segunda-feira, 29 de dezembro de 2014

Mário Quintana - Ah! O Amor... - Texto Maravilhoso!

Precisamos sempre mudar, renovarmo-nos, rejuvenescer; caso contrário, endurecemos.....
Devemos ouvir pelo menos uma pequena canção todos os dias, ler um bom poema, ver uma pintura de qualidade e, se possível, dizer algumas palavras sensatas.

Goethe


CREIO

Creio na beleza do teu porte,
Na doce floração do teu receio.
Creio, feliz, no teu melhor anseio
E creio-me feliz por ver-te forte.
Creio em teus olhos divisar meu norte
Nos teus olhares julgo ler mais forte.
Creio na fé de ter nos teus afetos
Nos teus sorrisos doces, prediletos,
Na luz que vem seus divisar escolhos...
Na serena visão dos teus castelos...
Na pureza infantil dos teus desvelos
Creio na prece muda dos teus olhos.
 

João Lins Caldas
Natal, 1909




AirAsia havia se gabado em abril de que seus aviões 'nunca desapareceriam

Do UOL, em São Paulo

Artista Sudarshan Pattnaik finaliza escultura de areia na praia de Golden Sea, na Índia, em homenagem aos voos QZ8501, da AirAsia, e MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceram na Ásia
  • Artista Sudarshan Pattnaik finaliza escultura de areia na praia de Golden Sea, na Índia, em homenagem aos voos QZ8501, da AirAsia, e MH370, da Malaysia Airlines, que desapareceram na Ásia
Um texto publicado na revista de bordo da companhia aérea AirAsia em abril deste ano afirmava que suas aeronaves "nunca desapareceriam" -- numa referência irônica ao sumiço do voo MH370 da sua concorrente asiática Malaysia Airlines.
"O treinamento dos pilotos da AirAsia é contínuo e minucioso", dizia o artigo. "Esteja seguro de que nosso capitão está bem preparado para garantir  que seu avião nunca desapareça. Tenha um bom voo!".
Na ocasião, a companhia teve de pedir desculpas publicamente devido à controvérsia gerada pelo texto, meses antes do desaparecimento de seu QZ8501 no último sábado.
Datuk Kamarudin Meranun, diretor executivo da AirAsia e editor da revista "Travel 3Sixty" expressou seu "profundo pesar" pela polêmica, mas alegou que a revista havia sido levada à impressão antes do desaparecimento do MH370, em 8 de março. 
Aeronaves e navios de quatro países participam das buscas pelo Airbus da companhia, que ia de Surubaia, na Indonésia, para Cingapura quando desapareceu dos radares próximo a Bornéu, 40 minutos após a decolagem. Entre tripulantes e passageiros, 162 pessoas estavam a bordo. 
O diretor da agência indonésia de busca e resgate, Bambang Soelistyo, levantou a possibilidade de que ele esteja no fundo do mar.
"As últimas coordenadas foram no mar, portanto é possível que se encontre no fundo dele", declarou Soelistyo em entrevista coletiva no aeroporto de Jacarta.
"É inacreditável", afirmou durante uma entrevista coletiva ao lado de outros executivos da empresa. "Nós esperamos que a aeronave seja encontrada rápido e que possamos descobrir a causa do que aconteceu."
O MH370 desapareceu quando ia de Kuala Lumpur, na Malásia, para Pequim, na China. Mais de nove meses depois, nenhum destroço foi localizado. As principais buscas ocorrem numa área próxima à costa oeste da Austrália. (Com agências internacionais)
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Avião da AirAsia desaparece em voo entre Indonésia e Cingapura32 fotos

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29.dez.2014 - Mulher reza por familiares que estavam a bordo do voo QZ 8501 da AirAsia, nesta segunda-feira (29), no aeroporto internacional de Juanda, na Indonésia. O avião com 162 pessoas a bordo perdeu contato com a torre de comando em Jacarta, na Indonésia, cerca de 40 minutos após a decolagem. Este é o terceiro grande incidente envolvendo uma companhia malaia neste ano Leia mais Manan Vatsyayan/AFP
Leia mais em: http://zip.net/bbqxtV

Se eu pudesse, pegava a dor; colocava a dor 
dentro de um envelope e devolvia ao remetente.
_____ Mário Quintana



domingo, 28 de dezembro de 2014

Como é bom morar no mato
Num ano bom de fartura
Dá cangapé no açude
Depois comer rapadura
Ouvindo o som dos chocalhos
Dando pedrada nos galhos
Pra tirar manga madura

Hélio Crisanto

ESTÓRIAS DE CANTADOR




Deste livrinho (imagem acima) de minha autoria intitulado "Tiradas e Boutades do Povo Assuense", 1996, publicação independente é feito de estórias pitorescas, jocosas, espirituosas do povo da minha terra - o Assu importante interior do Rio Grande do Norte, conhecida como "Terra dos Poetas." . Assu é terra celeiro de figuras espirituosas, folclóricas. É feito também de estórias contadas por poetas cordelistas/cantadores de viola em forma de versos. Vejamos as estórias contadas abaixo, para o nosso bem estar: :

Francisco Agripino de Alcaniz, poeta cantador de viola/cordelista conhecido em todo Nordeste brasileiro pelo apedo de "Chico Traíra (Traíra é um peixe de água doce muito comum nos rios, lagoas e açudes da terra nordestina), viajando em cima da carroceria de um caminhão juntamente com seu colega e igualmente poeta chamado "Patativa" (Patativa é nome de um pássaro de canto melódico e suave), escutou aquele companheiro reclamar da viagem em razão da trepidante estrada esburacada, dizer a frase adiante: "Traíra. Eu acho que a nossa viagem não vai ser muito sublime!" - Chico Traíra pegou na deixa, dizendo no melhor da sua criatividade poética:

Se o amigo não está
Achando a viagem boa
Você é pássaro, eu sou peixe
Eu mergulho e você voa
Você volta para o ninho
E eu volto à minha lagoa.

De outra feita, na cidade de Areia Branca (RN) cantando com outro afamado poeta violeiro chamado Manoel Calixto, cantoria realizada na casa de um amigo, Chico Traira fora desafiado por Calixto com a seguinte estrofe:

Aviso ao dono da casa
Que não vá fazer asneira
Tenha cuidado em Traira
Que ele tem uma coceira
Se não quiser que ela pegue
De manhã queime a cadeira.

Chico retrucou:

Você é que tem coceira
Dessas que rebenta a calça
Está tomando por dia
Dezoito banhos de salsa
Quando a coceira se dana
Num dia acaba uma calça.

Certa vez, Câmara Cascudo recebendo homenagens na UFRN, Chico Traíra, "o mestre do repente e da viola" presente, homenageou aquela figura [que se tornou por merecimento, o escritor potiguar mais conhecido no mundo] com os versos seguintes:

Eis o doutor Cascudinho.
Que valoroso tesouro!
Lá no sertão também tem,
Cascudo, aranha e besouro.
Os de lá não valem nada.
Mas este aqui vale ouro.

Fernando Caldas
Quisera eu dizer-te que sinto
Mas não posso e jamais o farei.
Por teu amor lutei e ainda resisto,
Não quero perder-te, senão morrerei.

Por mais que procuro te esquecer
Cousa que nunca eu consegui,
Mas sentia o meu amor crescer
Mas hoje sinto o que me iludi.

Iludí-me, sim, porque sempre tentei
Esquecer de um amor, que nunca procurei
Saber se me amava ou se me enganava.

E agora muito sofro a pensar,
Que um dia, não queiras me amar,
E que nunca a me amar procurou.

Maria Lourdes Moura/Luluda


"Tres coisa que nunca se deve quebrar: Confiança, promessas e corações"

SAÚDE NO FIOFÓ

O título referenciado acima é o último verso do poema intitulado "Qué vê matuto humilhado, é tá doente das parte", do grande poeta matuto Jessier Quirino. , penso eu, é o poeta matuto mais aperfeiçoado da Literatura Popular Brasileira, além de excelente declamador e apresentador de causos matutos, ou mulher dizendo: É um grande artífice da poesia escrita em linguagem genuinamente sertaneja. Eis o citado poema para o nosso bem estar:

No tronco do ser humano
Nos finá mais derradêro
Tem uma rosquinha enfezada
Que quando tá inframada
Incomoda o côipo intêro.

Se tussí se faz presente
Se chorá se faz também
O caba não pode nada
Cum nada se entretem
Eu lhe digo, meu cumpade,
Não deseje essa maldade
Pra "rosca" de seu ninguém.

Não sei o nome da cuja
Desta cuja eu tiro o já
O que resta é quase nada
Bote o nada na parada
Quero vê tu aguentá.

Eu lhe digo, meu cumpade,
Que é grande humilhação
Um caba do meu quilate
Adoecido das parte
Fazê uma operação
Não suportando mais dô
O meu ato derradêro
Foi procurá um doutô
De "bocá de arenguêro 

De bocá de arenguêro
Fejoêro e Fiofó
Bufante, Fresco e Lôrto
Apito, Brote e bozó.

De Furico e Fedegôso
Piscante, Pelado e Bóga
Fosquete, Frinfra e Sedém
Zuêro, Ficha e Vintém
De Ás de Copa e de Fóba.

De Oiti, Ôi de Porco
Ané de Couro e Caguêro
De Gira-sol e Goiaba
Roseta, Rosa e Rabada
Bôto, Zéro e Mialhêro.

De Nó dos Fundo e Buzéco
De Sonoro e Pregueado
Rabichol, Furo e Argola
Ané de Ouro e de Sola
Boca de Véia e Zangado.

Um doutô de Aro Treze
De Peidante e Zé de Bóga
Que não aperte o danado
Nem deixe com muita folga.

Um doutô piscialista
Em Bocá de Tarraqueta
Doutô de Quinca e Dentrol
Zebesquete e Carrapeta.

Doutô de Rosca e Rosquinha
Tareco, Frasco e Obrom
Ceguinho, Butico e Zero
Tripa Gaitêra e Fon-Fon.

Mialhêro e Mucumbuco
Buraco, Brôa e Boguêro
For Ever. Cruaca e Urna
Gritadô, Frande e Fuêro.

Cano de Escape e Pretinho
Rodinha, X.P.T.O.
Zerinho, Subiadô
Tripa Ôca e Fiofó.

De Joli de Zé de Quinca
Canal 2 e Cagadô
Buzina, Vesúvio e Cego
Federá e Simsinhô
Fagulhêro e Zé Zuada
Rosquete, Fim de Regada...
... Eu só queria um doutô.

O doutô se preparou-se
Parecia Galileu
Aprumou um telescópio
Quem viu estrela foi eu
Ele disse arribe as perna
- Tenha calma, sonho meu
A parti daquela hora
Perante Nossa Senhora
Não sei o que sucedeu.

C´as as força da humildade
Já me sinto mais mió
Me desejo um ânus novo
Cheio de velso e forró
Pros cumpade com franqueza
Desejo grande riqueza:
Saúde no Fiofó.

Em tempo: Aquele bardo paraibano no seu livro de estréia sob o título "Paisagens de Interior", 1996, editora Bagaços, do Recife, faz referência na introdução daquele volume, ao consagrado poeta assuense Renato Caldas, pois certamente a sua poesia teve influência do poeta assuense. Sobre o poeta de "Fulô do Mato", disse certa vez numa entrevista: "particularmente eu admiro muito o Renato Caldas, os poetas do Assu em geral. Como pesquisador, minha admiração pela obra de Renato Caldas é latente porque a poesia dele tem um lado lírico, como Zé Limeira e Zé da Luz". 

Fernando Caldas

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