ODE A EÇILIO PINHEIRO
Surgiu sem riso a aurora
no dia nove de abril.
Solitária a natureza
clamava no céu do Brasil.
A tudo causou surpresa,
o roseiral com tristeza
Perfume não exalou.
A tortura foi completa
Quando esse imortal poeta
viajou...
A floresta ficou triste,
a cigarra não cantou
Só a morte gargalhou,
o seu golpe ninguém resiste.
Padeceu a campina
no mar a mimosa ondina,
Consternada soluçou.
Sentiu o Brasil inteiro,
Quando a radio anunciou:
Morreu Eçilio pinheiro!
Nenhum pássaro gorjeou,
ao sol faltou claridade,
A lua só de saudade
nesta noite não brilhou!
Todo universo chorou,
a morte do filho amado
O vento soprou calado,
a manhã nasceu sem graça
O prenuncio da desgraça
fez do dia a madrugada.
Entristeceram os lírios,
jasmim, dálias, açucenas
Magnólias e verbenas
se vestiram de martírio;
Estrelas cometa e sírios
soluçavam sem conforto
Reclamava todo horto
com o silencio na fronte,
Denegrido o horizonte
deplorava! Eçilio morto.
E sua triste viola,
desprezada, coitadinha!
A magoa que lhe assola
é maior do que a minha.
Ergues seus repentes
saídos da boca quente
Como a eletricidade;
hoje vivem em abandono
Reclama chora a seu dono
que voou pra eternidade.
O céu mudou seu manto
as nuvens ficaram pretas
Penalizado os planetas
chorava a amargurando
Cada poeta em seu canto
gritava reclamação,
Somente a constelação
sorria constantemente
Por sabe que o eminente
foi eleito na amplidão.
Este lutador invicto
a voz do fraco e do forte
Matou o maior poeta
do Rio Grande do Norte,
Cada alma atribulada
pela tristeza causada
Aos pais, mães e filhos,
que blasfemavam ao mausoléu
porém os anjos do céu
cantavam em estribilhos.
Adeus Eçilio Pinheiro,
não te avistarei jamais
A carne não resta mais
só o teu nome violeiro,
Ficarás como o primeiro
cantador deste Brasil
O teu vulto varonil
entrou na voz da historia;
Subiste ao reino da gloria
no dia nove de abril.
Adeus Eçilio Pinheiro,
não te avistarei jamais
A carne não resta mais
só o teu nome companheiro
Enlutastes por inteiro
do mais fraco ao atleta
Tua linguagem correta
projetou-se como a luz
Converse lá com Jesus
ele também foi poeta.
Eçilio! como colega
não pretendo aborrecer,
Mas necessito saber
se no além tem bodega?
Eu sei você não nega
por ser um homem bizarro,
Diga se vende cigarro,
cachaça, fosforo e fumo
Mande dizer no resumo
Se tem cachimbo de barro?
Conte Eçilio, como vai?
Se já glosou com Bocage
Viu Mané de Bobagem
e conversou com papai?
Diga se São Pedro sai
a passear com os poetas?
Conte a historia completa
Esclareça tudo direitinho
Conte também amiguinho
se a viagem foi direta?
Eçilio, aguarde o dia,
reserve-me um lugar
Preciso me deleitar
com você na poesia,
Conserve a soberania
de qualidade e apreço
Mande certo o endereço
de você e dos colegas
Não permita ir às cegas,
eu sabendo não padeço.
Você que foi boêmio
Menestrel sonhador
Mande dizer por favor
se ai já se extreme-o
Confesse se já ganhou premio
por dedilhar violão
Narre tudo meu irmão
o passado e o presente
Explique sinceramente
se existe a tal salvação
Tua justiça eu renego
oh! Morte negra e ingrata.
Bem sei que você me mata
mas nem morrendo me entrego
a magoa que eu carrego
fere-me como uma seta,
prossiga na sua meta
mate o sábio e o vagabundo,
mate tudo nesse mundo
mas nunca mate um poeta.
(José Coriolano, poeta de Ipanguaçu/RN)
Poema enviado por Franz Bezerra de Oliveira