
quarta-feira, 6 de março de 2019
DIÁRIO DE PERNAMBUCO

Ubirajara Lopes Carvalho para Casarões Antigos: Suas Historias e Suas Reliquias
O prédio onde funcionou, por mais de cem anos, o Diário de Pernambuco (o jornal mais antigo em circulação na América Latina) foi adquirido pelo governo do estado de Pernambuco e se encontra ao deus dará, num criminoso processo de deterioração. Vide foto abaixo de autoria de Arnaldo Pimentel.
Foi em 1903 que o jornal passou a ocupar o seu prédio mais famoso, situado na Praça da Independência.
Em estilo neoclássico, a construção de três andares abrigou a redação do DIARIO por 101 anos. A importância do DP na história do Recife é tanta que o logradouro situado em frente ao jornal é conhecido como Pracinha do Diário.
"Com a nova mudança de sede, o prédio vai abrigar um memorial com peças que marcaram a história do DIARIO e o acervo do Arquivo Público de Pernambuco. O carrilhão, o relógio que foi instalado em 1921, continuará informando as horas, graças à boa conservação do seu mecanismo." DP, edição de 20 de julho de 2004.
Nada do que foi dito pelo DP, na edição supracitada, ocorreu, exceto a mudança para o bairro de Santo Amaro.
terça-feira, 5 de março de 2019
Série "Para recordar os carnavais assuenses".
Os sorrisos da crianças exprimem a alegria de viver a real essência do Carnaval, que ficou dispersa em diversas épocas de sua existência. A terça-feira de carnaval é o último dia em que os foliões podem se divertir, pois logo chegará a "quarta-feira ingrata, chegou tão depressa só pra contrariar."
De Pedro Otávio
Os sorrisos da crianças exprimem a alegria de viver a real essência do Carnaval, que ficou dispersa em diversas épocas de sua existência. A terça-feira de carnaval é o último dia em que os foliões podem se divertir, pois logo chegará a "quarta-feira ingrata, chegou tão depressa só pra contrariar."
De Pedro Otávio

"Os Papangus, composto somente por mulheres como Alba de Sá Leitão, Alba Soares, Ozelita Dias, Evangelina Tavares e Zélia Tavares, aglomeravam-se, alternadamente, na casa de cada integrante para darem início aos assaltos às casas de pessoas amigas. O assalto às residências consistia em uma recepção regada à músicas, brincadeiras, bebidas, petiscos e tira-gostos. Era um bloco que provocava muita curiosidade e animação devido a ocultação das faces das mulheres."
De Pedro Otávio Oliveira.

Série "Para recordar os carnavais assuenses".
Tarde de carnaval, pessoas à espera dos carros alegóricos, na rua Frei Miguelinho. O cortejo alegórico seguia pela Praça do Rosário e ia até o Colégio Nossa Senhora das Vitórias, na Avenida Augusto Severo. Na foto, estão: Maria Nilda, Zélia Tavares, Suzete Ramalho, Francisca e Ximenes, Delza, Joaninha Gato. As crianças todas paramentadas para cairem na folia de momo.
De Pedro Otávio.
SAUDADE
Saudade dentro do peito
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.
É qual fogo de monturo
Por fora tudo perfeito,
Por dentro fazendo furo.
Há dor que mata a pessoa
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Sem dó e sem piedade,
Porém não há dor que doa
Como a dor de uma saudade.
Saudade é um aperreio
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.
Pra quem na vida gozou,
É um grande saco cheio
Daquilo que já passou.
Saudade é canto magoado
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente.
No coração de quem sente
É como a voz do passado
Ecoando no presente.
A saudade é jardineira
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira
Quanto mais coça mais quer.
Que planta em peito qualquer
Quando ela planta cegueira
No coração da mulher,
Fica tal qual a frieira
Quanto mais coça mais quer.
Patativa do Assaré,- o poeta do sertão/poeta e repentista
Antônio Gonçalves da Silva-
Antônio Gonçalves da Silva-
segunda-feira, 4 de março de 2019
RESSÁBIOS DE LUXÚRIA
A cidade, especialmente as moças, envolviam-se no embalo momesco, providenciavam as fantasias, decoravam os carros alegóricos. Com ousadia, buscavam um traje que tivesse decotes e chamasse à atenção dos espectadores, inspiravam-se em um tema polêmico e em evidência. Os pais providenciavam a compra das caixas de lança perfume Rodoro para completar a folia.
O executivo da cidade, com muito entusiasmo, buscava recursos para dar vida aos blocos carnavalescos que a cada dia tinha uma fantasia estarrecedora para apresentar. Tudo finalizado e preparado conforme programado, chegava o grande dia. O Clube Municipal era a casa que acolhia os foliões animados pelas orquestras, a Furiosa de João Chau, a de Francisquinho Músico ou a de Sr. Cristóvão Dantas, além da ARCA e AABB.
À tarde era o desfile dos carros alegóricos, imponentes e muito bem decorados. Eram motivo de uma fotografia ou até de manchete no jornal do colunista social mais bem afamado, Demócrito Amorim. As pessoas reuniam-se nas calçadas para prestigiarem os desfiles que ficariam como um fato para a posteridade. O percurso circulava a Praça Getúlio Vargas, seguia pela Praça do Rosário e ia até o Colégio das Freiras. Assim, acabava e começavam os preparativos para a noite.
Às 22 horas as portas das residências das famílias tradicionais abriam-se para liberar suas filhas que iam para o Baile, acompanhadas pelo olho clínico de seus pais que, assim como elas, tomavam assentos às mesinhas reservadas do Clube.
Todos preparados, a autoridade máxima estendia as suas saudações às famílias por tê-las presentes ali e era dada a primeira dobrada pela orquestra. A felicidade em esperar pelo carnaval de cada ano era prazerosa! Entrava no salão o primeiro bloco a rodopiar e marcar o passo ao som de envolventes marchinhas carnavalescas. Os foliões portando lança perfume borrifavam sobre os outros, espalhando-se pelo ar o cheiro gostoso. Os adultos cheiravam o lenço que tinha mão, tomavam porres de lança. Caso contrário, tinham às mesas whisky com guaraná, cerveja ou coca- cola com rum montila. Um funcionário do Banco do Brasil ocupava o cargo vitalício de Rei Momo e era um dos mais animados que a cidade via, Geraldo Dantas. O reinado, posteriormente, foi ocupado por João (Samuel) Batista Fonseca e Edmilson da Silva.
As antigas marchinhas de carnaval eram tocadas repetidamente com as pessoas dando voltas e mais voltas no salão, enquanto outras só ficavam paradas nas bordas a jogarem lança perfume e dançando em cima das mesas. Noite alta, começavam as paqueras e o envio de recados de um para o outro com o intermédio daquela amiga alcoviteira, namoros proibidos e ousados, mas com muito respeito. A cidade era pequena e no outro dia poderia estar tudo nos ouvidos dos pais e nas conversas da rua.
Os Papangus, composto somente por mulheres como Alba de Sá Leitão, Alba Soares, Ozelita Dias, Evangelina Tavares e Zélia Tavares, aglomeravam-se, alternadamente, na casa de cada integrante para darem início aos assaltos às casas de pessoas amigas. O assalto às residências consistia em uma recepção regada à músicas, brincadeiras, bebidas, petiscos e tira-gostos. Era um bloco que provocava muita curiosidade e animação devido a ocultação das faces das mulheres.
Havia também o bloco composto somente por homens chamado Karkarás, com uma única mulher como porta-estandarte, Zélia Tavares. No carnaval de 1965, ainda no ápice da Revolução de 1964, jovens estudantes uniram-se e fizeram surgir As Rebeldes, um nome que denotava muita ousadia, com mulheres à frente do seu tempo, e que as fantasias fugiam dos padrões convencionais. A Personal Stylist era Ivete Medeiros e esta buscava indistintamente temas que causassem espanto nas pessoas, tendo as fantasias guardadas em segredo. As Rebeldes estrearam com o figurino que reivindicava o uso do LSD. É necessário relembrar o homem que acompanhado pelas suas três filhas inexplicavelmente marcavam o passo pelas ruas da Assu então pacata. Exercia a profissão de sapateiro e era Pernambucano, com ritmo do frevo pulsando forte dentro de si, seu sobrenome já predestinava seus feitos: Djalma dos Passos Barros. Merecidamente, ele foi o maior expoente do frevo em Assu.
Alguns dos blocos eram: As Independentes, As Viajantes, Soldados do Tio Sam, Os Palhaços, Os Papangus, As Rebeldes, Os Bengalinhas, Vassourinhas, Os Índios, Os Karkarás, As Selenitas, As Incríveis, Futuristas, Os Irresponsáveis, Baghassus, Xafurdo, As Marinheiras. Eram inúmeros blocos que surgiam a cada ano, trazendo novas perspectivas e características. O Carnaval era uma festa familiar, com a perspectiva de unir e agregar valores. Em tempos de carnavais, políticos rivais esqueciam as diferenças e juntos participavam da festa momesca. Seletivamente organizada as festas aconteciam na maior amizade e convivência saudável. Com muito riso e alegria, haviam no salão mais de mil palhaços, além de Arlequim chorar pelo amor da Colombina no meio da multidão.
Por Pedro Otávio Oliveira
Foto: carro alegórico que reuniu vários blocos para o tradicional desfile nas ruas, tendo o Rei Momo destacado em ponto máximo - Geraldo Dantas, além dos organizadores da festa, Costa Leitão e Maria Olímpia.
SOBRADO DA BARONESA , Assu/RN, em clima de carnaval. Construído (está situado a praça Getúlio Vargas, antiga rua Casa Grande n. 139) por Coronel Wanderley – Manuel Lins Wanderley (meu parente distante). Ele, Coronel Wanderley, fez parte da instalação da Assembleia Provincial (hoje, assembleia legislativa), a 2 de fevereiro de 1835. Aquela edificação é duplamente centenária. A filha daquele coronel chamada Belisária Lins Wanderley de Carvalho e Silva era casada com o Barão de Serra Branca, Felipe Nére de Carvalho e Silva. O titulo de Barão fora concedido (decreto do governo do Império) a 19 de agosto de 1888. O título de Barão foi outorgado a Felipe Nére, pelo fato dele ter libertado 54 escravos existentes naquele município, a 25 de junho de 1885. Conta-se que um fato amoroso, inusitado e ousado, ocorreu há mais de cem anos atrás, naquele sobrado: o major Francisco Barbalho Bezerra raptou uma moça de nome Francisca (o pai daquela jovem não aceitava o namoro), pois teria ele, Barbalho Bezerra ,“atirado um cesto grande e, de madrugada, atirou um cabo para sacada do sobrado, de onde fez descer a sua bem-amada.” Naquela antiga edificação morou o médico e politico Ezequiel Fonseca Filho, servindo também de seu consultório médico. (Esse Ezequiel que eu cheguei ainda a conhecer, foi companheiro de pensão do pintor (artista plástico) Cândido Portinari), no seu tempo de estudante na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro, bem como na qualidade de intendente (prefeito) do Assu convidou o presidente Getúlio Vargas visitar a terra assuense, em 1933. E naquele mesmo ano, Vargas esteve naquele sobrado por alguns instantes. Atualmente funciona a Academia Assuense de Letras (andar de cima) e a Casa de Cultura Popular (térreo). Fica o registro. (Crédito da fotografia: Roberto Meira).
domingo, 3 de março de 2019
Série "Para recordar os carnavais assuenses".
No Clube Municipal, enquanto as mulheres bailavam, alguns homens ficavam em torno da mesa para trocarem uma prosa acompanhada de um whisky com guaraná e do famoso lança perfume Rodoro. Abaixo: Américo Abreu, Nazareno Tavares, Pedro Fonseca, José Régis, Francisco Ernesto, Cícero França.
De Pedro Otávio.
De Pedro Otávio.
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO






