terça-feira, 20 de agosto de 2019

Da linha do tempo/Facebook de Pedro Otávio.
Arquivo Nacional
19 de agosto: Dia do Historiador
“A história é testemunha do passado, luz da verdade, vida da memória, mestra da vida, anunciadora dos tempos antigos” (Cícero).
“Os historiadores são pessoas que se interessam pelo futuro quando este já é passado (Grahan)”.
Hoje é comemorado no Brasil o Dia Nacional do Historiador. A celebração foi instituída pela Lei n° 12.130, de 17 de dezembro de 2009, e a data foi escolhida para homenagear Joaquim Nabuco. Joaquim Aurélio Barreto Nabuco Araújo nasceu em 19 de agosto de 1849, no Recife. Além de historiador, Joaquim Nabuco foi diplomata, jornalista, jurista e deputado geral pela Província de Pernambuco.
Um dos principais líderes abolicionistas do Brasil, Nabuco escreveu ensaios e livros, além de nos legar cartas e discursos, condenando a escravidão. Nessas obras, que podem ser lidas no portal Domínio Público (https://bit.ly/1l2DUss), ele analisava a escravidão sob diversos aspectos (histórico, jurídico, religioso, social e político).
Joaquim Nabuco escreveu também em jornais e revistas. Compareceu às sessões preliminares de instalação da Academia Brasileira de Letras (ABL) e foi o fundador da cadeira n° 27.
O Arquivo Nacional parabeniza todas as historiadoras e todos os historiadores!
Na imagem, Joaquim Nabuco, sem data. Arquivo Nacional. Fundo Correio da Manhã. BR_RJANRIO_PH_0_FOT_35820_009
Quem ama! É tão feliz
Que esconde as dores que tem.
E mesmo sofrendo, diz:
Sô mais feliz qui ninguém.
(CALDAS, Renato, 1980, p. 94)

segunda-feira, 19 de agosto de 2019

1962 – LIGEIRO ROTEIRO DA CIDADE DO NATAL



Resgato Das Páginas do Jornal do Commércio um Encantador e Interessante Artigo do Professor Veríssimo de Melo, que Apresentava Natal aos pernambucanos.


No princípio era o forte… O Forte dos Reis Magos, chantado á margem esquerda do rio Potengi olhando o azul do Atlântico. É o nosso maior e mais antigo monumento histórico cenário das lutas dos portugueses contra a indaiada, piratas franceses e Invasores holandeses.

A pequena, luminosa e alegre Cidade do Natal veio depois, a 25 de dezembro de 1599, fundada por Dom Jerônimo de Albuquerque — segundo a tradição – ou pelo Capitão Mor João Rodrigues Colaço, conforme declaram revisionistas modernos da nossa história.


Na geografia da cidade destaca-se a presença das dunas, esses morros atapetados de cajueiros nativos, — alguns carecas — que protegem Natal contra a fúria dos ventos alísios. Do outro lado, o Potengi, onde todo natalense pescou siri, aprendeu a nadar ou gingou uma velha canoa até os mangues…


Mas, ao visitante ilustre, ao turista, muito mais do que a nossa História ou a nossa Geografia, deve interessar os pontos pitorescos da cidade.
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Primo Vivere…!
Pois a cidade tem duas portas: Quem chega de avião, saltando em Parnamirim, vê logo a grande Base Aérea de Natal que os norte-americanos construíram durante a última grande guerra e onde os natalenses — na expressão de Alvamar Furtado — se acotovelavam com os mais famosos artistas de cinema da época. Conhece então a estrada asfaltada que liga o aeroporto “Augusto Severo” a cidade, por onde passaram desde os mais humildes soldados de Tio Sam, até o seu presidente Franklin Delano Roosevelt.


Para os que veem do sertão a estrada é outra: Ou passa pela Ponte de Igapó sobre o rio Potengi, ou cruza pelas Quintas, onde se pode ver o primeiro buliçoso e colorido espetáculo da cidade: As lavadeiras trabalhando ao lado de um pontilhão.

Base de Parnamirim Field em plena atividade durante a Segunda Guerra Mundial – Fator de crescimento inicial da cidade de Parnamirim.
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“As lavadeiras fazem assim, assim, assim”.
Vindo pelo Alecrim, — o bairro mais populoso — vislumbra á esquerda os edifícios da Base Naval de Natal, também uma das maiores do país de modernas instalações, fundada pelo saudoso Almirante Ari Parreiras há vinte.
Mas, onde se hospedam as pessoas distintas?


Eis o problema!… A vantagem do “Grande Hotel”, no bairro da Ribeira, é ser bem central. Perto de bancos, companhias de aviação e navegação, estação ferroviária, o antigo recanto comercial da cidade. Paradoxalmente o melhor lugar para um visitante de categoria é ainda no Hospital “Miguel Couto”, isto é, na Clínica de Repouso, onde há confortáveis apartamentos. É deslumbrante a visão de praias e dunas lá de cima. Há turistas que ficam do queixo caído. E a brisa que sopra de manhã à noite sobre a cidade, ali é mais forte e mais cheirosa.


Se a manha é clara e saudável, o que sempre acontece, nada melhor do que um passeio ao Mercado da Cidade Alta, para ver primeiro o que o natalense come. É o lugar também onde o turista pode comprar alguma peça de cerâmica popular, artigos de fibras, bolsas, cestaria etc. Mas se for um sábado, o melhor é visitar a Feira do Alecrim, a maior da cidade.

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Todavia, todavia… Antes do almoço há quem goste de tomar um aperitivo, no que, aliás, procede muito bem. É dos usos e costumes. A ordem, então, é visitar um bar no centro da cidade, para não perder tempo: O “Granada Bar”, por exemplo, cujo proprietário é um espanhol, — Dom Nemésio, — trata bem e serve melhor. Ou a Cantina Lettieri, um lugar pequenininho, que dá apenas para uma dúzia de pessoas. Próximo na Rua Ulisses Caldas, há uma pequena mercearia de nome grandioso “O Galo Vermelho”. Há apenas uma mesa e está sempre ocupada.

E onde comer o que nós temos de mais típico da nossa culinária urbana?
Durante o dia, contra todos os protocolos, aconselharíamos visitar a “Carne Assada do Marinho” onde há sempre feijão verde. Ou a “Carne Assada de Seu Lira”. Ou a “Peixada da Comadre”. Ou a Caranguejada do Arnaldo. Mas se o turista resolve ir á praia de Areia Preta, então deve entrar num barzinho que tem lá no fim chamado “É Nosso”. Há sempre caranguejos (nos meses que não tem – maio, junho, julho e agosto eles estão gordos), ou um camarão torrado com cerveja, que é uma delícia. Tanto o almoço quanto o jantar poderá ser num desses estabelecimentos se a pessoa não é dessas muito exigentes. À noite o restaurante mais chie é o do ABC F. C. O melhor peixe frito da cidade, entretanto é o da “Peixada de Marcus”, na Areia Preta. Tem a vantagem do marulhar das ondas, como diria o poeta, onde se recebe todo aquele vento puro que corre na praia. Ou poderá também jantar num dos recantos mais agradáveis da cidade que é “A Palhoça”, vizinha ao Cinema Rio Grande. Há também um novo restaurante á Rua Ulisses Caldas, chamado “Potengy”, onde há sempre uma paçoca de pilão estupenda.
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Um passeio à tarde?


É visitar a praia de Ponta Negra ou a Redinha, — duas belezas. Ou! Ir até o Forte dos Reis Magos, pela Avenida Circular. Uma volta pelos bairros residenciais bem é bom. Veem-se algumas das casas mais bonitas de Natal. Em matéria de edifício público basta ver a Igreja de Santo Antônio, com sua fachada antiga e seu galo heráldico no topo da torre. Na Rua da Conceição está o sobradinho mais velho da cidade, quase em ruínas. Os prédios do Instituto de Educação e do Ipase são os mais modernos de Natal Todavia a Escola Doméstica de Natal continua sendo o estabelecimento de o ensino modelar do Estado. É a primeira, no gênero, fundada no país. Até o comandante Vasco Moscoso de Aragão visitou-a…


O Parque de Manoel Felipe, uma velha e recatada lagoa, foi agora recuperado inteligentemente pelo Governo do Estado. É um encanto, principalmente para os namorados.
Cinemas, teatros… Bem Isso há em toda parte. E se há festas programadas, os três melhores clubes sociais ainda são o Aero Clube, o mais antigo, o América F. C. e o ABC F. C.

E depois do baile?
Bem, agora são outros quinhentos… Mas, se for ao hotel dormir, não se assuste se ouvir, dentro da noite, a voz de algum boêmio cantando a mais popular canção da cidade.
“Praieira dos meus amores, encanto do meu olhar!”.
Em Natal, neste ano da bomba de cinquenta megatons, ainda se faz serenatas com violões e tudo (O poeta Newton Navarro vem sempre na frente puxando o cordão). E não é por snobismo. É tradição secular. Os versos de Açucena, Itajubá, Auta ou Otonlel, vivem nas noites de lua e na boca do povo:
“Praeira do meu pecado, morena flor não te escondas!”….

MÃO-NO-SACO ou LAMBE-LAMBE

19/08: dia mundial da fotografia
Publicado em 2009 no antigo Blog do Galinho
O lambe-lambe era um fotógrafo ambulante que ficava na praça principal das grandes cidades ou percorria o interior para oferecer o serviço de fotografia..
Popularmente, esse profissional era conhecido como lambe-lambe ou mão-no-saco. Hoje em dia está extinto e era comum a presença dessa figura tão popular na época das eleições nas décadas de 50, 60 e 70.
Na época, nas fotos para documentos oficiais, obrigatoriamente teria que constar a data e isso era feito colocando-se uma plaquinha de papel com esses dados que era colada na negativa da foto e o fotógrafo era obrigado a passá-la na língua para criar aderência, daí o nome lambe-lambe.
Também há relatos em que o fotógrafo ficava revelando com o braço e a mão enfiados na câmera através de um meião de futebol ou de saco de pano.O cliente ficava sentado em um banco na posição de quem iria receber um soco e ficava imóvel por quase um minuto na frente da câmera, daí a origem do nome mão-no-saco.
Eram fotos de qualidade inferior e que com o tempo começavam a desbotar. O interessante é que algumas vezes o cliente tinha dúvidas se a foto era ou não dele. Naquele tempo estas geringonças só revelavam fotos em preto e branco.
A máquina era composta de caixa de madeira, lentes, grandes tripés de madeira e o tradicional guarda-chuva para proteger todo o aparato. Ao final do dia o fotógrafo fechava o tripé que era parafusado na própria máquina e carregava tudo nos ombros. Era um verdadeiro trambolho.
Em pedro Avelino o fotógrafo de mão-no-saco mais famoso e mais conhecido foi Pedro Silva, de Afonso Bezerra. Foi muito requisitado nas eleições da década de 1960 nas campanhas para prefeito de Celestino Batista e Raimundo Cavalcante contra Zelito Calaça e Saturnino Teixeira (1962) e de Geraldo Bezerra de Souza e Zelito Calaça contra Mulatinho e Antônio Rufino (1968). As fotos 3x4 também eram muito utilizadas para fazer a matrícula dos alunos no antigo Grupo Escolar.
Entendo que o fotógrafo lambe-lambe é considerado um importante agente na popularização do retrato fotográfico do nosso povo, enfim, um verdadeiro cronista visual da vida cotidiana dos velhos e bons tempos.
O que não podemos esquecer é a vantagem de representar o lado romântico da fotografia, em álbum familiar, uma relíquia. Fotos que ficaram nas recordações de um tempo que não volta mais.
É um grande valor sentimental e cultural como referência de uma Pedro Avelino antiga. Só lembranças.
Marcos Calaça é jornalista cultural, poeta matuto e cordelista.*

A imagem pode conter: uma ou mais pessoas e câmera
CEARENSE

Um cearense que foi tentar a vida nos EUA escreveu para a sua mulher, que ficou no interior do Ceará:
"Querida Maria Severina, eu não posso enviar-lhe parte do meu salário este mês porque a crise de mercado mundial tem afetado o desempenho da empresa em que trabalho, por isso estou te enviando 100 beijos.
Você é minha querida, por favor entenda. Seu marido amoroso,
Zé Ribamar
~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~~
Sua esposa respondeu:
"Meu amado Zé, obrigada pelos 100 beijos!
Abaixo está a lista de despesas que paguei com eles:
1. Cícero, o homem que traz o leite, aceitou 2 beijos para me fornecer o leite durante um mês.
2. O homem da empresa de energia, Bráulio Raimundo, aceitou não desligar a luz por 7 beijos.
3. Nosso senhorio, Chico Pé de Mesa, vem todos os dias para levar 2 ou 3 beijos em vez do aluguel mensal.
4. O proprietário da vendinha, o Oswaldão Bengala, não aceitou somente beijos, então eu dei-lhe outras coisas também, espero que você entenda...
5. Despesas diversas: 40 beijos.
Por favor, não se preocupe comigo, eu ainda tenho um saldo positivo de 35 beijos e espero que eu possa sobreviver o mês com esse balanço.
Devo fazer a mesma programação para o próximo mês?... "
Seu doce amor,
Maria Severina
A imagem pode conter: pássaro e texto

quinta-feira, 15 de agosto de 2019

O beijo

O beijo é a comunhão das almas prediletas,
Voz da boca do amor, dos sonhos e dos poetas.
Palmeira da ilusão carregada de amores
Tem o cheiro feliz das prediletas flores,
O meigo do luar fantástico dos versos
E a primavera azul dos corações diversos...
Ave do coração a pipilar nas bocas,
Tem a graça febril das esperanças loucas,
Vinho da fantasia e riso das belezas,
Marcha por um país onde não há tristezas,
Erra por uma terra onde não há pesares,
- Prova a graça da festa e a luz de todos lares.
Romance do prazer e corpo das venturas,
O beijo tem o voo das borboletas puras,
As asas do ideal ressaltam-lhe dos seios.
Branco como a visão dos brancos devaneios,
Goza a febre gentil das lúcidas bonanças
E os seios do luar dos sonhos sem receios
E a sombra sem pesar das cousas que são mansas.

João Lins Caldas

Imagem da web

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quarta-feira, 14 de agosto de 2019

EM DELÍRIO
Por que é que nós vivemos tão distantes,
Si estamos neste sonho todo incerto:
- Eu ao teu lado em pulsações vibrantes,
E tu, longe de mim, sempre tão perto?
E é isso como um lúgubre deserto
onde andem as chamas palpitantes
Deste amor, deste amor que vive aberto
para os teus cem mil beijos escaldantes!
Amo-te! E fui-te sempre à eterna esquiva...
Mata-me agora esta aflição tão viva
Que explode em mim, que no meu seio estua...
Que tu não sejas meu, pouco me importa...
Mas tira-me esta dor que me transporta
A este desejo eterno de ser tua!

__________________Carolina Bertholo
em, revista Fon-Fon, Rio de Janeiro, 1924.

 REVISTA SIUZA CRUZ, RIO DE JANEIRO