domingo, 7 de março de 2021

 

Há cerca de 450 anos a.C. em Atenas um grande pensador chamado Xenofonte, foi até o oráculo do templo de Delfos, em homenagem ao deus da sabedoria Apolo.
Chegando lá, Xenofonte foi atendido pela pítia (sacerdotisa) principal do templo e perguntou quem seria o homem mais sábio na face da terra. Em uma espécie de transe, o deus Apolo passou a falar pela boca da pítia e respondeu: Sócrates!
Quando Sócrates recebeu a notícia se assustou. Sabia que possuía certa sabedoria, mas ser escolhido como o mais sábio entre todos, era uma notícia que o deixou atônito, e principalmente, descrente do deus.
Por causa disso, Sócrates passou boa parte de sua vida questionando outras pessoas, fossem sofistas, artífices, militares, artesãos, cidadãos e estrangeiros em geral, a fim de verificar qual o motivo de ter sido escolhido por esse deus.
Elaborou um método próprio, conhecido como maiêutica, onde através de perguntas e respostas, conseguia mostrar as inconsistências do conhecimento de seus interlocutores.
Quanto mais ele perguntava, mais ele verificava que, quanto maior a empáfia e arrogância, menos conhecimento real essas pessoas tinham.
Contudo, continuava Sócrates sem entender como ele poderia ser o homem mais sábio do mundo.
Até que foi percebendo que, apesar de saber que detinha um elevado conhecimento, tinha a real percepção de quanto ainda poderia aprender.
Com isso, percebeu que era realmente o mais sábio, não por saber muito, mas por saber que ainda tinha muito, mas muito a aprender, proferindo supostamente a sua famosa frase:
"Só Sei que Nada Sei".
Portanto, saber que nada sabemos não é desmerecer nosso conhecimento, mas sim ter a certeza que ainda existe um universo de possibilidades e de saberes a conquistar.
Conhecer as ideias por trás dos grandes acontecimentos globais é essencial para se entender não apenas o passado mas também o presente, e projetar o futuro.
Por isso te convido a participar nos dias 15, 16 e 17 de março da Maratona Pensamentos que Mudaram o Mundo, um evento 100% Gratuito e Online.
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sábado, 6 de março de 2021

A dimensão de Ademilde Fonseca para o RN e para o Brasil

 

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O Rio Grande do Norte tem uma dívida de gratidão para com uma de suas mais ilustres filhas, a cantora Ademilde Fonseca. Decorridos cerca de sete anos do seu falecimento, não se registrou nenhuma homenagem significativa à sua memória, nem sequer um nome de rua lhe foi dado. Lamentável omissão.

Ainda bem que o seu nome não ficou totalmente esquecido. Em 2015, a pesquisadora Leide Câmara publicou, pela 8 editora, em parceria com o Selo Cultural Caravela, “Ademilde Fonseca – A potiguar no choro brasileiro”, livro bem documentado, em que aborda aspectos da vida e da obra dessa que é considerada, por muitos, a maior das cantoras que o Rio Grande do Norte já doou ao Brasil.

Ademilde Ferreira Fonseca nasceu na localidade Pirituba, município de Macaíba, a 4 de março de 1921. Ainda criança veio para Natal, onde sua família fixou residência; aqui se casou e daqui se lançou no mundo musical. Uma de suas primeiras apresentações ao público deu-se através da famosa rede de amplificadoras de Luiz Romão, com sede no bairro da Ribeira.

Mudando-se, com a família, para o Rio de Janeiro, então capital da República, Ademilde tornou-se, ao longo das décadas de 40 e 50, uma das mais prestigiosas cantoras brasileiras. É verdade que não chegou a ter a fama de uma Emilinha Borba ou de uma Dalva de Oliveira, tampouco mereceu o prestigio junto à crítica, que desfrutava Elizeth Cardoso, por exemplo.

Intérprete do choro

No entanto, nada ficava a dever a estas, como cantora dotada de extraordinários dotes vocais. Seu repertório, sempre de alta qualidade, contribuiu, sem dúvidas, para o sucesso que obteve. Ademilde quando cantava, deixava-se possuir pela música. Era da estirpe de Carmem Miranda: natural, espontânea, vibrante.

Dona de estilo especialíssimo, foi uma das primeiras senão a primeira intérprete do choro cantado. A seu respeito, Herminio Bello de Carvalho, autoridade em matéria de MPB, afirma:

“Rainha inconteste de um gênero predominantemente instrumental, ela se impôs através dos anos como intérprete, única e inigualável. Afinação irrepreensível, articulação precisa, senso rítmico incomum e timbre inconfundível” (Nota na contracapa do Lp “A Rainha Ademilde e seus Chorões Maravilhosos”).

Note-se que as interpretações de Ademilde eram valorizadas, quase sempre, por excelente acompanhamento orquestral, do qual faziam parte verdadeiros ases do choro.

Sucessos da Rainha do Choro

Dentre os sucessos da Rainha do Choro destacam-se “Tico-tico no Fubá” (Zequinha de Abreu\ Eurico Barreiros), “Apanhei-te Cavaquinho” ( Ernesto Nazareth\ Darci de Oliveira\ Benedito Lacerda), “Brasileirinho” ( Waldir Azevedo\ Pereira da Costa), “Delicado” ( Waldir Azevedo\ Ari Vieira), “Galo Garnizé” ( Miguel Lima\ Antonio Almeida\ Luiz Gonzaga), “Pinicadinho” (Jararaca e Ratinho\ 

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Severino Rangel), “Meu Cariri” (Rosil Cavalcanti\ Dilu Melo).

Embora tenha se notabilizado com chorinhos, polcas e baiões, como estes, também soube afirmar-se em composições nada trepidantes, tipo “Doce Melodia” (Abel Ferreira\ Luiz Antonio), “Sonoroso” (K-Chimbinho\ Del Loro) e outras de viés romântico ou sentimental.

Entre parêntesis, diga-se que o autor da melodia do choro citado por último, K-Chimbinho (pseudônimo de Sebastião Barros) é norte-rio-grandense, natural de Taipu, figura de primeira plana na história do choro, não só compositor, mas também instrumentista.

Referindo-se ao itinerário artístico da Rainha do Choro, Leide Câmara observa, com justeza:

“O fato de ser respeitada como mestra do chorinho, por um lado ajudou, e por outro, prejudicou a carreira da cantora, pois com ‘a decadência’ do choro, ela passou alguns anos no esquecimento” (Dicionário da Música no Rio Grande do Norte, 2001).

Em meado da década de 70, Ademilde voltou à crista da onda com a ressurgência do chorinho. E em plena forma. Recebeu várias homenagens, entre as quais destaque-se o chorinho ‘Títulos de Nobreza’ (João Bosco\ Aldir Blanc), cuja letra, citando os nomes de choros famosos, termina por declinar, como que em apoteose, “Ademilde no Choro”.

A convite do Governador Cortez Pereira, Admilde, já com 53 anos de idade, mas ainda no fio, apresentou-se em Natal, 1975, dentro do evento “Reencontro”, que reuniu vários artistas norte-rio-grandenses, de projeção nacional: cantores, músicos e compositores. Brilhou, como sempre.

Em 1977, lançou o Lp “A Rainha Ademilde e Seus Chorões Maravilhosos”, pela gravadora Copacabana, em parceria com o Museu da Imagem e do Som (RJ). Ótimo disco, esse. Foi o seu canto de cisne. Daí em diante somente apareceu em coletâneas musicais, e fez alguns shows, Brasil afora.

Ademilde faleceu no Rio de Janeiro, a 27 de março de 2012, com 91 anos de idade. Um dia antes apresentara-se num programa televisivo, no Rio, ao lado de sua filha Eymar Fonseca, também cantora.

quinta-feira, 4 de março de 2021

Senhor, eu espero o amor da Tua misericórdia.
Eu espero a graça da Tua misericórdia.
Eu espero, na Tua graça, a misericórdia do teu amor .
Eu espero Senhor,
Tudo da Tua misericórdia.

Caldas



 Um ranchinho, seus carinhos e nada mais.

Pelo bem que eu sempre te quis
Pelo amor que você me tem
Eu vou lhes dizer meu bem
O que é preciso pra eu ser feliz:
Tem um ditado que diz
Um é pouco, dois é bom e três é demais
Mas para os meus ideais
E para a minha felicidade
Basta-me além do seu amor de verdade
Um ranchinho, seus carinhos e nada mais

(Chagas Matias)




quarta-feira, 3 de março de 2021

Acabaram-se comigo todos os meus soluços.
Todos os meus gritos.
Todas as minhas tempestades.
Eu agora saio a procurar onde de novo achar todos os meus soluços.
todos os meus gritos, todas as minhas tempestades.

João Lins Caldas


Imagem de CCR

terça-feira, 2 de março de 2021

TIRADAS DE RENATO CALDAS

Os gracejos de Renato Caldas, poeta, folclorista e interprete da cultura popular brasileira, estão espalhados por este país afora. Foi ele "quem deu causa ao surgimento de um folclore que circula na esfera do anedotário papa-jerimum", como depõe Celso da Silveira. 


1) Nos idos de sessenta e oito, encontrava-se encalhado no Porto de Natal, o navio da Marinha norte-americana, do Projeto Hoop. Naquele navio-hospital, Renato submeteu-se a uma cirurgia na próstata. Em razão do sucesso da operação e da sua rápida recuperação, o médico llhe deu alta, porém com a seguinte recomendação em razão da sua taxa de colesteral muito alta, dizendo: "Renato cuidado para não comer gordura!" E Renato com aquele seu jeito cômico, jocoso, pilhérico, dirigiu a palavra a sua mulher que pesava aproximadamente seus bons cem quilos, dizendo: "Tá ouvindo, Fausta, e agora!"

2) Renato nos idos de trinta, numa certa viagem de trem que fizera, se não me engano, de Angicos com destino a Natal, fumava inveteradamente. Naquele transporte coletivo, sentado de frente para ele, Renato, uma jovem que se encontrava grávida, em dia de parir. Aquela mulher como se quisesse provocar o poeta, arreganhou as pernas, alisou a sua barriga e advertiu Renato, dizendo assim: "O senhor dá pra apagar o cigarro! Não é por mim não! É por conta desse inocente que está na minha barriga." Renato não se fez de rogado: Afagou a genitália, responde: "A senhora dá pra fechar as pernas! Não é por mim não! É por conta desse inocente!" 

3) Renato no dia do seu casamento deixou sua esposa em casa e deu uma escapulida para farrear com  amigos, pelos bares da cidade de Assu, retornando a sua nova morada somente noite alta. Sua mulher sentindo-se abandonada, recriminou na hora, ao vê-lo chegar em casa embriagado: "Mas, Renato isso é coisa que você faça no dia do nosso casamento: "Besteira, mulher! Eu só vim buscar o violão!" Rebateu Renato e saiu novamente para continuar a bebedeira.

4) Renato na época da construção da Ponte Felipe Guerra, sobre o Rio Piranhas ou Assu (ele trabalhou na construção daquela ponte construída pelo DNOCS)  recebera um convite de um amigo que morava nas proximidades daquele rio, para participar do casamento de sua filha. Durante a festa, os comes e bebes, um dos convivas convidou Renato para fazer a saudação aos noivos. Renato saiu-se com essa: "Minhas senhoras e meus senhores. Queira Deus que o noivo não encontre um solo explorado!" Para risos dos presentes.

Fernando Caldas

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO