio Crisanto)

PÁGINA ASSUENSE:

MOTE

PRA BOTAR FOGO EM CAIEIRA
PRECISA MUITA CACHAÇA

GLOSA

Não é só pela poeira, 
Muito mais pela quentura,
Precisa natureza dura
Pra botar fogo em Caieira.
Só se ouve a estaladeira
E o canudo da fumaça,
Não causa riso nem graça,
Só parece um furação,
Pra aguentar o rojão
Precisa muita cachaça


MOTE

TAMBÉM SE QUEIMA CAEIRA
SEM PRECISAR DE CACHAÇA

GLOSA

Trabalha-se a noite inteira,
Sem vexame*, sem fadiga,
Comendo, enchendo a barriga,
Também se queima caieira.
Se enfrenta toda poeira
Como também a fumaça,
Se leva tudo na graça,
A boca é que faz o jogo,
Se corre em cima do fogo
Sem precisar de cachaça.

Autor: João evangelista Soares de Macedo
- João de Papai
Nasceu em Assu no dia 22/02/1891. 
Poeta e boêmio, agricultor, oleiro, fabricante de tijolos. Glosador emérito.
Foto Ilustrativa: arte.folha.uol.com.br.

Transcorrerá oficialmente de 20 a 22 de agosto em curso, a programação do 1º Festival Literário do município de Carnaubais.
Trata-se de uma realização do poder público municipal por intermédio da Secretaria de Educação e Cultura.
Uma prévia do evento se verifica desde às 8h desta terça-feira (19) com a Carroça Literária, que percorrerá alguns dos estabelecimentos escolares da rede municipal de ensino, segundo informou a professora Romissinaide Melo.
A abertura solene, na quarta-feira (20), às 8h, se observará com o Café Literário, no espaço situado ao lado do ginásio poliesportivo de Carnaubais. Para conhecer todo o programa do 1º Festival Literário clique sobre a imagem e amplie.

segunda-feira, 18 de agosto de 2014

CARNAUBAIS SE FEZ PRESENTE AS DESPEDIDAS DE EDUARDO CAMPOS



Gente de todas as regiões brasileiras e o estado de Pernambuco 
literalmente comovido com o precoce desaparecimento do seu grande líder 
Eduardo Campos. 

Nosso Carnaubais estava presente as despedidas do guerreiro brasileiro, 
assim gritava o povo na hora do seu caixão descer á sepultura.

Luizinho Cavalcante, Mária Albuquerque, Júnior Benevides e Nilson Bezerra 
(Supiu) viu de perto a grande força politica, a influência popular, o 
carinho e o respeito que os Pernambucanos devotavam ao Neto de Miguel 
Arraes. 

Pelas imagens televisivas que assistimos, sentimos a notoriedade da pujante
presença de Eduardo Campos no imaginário popular, o seu carisma era 
de uma evidência fora do comum. 

Sua morte deixa uma lacuna impreenchível, mas a tentativa de mudar o jeito 
do Brasil ser governado vai continuar encarnado com a opção de Marina Silva 
seguindo os objetivos da luta que ambos vinham desenvolvendo.
Ilusionismo romântico
A pior coisa de um fim de um relacionamento é dizer um para o outro: "seremos amigos"
Que amigo?
Se quando tudo termina é o fim.
Fim das carícias, dos olhares apaixonados, do beijo quente , dos cheiros excitantes, do sexo vibrante, do ligar repetidas vezes e da vontade de nunca mais desprender-se dessa paixão incontrolável.
Que amigo, que nada!
Desconheço qualquer relacionamento íntimo que se torne amizade.
Amigo é uma coisa, parceiro das noites intermináveis é outra. Dos dias infinitos e dss promessas eternas que ficam nas lembranças de tudo quando chega ao fim.
Não quero ser seu amigo. Que amigo é esse?
Que quer ainda o seu corpo, que deseja você ao lembrar das noites e dias em que o tempo os consumia entre beijos e abraços.
Amigo é outra coisa.
Ainda resta sempre no fim das paixões um quê de não sei o quê pra quem acha que perdeu seu grande amor ou apenas aquele que diz ser seu amigo.
O bom seria que quem ficou ainda desejando, esse que diz ser amigo, fosse resgatado das profundezas deste "inferno de amar" e voltasse ao tempo da delicadeza e tudo voltasse a ser silenciado pelos beijos intermináveis, nas loucas horas e na certeza de que tudo pudesse, talvez, ser pra sempre.
Paulo Sérgio 17.08.2014
Da linha do tempo;face de FSL.

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.