quarta-feira, 15 de julho de 2020

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Sandi Grace
ha perdido a sua boneca favorita. Ela e Kafka procuraram a boneca sem sucesso.
Kafka disse-lhe para se encontrar com ele lá no dia seguinte e eles voltavam para a procurar.
No dia seguinte, quando ainda não encontraram a boneca, Kafka deu à menina uma letra ′′ escrita ′′ pela boneca dizendo ′′ por favor não chores. Fiz uma viagem para ver o mundo. Vou escrever-te sobre as minhas aventuras."
Assim começou uma história que continuou até o fim da vida de Kafka.
Durante as suas reuniões, Kafka leu as letras da boneca cuidadosamente escritas com aventuras e conversas que a menina achou adorável.
Finalmente, Kafka trouxe de volta a boneca (ela comprou uma) que tinha regressado a Berlim.
′′ Não se parece nada com a minha boneca," disse a rapariga.
Kafka entregou-lhe outra carta em que a boneca escreveu: ′′ as minhas viagens mudaram-me." a menina abraçou a nova boneca e trouxe-a feliz para casa.
Um ano depois Kafka morreu.
Muitos anos depois, a menina adulta encontrou uma carta dentro da boneca. Na pequena carta assinada por Kafka, estava escrita:
′′ Tudo o que amas provavelmente será perdido, mas no final, o amor voltará de outra forma."

terça-feira, 14 de julho de 2020

Nessa vida já dei muita mancada
Por cachaça, já fiz muita baderna
Dava o passo maior que minha perna
E o meu ímpeto sempre acabava em nada
Vi toda a minha fama acabada
Parei por um instante e pensei
Não foi isso da vida o que almejei
Vou agir de forma mais cautelar
APRENDI COM O TEMPO, A ESPERAR
POIS QUANDO TIVE PRESSA, EU ERREI

sábado, 11 de julho de 2020

Alba Fonseca de Sá Leitão



Morreu Alba Leitão. Hoje. Desaparece  com ela uma época.

Alba Leitão personificou o glamour, em Assu, por muitos anos.  Ela foi a imagem dos bailes elegantes e das grandes festas, quando se apresentava com vestidos especiais, calçava luvas, colocava sapatos altos  e resplandecia  pelo bom gosto.  Gestos e voz se harmonizavam.  Eram os anos finais da década de 1950. A década de 1960. Os anos dourados das orquestras que enchiam o ar com o som dos metais, ou  o  ritmo dado pelas maracas, pois as grandes orquestras  seguiam o estilo americano ou mexicano. Esse era o ambiente em que Alba se movia e impregnava de elegância.

Para compor a  personagem  vem a frase  que lhe atribuía a qualidade de árbitro da moda, na cidade. 

Se Alba  vestiu é porque está na moda, era o sussurro à sua passagem.  Mas   não era uma moda  simplesmente  vinda da costureira fina e dos tecidos nobres  ou como decorrência da   reprodução dos  trajes  da revista “O Cruzeiro” ou dos figurinos  importados. A moda de Alba era feita de  bom gosto e, por isso, conferia  destaque e se afirmava sem retoques, por inteiro como um retrato completo e perfeito.  Tudo era exato, nem a mais nem a menos. A fulguração era suave, pois não era de bom tom a estridência.

Não  me recordo de qualquer vestido  que Alba usou para descrever aqui. Dos adornos do que poderia ser chamado de vaidade, lembro apenas os brincos de pérola presos à orelha, grandes pérolas, clássicas. O que descrevo, esse pouco mundano ou material,  é próprio da elegância, em que  o  importante é o  gesto, a postura, a voz, um conjunto que identifica a pessoa e lhe cria uma marca pessoal, inimitável. Um certo  jeito de dizer. Uma certa forma de se comportar.  Um conjunto que  registra o estar no mundo, ocupando o lugar que é seu  e é único.

Afinal o poeta Paulo Valery afirmou  que – “Elegância é a arte de não se fazer notar, aliada ao cuidado sutil de se deixar distinguir.”

Dessa forma feita de harmonia e sutileza, Alba compôs  o retrato das festas  que, como dizia dona Sinhazinha, o Assu já teve. De finesse e harmonia. O grandioso palco da época foi o Clube Municipal. E o som de Orquestras como a de Ed Mandarino que animaram festas nos anos 1960 e sempre retornam à saudade daquela época.

Hoje Alba partiu. Ao encontro de José de Sá Leitão. Ao encontro dos familiares que a precederam. 

Foi para a casa do Pai Eterno. Ficaram  seus filhos, Raissa e Caio César, que, em meio às lágrimas da despedida, devem encontrar o conforto da gratidão nos anos de vida de Alba. Para os assuenses,  faço o registro que homenageia e relembra  toda uma época que recendia a rosas e  modula  as lembranças  com os  afetos. Uma luz  que presente nas histórias  que são contadas  sobre Assu.

Perpetua Wanderley,  10/07/2020

(Fotografia do blog).



quinta-feira, 9 de julho de 2020

IMPOSSÍVEL
Tudo findo. Deixaste-me e seguiste
O primeiro que veio ao teu caminho;
Não pensaste sequer que fiquei triste,
Preso à desgraça de viver sozinho!
Dois longos anos! ... Nunca mais me viste! ...
Foram-se as aves, desmanchou-se o ninho! ...
Hoje, me escreves: "Meu viver consiste
Na mistura de lágrimas e vinho!"
E me imploras: "Perdoa-me e consente
Que eu vá viver contigo novamente,
Pois só contigo poderei ter paz!"
Eu te perdôo... mas o empecilio é este;
Eu amava aquela alma que perdeste...
Alma que nunca reconquistarás! ...
(Rogaciano Leite)
Fortaleza, Dezembro de 1948.

terça-feira, 7 de julho de 2020


RESGATE DO LENDÁRIO VALDETÁRIO CARNEIRO NO IMAGINÁRIO POPULAR

A história do Valdetário de 'carne e osso' - Tribuna do Norte

Entre as muitas façanhas e bravuras no campo da violência e criminalidade legada ao vasto histórico de Valdetário Carneiro, encontramos um causo que achamos por bem transcrever como um resgate do tempo em que seu nome imperava como terror no município de Caraúbas, RN e estados circunvizinhos. 
Veja a belíssima narrativa do episódio intitulado - O Finado Manoel:
O lendário Valdetário Carneiro também teve seu dia mais descontraído quando acabou contribuindo para os Causos de Caraúbas.
 Ia ele na sua pickup possante na zona rural de Apodi, quando já próximo da cidade, um senhor, meio alquebrado pelos anos, acenou pedindo carona.
Valdetário prontamente atendeu o pedido, abriu a porta e facilitou a entrada do passageiro. Já aboletado e no conforto do ar condicionado o senhor começou a puxar conversa:
“O senhor vai pro Apodi?” “Vou sim”, respondeu Valdetário. “Vou tratar de negócios no Banco”.
Aí o carona por gratidão resolveu dar uma de conselheiro: “ O senhor tenha cuidado. Se vai tirar dinheiro no Banco e andando nesse carrão, aqui por essas bandas, há muita gente perigosa por aí.
Tem um tal de Valdetário Carneiro de muita fama na região que pode ser um grande risco, principalmente pra quem é de fora.”
Valdetário riu da situação e até agradeceu: “Obrigado, eu vou ficar atento”.
Em seguida devolveu a pergunta: “E o senhor não tem medo de estar sozinho nessa beira de estrada?
E se de repente lhe aparece o tal do Valdetário Carneiro?” .
“Ele que venha” completou o carona com aquela valentia de quem se sente em confortável distância do perigo.
E ainda acrescentou “ Um homem nasceu pra outro”.
Chegados ao destino, o carona já ia descendo quando resolveu fazer mais uma pergunta em meio aos agradecimentos: “Obrigado por tudo senhor. Vá com Deus. Mas como é mesmo o seu nome?” Com toda naturalidade Valdetário respondeu: “Eu sou Valdetário Carneiro.
E o senhor, como se chama?”
Branco como um capucho de algodão, suando por todos os poros, com as pernas trêmulas e a voz embargada, o carona mal conseguiu balbuciar: “Eu sou o finado Manoel”.

Postado por Aluizio Lacerda às 12:52


UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO