segunda-feira, 9 de maio de 2022

LEMBRANDO O BAR, CAFÉ E LANCHONETE DIA E NOITE

Somos apenas a sombra das nossas lembranças.


Ao longo dos anos, Natal ficou conhecida por ter pontos tido comerciais como bares, cafés e lanchonetes, cujo atrativo não justificavam a freguesia cativa que possuía. Eram locais de extrema simplicidade, mas que prendiam seus fregueses pelo bom atendimento, um cardápio simplificado que atendia ao paladar de todos, além de oferecer um ambiente descontraído onde quase todo mundo se conhecia.

Procurando conhecer a origem desse comércio – dia e noite mais promissor - , encontrei nos alfarrábios, textos que lembram a nossa cidade  numa data mito recuada, quando verifica-se que tudo teve seu início com o surgimento de um bar que foi pioneiro nesse setor. Este foi inaugurado na travessa Aureliano, na Ribeira, com o nome de bar “Chile”, que serviu de modelo aos demais seguidores.
     

                                      Bairro da Ribeira - Natal RN    

Logo depois, sequenciado pelo modismo que já existia à época, surgiu o bar “Antártica”, ainda na Ribeira que depois de muito sucesso cedeu seu espaço físico ao “Cova da Onça”, que já chegou aos nossos dias num estado agonizante
 
Descobri ainda, que na Cidade Alta, precisamente que na Rua Ulisses Caldas, foi inaugurado o bar “Potiguarânia”, seguindo a mesma trilha de seus antecessores , fazendo algumas inovações que caíram no gosto de seus frequentadores. Perdurou alguns anos, até ser absorvido com toda sua estrutura pelo “Magestic”, que deu continuidade ao mesmo estilo

                        Confeitaria Cisne - Rua João Pessoa - Natal RN
                                
Na Rua João Pessoa, - no Grande Ponto do meu tempo – tivemos o café “Maia” de Rossini Azevedo. O “Vesúvio” de Maiorana, o “Botijinha” de Jardelino Lucena, o bar e confeitaria “Cisne” de Múcio Miranda e o “Dia e Noite” de Nilton Armando de Souza. Este, com larga vivência no ramo – ex-garçom -, mas, sabia como ninguém, lidar com sua freguesia usando a devida  leveza, o prazer de servir e a dignidade profissional que ostentava.


Esse bar, próximo aos outros na Rua João Pessoa, ficava quase em frente à Caixa Econômica Federal, com seu espaço físico sendo ocupado hoje por uma loja que vende óculos e outras bugigangas de somenos importância. Abrigava uma pequena área delimitada por duas fileiras de mesas dispostas paralelamente, e no meio, um corredor por onde transitava o garçom e os convidados de ocasião. Lá no fundo, um balcão e  por trás dele, a figura sempre presente de seu proprietário que se atinha a tudo o que se passava no recinto. No final,  existia uma  parede divisória e à sua direita, uma pequena abertura de forma semicircular que servia de comunicação com a cozinha e por onde eram enviados os  pedidos e comandas. No cardápio constavam os mesmos itens desde sua inauguração e quando ocorria alguma alteração, era quase sempre na ordem inversa de seus itens.

Entretanto, o seu ponto alto era o garçom, vítima de todo tipo de gozação. Muito estimado por todos, atendia pelo apelido de “Gazolina” e possuía o dom da tolerância, sem nunca ter revidado as irreverências recebidas. Nunca perdia a fleuma, nem mesmo, quando os pedidos estava inserido o duplo sentido, tais como: -  “Gazolina, suspenda os ovos e passe a língua...” E assim por diante.

                         

                                      Rua João Pessoa - Natal RN

Esse bar, que nunca fechava, razão do nome – era também palco de muita confusão, principalmente nas madrugadas dos fins e semana, quando as rixas iniciadas nos clubes sociais, terminavam quase sempre no seu âmbito, ou nas circunvizinhanças. Os motivos? – Os mesmos de sempre: o ciúme, a política, a polícia e o esporte. Havia ainda uma particularidade pouco observada, que era a ausência do sexo feminino no seu interior.

Quando muito, elas eram atendidas em seus automóveis que ficavam nas imediações do bar.


Ainda lembro de muitos que frequentavam esse bar com certa assiduidade. Todos foram bem sucedidos nas  escolhas profissionais que fizeram e houve quem atingisse o topo na política, outros, nas empresas e os demais nas profissões que abraçaram. Citarei o nome de  alguns para poupar os poucos leitores desse incômodo: Artuzinho, Hélio Santa Rosa, Sidney e Ronald Gurgel, Haroldo e Franklin Bezerra, Marcos e Marciano Oliveira, Oscar e Osmar Medeiros, José e Ivo Barreto, Diógenes da Cunha Lima, Syllos Carvalho, Fernando Bezerra, Roberto Furtado, Lenilson Carvalho, Mário Sá Leitão, Waldemar Mattoso, Bentinho, Murilo Concentino, Aldanir Araújo e Abreu Junior.

Não darei ênfase – como fazia antes -, ao velho adágio que diz: “aqui tudo já teve”.

Realmente, tivemos o “Dia e Noite”, que sem a mínima pretensão, marcou sua presença na história da nossa cidade, quando cativou pela plêiade de frequentadores que deu a ele o prestígio que necessitava. Lembrar o “Dia e Noite” é massagear o ego de muitos que ainda guardam em seus corações as lembranças desse tempo. Somos apenas a sombra das nossas lembranças.    


Jahyr Navarro – médico e escritor
 
De: https://ormuzsimonetti.blogspot.com

 Da Web.

Pode ser arte de flor e corpo d'água

sexta-feira, 6 de maio de 2022

Morre Moacyr Gomes, arquiteto que projetou prédios emblemáticos como Castelão, Machadinho e a Biblioteca Câmara Cascudo


Entre os pioneiros da arquitetura potiguar, Moacyr Gomes da Costa enfrentava problemas de saúde e morreu em casa, enquanto dormia, aos 95 anos.

No dia 7 de junho do ano passado, o CAU (Conselho de Arquitetura e Urbanismo) do RN celebrou 94 anos de vida e mais 60 anos dele dedicado à Arquitetura.

Natural de Caicó, formou-se em Arquitetura pela Faculdade Nacional de Arquitetura da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, em 1954. Ocupou os cargos de Secretário de Planejamento Urbano de Natal (1971-1974) e de presidente do Instituto de Planejamento de Natal (1997-1999), de acordo com o CAU-RN.

Assinou projetos icônicos da história de Natal, como o Castelão, na década de 60, chamado pelo então governador Cortez Pereira como "Poema de Concreto Armado". Estádio que depois recebeu o nome de Machadão e, para a Copa de 2014, foi derrubado para dar vez à Arena das Dunas.

Também tiveram seus traços o Ginásio Poliesportivo Humberto Nesi – Machadinho - (também demolido para a construção da Arena das Dunas); a Faculdade de Odontologia da UFRN; o Pórtico dos Reis Magos (com a colaboração do arquiteto Eudes Galvão Montenegro); a sede da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil); a Biblioteca Pública Estadual Luís da Câmara Cascudo; o Centro Administrativo do Governo do Estado do RN (em parceria com o arquiteto Ubirajara Galvão); o edifício Barão do Rio Branco e o edifício sede do DER, em parceria com os arquitetos Daniel Holanda e João Maurício, segundo o CAU.

 
 https://portalfatosdorn.blogspot.com

quarta-feira, 4 de maio de 2022

Vou continuar dizendo
Me escute quem quiser
A grande verdade é;
QUEM BEBE MORRE BEBENDO
Mete a cara e nem tá vendo
Que o tempo não para, corre
Todo dia toma um porre
Se alguém reclama ele diz:
Deixe de papo, infeliz!
QUEM NÃO BEBE TAMBÉM MORRE
A malvada da cachaça
Tem matado muita gente
Porém não é diferente
Da doença e da desgraça
Um bebum cai pela praça
A urina na perna escorre
Enquanto um médico socorre
Alguém que está morrendo
QUEM BEBE MORRE BEBENDO
QUEM NÃO BEBE TAMBÉM MORRE

terça-feira, 3 de maio de 2022

"Saudades do tempo que se tinha tempo. De quando o tempo não era inimigo. Quando as roupas descosturadas eram reparadas à mão e as brancas sujas colocadas pra quarar. Um dia todo pra lavar roupas! Não tinha problema.
 
Saudades de quando as frutas eram tiradas dos pés, que precisavam ser regadas e cuidadas. E escalar mangueiras era nosso maior desafio. De quando os encontros e sorrisos não precisavam ser registrados, e sobrava mais tempo pras conversas. De quando as coisas não tinham que ter propósito ou lhe preparar pra vencer na vida. Jogar pedras na rua ou na água pra ver quem joga mais longe, disputar corridas descalços na terra, descobrir formas nas nuvens... 
 
Saudades de quando a única pressa era de comer logo pra voltar pra rua pra brincar. Do cheiro da comida no fogão à lenha, do almoço colocado de manhã bem cedo, pra cozinhar devagar. De como o natal demorava a chegar. 
 
Saudades da criança que achava que ia ser eterna, porque o tempo pra ela, era amigo. Ele nunca iria se desfazer dela. Ele nunca iria sufocar."
 
Rachel Carvalho
 
 Pode ser uma imagem de 3 pessoas, árvore e ao ar livre

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A TRÍPLICE FRONTEIRA BRASIL/ARGENTINA/ PARAGUAI

Imagina tomar café na Argentina 🇦🇷, almoçar no Paraguai 🇵🇾 e jantar no Brasil 🇧🇷. Tudo no mesmo dia?
O que parece impossível torna-se muito simples graças à Tríplice Fronteira: Brasil, Argentina e Paraguai.
A região de Foz do Iguaçu é conhecida como “Tríplice Fronteira” por apresentar uma característica geopolítica de fronteiras, que está presente em poucos lugares no mundo.
 
Em Foz do Iguaçu, o Brasil, o Paraguai e a Argentina fazem uma tríplice fronteira, com cidades fronteiriças: Foz do Iguaçu, Puerto Iguazú e Presidente Franco, respectivamente entre o Brasil, a Argentina e o Paraguai.
 

Haílton Corrêa de Arruda , o Manga. Eis um dos maiores goleiros da história do Inter.
 
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Manoel Onofre adquire imóvel na Dr Barata para construir galeria de arte

Apaixonado pela Ribeira, Procurador da Justiça quer construir um espaço de vivência e incentivar novos talentos

28 de abril de 2022

 Cinthia Lopes


Ninguém passa pela Ribeira indiferente. Ou se fica impactado pela beleza das imponentes fachadas ou pela decadência da maioria dos imóveis. É um bairro com características que nenhum outro possui: O maior conjunto arquitetônico que remonta a história da cidade e, ao mesmo tempo, o mais abandonado por uma série de fatores, desde a falta de projetos de revitalização que não saíram do papel, ou por causa de inventários intermináveis e dívidas acumuladas há décadas pelos proprietários. 

Movido por um sentimento de preservação da própria memória afetiva e da necessidade de legado para as próximas gerações, o promotor de justiça do RN e colecionador de artes Manoel Onofre Neto decidiu colocar em prática um sonho antigo de adquirir um imóvel no bairro. Sua primeira investida é na outrora famosa rua Doutor Barata, registrada nos livros como o coração comercial e festivo da Ribeira até a década de 1940. Onofre adquiriu um galpão onde até recentemente funcionava o depósito da Mar e Pesca, quase em frente a Galeria B-612. Ele explicou que se trata de um imóvel antigo, de linhas modernas, porém sem uma marco arquitetônico de destaque, pois vinha sendo reformado ao longo dos anos. “Bastante simples, mas com potencial. Pretendo requalificar o imóvel e dotá-lo de uma infraestrutura de charme”, disse em entrevista ao TL.

O magistrado também é um conhecedor das artes visuais e já é considerado um mecenas, por adquirir e incentivar novos talentos, reunindo uma grande coleção de obras de diversos estilos e criadores. Recemente ele fez a curadoria do Salão Dorian Gray de Artes Visuais realizado no Museu Café Filho. A mostra foi bastante elogiada por trazer para o coletivo muitos artistas da nova geração.

Ele conversou com o Típico Local sobre o investimento e os projetos para o imóvel. Lamentou ainda o fechamento da galeria B-612, que se estivesse em atividade seria a sua "vizinha" com potencial para movimentar a região. Uma porta se fecha outra se abre...

Confira o bate-bapo:

Onofre, você adquiriu um imóvel na Dr Barata, Ribeira. Tanto a rua quanto o bairro possuem um conjunto de prédios tombados pelo Iphan. Como foi a escolha do imóvel, o que levou em consideração?
O elemento primordial, ademais do valor, está relacionado às possibilidades de uso que o imóvel permite, com vãos amplos e uma estrutura sólida. Eu já vinha buscando um espaço com essas características.

A rua Dr. Barata mantém de pé fachadas de um passado de agitação e muitos comércios. Esse aspecto foi o que te atraiu?

A atmosfera da Ribeira como um todo sempre me atraiu. Ali muito da nossa história, com recorte à boemia e às artes, vem sendo escrita. Na Ribeira, em especial na Dr. Barata, em parceria com alguns amigos do Bicho (bloco do Carnatal, que integrei a diretoria) tive oportunidade de promover alguns eventos, dentre eles uma festa intitulada Ribeira Rainha, com performances e muita arte. Nos saudosos Blackout e no Galpão 29 comemorei aniversários. Bati ponto na Galeria B 612 aos sábados, religiosamente. São múltiplos os fatores que contribuíram para minha decisão.

Existe uma história por trás do imóvel? sabe o que funcionou lá?

Funcionava, até recentemente, o depósito da Mar e Pesca. É um imóvel antigo, mas sem uma marco arquitetônico de destaque pois vinha sendo reformado ao longo dos anos, com linhas modernas. Bastante simples, porém com potencial. Pretendo requalificar o imóvel e dotá-lo de uma infraestrutura de charme.

Você é um conhecido colecionador e incentivador das artes plásticas. O perfil de seu futuro espaço será uma forma de compensar o hiato deixado pelo fechamento da B-612? Você fará algo como residência artística, espaço para eventos de arte, galeria? fale um pouco sobre o que deseja abrigar no espaço...
 

O fechamento da B612 deixou um hiato impossível de ser preenchido. Aquele espaço era, literalmente, mágico. Anchieta completava a aura fascinante da galeria, que espero em breve desfrutar do novo espaço que ele vem gestando. A proposta será outra e está em construção, mas passa pela estruturação de um espaço para abrigar a minha coleção de arte potiguar de modo que eu possa partilhá-la e, com isso, fortalecer as artes visuais no Rio Grande do Norte e colaborar com a construção e solidificação dos percursos dos nossos artistas.

Asseguro, assim, um espaço pensado para exposições e eventos relacionados à arte. Residências artísticas, atelier coletivo e oficina de restauro e conservação também podem ser outras possibilidades, bem como a realização de eventos formativos e educativos relacionados às artes e à cultura, de modo a envolver a comunidade em geral. Como Promotor de Justiça que trabalha com o adolescente em conflito com a lei, vejo na arte um potencial transformador que precisa ser cada vez mais explorado.
Será necessária uma reforma? Você pretende buscar recursos externos, financiamento?

 

De: https://tipicolocal.com.br


 REVISTA SIUZA CRUZ, RIO DE JANEIRO