sábado, 6 de março de 2021

A dimensão de Ademilde Fonseca para o RN e para o Brasil

 

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O Rio Grande do Norte tem uma dívida de gratidão para com uma de suas mais ilustres filhas, a cantora Ademilde Fonseca. Decorridos cerca de sete anos do seu falecimento, não se registrou nenhuma homenagem significativa à sua memória, nem sequer um nome de rua lhe foi dado. Lamentável omissão.

Ainda bem que o seu nome não ficou totalmente esquecido. Em 2015, a pesquisadora Leide Câmara publicou, pela 8 editora, em parceria com o Selo Cultural Caravela, “Ademilde Fonseca – A potiguar no choro brasileiro”, livro bem documentado, em que aborda aspectos da vida e da obra dessa que é considerada, por muitos, a maior das cantoras que o Rio Grande do Norte já doou ao Brasil.

Ademilde Ferreira Fonseca nasceu na localidade Pirituba, município de Macaíba, a 4 de março de 1921. Ainda criança veio para Natal, onde sua família fixou residência; aqui se casou e daqui se lançou no mundo musical. Uma de suas primeiras apresentações ao público deu-se através da famosa rede de amplificadoras de Luiz Romão, com sede no bairro da Ribeira.

Mudando-se, com a família, para o Rio de Janeiro, então capital da República, Ademilde tornou-se, ao longo das décadas de 40 e 50, uma das mais prestigiosas cantoras brasileiras. É verdade que não chegou a ter a fama de uma Emilinha Borba ou de uma Dalva de Oliveira, tampouco mereceu o prestigio junto à crítica, que desfrutava Elizeth Cardoso, por exemplo.

Intérprete do choro

No entanto, nada ficava a dever a estas, como cantora dotada de extraordinários dotes vocais. Seu repertório, sempre de alta qualidade, contribuiu, sem dúvidas, para o sucesso que obteve. Ademilde quando cantava, deixava-se possuir pela música. Era da estirpe de Carmem Miranda: natural, espontânea, vibrante.

Dona de estilo especialíssimo, foi uma das primeiras senão a primeira intérprete do choro cantado. A seu respeito, Herminio Bello de Carvalho, autoridade em matéria de MPB, afirma:

“Rainha inconteste de um gênero predominantemente instrumental, ela se impôs através dos anos como intérprete, única e inigualável. Afinação irrepreensível, articulação precisa, senso rítmico incomum e timbre inconfundível” (Nota na contracapa do Lp “A Rainha Ademilde e seus Chorões Maravilhosos”).

Note-se que as interpretações de Ademilde eram valorizadas, quase sempre, por excelente acompanhamento orquestral, do qual faziam parte verdadeiros ases do choro.

Sucessos da Rainha do Choro

Dentre os sucessos da Rainha do Choro destacam-se “Tico-tico no Fubá” (Zequinha de Abreu\ Eurico Barreiros), “Apanhei-te Cavaquinho” ( Ernesto Nazareth\ Darci de Oliveira\ Benedito Lacerda), “Brasileirinho” ( Waldir Azevedo\ Pereira da Costa), “Delicado” ( Waldir Azevedo\ Ari Vieira), “Galo Garnizé” ( Miguel Lima\ Antonio Almeida\ Luiz Gonzaga), “Pinicadinho” (Jararaca e Ratinho\ 

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Severino Rangel), “Meu Cariri” (Rosil Cavalcanti\ Dilu Melo).

Embora tenha se notabilizado com chorinhos, polcas e baiões, como estes, também soube afirmar-se em composições nada trepidantes, tipo “Doce Melodia” (Abel Ferreira\ Luiz Antonio), “Sonoroso” (K-Chimbinho\ Del Loro) e outras de viés romântico ou sentimental.

Entre parêntesis, diga-se que o autor da melodia do choro citado por último, K-Chimbinho (pseudônimo de Sebastião Barros) é norte-rio-grandense, natural de Taipu, figura de primeira plana na história do choro, não só compositor, mas também instrumentista.

Referindo-se ao itinerário artístico da Rainha do Choro, Leide Câmara observa, com justeza:

“O fato de ser respeitada como mestra do chorinho, por um lado ajudou, e por outro, prejudicou a carreira da cantora, pois com ‘a decadência’ do choro, ela passou alguns anos no esquecimento” (Dicionário da Música no Rio Grande do Norte, 2001).

Em meado da década de 70, Ademilde voltou à crista da onda com a ressurgência do chorinho. E em plena forma. Recebeu várias homenagens, entre as quais destaque-se o chorinho ‘Títulos de Nobreza’ (João Bosco\ Aldir Blanc), cuja letra, citando os nomes de choros famosos, termina por declinar, como que em apoteose, “Ademilde no Choro”.

A convite do Governador Cortez Pereira, Admilde, já com 53 anos de idade, mas ainda no fio, apresentou-se em Natal, 1975, dentro do evento “Reencontro”, que reuniu vários artistas norte-rio-grandenses, de projeção nacional: cantores, músicos e compositores. Brilhou, como sempre.

Em 1977, lançou o Lp “A Rainha Ademilde e Seus Chorões Maravilhosos”, pela gravadora Copacabana, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (RJ). Ótimo disco, esse. Foi o seu canto de cisne. Daí em diante somente apareceu em coletâneas musicais, e fez alguns shows, Brasil afora.

Ademilde faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de março de 2012, com 91 anos de idade. Um dia antes apresentara-se num programa televisivo, no Rio, ao lado de sua filha Eymar Fonseca, também cantora.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Senhor, eu espero o amor da Tua misericórdia.
Eu espero a graça da Tua misericórdia.
Eu espero, na Tua graça, a misericórdia do teu amor .
Eu espero Senhor,
Tudo da Tua misericórdia.

Caldas



 Um ranchinho, seus carinhos e nada mais.

Pelo bem que eu sempre te quis
Pelo amor que você me tem
Eu vou lhes dizer meu bem
O que é preciso pra eu ser feliz:
Tem um ditado que diz
Um é pouco, dois é bom e três é demais
Mas para os meus ideais
E para a minha felicidade
Basta-me além do seu amor de verdade
Um ranchinho, seus carinhos e nada mais

(Chagas Matias)




quarta-feira, 3 de março de 2021

Acabaram-se comigo todos os meus soluços.
Todos os meus gritos.
Todas as minhas tempestades.
Eu agora saio a procurar onde de novo achar todos os meus soluços.
todos os meus gritos, todas as minhas tempestades.

João Lins Caldas


Imagem de CCR

terça-feira, 2 de março de 2021

TIRADAS DE RENATO CALDAS

Os gracejos de Renato Caldas, poeta, folclorista e interprete da cultura popular brasileira, estão espalhados por este país afora. Foi ele "quem deu causa ao surgimento de um folclore que circula na esfera do anedotário papa-jerimum", como depõe Celso da Silveira. 


1) Nos idos de sessenta e oito, encontrava-se encalhado no Porto de Natal, o navio da Marinha norte-americana, do Projeto Hoop. Naquele navio-hospital, Renato submeteu-se a uma cirurgia na próstata. Em razão do sucesso da operação e da sua rápida recuperação, o médico llhe deu alta, porém com a seguinte recomendação em razão da sua taxa de colesteral muito alta, dizendo: "Renato cuidado para não comer gordura!" E Renato com aquele seu jeito cômico, jocoso, pilhérico, dirigiu a palavra a sua mulher que pesava aproximadamente seus bons cem quilos, dizendo: "Tá ouvindo, Fausta, e agora!"

2) Renato nos idos de trinta, numa certa viagem de trem que fizera, se não me engano, de Angicos com destino a Natal, fumava inveteradamente. Naquele transporte coletivo, sentado de frente para ele, Renato, uma jovem que se encontrava grávida, em dia de parir. Aquela mulher como se quisesse provocar o poeta, arreganhou as pernas, alisou a sua barriga e advertiu Renato, dizendo assim: "O senhor dá pra apagar o cigarro! Não é por mim não! É por conta desse inocente que está na minha barriga." Renato não se fez de rogado: Afagou a genitália, responde: "A senhora dá pra fechar as pernas! Não é por mim não! É por conta desse inocente!" 

3) Renato no dia do seu casamento deixou sua esposa em casa e deu uma escapulida para farrear com  amigos, pelos bares da cidade de Assu, retornando a sua nova morada somente noite alta. Sua mulher sentindo-se abandonada, recriminou na hora, ao vê-lo chegar em casa embriagado: "Mas, Renato isso é coisa que você faça no dia do nosso casamento: "Besteira, mulher! Eu só vim buscar o violão!" Rebateu Renato e saiu novamente para continuar a bebedeira.

4) Renato na época da construção da Ponte Felipe Guerra, sobre o Rio Piranhas ou Assu (ele trabalhou na construção daquela ponte construída pelo DNOCS)  recebera um convite de um amigo que morava nas proximidades daquele rio, para participar do casamento de sua filha. Durante a festa, os comes e bebes, um dos convivas convidou Renato para fazer a saudação aos noivos. Renato saiu-se com essa: "Minhas senhoras e meus senhores. Queira Deus que o noivo não encontre um solo explorado!" Para risos dos presentes.

Fernando Caldas

domingo, 28 de fevereiro de 2021

CAFÉ GAÚCHO, UM CENTENÁRIO BASTIÃO DA RESISTÊNCIA DO CENTRO DO RIO

Bolívar Torres

Retrato da inauguração do Café Gaúcho, em 1921, que mostra dois de seus proprietários, M. Soares e R. Carvalho. Foto: Página da revista Careta, edição 667, Março de 1921 / Reprodução

O espaço é facilmente reconhecível. Azulejo retrô com estética dos anos 1970, simpáticas pastilhas azuis nas laterais, teto alto e um longo e generoso balcão, que nos áureos tempos do Centro do Rio já chegou a servir uma média de 2 mil cafés por dia. Localizado no coração da cidade, abrindo de segunda a sexta-feira suas quatro portas no térreo de um antigo sobrado de três andares na esquina da Rua São José com a Rodrigo Silva, o Café Gaúcho é desses lugares impossíveis de ser ignorados pelos transeuntes. Mas, às vésperas de seu centenário, sua história permanece um tanto escondida. Até mesmo os frequentadores, em sua maioria trabalhadores das imediações, não fazem ideia de que o estabelecimento já foi um reduto de escritores, pintores e intelectuais, cenário fundamental para a cultura brasileira da primeira metade do século XX.

Foi lá, por exemplo, que Candido Portinari fez de tudo para retratar a bailarina Eros Volúsia, filha dos poetas Gilka Machado e Rodolfo de Melo Machado — e levou um não. Também foi lá que nasceu um dos principais mecanismos de divulgação do modernismo carioca, a revista Festa, de Andrade Muricy, Adelino Magalhães e Tasso da Silveira. “Estranha coisa é o mundo. Dentro de alguns anos, tudo estará esquecido e perdido”, escreveu o poeta Augusto Frederico Schmidt, ilustre frequentador do café entre as décadas de 1920 e 1950, em seu livro de memórias, As florestas. Ele não estava errado. As histórias e os diálogos protagonizados por Schmidt e um vasto elenco dissolveram-se na poeira dos anos.

­ Foto: Página da revista Careta, edição 667, Março de 1921 / Reprodução
­ Foto: Página da revista Careta, edição 667, Março de 1921 / Reprodução

“No início do século, os cafés eram o lugar de sociabilidade por excelência”, lembrou a historiadora Marissa Gorberg, doutora em história, política e bens culturais pelo CPDOC da Fundação Getulio Vargas. “Era onde os intelectuais e artistas se encontravam para o fomento das ideias. Com as reformas de Pereira Passos, o Centro espelhava esse modelo de progresso que deveria ser uma vitrine para o resto do país”, disse a historiadora. Entre tantos cafés do Centro, o Gaúcho se diferenciava por sua diversidade, observou Gorberg. Provavelmente por causa de sua localização, era um melting-pot capaz de receber tanto os pintores rebeldes do Núcleo Bernardelli quanto os católicos conservadores que fundaram a revista A ordem. Ou ainda músicos do grupo Oito Batutas, formado por Pixinguinha e Donga, entre outros, e intelectuais negros como Abdias do Nascimento. “Não era um lugar fechado para brancos, onde negros se sentiam intimidados”, disse Gorberg. “Para quem chegava de fora da cidade, seja para procurar emprego ou para se enturmar com os intelectuais, o lugar era ali.” O fenômeno não se restringia ao Rio. Em São Paulo, a turma de 1922, capitaneada por Oswald de Andrade, frequentava as mesas do Café Guarany, na Rua XV de Novembro, perto do antigo Largo do Rosário, do lado esquerdo de quem vai para a Praça da Sé. Também compunha o roteiro da intelectualidade paulista o Bar Viaduto, ao lado do que hoje é o Largo Santa Ifigênia. Ambos surgiram ainda no século XIX, mas, diferentemente do Gaúcho, não sobreviveram ao fim do modernismo. O primeiro fechou na década de 1930 e o segundo na de 1950.

O Gaúcho tem duas datas de fundação. A administração crava 1935, ano em que a família do atual proprietário o comprou. Os jornais antigos, porém, guardam uma trajetória amputada da versão oficial. No dia 26 de março de 1921, nesse mesmíssimo número 86 da Rua São José, os sócios M. Soares e R. Carvalho inauguravam o café com “farto lunch e chopps”, como lembra a revista Careta da época. As ofertas do “lunch gaúcho” incluíam comidas como pastéis de carne, camarões recheados, empadas, croquetes e canjica de milho verde. Um estilo não muito parecido com as atrações da casa atual, que tem como carro-chefe o cachorro-quente com linguiça e uma nababesca milanesa com pão francês.

O Gaúcho, para além da decoração, é o conceito do negócio. Relatos e fotos antigas mostram um espaço para se sentar e papear noite adentro. Hoje, porém, o Gaúcho serve cafés e lanches rápidos nos três balcões da casa, com os clientes em pé — uma mudança introduzida nos anos 1950, e que faz muita gente chamar o lugar de “bisavô das lanchonetes”. E fecha às 21 horas. “Sem saber nada sobre ele, tomei muito cafezinho no Café Gaúcho nos anos 1960 e 1970, quando a Livraria São José ainda ficava na própria São José e, na Rua Rodrigo Silva, havia a Motodiscos, insuperável sebo de discos do Carlinhos”, contou Ruy Castro, que cita diversas vezes o estabelecimento em seu livro Metrópole à beira-mar, um painel do Rio moderno dos anos 1920. “Tem balcão de metal, ficha de plástico, açucareiro de vidro e café de verdade. Que maravilha.”

Desde a sua fundação, o café podia não ter o glamour das confeitarias Colombo, Cavé ou Alvear, frequentadas por Rui Barbosa, Chiquinha Gonzaga e Olavo Bilac, nem a fama boêmio-folclórica do Lamas, preferido por Emílio de Meneses. Mas havia um diferencial: encontrava-se em uma rua com muitas pensões de estudantes (incluindo a de Gilka Machado) e de livrarias tradicionais, como a São José, frequentada por Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade. Assim, virou o ponto de encontro das grandes cabeças da cidade: “Pintores com velhos plastrons desbotados e poetas e críticos e alfarrabistas”, como lembrou uma reportagem de 1950.

O café hoje em dia. É ponto de encontro para happy hours no Centro do Rio e não tem mais mesas, apenas balcão. Foto: Bolívar Torres / Agência O Globo
O café hoje em dia. É ponto de encontro para happy hours no Centro do Rio e não tem mais mesas, apenas balcão. Foto: Bolívar Torres / Agência O Globo

Em sua mocidade, Schmidt saía todas as noites de Copacabana para a “cidade”, pronto para “excursões noturnas, perfeitamente líricas e inocentes, e que duravam até depois da madrugada”. Ele recorda: “Passava eu de pince-nez e bengala, à procura da vida literária que se desenrolava em alguns cafés da cidade, notadamente no Gaúcho”. Há referências ao estabelecimento como um espaço afetivo na obra de diversos escritores do período. Os lendários relatórios que fizeram a fama do prefeito Graciliano Ramos (que governou a alagoana Palmeira dos Índios de 1928 a 1930) no Rio começaram a circular pela primeira vez entre as mesinhas do Gaúcho. Um dos embasbacados com a descoberta do manuscrito foi o autor Marques Rebelo. “Depois de Manuel Antônio de Almeida e Machado de Assis, nada encontrara até então em prosa do Brasil que tanto me satisfizesse”, escreveu ele.

Em um texto memorialístico, o mestre do romance urbano José Geraldo Vieira descreveu o clima das noites do Gaúcho em sua juventude. Nos anos 1920, o futuro autor de A quadragésima porta lembra de esperar nas mesas o esfomeado amigo dadaísta Maneco Nunes Pereira. “Assim que João Castelo Branco ou João Lins Caldas começavam a querer ler-lhe poesias que haviam escrito em caixas de cigarro ou na orla de jornais, (Maneco) segurava um deles pelo gasganete e berrava: ‘Eu quero é média com pão e manteiga! Arrebento a cara do primeiro safado que ousar me ler um soneto!’.”

Apesar dos preconceitos do período, o café era frequentado por diferentes grupos, incluindo intelectuais negros como Abdias Nascimento (na foto, em 1985), diferentemente de outras confeitarias e cafés da época, de caráter mais elitista. Foto: Jorge Marinho / Agência O Globo
Apesar dos preconceitos do período, o café era frequentado por diferentes grupos, incluindo intelectuais negros como Abdias Nascimento (na foto, em 1985), diferentemente de outras confeitarias e cafés da época, de caráter mais elitista. Foto: Jorge Marinho / Agência O Globo

O café fundado logo após a Gripe Espanhola agora tenta manter-se em pé na pandemia de coronavírus. A crise sanitária foi especialmente dura com o comércio do Centro do Rio. Lugares tradicionais nas imediações, como a Casa Ulrich e a Leiteria Mineira resistem como podem. Depois de fechar por 90 dias entre março e junho, o Gaúcho reabriu, mas com o movimento muito abaixo do que estava acostumado. Com tantos funcionários públicos da área fazendo home office, acabaram-se as happy hours lotadas. “Vendíamos 800 cafés por dia, agora não chegamos a 200. Barril de chope vão dois ou três. Antigamente, iam até 12 nas sextas-feiras”, disse João Tavares, que chegou ao Gaúcho em 1961 como funcionário e hoje é sócio.

Tavares contou que veio do Ceará e foi praticamente adotado pelo então dono do café, o Seu Cunha (avô dos outros dois sócios da casa, Claudio e Marcos Cunha). Naquela época, já não havia mais pintores ou escritores modernistas, embora Tavares se lembre de ter visto os músicos Luiz Gonzaga e João Nogueira no Gaúcho. Mas o passado é o passado. Agora, como os outros bares e restaurantes da redondeza, o mais velho funcionário da casa pensa no futuro, enquanto aguarda ansiosamente a prometida ida das novas repartições da prefeitura para o edifício da Procuradoria da República, na Rua México, a poucos metros dali. “Todos os comércios estão vendo como a salvação”, disse.

De: https://epoca.globo.com/


 REVISTA SIUZA CRUZ, RIO DE JANEIRO