sexta-feira, 28 de dezembro de 2018

A paradisíaca aldeia portuguesa onde apenas vive uma pessoa

No extremo norte do país, por entre montanhas e vales, há uma aldeia onde apenas vive um resistente. Descubra Val de Poldros, a aldeia de um homem só.
  
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Vale de Poldros
Vale de Poldros

Percorrem-se uns largos quilómetros de estrada sem avistar qualquer povoação até se chegar a Val de Poldros, a 1200 metros de altitude, com uma vista imponente da serra da Peneda. Como anfitrião, temos Fernando Gonçalves, 48 anos, o único habitante da aldeia, que regressou à terra natal em 2004, depois de ter estado como emigrante em Andorra. “Era tanto o silêncio que parecia que fazia mal”, recorda. Ultrapassou o isolamento com a abertura de um restaurante que, actualmente, recebe clientes fiéis de paragens mais ou menos distantes, muitos deles de Espanha. “Fui aprendendo com eles o que deveria pôr na mesa”, conta. “Depende da época do ano e do que tenho à mão.”
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Não há, por isso, pedidos à lista. Quem chega come o que foi preparado de antemão por Fernando, hoje um cozinheiro experiente e dedicado. Pode ser uma aveludada sopa de saramagos (uma planta silvestre), feijões afogados (misturados com arroz e massa), um novilho assado ou um valente costeletão de novilho. Pratos bem apurados, com matéria-prima de excelência, para comer de preferência ao calor da salamandra, que por estas bandas o vento frio sopra impiedoso, mesmo durante a primavera. As portas do restaurante Val de Poldros estão abertas durante todo o dia e o proprietário desdobra-se em atenções aos visitantes. À noite, só faz jantares por encomenda.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Da varanda desta casa de granito, tem-se um belo cenário daquela que ficou conhecida como a “aldeia dos hobbits”, dadas as semelhanças com o cenário verdejante do filme O Senhor dos Anéis. Este é um dos exemplos de brandas no Alto Minho (são cerca de dez), povoados de montanha apenas habitado durante os meses de verão, para aproveitar os viçosos pastos. Nos restantes, os habitantes desciam à inverneira Riba de Mouro, a sede da freguesia, uma transumância humana que hoje poucos praticam.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Como abrigo para o frio cortante de Val de Poldros, os pastores utilizavam as cardenhas, construções rudimentares de granito, com tecto baixo para preservar o calor, de que ainda ali existe um conjunto muito significativo (o maior da região) e possível de preservar. Se planear uma visita a este património (tema de colóquios internacionais arquitectura popular), saiba que a 13 de Junho Val de Poldros acolhe a romaria de Santo António, uma das mais genuínas do Alto Minho. Uma das casas do santuário será sorteada entre os romeiros, ficando assim à disposição do vencedor durante um ano. Quem sabe não fará companhia a Fernando?
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Vale (ou Val) de Poldros — assim denominada porque na época de D. Dinis aqui se criavam os poldros [regionalismo para o mais comum: potros] para a guerra – é uma das “cerca de dez brandas existentes na região do Alto Minho e aquela que concentra o maior número de cardenhas em melhor estado de preservação. As brandas são aldeias de montanha, localizadas acima dos 900 metros de altitude, para onde se mudavam as populações no Verão (de Março a Outubro), saindo das inverneiras (aldeias “gémeas” localizadas nos vales, onde viviam resguardadas no Inverno) com o gado, alfaias agrícolas e, por vezes, até “toda a mobília”, numa deslocação migratória sazonal conhecida por transumância.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Ainda há quem faça este movimento, aproveitando as inúmeras nascentes que correm pelos vales até Maio, utilizadas nos “regueiros de milho” e para a plantação de centeio nos lameiros (socalcos), que vemos agora ainda postos de verde relvado delimitado por muros de pedra.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
A fundação das cardenhas  terá ocorrido no século IX, embora não haja certezas quanto à época em que começaram a surgir no alto das serras estes pequenos e toscos abrigos de pastores — com um primeiro andar para habitação e o rés-do-chão para albergar os animais — e onde só falta a porta redonda de madeira para imaginarmos de lá sair Frodo ou o tio Bilbo Baggins e o seu poderoso anel. Também existem cardenhas noutras brandas, mas a maioria foi destruída pelos proprietários, que utilizaram as pedras para construir casas melhores. O abandono de Vale de Poldros pelos seus habitantes terá sido a principal causa de preservação das cardenhas nesta aldeia.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Na actualidade e à semelhança de muitas outras brandas, Vale de Poldros perdeu toda a economia que fazia dela um local indispensável à sobrevivência da população. As suas construções continuam a resistir aos tempos mas o seu passado perde-se entre a vegetação que cobre os seus edifícios. As alterações neste território começaram a surgir em meados do século XX d.C. devido a factores demográficos, culturais, económicos e políticos.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
A grande mudança resulta da intervenção estatal nos baldios, à qual se seguiu um grande fluxo migratório das populações locais, o êxodo rural que levou ao abandono do território e à desertificação, situação que ao longo dos anos agrava cada vez mais. A sociedade portuguesa, em geral, abandonou a prática da agricultura e estas alterações culturais interferiram no povoamento de montanha.
Vale de Poldros
Vale de Poldros
Foram criadas novas vias e meios de comunicação alterando as relações de distância entre lugares e levando ao abandono de antigas vias, substituídas por novos caminhos que rasgam a serra e alteram o modo de interacção com a paisagem. Todos estes factores levaram ao esquecimento destes aglomerados, que de certa forma começam aos poucos a ganhar uma nova vida, com a introdução do Turismo Rural neste território repleto de potencial natural e patrimonial.

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“Você só vive uma vez, mas se viver direito, uma vez é suficiente.”

quinta-feira, 27 de dezembro de 2018

Robinson diz que todos os ativos receberão 13° de 2017 até segunda

De acordo com governador, servidores inativos ficarão de fora do recebimento dos pagamentos do 13° de 2017 e de novembro e dificilmente será possível pagar o 13º deste ano antes do dia 31


José Aldenir / Agora RN
Governador Robinson Faria, durante inauguração nesta quinta-feira, 27
O governador Robinson Faria garantiu nesta quinta-feira, 27, durante a inauguração das obras do Museu da Rampa e Memorial do Aviador, que todos os servidores públicos da ativa receberão a íntegra dos salários de novembro até o final da sua gestão, que termina na segunda-feira, 31. Robinson também prometeu que os demais funcionários da ativa que ainda não receberam o décimo terceiro salário de 2017 receberão o abono ainda este ano.
De acordo com Robinson Faria, os servidores inativos ficarão de fora do recebimento dos pagamentos do 13° de 2017 e de novembro e dificilmente será possível pagar o 13º salário deste ano antes do dia 31 deste mês, quando ele termina o mandato. O compromisso ficará para o novo governo.
Ainda não receberam o 13° salário de 2017 e a folha de novembro todos os servidores – entre ativos, aposentados e pensionistas – que recebem acima de R$ 5 mil. Apenas quem ganha menos que isso e servidores de órgãos com arrecadação própria já tiveram os salários creditados.
Por causa do atraso, servidores da Polícia Civil paralisaram as atividades. Nesta quinta-feira, 27, a categoria rejeitou proposta do Governo para pagar o 13° salário de 2017 apenas para os ativos – oferta que foi reiterada por Robinson durante a inauguração do Museu da Rampa e Memorial do Aviador.
Também nesta quinta-feira, o Governo do Estado prometeu que vai depositar na sexta, 28, o abono do ano passado para todos os bombeiros e policiais militares (incluindo aposentados e pensionistas) que ainda não receberam. O pagamento é uma condição para que a categoria não cruze os braços. Eles ameaçam repetir a Operação Segurança com Segurança, deflagrada em 2017. Na oportunidade, os militares fizeram “aquartelados” e não saíram às ruas para fazer o policiamento.
TRANSIÇÃO

O governador afirmou também que não reconhece nenhum passivo na ordem da R$ 2,7 bilhões existente no Rio Grande do Norte. O valor foi divulgado pela equipe econômica que compõe a comissão de transição montada pela governadora eleita, Fátima Bezerra (PT). Os dados teriam sido obtidos junto a órgãos do governo atual.
http://agorarn.com.br
Tua ausência

Por Fabrício Neto, poeta natalense
A noite
aproxima-se
e com ela,
a tristeza
de está só.
Solidão.
No silêncio
da noite ,
procuro ir
ao teu encontro.
Meu pensamento,
viaja por
toda parte,
vasculha
toda a madrugada
e não te encontra.
De regresso,
sinto um vazio
em minh`alma.
No silêncio
da minha dor,
ela chora, chora
devagarinho,
a tua ausência.
Nessa angústia
louca,
sinto a tristeza,
a tristeza de continuar
sem você.
Continuo só.
Solidão.

quarta-feira, 26 de dezembro de 2018

Não és a flor olímpica e serena 
Que eu vejo em sonhos na amplidão distante; 
Não tens as formas ideais de Helena, 
As formas da beleza triunfante; 

Não és também a mística açucena, 
A alva e pura Beatriz do Dante; 
És a artista gentil, a flor morena 
Cheia de aroma casto e penetrante. 

Não sei que graça, que esplendor, que arpejo 
Eu sinto dentro d'alma quando vejo 
Teu corpo aéreo, matinal, franzino... 

Faz-me lembrar as vívidas napeias, 
E as formas vaporosas das sereias 
Rendilhadas num bronze florentino. 

(Guerra Junqueiro, em 'A Musa em Férias') 




Hoje é dia da lembrança.
O MEU NATAL DE ANTIGAMENTE
Nesse tempo que estamos nas festas natalinas, sinto que o Natal já não é o mesmo da nossa época. Tudo mudou, totalmente.
Confesso que fico triste, pois já não existe o espírito natalino, pois a realidade é a sociedade de consumo.
As famílias não se unem mais para pensar no amor de Jesus, na fraternidade, no caminho e na união entre as pessoas.
Até mesmo a crença no Papai Noel, que antigamente 'existia', e que as crianças sonhavam com o homem de barba, aquele velhinho que trazia o presente e que colocava embaixo da rede, já não existe mais.
O Natal era fé e festa. Após a missa, a meninada ia para o pátio do mercado comprar guloseimas, como cestinhas com confeito de rapadura, castanha, amendoim, pipoca de milho alho; além de alfenim, puxa-puxa, gelé de coco, refresco com pão doce, barba de papai noel e algo mais. Nessa época chegavam ao nosso torrão o parque Santa Terezinha e o Circo Mágico Nelson.
Depois, a brincadeira era na frente da nossa casa.
Eu brigava contra o sono para ver a chegada do bom velhinho, mas nunca consegui ficar acordado até meia-noite.
Sempre perdia quando Papai Noel passava pela minha casa e colocava no meu quarto um carrinho de madeira ou uma bola de plástico. As últimas que eu recebi lembro o nome: Canarinho e Dente de Leite.
Lembro bem da minha alegria ao acordar, quando olhava ao lado da rede e estava o presente daquele homem de barba branca tão querido pelas crianças. Minhas irmãs recebiam bonecas de plástico ou de pano.
A lua bela brilhava a minha rua e as crianças esbanjavam alegria e felicidade nessa noite querida.
Marcos Calaça, jornalista cultural e poeta matuto .

terça-feira, 25 de dezembro de 2018

O FIEL poema de GUERRA JUNQUEIRO na voz de JOAQUIM SUSTELO vídeo C.VASCO...

Senhor que fez Jacob e deu Jesus ao mundo, para quem tudo é força e toda força é nada...

João ins Caldas

Morena

Não negues, confessa 
Que tens certa pena 
Que as mais raparigas 
Te chamem morena. 

Pois eu não gostava, 
Parece-me a mim, 
De ver o teu rosto 
Da cor do jasmim. 

Eu não... mas enfim 
É fraca a razão, 
Pois pouco te importa 
Que eu goste ou que não. 

Mas olha as violetas 
Que, sendo umas pretas, 
O cheiro que têm! 
Vê lá que seria, 
Se Deus as fizesse 
Morenas também! 

Tu és a mais rara 
De todas as rosas; 
E as coisas mais raras 
São mais preciosas. 

Há rosas dobradas 
E há-as singelas; 
Mas são todas elas 
Azuis, amarelas, 
De cor de açucenas, 
De muita outra cor; 
Mas rosas morenas, 
Só tu, linda flor. 

E olha que foram 
Morenas e bem 
As moças mais lindas 
De Jerusalém. 
E a Virgem Maria 
Não sei... mas seria 
Morena também. 

Moreno era Cristo. 
Vê lá depois disto 
Se ainda tens pena 
Que as mais raparigas 
Te chamem morena! 

Guerra Junqueiro, Em 'A Musa em Férias' 
NO CALVÁRIO
Quando Jesus, o santo proletário,
Morria sob o cimo do Calvário,
Sendo o meigo Rabbi da Galileia,
Ele viu fulgir a sua ideia
Na derradeira gota derramada
Nos olhos da sentida maculada
De Madalena - a pecadora santa.
Ah! Consolo ideal de graça tanta!
O puro de alegria e de miséria
Via fulgindo n'a alma da matéria
A semente profunda e vencedora
Da deslumbrante vida redentora!
Então, lhe disse alguém, olhos cravados
Nos olhos de Jesus, quase apagados:
"Porque não fazes tu, Cordeiro Manso,
Com que, carne da dor e sem descanso,
Resplandeça o teu corpo sem feridas
Para, vendo o milagre, as outras vidas
Crerem melhor em ti, bom que procuras
Fazer de todas almas almas puras?"
- Mortal, Jesus lhe disse, hoje é preciso
Que, Matando no lábio a flor do riso,
O Deus tornado homem, o soberano
Caia na morte que padece o humano...
A culpa é grande, o sacrifício é forte...
A morte lava o temporal da Morte
E eu quero ver a humanidade salva!... -"
E erguendo a face, como um céu, bem alva,
Estirou-se na cruz, sem mais conforto,
Morto pelos maus, para ver morto
O pecado ferino que luzia
No coração do povo que o feria.
Branco Jesus da humanidade salva!
(João Lins Caldas)
Natal, 15´/4/1909

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO