quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

As expressões do Carnaval e suas origens em exposição

Roupas e máscaras de símbolos do Carnaval estão na mostra "Aptidão para a Alegria: Vem de Berço", em cartaz na Fundação Joaquim Nabuco, no Derby
Por: Paulo Trigueiro em 10/02/19 
Caboclo de lança
Caboclo de lançaFoto: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
O Mateus é um personagem que surgiu com o fim da escravidão no Brasil. “Ele aparece zombando de quem os escravizava. Na prática, ele é como um produtor cultural de hoje em dia, porque sua função era ir na frente dos maracatus aos locais de apresentação. Ele via se aquela cidade receberia bem o maracatu. Dependendo do que percebesse, o maracatu seguiria por outro caminho”, explica o historiador Severino Vicente. Mateus aparece sempre com sua companheira, Catirina, e a burrinha. Também é muito importante na brincadeira do Cavalo Marinho, outra festa originária da Zona da Mata Norte.
CALUNGA
A professora de História da UFPE Bartira Ferraz explica que as bonecas que aparecem no Carnaval carregadas por mãos dançantes de mulheres em apresentações de maracatu são as calungas. “É um termo usado em quimbundo para ‘pessoa ilustre’ e, na língua quioco, para dizer ‘mar’, como nos cânticos de macumba e candomblés cariocas e baianos. No dicionário de Luís da Câmara Cascudo, Calunga significa boneca, figura humana ou animal feita de pano, de madeira, de osso ou de metal. A Calunga pode ser considerada como um elemento totêmico no dizer de Mário de Andrade e é usada em rituais e cortejos representando entidades.”


Caretas
Caretas - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco

CARETAS

Os caretas surgiram de uma única pessoa. Um homem que, com um chicote, abria o 
espaço para as procissões em Triunfo. “Inicialmente, o careta era próprio dos tempos de 
Páscoa”, contou Severino Vicente, que foi até o local conhecer e estudar o brinquedo. 
Segundo ele, grupos anônimos utilizando as máscaras passaram a repetir o 
omportamento desse brincante originário. “Até hoje permanecem anônimos. São 
pessoas da comunidade, dos bairros próximos, mas não mostram os rostos nem falam 
quem são. O que mais impressiona é a habilidade de manuseio que eles têm com os 
chicotes pelas ladeiras de Triunfo.”

LA URSA

La Ursa é pernambucana. Mas não totalmente. “Não haver ursos de verdade em 
Pernambuco já é uma dica de que a brincadeira é um resquício de folguedos europeus”, 
conta o doutor em História pela UFPE Severino Vicente. Mais precisamente das 
brincadeiras de ursos e caçadores, que, inclusive ainda hoje existe no Brasil.

“A La Ursa é uma forma de pedir dinheiro durante o período carnavalesco, ao mesmo 
tempo em que diverte as pessoas. E essa brincadeira, tendo origem a partir daquela, 
europeia, é daqui do estado. Tenho visto com muita frequência acontecer na praia, mas 
não acontece só lá.” Qualquer rua pode ser palco para uma La Ursa.

FANTASIAS

As fantasias, incluindo as máscaras, têm origem no Carnaval de Veneza, na Itália. “A 
ideia foi trazida ao Brasil e, aqui, como tudo que chega, foi reorganizada à maneira da 
população local. As pessoas expunham suas fantasias nas ruas, como uma exibição. 
Mas também há a ideia de viver uma personalidade diferente quando a gente se fantasia”, 
conta Vicente.

Tela do pintor Bajado

Tela do pintor Bajado - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
Tela do pintor Bajado

Tela do pintor Bajado - Crédito: Rafael Furtado/Folha de Pernambuco
BAJADO

Quatro quadros de Bajados estão expostos. Todos voltados ao carnaval, um dos temas 

mais recorrentes da obra do pintor maraialense. Bajado tem relação estreita com a folia. 
De acordo com pesquisa de Regina Coeli Vieira, da Fundaj, ele retratou os clubes 
carnavalescos de Olinda, PernambucoPitombeira dos Quatro CantosElefante
O Homem da Meia-NoiteCaririVassourinhas, assim como o frevo rasgado na 
Ribeira, Largo do Amparo, Varadouro, Praça do Carmo. “Sua tendência artística era 
a liberdade de estética, comum na arte moderna, e suas obras retratavam tanto os 
folguedos carnavalescos, como também reverenciavam personalidades ilustres da 
sociedade pernambucana.” 
 https://www.folhape.com.br

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2019

AQUELA NOITE

Por Renato Caldas

Era o finá da cuiêta...
Disso, inda tô bem lembrado.
As salina parecia,
Arguns pedaços de dia,
Qui a noite tinha rôbado.
Aquela noite bonita,
Qui se tornô tão mardita,
Qui me faz tão desgraçado.

Naquela noite de lua:
- Deus num me castigue não -
Mais ante, eu ficasse mudo,
Ficasse cêgo de tudo,
Pra num sê tão bestaião,
De cantá praquela ingrata,
Naquela noite de prata
"O Luá do meu Sertão".

Naquela noite, Seu môço...
Seu Môço, naquela noite;
Mais ante eu bebesse o fé,
Sofresse dores crué,
Levasse os quarenta açoite,
Fosse pregado na cruz,
Sofresse mais que Jesus,
Morresse naquela noite.

Postado por Fernando Caldas




Fotografia: Início da construção da Barragem Armando Ribeiro Gonçalves (Barragem do Assu), em fins da década de setenta. 



Almaíza Pessoa Cunha, esposa Orácio Cunha. Ela era filha de Seu Pessoa e Maria da Glória Pessoa, querida professora no Assu. Ambos já falecidos. Apenas para registrar a beleza da mulher assuense. Foto de TC.
A imagem pode conter: céu, nuvem, crepúsculo, atividades ao ar livre, água e natureza
Parati, RJ.

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O justo não perdoa.

João Lins Caldas

MACACO SEBOSO

Zé de Lídia (apelido) era um antigo comerciante em Assu ni ramo de mercearia. Certa feita, um rapaz chega no seu estabelecimento comercial e faz umas compras. Ao recebrf o dinheiro, ze perguntou ao freguês se o troco poderia ser em dinheiro. No que aceitou e receber os confeitos, o freguez ofereceu um confeito ao macaco de estimação do dono da bodega. Aquele animal tirou o papel e passou o confeito no ânus. "Bicho Seboso". Dissr o fregues. Ze então sai em defesa do macaco: "Ę porque ele agora está muito experto! Porque, alguns dias atras, outro freguez nosso deu a ele uma manga que comeu com caroço e tudo. Passou um mez pra defecar, coitado. Agora, ele primeiro faz o teste pra vê  se passa".

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2019

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A vida pedi como quem pede um beijo na face,
Que ela, a vida, não me negasse...
Passou a vida, não me quis ver...
- Ora morrer!
Morrer é a vida de que se nasce...

João Lins Caldas
Venham comigo poetas...
Venham com a alegria desta terra...
Não me venham com lágrimas na voz...
Tirem a venda dos olhos
E olhem com os olhos alegres
Todas essas paragens de morros e de sol...
Todo esse verde buliçoso de coqueiros.

Jorge Fernandes
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO