Grupo
de militares americanos se divertindo na Praia de Ponta Negra, perto de
Natal, durante a Segunda Guerra Mundial. Mas nem todos os dias foram
assim tranquilos nesta bela paisagem – Fonte – http://www.gettyimages.com.br/
MEMÓRIAS DA SEGUNDA GUERRA MUNDIAL EM NATAL
Rostand Medeiros – Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte Todos nós sabemos que diante da
relevância da história da participação brasileira na Segunda Guerra
Mundial, são bastante escassos os trabalhos ligados as memórias dos
brasileiros que estiveram no front europeu.
Se a situação dos trabalhos de história
ligados as pessoas que cruzaram o oceano para lutar na Itália é no
mínimo limitada, mais difícil são os depoimentos daqueles que estiveram
patrulhando as nossas praias, aguardando a chegada de um inimigo que
poderia desembarcar a qualquer momento.
Esses
eram os inimigos – Submarino alemão U-848 atacado em 5 de novembro de
1943. Foto obtida a partir do avião do tenente Charles A. Baldwin, da
reserva da marinha americana, esquadrão VB-107.Defendendo o Nosso Litora l Quatro meses antes do dia 22 de agosto
de 1942, dia oficial da declaração de guerra do Brasil contra a Alemanha
e a Itália, o então ministro da guerra, general Zenóbio da Costa cria o
chamado “Plano de Defesa do Exército do Nordeste”. Em suas linhas estão
as ordens para milhares de soldados brasileiros designados para esta
missão. Eles deveriam exercer forte vigilância sobre o litoral e este
trabalho cabia aos homens ligados a 7ª Região Militar, então um órgão de
comando regional (atualmente extinto) do Exército Brasileiro, com sede
em Recife. A Força Aérea Brasileira e a Marinha do Brasil também
participavam destes esforços de defesa, mas de outras maneiras.
Militares
brasileiros em serviço de vigilância em uma praia potiguar. O primeiro a
direita, de pé, é o sargento de infantaria Tertuliano de Souza Rêgo, de
São Miguel, Rio Grande do Norte – Fonte – Livro “João Rufino, um
visionário de fé”, de Rostand Medeiros, 2010, pág. 80.Unidades do exército foram deslocadas
para as praias nordestinas. Homens de várias partes do país ocupam o
litoral, em uma forma de defesa um tanto questionável no sentido bélico.
Na verdade eram mais observadores de ocorrências anômalas nas nossas
praias, que propriamente uma força de combate capaz de deter uma
possível invasão.
Mas eram importantes em sua função e esta atividade tinha seu valor. Acredito que as altas patentes militares
brasileiras apontavam para outros objetivos. Como o de evitar o
desembarque de espiões através de submarinos e a própria questão do
contexto psicológico de transmitir a população destas regiões costeiras
que as nossas forças estavam presentes nas nossas praias, participando
da nossa defesa.
Soldado
brasileiro observando o litoral do Nordeste em busca de submarinos
nazistas, mas em uma condição de trabalho muito limitada – Fonte –
Coleção do autor.Fosse ou não por estas razões, o certo é
que a vida destes soldados do nosso exército em patrulhas litorâneas
não era nada fácil.
Além de terem de aguentar as provocações
daqueles que diziam que eles estavam na praia “tomando sol”, havia a
precariedade de alojamentos, da alimentação, a incerteza da aparição do
inimigo, a monotonia das praias desertas, o desgaste provocado
principalmente pelo valoroso sol nordestino, pelo sal, pela areia,
vento, da chuva que de vez em quando caía e a saudade de casa,
principalmente para aqueles que tinham vindo de longe.
Soldados brasileirosRealmente a situação era monótona. Mas nem sempre!
A Triste Chegada de um Estrangeiro na Praia de Ponta Negra
Anos atrás, quando nem sonhava escrever
livros sobre história, conheci o Senhor Clóvis Ramalho Ribeiro Dantas,
pai de nossa grande amiga, a economista Vivianne Fernandes Ribeiro
Dantas, esta uma competente funcionária do Tribunal Regional do Trabalho
de Natal.
Seu Clóvis, como eu o chamava, era
aposentado do antigo BANDERN, homem sério, trabalhador, maçom, calmo e
que gostava de contar histórias da época da Segunda Guerra. Falava
sempre de seus sofrimentos como um dos “praianos”, como eram chamados
estes combatentes litorâneos. Narrava sobre as patrulhas, da falta do
que fazer do desgaste de ficar olhando o dia todo o mar, das patrulhas
noturnas vendo e do dia a dia desta função.
Mas um dia algo surgiu no horizonte e tudo foi diferente e movimentado.
Praia de Ponta Negra na década de 1930, em fotografia de Jaeci Emereciano Galvão.Seu Clóvis narrou que era no “começo do
ano de 43, em janeiro”, ele estava de patrulha na região de Ponta Negra,
na área próxima a atual Via Costeira, região bem deserta do nosso
litoral naquela época, mas que atualmente concentra suntuosos hotéis que
recebem milhares de turistas que visitam Natal.
Segundo ele foi um amigo seu, também
militar, que foi o primeiro a avistar o pequeno barco. Para esta pessoa,
o que chamou a sua atenção para o mar foi vários pássaros volteando
sobre um ponto e depois ele percebeu a pequena embarcação.
Logo alguém, ou a própria maré, trouxe o
barco para terra e vários patrulheiros brasileiros foram olhar. Seu
Clóvis estava entre eles.
Típica
balsa de salvamento marítimo, utilizada em aviões norte-americanos
durante a Segunda Guerra Mundial. Elas eram pintadas de amarelo para
melhor visualização – Fonte – NARA.O que chamou atenção dele, ainda quando
estava caminhando a certa distância da balsa, foi o cheiro de carne
podre. Dentro do barco salva-vidas estava a razão; havia um corpo humano
em estado de putrefação. Era um homem, militar norte americano, com
roupas e divisas de um oficial do exército daquele país. O corpo estava
bem desidratado, muito queimado, com várias feridas na pele provocadas
pelo sol e pelos pássaros, a cabeça pendendo na beira da balsa e, o que
mais chamou a atenção de Seu Clóvis, os lábios do falecido se abrindo de
forma grotesca e mostrando a arcada dentária, devido à ação do sol.
Na época ele me contou que se aguentou
como pode, mas muitos colegas desandaram a vomitar diante do quadro.
Outros fizeram o sinal da cruz e rezaram pela alma do morto. Era a guerra que, mesmo sem chegar diretamente a Natal, mandava um recado dizendo que existia.
Sinais de uma Tragédia no Atlântico
Outra coisa que chamou atenção do jovem
soldado brasileiro era uma pequena bolsa que o americano trazia amarrada
si. Um sargento abriu para verificar o conteúdo e encontrou, segundo
Seu Clóvis, várias “plaquinhas, daquelas que tinham nomes”.
Ele estava falando das famosas placas de
identificação, existente em vários exércitos envolvidos durante a
Segunda Guerra Mundial. Utilizadas primariamente na identificação do seu
portador em caso de morte ou ferimento, as plaquinhas serviam também
como fonte de informações médicas para tratamento, sempre trazendo o
tipo sanguíneo e outros dados. Os norte americanos chamavam este
material de “Dog Tag”, por causa de sua semelhança com as placas
colocadas em coleiras, utilizadas para identificar cachorros.
Logo chegaram à praia muitos militares
americanos. Eram oficiais e praças, que reviraram o corpo, revistaram o
que havia, fotografaram tudo, tomaram notas, buscaram informações junto
aos patrulheiros através de intérpretes. Tudo sem muita conversa, sem
choro, calados e reservados. Em pouco tempo os militares estadunidenses
pegaram o cadáver, a bolsa com as plaquinhas, a balsa, colocaram em um
veículo e foram embora.
Treinamento de militares americanos em uma balsa salva-vidas.O natalense Clóvis Ramalho Ribeiro
Dantas nunca mais esqueceu este dia, nem este fato. Mas até a sua morte,
ocorrida em 2008, nunca soube quem era o americano na balsa. Achava que
o ocupante do barquinho fora vítima de algum submarino, que afundou um
navio e jamais soube seu nome. Vida que segue.
Foi Notícia até na Austrália
Eu nunca mais esqueci a história que Seu
Clóvis me contou, até pela riqueza de detalhes e a forma eloquente como
ele narrava este episódio. Mas ao mesmo tempo, devido à falta de
informações transmitidas aos brasileiros sobre o corpo na balsa, poucos
eram os detalhes sobre o caso.
Nota sobre o evento de Ponta Negra em jornal australianoRecentemente me lembrei da história de
Seu Clóvis e como hoje temos esta inigualável ferramenta (tanto para o
bem, como para o mau) que se chama internet, me veio a mente procurar
manter contatos com pessoas pelo mundo afora, buscando alguma informação
sobre este episódio. Em um fórum sobre aviação, deixei informações e,
para minha sorte e surpresa, através do Sr. Henry F. Mann, de Sidney, na
Austrália, me mandou uma prestativa mensagem onde remetia as fotos de
duas páginas de antigos jornais do seu país. Os periódicos eram de
janeiro de 1943 e havia uma interessante história sobre um acidente de
aviação no meio do Oceano Atlântico.
Em uma nota do jornal australiano “The
Mail”, da cidade de Adelaide, edição de 20 de fevereiro de 1943, na
primeira página, informa que um pequeno bote salva-vidas de borracha,
levando o corpo do major Arthur Mills, membro do “Army Air Corps Ferry
Command”, derivou até uma praia perto de Natal, Brasil.
Avião de transporte americano sendo abastecidoSegundo o correspondente da United Press
lotado na capital potiguar, a nota acrescentava que no barco não havia
nem comida e nem água, e que a balsa provavelmente tinha seguido a
deriva por mais de 1.000 milhas, atravessando o Atlântico Sul.
Apontava a nota que o major Mills lutou
para sobreviver, pois no pequeno barco havia ossos de peixes e que um
daqueles tradicionais emblemas com uma águia (que os americanos
colocavam nos quepes de oficiais durante a Segunda Guerra) foi
transformado em um anzol improvisado.
Mais significativo era o fato de ter
sido encontrado juto com o corpo, seis placas “Dog tag”, indicando que
outros seis aviadores tinham falecido, provavelmente na balsa, em meio
uma tremenda agonia de sede e fome. Os nomes dessas seis vítimas não
foram divulgados.
Era uma história muito parecida a que me foi contada por Seu Clóvis.
Já o periódico “The Sydney Morning
Herald”, edição do dia 24 de janeiro de 1943, na oitava página,
encontramos a notícia que segue. Dois membros da (R.A.A.F.) Royal
Australian Air Force – Real Força Aérea Australiana, o piloto W. T. B.
Smithson e o sargento H. V. Lamb, além de treze britânicos e doze
americanos estavam desaparecidos em decorrência da perda de um avião de
transportes americano no Atlântico Sul. A nota ainda informava que o
corpo do Major Arthur Mills, havia sido levado em uma balsa salva-vidas
para o litoral brasileiro.
A nota encerrava informando que alguns bens pessoais de outros aviadores foram encontrados na balsa.
Um Velho Livro Ajuda a Entender Este Episódio
Então me lembrei que em Recife, um amigo
possui um exemplar do livro “The eagle in the egg” e poderia ter alguma
coisa sobre este caso.
Escrito em 1949 pelo tenente coronel
Oliver La Farge, e publicado pela Hougton Biffin Company,, de Boston,
este material com 319 páginas trás com detalhes a história do ATC – Air
Transport Command (Comando de Transporte Aéreo), que foi o órgão que
desenvolveu a rede de aviões, aeroportos, campos de pouso e toda
estrutura do transporte aéreo americano na Segunda Guerra Mundial.
C-87A meu pedido ele fez uma busca e
encontrou na página 194, que pouco antes da meia-noite de 17 de janeiro
de 1943, um avião de transporte modelo Consolidated C-87 “Liberator
Express”, número de registro 41-1708, decolou da cidade africana de
Acra, na antiga Costa do Ouro, atual Gana, em direção a Natal. O seu
piloto era o capitão Captain Orval Eknes Mijkpen e ele transportava
basicamente passageiros. Consta no livro que devido a um bom e forte
vento de cauda, o capitão Elwes planejava fazer a viagem sem escalas,
apenas sobrevoando a ilha de Ascenção, uma rocha vulcânica no meio do
Oceano Atlântico, pertencente à Inglaterra e igualmente uma importante
base aérea de apoio. Mas este avião simplesmente desapareceu.
A base de Acra durante a Segunda Guerra Mundial.Ao meio dia de 18 de janeiro, foram
iniciadas as buscas da aeronave ao longo do percurso que, embora
prejudicada por más condições meteorológicas, continuou até 30 de
janeiro de 1943, tanto pelo ar, como por militares buscando nas praias
brasileiras sinais trazidos do mar.
No dia 31 as buscas foram oficialmente encerradas e nenhum destroço foi encontrado.
Em 5 de fevereiro, uma sexta-feira,
dezenove dias depois do C-87 41-1708 haver decolado na noite de Acra, os
soldados brasileiros em Ponta Negra, entre eles Clóvis Ramalho Ribeiro
Dantas, avistaram um bote salva-vidas onde estava o corpo desidratado do
Major Arthur Mills.
Consta em “The eagle in the egg”, que os
homens que padeceram sobre as águas do Atlântico, mesmo estando com uma
caderneta, não deixaram registros ou documentos para elucidar o
mistério do desaparecimento do C-87.
O Interessante foi que o autor confirmou
a nota do jornal australiano, de que havia ossos e um distintivo de
quepe de coronel, transformado em anzol.
Para o tenente Coronel La Farge, era
evidente que o avião havia pousado com sucesso na água e que os homens a
bordo (ou parte deles) deveriam ter conseguido evacuar com sucesso da
aeronave sinistrada, mas em grande pressa, pois aparentemente não
traziam todos os seus equipamentos de sobrevivência na balsa.
As Investigações
O inquérito que se seguiu apontou que o
capitão Elwes era um dos melhores pilotos a voar sobre a África, que ele
não estava cansado, não tinha bebido na noite anterior a partida de
Acra. Os registros apontam que o comportamento de toda a tripulação
antes do voo foi sem alterações. Ocorreu a habitual inspeção antes da
decolagem e os motores estavam em ótimo estado.
Embarque de militares em um avião C-54 do ATC – Air Transport Command (Comando de Transporte Aéreo) em Acra.O livro afirma que o avião era
relativamente novo em serviço, sem ter voado de forma excessiva. Além do
mais não houve incidente incomum e nem mensagem alguma foi recebida do
avião depois que seguiu viagem. Para o autor do livro, tenente Coronel
La Farge, a provável explicação deste acidente foi que poderia ter
ocorrido algum problema com o combustível a bordo ou, o C-87 poderia ter
sido derrubado por um submarino alemão, onde mesmo avariado ainda teve
condições de pousar.
São apenas teorias. A verdade sobre o que realmente aconteceu ao C-87 “Liberator Express” provavelmente nunca será conhecida.
Uma Estranha e Interessante História
O Major Arthur Mills era um ex-piloto de
transporte do correio aéreo nos Estados Unidos, era natural da cidade
de Muscatine, estado de Iowa.
Sargento Ross Ballard Moore Jr.Entre os ocupantes da aeronave havia o
sargento Ross Ballard Moore Jr., do Texas. Ele se graduou em 1940,
depois ingressou no Corpo Aéreo do Exército dos Estados Unidos e morreu
neste acidente. Foi o único tripulante ao qual consegui uma fotografia e
existe uma estranha história envolvendo este militar.
No site http://www.findagrave.com/cgi-bin/fg.cgi?page=gr&GRid=42650429,
em meio a uma série de informações equivocadas em relação a este
acidente, uma parente sua informa que na noite de 15 de janeiro de 1943,
a irmã mais velha de Ballard, chamada Dorothy Lee, acordou vendo o
rapaz ao pé de sua cama.
Ela ficou surpresa e se assustou, pois sabia
que o mesmo se encontrava na América do Sul. Pior foi que ela ouviu
aquela figura dizer claramente que “-Você vai ter que cuidar da mãe
agora, eu não vou ser capaz.”
Consta que ela começou a perguntar o que
ele estava falando e ele se foi. Segundo a informação encontrada neste
site, a família só soube do acidente dois dias depois.
segunda-feira, 3 de abril de 2017
Causo nordestino:
O cidadão vai se consultar com um médico,
- Em que posso ajudar? pergunta o médico,
- Doutor estou com uma dor nas costas, o que é que eu tenho ?
- O médico responde, DOR NAS COSTAS.
Faleceu
no sábado (01), Afrânio de Souza Amorim, histórico filiado ao PDT, um
dos fundadores do partido no RN e que integrou o ciclo de amigos de
Leonel Brizola. Afrânio chegou a ser candidato a deputado federal, deputado estadual e vereador de Natal.
Era frequentador das rodas políticas formadoras de opinião da capital
do Estado e integrava ainda o senadinho do Natal Shopping. O velório acontece no Cemitério Morada da Paz, em Emaús, onde às 18h ocorrerá o sepultamento. O
Diretório Estadual do PDT-RN, presidido pelo prefeito Carlos Eduardo,
se solidariza com a família neste momento de dor e saudade. (Com informações e foto da @tribunadonorte)
(Artigo publicado no jornal TRIBUNA DO NORTE, edição de 2 de abril de 2017)
NÃO SE PODE REFORMAR deixando tudo como está. É a primeira coisa que me
vem à cabeça quando se fala em reforma da previdência. Se, para
reformar, tem que alterar, seja muito, seja pouco, é preciso que nos
ponhamos de acordo sobre se precisamos mesmo reformar ou não.
Qual é o motivo alegado para reformar? O “deficit”. A previdência arrecada menos do que tem de pagar.
Há os que dizem que o “deficit”não existe. Foi inventado pelo governo.
Se não existisse o “deficit”, para que este governo, ou qualquer outro,
haveria de comprar uma encrenca do tamanho desta, que coloca um pedaço
grande da população aos berros na rua contra ele? Para que mesmo? Só pra
chatear.
Existindo o “deficit”, só podem ser contra uma reforma que
o elimine aqueles que acham que o dinheiro do governo cai do céu e,
portanto, o governo pode e deve cobrir o buraco, seja qual for o
tamanho. Junto com todos os outros buracos. Da saúde. Da educação. Da
segurança. Da infra-estrutura. E quantos outros mais apareçam.
O
dinheiro do governo não cai do céu e o “deficit” existe. Infelizmente, é
maior do que aquele que o governo anuncia. O valor anunciado pelo
governo não inclui, por exemplo, o crédito contra a previdência que, mês
a mês, vai sendo acumulado pelos contribuintes ativos enquanto não se
aposentam. Como segurados e contribuintes eles são credores das quantias
que recolhem todos os meses. Ou não?
A previdência é um sistema
que se baseia na solidariedade da população ativa, mais jovem e
saudável, para com a população inativa, mais idosa ou com limitações
físicas que a impedem de continuar trabalhando. Os ativos de hoje
custeiam a manutenção dos inativos, que são os ativos de ontem.
Como, desde o começo, essa conta era difícil de fechar contando apenas
com a solidariedade do pessoal ativo, os empregadores foram chamados a
contribuir também – mesmo sendo, em sua quase totalidade, empresas,
pessoas jurídicas, que não se aposentam nunca. Pagam, mas não são
segurados.
Juntando o dinheiro de empregados e empregadores, resta
saber: quanto custa a aposentadoria dos inativos? Quantos são eles?
Quanto cada um vai receber? Por quanto tempo?
A nossa previdência é
um sistema tão tristemente engraçado que tem prejuizo se a população
passa a viver mais tempo: se a vida média da população aumenta, a vida
média dos aposentados também aumenta. Ora, quanto mais rápido um
aposentado morre, mais rápidamente a previdência se vê livre do encargo
de pagar a ele no fim do mês...
Do mesmo modo, quanto mais cêdo uma
pessoa se aposenta, mais cedo deixa de pagar e mais cedo começa a
receber dinheiro da previdência.
O indivíduo que se aposenta cêdo e acha de só morrer bem tarde... é de fato uma grande bronca para a previdência.
Tenho a impressão de que, sem radicalismos e partidarismos, qualquer
pessoa de bom senso concordará com a necessidade da reforma. Isso não
quer dizer concordar com a proposta do governo.
O governo fez lá a sua
proposta. Outras propostas podem ser feitas, desde que resolvam o
problema que se precisa resolver: acabar o “deficit” de hoje sem gerar
novo “deficit”amanhã.
Para definir o que fazer concretamente, não
seria humilhante para o Brasil olhar para o resto do mundo. Como é
feito, por exemplo, no Canadá, com seus 50.000 dólares de renda
per-capita anuais enquanto nós temos 11.000? Idade mínima de 60 e 65
anos para mulheres e homens, e um prêmio (Old Age Security) para os que
se aposentarem mais tarde. Como é no Japão e na Alemanha? Ambos têm
renda pessoal anual da ordem de 45.000 dólares. Ali a idade mínima para
aposentadoria é de 65 e 67 anos respectivamente. A comparação certamente
vai mostrar que nós aqui, embora mais pobres, criamos, e muitos de nós
não queremos alterar, um sistema previdenciário mais generoso (e caro)
do que o desses países e muitos outros bem mais ricos do que nós.
É
bom ter um sistema de aposentadoria que seja assim generoso. A questão
é: sem a ajuda de Papai Noel, como é que vamos pagar por isso?
É sempre uma alegria poder reencontrar os amigos Mazinho e Regina - músicos que frequentam a Casa do Cordel
para trocar experiências em tardes animadas com músicas, recitais de
poemas e cordéis, acompanhados pelo som do violão ou bandolim.
Esses
artistas, que residem em solo potiguar, também aproveitam o ensejo para
"jogarem conversas fora". Afinal, ninguém é de ferro. Umas boas
gargalhadas, provocadas pelas contações de causos, sempre fazem muito
bem.
Acostumado a decisões ditadas por seus caciques, o PSDB está diante
de uma situação sui generis após 28 anos de existência. Pela primeira
vez, uma pré-candidatura tucana à Presidência está sendo articulada fora
do controle das tradicionais lideranças do partido. Aliados dos
senadores Aécio Neves (MG) e José Serra (SP) e do governador Geraldo
Alckmin já admitem não ter como frear o movimento em favor do prefeito
de São Paulo, João Doria, para a vaga de presidenciável. Com a disputa
em aberto, o que mais preocupa neste momento é o que tem sido chamado de
efeito colateral imediato da ascensão de Doria. Ao não perder uma
oportunidade de se contrapor ao PT e ao ex-presidente Lula em
compromissos de governo e em redes sociais, o prefeito começa a ocupar
um espaço político deixado vago pelo triunvirato tucano (Aécio, Serra e
Alckmin), hoje mais focado nos desdobramentos da Lava-Jato do que no
enfrentamento político.
— Se ele virar 2018 com essa popularidade, fica muito forte — afirmou um deputado do grupo de Aécio.
Até recentemente os únicos cotados para a disputa interna no PSDB,
Aécio, Serra e Alckmin têm consciência, segundo aliados, de que nada
podem fazer para “segurar” Doria.
O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso tentou na semana passada
conter a onda em favor do prefeito dentro do partido, quando disse, em
entrevista ao GLOBO, que “credibilidade não é igual à popularidade”. Mas
a atitude só fez aumentar a campanha pró-Doria na internet, e FH virou
alvo de uma campanha difamatória depois que o prefeito reagiu dizendo
que o líder tucano já havia errado prognósticos em relação a ele duas
vezes. O ex-presidente chegou a ser taxado de “frouxo” na internet.
— Ele (FH) falou o que estava engasgado na garganta de muita gente no
partido, mas dificilmente surtirá resultado porque o apoio ao Doria
está sendo organizado além das fronteiras do partido — avaliou um
deputado ligado a Serra.
A pré-candidatura do prefeito estreante tem apoio do Movimento Brasil
Livre (MBL) e de empresários. Ele repete à exaustão que seu candidato a
presidente é Alckmin. Doria foi a FH semanas atrás reafirmar a lealdade
ao governador.
Mas é difícil encontrar no PSDB quem acredite nisso, porque a
campanha em favor dele corre solta sob às barbas do próprio. Até um
grupo no WhatsApp de integrantes do gestão Doria para troca de
informações de governo passou a ser espaço para compartilhar mensagens
simpáticas a uma pré-candidatura do prefeito.
De: O Globo
sábado, 1 de abril de 2017
VIAGEM COM O WANDERLEY
O fundador da família Wanderley no Rio Grande do Norte não usava o nome Wanderley e sim Pimentel.
Chamava-se JOÃO DE SOUZA PIMENTEL, e viera de Pernambuco, já casado com dona Josefa Lins de Mendonça.
Já casado ou solteiro, casando na Vila Nova da Princesa? Não há, até aqui, certeza.
Na NOBILIARQUIA PERNAMBUCANA, de Borges da Fonseca, verifica-se que os
Wanderley estavam muito misturados e aliados aos SOUZA PIMENTEIS, LINS, e
mais gente fina, de brazão e prosápia, senhores de engenhos e
participando da governança das vilas da capitania.
Esse João de Souza Pimentel é o pai de João Pio Lins Pimentel, já usando
o LINS materno, e Gonçalo Lins Wanderley, há usando o WANDERLEY.
João Pio Lins Pimentel foi tenente-coronel da Guarda Nacional,
fazendeiro, lavrador abastado e primeiro Presidente da Câmara Municipal
de Santana do Matos, de 1837 a 1840.
Em 13 de setembro de 1838, ingressando na Loja maçônica SIGILO
NATALENSE, dizia-se MAIOR DE 40 ANOS, casado, proprietário e residente
na VILA DO
ASSU
e não VILA DA PRINCESA, em honra da Princesa Carlota Joaquina. Nascera
antes de 1790 e devia ser o primogênito poque se chamava pelo mesmo nome
do pai.
Nada mais sei sobre o Ten-Cel. João Pio Lins Pimentel, com quem casou-se e se deixou descendência.
GONÇALO LINS WANDERLEY, seu mano, casou com dona Francisca Xavier de
Macedo, filha de Francisco Xavier de Macedo e dona Teresa de Jesus,
filha, esta, de Carlos de Azevedo Leite e d. Rosa Maria da Conceição.
Gonçalo Lins Wanderley era altivo e sabia manejar na palavra. Pesidente
da Câmara Municipal da Vila da Princesa em fevereiro de 1822, deu uma
resposta bravia ao GOVERNO TEMPORÁRIO que se instalara em Natal pela
foraça das carabinas da Companhia de Linha. Gonçalo declarou não
reconhecer a competência do Governo, dizendo-o ILÍGÍTIMO, CRIMNINOSO E
REBELDE... Esse mesmo Gonçalo Lins Wanderley tinha fama de excelente
cavaleiro e jogador não de carta mas de espada. Ignoro o nome de todos
os seus dignos filhinhos.
Dois, deixaram fama e renome, Manuel e João Carlos.
Manuel Lins
Wanderley, 1804-1877, casou com d. Maria Francisca da Trindade e não sei
quem teve a honra de ser sogro dele. Sei que abençôou dezessete filhos.
Um deles é o doutor LUÍS CARLOS LINS WANDERLEY, 1831-1890, primeiro
norte-rio-grandense doutor em medicina, deputado provincial e presidindo
a administração da sua Província, poeta, professor, jornalista,
teatrólogo, orador, político, clínico profissional. Faleceu em sua casa
que se erguia onde está o prédio da Prefeitura Municipal. João Carlos
Wanderley, 1811-1899, casou com d. Claudina Leite do Pinho, filha do
Ten-Cel. Antonio José Leite do Pinho e d. Bernarda Antonio Rodrigues.
Teve também dezessete filhos Uma das suas filhas, Francisca Carolina,
casou no Assu, a 25 de julho de 1858, com seu primo o dr. Luís Carlos
Lins Wanderley. Luís Carlos, enviuvando, casou com uma cunhada, d. Maria
Amélia Wanderley, em 1877. Luís Carlos e sua mulher, d. Maria Amélia, morreram no mesmo diua, 10 de fevereiro de 1890, em Natal. Os
filhos do dr. Luís Carlos deram muita vida e glória às letras da
Província e do Estado e a hereança cultural continua harmoniosa no
espírito dos netos e bisnetos. Nas festas comemorativas do MILÊNIO DA
CIDADE DO NATAL, em 25 de dezembro do ano de 1899, um Wanderley
publicara um poema n'A República", que circulara, impavida e solene, e
outro Wanderley fará um discurso, contando a história da terra que é
quase a história da gente ilustre dos Wanderley. 26.11.1959
Câmara Cascudo
(Em "O Livro das Velhas Figuras", Edição do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, 1978).