quarta-feira, 1 de fevereiro de 2023

 

TALVEZ  
Talvez não ser,
é ser sem que tu sejas,
sem que vás cortando
o meio dia com uma
flor azul,
sem que caminhes mais tarde
pela névoa e pelos tijolos,
sem essa luz que levas na mão
que, talvez, outros não verão dourada,
que talvez ninguém
soube que crescia
como a origem vermelha da rosa,
sem que sejas, enfim,
sem que viesses brusca, incitante
conhecer a minha vida,
rajada de roseira,
trigo do vento,

E desde então, sou porque tu és
E desde então és
sou e somos…
E por amor
Serei… Serás…Seremos…

( Pablo Neruda )

 

De: FS

domingo, 29 de janeiro de 2023

Aurélio Pinheiro nasceu em São José de Mipibu, no ano de 1882. Passam-se 141 anos daquele dia. Foi médico e escritor. Escreveu vários livros. O Rio Grande do Norte precisa redescobrir Aurélio Pinheiro. Nei Leandro de Castro afirmou em entrevista concedida ao "Diário de Natal" (9.11.1983) que não conhecia a obra de Aurélio Pinheiro. Se um escritor renomado afirmou isso, o que poderemos esperar do grande público? Aqui no RN quem mais escreveu sobre ele foi Américo de Oliveira Costa, que o escolheu para ser o patrono da cadeira 27, na Academia Norte-rio-grandense de Letras.

Francisco Martins






 f

 


 Andou, andou e não achou a sabedoria. Tão simples, onde ela estava. Ser bom e mais nada.

Caldas, pensador


                                                                     

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

O Deus de todas as amarguras
é também o Deus de todas as misericórdias.
Senhor, na minha amargura
Também a sua misericórdia.
(João Lins Caldas)
Rio de Janeiro, 1924


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quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

Nesse soneto intitulado "Dia de angústia", o bardo potiguar do Assu chamado joão Lins Caldas extravasa toda sua amargura. Senão vejamos para o nosso deleite. 


No dia em que nasci como um vulcão se abria
A garganta do mal, em lágrimas coberta...
A estrada da ventura era sem flor, deserta,
O corpo do pesar por tudo se estendia.


O sol não quis brilhar... e a lua, que tremia,
Errando pelo céu, amargamente incerta,
Procurava subir, subir em linha certa,
Para mais se afastar do mundo, que gemia.


Houve negro rumor pelos ramos floridos...
A dor tinha de riso o quanto tem de males
A sombra da saudade em sombras multicores...


Foi preciso florir a terra dos gemidos...
Floriu o desprazer brilhando em todos vales
E a terra cresceu mais para conter mais dores...


Assu, 3.6.1909

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.