quarta-feira, 28 de junho de 2017

7 motivos para você NUNCA VISITAR Nísia Floresta no RN

O município de Nísia Floresta está localizado na Região Litoral Agreste do Estado, a 50 quilômetros de Natal, e é belo não só por sua natureza exuberante, mas porque também faz seus visitantes mergulharem em muita história da boa.

Até 1948 Nísia Floresta se chamava Vila de Papary, nome dado pelos índios Tupis que habitavam a região que quer dizer ‘salto de peixe’. Com a fusão das línguas tupi e portuguesa, o nome vira Papary.

Mas depois a cidade foi rebatizada, especialmente em homenagem – mais do que merecida – à celebridade da qual foi berço: Dionísia Gonçalves Pinto, mulher que entrou para história porque teve coragem de pensar diferente e defender suas ideias, consideradas revolucionárias pela sociedade conservadora da época.

Olha a Nísia aí!
Dionísia nasceu no sítio, o Sítio Floresta, no ano de 1810, adorava ler e escrever, e quando partiu para o mundo literário, adotou de vez seu pseudônimo: Nísia Floresta Brasileira Augusta, nome que se tornou internacionalmente conhecido.

Pois bem, o município hoje se mantém baseado na agricultura, na pecuária, na pesca e também na força turística de suas praias e lagoas.

Como por exemplo, a Lagoa do Carcará


Com toda essa água “feia” transparente e morna, areia branquinha, restaurante com mesinhas à beira dela, e muito sol.

Em Nísia você vai encontrar “apenas” as famosas praias de Búzios, Pirangi do Sul, Barra de Tabatinga, Barreta e Camurupim


Praia de Camurupim. Foto: Carla Belke
Que oferecem paisagens tipo essas aí da foto acima.

E tem outras lagoas tipo estas aqui ó


Além da Carcará ainda tem a Boágua, Carnaúba, Redonda, Bomfim e Ferreira. Tá bom ou quer mais?

A gastronomia da cidade é baseada em camarão


Prato predileto da cultura potiguar e algo bem comum na região.

Mas se você quiser dar um passeio pela cidade pode se deparar com um baobá gigante


Um dos maiores do Brasil, com um tronco de quatro metros de diâmetros, 13 metros de circunferência e uma copa de aproximadamente 19 metros de altura, plantado há 140 anos atrás por Manuel de Moura Júnior, e tombado pelo Patrimônio Histórico Nacional em 1965.

Ou encontrar um restaurante que fica dentro de uma estação de trem…


A estação foi edificada em 1881 pelos ingleses da companhia Great Western. Feita em estilo neoclássico, com arcos em estilo gótico, ela foi tombada pelo Patrimônio Histórico Estadual do Meio Ambiente, em dezembro de 1984. Atualmente, abriga o restaurante Marinas Camarões (já até falamos aqui no blog).

Ou quem sabe até conhecer uma igreja antiga que tem o altar folheado a ouro


A Igreja de Nossa Senhora do Ó foi erguida pelos portugueses em estilo barro, e concluída em 1755. No altar folheado a ouro se destacam duas imagens bem antigas, vindas de Portugal: São Benedito e a padroeira Nossa Senhora do Ó.

E aí, você acha que vale a pena visitar um lugar desses? Se gostou veja também 10 motivos para você nunca visitar Natal

De:  https://curiozzzo.com

terça-feira, 27 de junho de 2017

Toda mulher tem seu encanto, eu me encanto com todas elas.

Fernando Caldas

Poema "A Chegada de Suassuna no Céu"

Em 1877, era inaugurada a primeira linha de bonde no bairro de Santa Tereza, no Rio de Janeiro. Machado de Assis, em crônica bem humorada, dizia que esse bonde andava tão rápido que "quando um bond sobe, outro desce; não há tempo em caminho para uma pitada de rapé". Isso diferia, segundo o escritor, dos outros bairros da cidade, onde os bondes percorriam os trajetos lentamente, fazendo uma verdadeira "pescaria" de passageiros. Eram ainda os primeiros bondes puxados por burros; e para o importante autor carioca, "Agora é que Santa Teresa vai ficar à moda".

© Bairro de Santa Teresa, Rio de Janeiro, c. 1921, fotógrafo desconhecido / Library Of Congress.

domingo, 25 de junho de 2017

"Em busca dos meus amores, irei por entre montes e rios."

S. Juan de La Cruz
DO Facebook de Pablo Vinícius de Oliveira
Se eu conversasse com Deus
Iria lhe perguntar:
Por que é que sofremos tanto
Quando viemos pra cá?
Que dívida é essa
Que a gente tem que morrer pra pagar?
Perguntaria também
Como é que ele é feito
Que não dorme, que não come
E assim vive satisfeito.
Por que foi que ele não fez
A gente do mesmo jeito?
Por que existem uns felizes
E outros que sofrem tanto?
Nascemos do mesmo jeito,
Moramos no mesmo canto.
Quem foi temperar o choro
E acabou salgando o pranto?”
Leandro Gomes de Barros
Em uma das mais recentes entrevistas, o renomado escritor paraibano traz poemas e referências literárias para apresentar suas ideias para Eric Nepomuceno, no...
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sábado, 24 de junho de 2017

Por João Celso Neto
Quando eu nasci (janeiro de 1945), Getúlio Vargas era o ditador havia pouco mais de 7 anos, embora no poder desde 1930, com o golpe dado por ele em novembro de 1937 criando o chamado Estado Novo e outorgando ao país uma nova Constituição, chamada de Polaca.
Derrubado por um golpe militar (na verdade, renunciou ante a iminência de ser deposto por um golpe militar), comprovou sua popularidade ao voltar à presidência da república pelo voto popular nas eleições realizadas em 1950, com 48,73% dos votos válidos, mas nas eleições que se seguiram à sua derrubada, realizadas em dezembro de 1945, fora eleito senador por São Paulo e Rio Grande do Sul (seu estado natal). E dera seu apoio à candidatura de Dutra como forma de abalar a candidatura do Brigadeiro Eduardo Gomes, o mesmo que derrotaria cinco anos depois.
Do Catete, como se sabe, saiu em agosto de 1954 nos braços do povo para ser sepultado na cidade de São Borja, onde nascera, ao se suicidar. Certamente, nem mesmo os enterros de Juscelino e Tancredo superaram a imensa manifestação e comoção verificadas em 1954.
Há consenso quanto a ter sido um governante populista, fundador de um partido trabalhista (PTB) depois de ter sido do PRR (Partido Republicano Rio-grandense). Ou seja, fora um chimango na política gaúcha durante sua vida política anterior.
Passados mais de 60 anos de sua morte, Vargas ainda é considerado um pai da pátria e dos pobres. Tal como se dizia de D. Pedro II, a massa se sente saudosa de Getúlio, mesmo quem ainda nem nascera quando ele governou, computando seu legado de direitos ao trabalhador: criou a Justiça do Trabalho, instituiu o salário mínimo, a Consolidação das Leis do Trabalho, a carteira profissional, a semana de trabalho de 48 horas e as férias remuneradas. E o que talvez haja sido sua maior obra, a criação da Petrobrás, depois da criação da Companhia Siderúrgica Nacional, da Vale do Rio Doce e da Cia. Hidrelétrica do Vale do São Francisco. O IBGE também foi criado durante seu governo. Dessa forma, inegavelmente, foi nacionalista, mesmo sofrendo influência dos regimes europeus nazista (Hitler) e fascista (Mussolini).
Seu PTB hoje está ideologicamente muito longe de ser aquele criado por ele (e pelo qual Brizola brigou, mas perdeu). Não sei o quanto Getúlio aceitaria nos quadros partidários do PTB alguns que se utilizaram, e ainda se valem, da sigla na tentativa de ganhar eleições louvando seu legado. A meu ver, políticos como Sandra Cavalcante (sabidamente lacerdista até a medula) devem ter feito Vargas se revolver na tumba.
Por que trago isso à memória, sobretudo dos jovens? Para mostrar, sem saber se logro êxito, que o endeusamento de certos políticos que permanecem no imaginário popular é algo perigoso, quem sabe, irracional. A Argentina teve Perón, no rastro de quem teve (ao findar-se o período dos governos militares) como presidentes Héctor Cámpora. María Estela Martínez, Carlos Menem, Eduardo Duhalde, Néstor Kirchner e Cristina Kirchner.
O Brasil não pode correr o risco por não aprender com o próprio passado e o que viu aconteceu tão próximo.

sexta-feira, 23 de junho de 2017

MINHA FUGUERA

Sá dona, o tempo passa,
Mais porém, essa disgraça,
Qui a gente tem, pruquê qué...
Êsse amô, êsse arrespeito,
Qui o cristão guarda no peito,
Essa paixão pru muié...

Êsse veneno danisco,
Essa pedra de curisco,
Essa dô, essa afrição,
Esse estrépe invenenado
Êsse cão amolestado,
Qui mastiga o coração
Essa sodade afitiva
Qui pru mais qui a gente viva,
Cum a gente véve tombém...
Essa lembrança danada,
Essa coisa amalinada,
Essa só sente quem qué bem...
Mecê já sabe o que é...
Pode num sofrê inté,
Mas, sente rescordação...
Daquela noite brejera,
Qui nós casô na fuguera
De nosso sinhô São João.
A sua bôca falava,
Meus ouvidos escutava,
- aí... meus óios chorô -
Jurguei qui mecê num visse,
Aquela minha tolice...
Mais, sinha dona notô.
E dixe pra eu baixinho:
- São João, foi Nosso padrinho...
São Pedro e Nosso Sinhô...
- Eu serei tua querida
- Tu será a minha vida
- Eu serei o teu amô
Outros São João já vieram;
Mais fuguera se fizeram;
E nós dois, sempre a lembrá...
Daquele apêrto de mão,
Do qui juremo a São João
Na fuguera - o nosso artá.
Mais o tempo, êsse mavado,
Qui leva a vida ocupado,
Sem nenhuma ocupação...
Acendeu outra fuguera,
De miôlo de Aruera,
Na minha rescordação: -
"São João dixe,
São Pedro confimô:
Qui nós se cazasse hoje,
Qui Jesus Cristo mandô"

(Renato Caldas, poeta matuto Norte riograndense)
___________in "Fulô do Mato"
Fernando Caldas



São João das antigas. Casamento matuto. Fotografia, data de 1982. Quadrlha da Vovó Zulmira. Assu-RN.

Da Esquerda: Fernando Caldas (o editor deste blog - o padre), Francisco de Medeiros Dias (Chhico Dias) e Isa Caldas (noivos).

JORNAL DO AÇU, 1877



 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.