ELE ACREDITOU QUE JOGARIA O MUNDIAL PELA SELEÇÃO BRASILEIRA: SIMONAL E A COPA DE 70 NO MÉXICO!
De todas as discussões que surgiram sobre a Copa do Mundo no Brasil, lembro de outro momento emblemático que ligou futebol, política e também música: a Copa do México de 1970.
Poucas competições foram tão bem utilizadas para criar um clima de nacionalismo. A ditadura fez isso com bastante força e as coisas reverberaram para o campo musical. Era época do “Eu te amo, meu Brasil”, dos Incríveis.
A seleção, que viajou um pouco desacreditada para Guadalajara, ganhou um grande reforço chegando lá: Wilson Simonal. A ideia de João Havelange era de usar toda a reverência que já existia em torno do nome do cantor, que estava em turnê pelo país, e fazer com que a torcida mexicana virasse a torcida brasileira. Ele conseguiu.
Wilson Simonal já era conhecido do meio futebolístico. Ele foi convidado para cantar na noite do milésimo gol de Pelé, em 1969. Aliás, coincidentemente ou não, os dois eram patrocinados pela mesma empresa.
No excelente livro “Nem vem que não tem: a vida e o veneno de Wilson Simonal” (Ed. Globo), de Ricardo Alexandre, tem uma ótima história: o intérprete já era muito amigo de Pelé, e isso fez com que ele conseguisse ficar na concentração da seleção. Fazia seus sambas ali até que um dia o convidaram para um coletivo.
Wilson Simonal acreditou que poderia ser jogador da seleção brasileira de 70! Um atleta tinha se contundido e estava prestes a ser cortado. Chamaram o cantor para preencher a vaga no coletivo e ele foi. Resultado? Menos de 20 minutos depois ele desmaiou por falta de oxigênio pela grande altitude local. Essa pode ter sido a maior peça feita pelos atletas daquele time.
Simonal se sentia o máximo, que podia tudo, e naquele período podia mesmo. Ele fazia um sucesso exemplar e engatilhava uma carreira de sucesso no exterior, pena que depois do caso que o relacionou com a ditadura – possivelmente ele não tinha nada a ver – ele tenha ficado distante da música e das histórias futebolísticas.
O sucesso por lá também resultou em disco: “México 70”, só lançado no Brasil recentemente. Aqui a fantástica versão de “Aqui É o País do Futebol”, de Milton Nascimento e Fernando Brant.
CHICO E CHICA
Por Renato Caldas
Sinha môça, eu
conto um fato De chico ôio de gato E chica Passarinheira: Ele, vendia missanga, Pó de arroz e burundanga; Era mascate de feira. Chiquinha, uma roceira Disposta e trabaiadeira... Pegava os pásso e vendia. Porém, tinha um priquito Muito mansinho e bonito Qui ela, vendê num queria.
Chico, toda menhanzinha, Ia a casa de Chiquinha Já cum mardósa intenção... Na cunversa qui travaram, Os óios, se encontraram:... Tibungo, no coração.
Chico môço da cidade Cunversa de verdade, Dotô em tufularia, Foi devagá se chegando, Passando a mão alisando E o priquitinho cedía O bicho se arrupiava... Ela, calada deixava, Gostava daquele trato. Nisso o amô pôz a canga! Pôi-se a brincar cum a missanga De Chico Oio de Gato. Um brincando, outro alizando E a missanga amariando Nisso, um gritinho se ôviu. Num é qui o priquito-rico, Teve fome e abriu o bico... Bufo - a missanga engoliu.
Chico mudô de caminho! O verde priquitinho Bateu asas e avuô... E Chica Passarinheira, Tá sôrta na buraqueira... Inté o nome mudô.
Tristeza não é chorar. Tristeza é não ter para quem chorar.