quinta-feira, 27 de outubro de 2022

SONHOS - De Nino, o filósofo melancólico do Beco da Lama, vigiando a noite escura enquanto espera a lua voltar: “Ninguém foge quando dorme. Está sempre acompanhado dos seus pesadelos”.

De: Cena Urbana, Vicente Serejo, Tribuna do Norte

Marcos Calaça

O HOMEM DE 'PEGUE O BECO':
SEVERINO PITOROCO.
 
O Severino Geraldo
Apelido Pitoroco,
Isso é devido ao tamanho
Pequeno como cotoco,
Sertanejo bem legal
Um trabalhador rural
E que arrancava até toco.
A seca lhe castigou
Pois faltou leite e comida,
Lá de Riacho do Meio
Êxodo foi a saída,
Do sítio lembra da lua
A família foi pra rua
Trabalhar e salvar vida.
Chegando na zona urbana
Colocou um simples bar,
E que na realidade
O local era o seu lar,
Tinha cachaça arretada
Era quente e adoidada
Boteco familiar.
A 'meiota' pra almoçar
Cachaça a turma tomava,
Pitoroco com moral
Todo mundo respeitava,
Quem queria bagunçar
Mandava se retirar
Severo logo expulsava.
Severina de Geraldo
Começou a trabalhar,
Botou barraca na feira
Para poder ajudar,
Bolo pastel e refresco
Ambiente pitoresco
Pra comercializar.
Pastel de grande tamanho
Era orelha de elefante,
Servia de tira gosto
E demorava bastante,
Jovens com pouco dinheiro
Bem nas férias de janeiro
Era um grupo de estudante.
Severino e Severina
Passaram pra vida eterna,
Na luta os filhos venceram
Na caminhada fraterna,
Eles tem bela união
Honestos por criação
De pai e força materna.
 
-A continuação das demais estrofes está nesse cordel, inclusive a história de 'pegue o beco'.
Marcos Calaça é poeta potiguar, natural de Pedavelino, e confrade da Academia Norte-rio-grandense de Literatura de Cordel.
Quando foi feita essa homenagem a Pitoroco, Edvanaldo José agradeceu ao poeta Calaça.
 
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domingo, 23 de outubro de 2022

 Pode ser uma imagem de ao ar livre 

Rio de Janeiro. Foto da Web.

IMORTAIS - A Academia Assuense de Letras reuniu, numa edição bem cuidada, seus ‘Patronos & Acadêmicos’. Fundada em 2015, mas herdeira de uma grande tradição de poetas e ficcionistas. 
 
De: Cena Urbana, Vicente Serejo - Tribuna do Norte, edição de 20/10/22.


sexta-feira, 21 de outubro de 2022

 Pode ser uma imagem de texto

 Pode ser uma imagem de 1 pessoa e ao ar livre

Fotografia tirada há sessenta e dois anos atrás. Cabelo cortado à escovinha, muito usado nos anos cinquenta. Tinha eu, seis anos de idade. Ainda hoje me lembro da vestimenta e da botinha que usava, bem como do fotografo chamado Demóstenes Amorim que, se não foi o primeiro, pelo menos um dos primeiros fotógrafos do Assu, minha terra natal querida. Mas, este menino não é uma 'gracinha'? Registrando, apenas.
 
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terça-feira, 18 de outubro de 2022

BURRA DE CIGANO

“Está mais enfeitada que burra de cigano.” Era uma expressão usada no interior quando uma pessoa estava toda arrumada. Os ciganos são pessoas nômades, sem moradias definidas . Andavam em tropas pelos sertões afora, de cidade em cidade, de fazenda em fazenda. Ganhavam a vida trocando e vendendo animais. 

Havia várias tropas de ciganos pelo interior do Estado. Em Pedro Avelino sempre passava a tropa comandada por Cândido, que era o cigano chefe. Acampavam próximo ao açude do governo, o que facilitava no uso da água para o consumo humano e animal. O animal de montaria de Cândido dava gosto de se vê. Era uma burra mula cardan, com sete palmos de altura, de passada macia, um galope em cima da mão. Seus arreios eram de couro, todos trabalhados com argolas de metal. A sela tinha desenhos no couro. Em cima da sela, uma corona que servia para guardar e transportar objetos. Uma manta longa sob a sela cobria o lombo do animal, feita de couro de bode. 

As ciganas andavam em grupos, com seus vestidos longos e estampados, sempre com um dente de ouro na boca, procurando ler a mão das pessoas para amealhar algum dinheiro. O que fazia medo era a praga da cigana, quando não conseguia seu intento.      

Certa vez, um fazendeiro comprou um cavalo de um cigano e, na hora da transação, foi perguntado se o animal tinha algum defeito, no que o cigano respondeu: “O defeito está na vista, ganjão.” O fazendeiro comprou o animal, levou para a fazenda.  Chegando lá, notou que o mesmo era cego de um olho. 

Voltou para devolver o animal, pois não lhe servia para o trabalho. Foi quando o cigano velho lhe falou que tinha dito a verdade, que o defeito do cavalo estava na vista.

Numa dessas passagens do bando por PA, papai comprou a Cândido um burro mulo, que nunca tinha sido montado. Levou para a fazenda, entregou ao vaqueiro Compadre Zé Gregório, para amansar. 

Colocou o nome de Capricho e começou a açoitar o animal. Ficou uma pimenta, correndo entre a Jurema, o xique-xique e a macambira, mostrando que dava para o serviço.Esse animal se prestou para o trabalho de campo na fazenda por muitos anos. 

Hoje não se vê mais ciganos como antigamente por esse sertão afora, sertão de mulher séria, de homem trabalhador, como diz a música de Luís Lua Gonzaga. Até isso está desaparecendo.


Autor: Geraldo José Antas
Engenheiro Civil e Agropecuarista

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.