domingo, 3 de fevereiro de 2019

LEMBRANDO EPIFÂNIO BARBOSA

Era eu ainda menino de calças curtas quando tive o privilégio de ter conhecido Epifânio Barbosa. Tipo baixo, garboso, esperto, morenão, jeitão sertanejo. Fazendeiro, negociante de gado. Amigo leal de meu avô materno Fernando Tavares (Vemvem) que foi também fazendeiro na região do Assu e amigo de Epifânio. Lembro-me de Epifânio frequentando assiduamente as reuniões sociais na calçada do rico e antigo casarão do casal Maria Eugênia e Nelson Montenegro. Ele era proprietário da famosa Fazenda Cruzeiro, localizada no caminho do Riacho (distrito do Assu).

Epifânio tinha um mundo de amigos e era admirado por todos daquela região sertaneja. Homem de poucas letras, porém sabido nos negócios de gado, sábio na maneira de viver e ver a vida, espirituoso como ninguém. O governador Dix-sept Rosado de quem ele era amigo íntimo, que o conheceu através de meu avô Vemvem, também com amizade estreita com Dix-sept, deliciava-se com as suas tiradas de espíritos, as suas estórias pitorescas,os seus repentes. Nas festas políticas, não perdia uma oportunidade para discursar. A sua oração com aquele seu linguajar matuto, estapafúrdio, que tinha um sentido filosófico e lhe fazia gracioso, encantava e agradava a leigos e eruditos.

Epifânio não tinha inibição, era despachado, desenrolado, grosseirão (no bom sentido). Certa vez, a deputada federal Ivete Vargas, visitava a cidade de Mossoró (RN). Epifânio, Getulista, resolveu ir até aquela cidade conhecer aquela parlamentar petebista. Ao chegar no aeroporto daquela terra do oeste potiguar, uma multidão incalculável se encontrava presente naquele local, prestigiando a filha do presidente Vargas. Epifânio usando da habilidade que lhe era peculiar, "como um relâmpago inesperado", meteu-se no meio daquele povão e chegou próximo a Ivete, batendo forte com uma das mãos no "bumbum" daquela parlamentar que assustou-se, virou-se e ficou olho no olho com Epifânio que apresentou a si mesmo de forma graciosa, dizendo assim: "Muita prazer, deputada. Epifânio Barbosa do Assu. Nunca bati na bunda de uma mulher, pra ela não olhar pra trás!"

Epifânio imortalizou-se na "pena fulgurante e adestrada", da escritora assuense de Lavras (MG), Maria Eugênia, no romance intitulado "O Sertanejo". do qual é o seu protagonista. Aquela mulher de letras, começa a narrativa do seu belo e original romance dizendo que "na aridez das caatingas, Lourenço viu-se jogado no mundo. De estatura mediana, saudável, inteligente, rosto largo e moreno, era figura popular no Vale do Açu, a rica região onde as carnaubeiras, com seus leques entreabertos, emolduravam de verde os longínquos horizontes, ao abano constante dos ventos.

Herdara dos ancestrais a tenacidade na luta pela vida. Corpo rajido, espírito forte, aceitava com a alegria ou sem amargor, tudo o que a vida lhe oferecia em suas variadas contingências.

Ali nascera e se fizera homem. Integrado à terra, como os verdes juazeiros, que heroicamente resistem a todos os ventos. Lourenço, ali possuía raízes como as agigantadas árvores que não poderiam ser transplantadas. Não se aclimataria jamais em qualquer lugar."

Fica este artigo que tem , sobretudo o sentido de resgatar, relembrar, apresentar aos mais jovens, Epifânio Barbosa, o que ele representou para o folclore regional, a pecuária das  das várzeas e dos sertões do Assu. E, finalmente, nas palavras do poeta cordelista (desconheço o autor), homenageio e reverencio a  memória de Epifânio Barbosa.:

Muito gado na fazenda,
Vacas, bezerros, garrotes.
Diversos reprodutores,
Novilhas e novilhotes,
Muitas cabras e cabritos,
Pulando pelos serrotes.

Postado por Fernando Caldas
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sábado, 2 de fevereiro de 2019

Fernando Caldas

A beleza da vida
Fabrício Neto
Quando
sentires
o desânimo
aproximar-se,
não entristeça,
contemple a beleza
de um botão de flor
a desabrochar,
transformando-se
na mais linda
das rosas.
Quando
sentires
a solidão
invadir
tua alma,
não desespere,
contemple
aquela estrela
distante que,
mesmo a distancia,
envia sua luz,
para iluminar
seu caminho.
Quando
não mais
acreditares
em nada,
Contemple
a sua própria
imagem
e sinta
a perfeição
que ela representa
diante dom próprio
universo.
Analise
sua perfeição,
seu conjunto
harmonioso,
sinta a grandiosidade
de um força
superior,
que lhe deu origem.
Agradeça
ao seu Criador,
o direito de viver .
O direito de
contemplar,
na natureza
a sua própria
continuidade.
A continuidade da
vida.




quinta-feira, 31 de janeiro de 2019


Minha vida não foi um romance...
Nunca tive até hoje um segredo.
Se me amas, não digas, que morro
De surpresa, de encanto. de medo...
Minha vida não foi um romance...
Minha vida passou por passar.
Se não amas, não finjas, que vivo
Esperando um amor para amar.
Minha vida não foi um romance...
Pobre vida... passou sem enredo...
Glória a ti que me enches a vida
De surpresa, de encanto, de medo!
Minha vida não foi um romance...
Ai de mim... Já se ia acabar!
Pobre vida que toda depende
De um sorriso, de um gesto, um olhar...
[Mario Quintana, Canção para uma Valsa Lenta]

Wanderlust

segunda-feira, 28 de janeiro de 2019

Francisco Inácio Ferreira (84) é poeta da velha guarda assuense de versos populares, de versificação fácil que a gente encontra facilmente pelas ruas do interior do Nordeste brasileiro. Na última sexta-feira, numa solenidade realizado no cinema na Assu encontro-me com ele que, na sua melancolia, escreveu esses versos que declamou para mim com lágrimas nos olhos (a glosa|décima é a sua predileção para versejar), conforme transcrito adiante:
A velhice me fez pagar com juro
Um empréstimo que fiz na mocidade
Armo a rede e me deito no escuro
Me lembrando das coisas do passado
Estou velho, tristonho e abandonado
Sendo assim vou pagar tudo que fiz
Hoje em dia me sinto um infeliz
Sem um lar, sem amor, sem alegria
Me lembrando das coisas que eu fazia
Um empréstimo que eu fiz na mocidade.
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Uma noite solene no Assu, "onde a poesia eterna, mora." Posse de Assis Medeiros (poeta) na qualidade de presidente da Academia Assuense de Letras). Na fotografia podemos conferir uma obra de arte (pintura) de um dos nossos artistas plásticos chamado Gilvan Lopes. Foto tirada no salão vip do Cine Teatro Pedro Amorim (totalmente reformado com recursos da PETROBRAS e da prefeitura daquele importante município da terra potiguar. É a nossa maior casa cinematográfica e de espetáculo, desde 1924. Fica o registro.

sábado, 26 de janeiro de 2019

A tragédia em Brumadinho
Abala o país inteiro,
Uma estatal leiloada
Ao capital estrangeiro
Aí você me responda
Se vale a vida ou o dinheiro...


Manoel Cavalcante

quinta-feira, 24 de janeiro de 2019

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TEU OLHAR

Teu olhar
transmite 
a felicidade
de uma nova
vida.

Teu olhar,
faz sentir
as energias
de inesquecível 
recordação.

Teu olhar,
cria um novo mundo,
um mundo
de imagens
encantadoras.

Teu olhar,
representa
uma suave
e amena brisa,
desprendendo amor.

Teu olhar,
é como um néctar
puríssimo 
que resurgindo 
do cosmos,
qual mensagem
Divina.

Teu olhar,
irradia o mais
puro amor.
Cria panoramas
belíssimos,
onde repousa
um saudoso coração.

Teu olhar,
sereno
inunda de
perfume
os campos e
os prados.
Acalentando
o sofrimento
e as lágrimas
de um grande
amor.

Fabrício Neto


UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO