quinta-feira, 21 de dezembro de 2023

DE RENATO CALDAS



Renato Caldas numa conversa amistosa na calçada da prefeitura de Assu, que os mais antigos chamavam ‘senado’, fora surpreendido por um dos presentes que lhe fez a seguinte indagação:: “Renato, se for verdade não me negue! É verdade que minha mulher anda ‘fitando’ você?" Renato não se deu por calado, dizendo essa quadrinha de improviso: “Não sei se é fato ou se é fita / Não sei se é fita ou fato / O fato é que ela me fita e / Quando me fita é de fato.” Para riso dos circunstantes.

(Fernando Caldas)

Se todas as coisas…

Vicente Serejo

serejo@terra.com.br
Gosto sempre de pensar, talvez por ser vítima de pensamentos imperfeitos, que o mundo é pequeno e nele cabem todas as coisas, desde que bem postas e em boas medidas. Mas, também reconheço o prazer de sabê-las, e, às vezes, tão surpreendentes. Entre encontros e desencontros, casuais uns e outros nem tanto, há qualquer coisa de transcendental. Algo que foge ao apenas comum: um nome, uma palavra, um livro, um detalhe, coisas do céu das humanas sensações. 

É que estou convencido de que há um céu e um inferno em cada ser humano. E é neles que a alma deposita o que ama, o que odeia, o que inveja e nega-se ao que lhe é indiferente. E há também um limbo, inóspito e sombrio, lugar do pecado e do arrependimento. De superior, se existe, só o perdão. Mas ai são outros quinhentos. Aos vaidosos não é dado perdoar com facilidade. Já os simples, despojados de tudo, esses perdoam e são naturalmente mais felizes.

Tudo começa e acaba no grau maior ou menor de aspiração. Pode ser mansa, e também esconder a força bruta do desejo. Ora, o desejo é uma fera. Se rompe a jaula da civilização que o domesticou, acorda a fúria indomável. É bom lembrar que o ódio é um amor enlouquecido. Daí não ser tão verdadeiro o slogan, bem azeitado nos santos óleos da boa-fé, quando afirma: quem ama não mata. Mata, sim. Não deveria, mas mata. Exatamente por um dia ter sido amor. 

Veja, Senhor Redator, o perigo que é um homem velho, já passado nuns tantos anos, divagar sobre os mistérios da carne e da alma. Acaba caindo em inesperadas digressões, feitas de caminhos que vão cavando na própria narrativa o desfiladeiro de recorrências que voltam, como os pássaros, quando a noite dos dias começa a chegar. A noite que vai jogando sombras sobre todas as coisas, feitas e desfeitas em caminhos e descaminhos e, às vezes, em tristes ais. 

Outro dia fiquei admirando a frase de uma crônica de Gregório Duvivier, na Folha de S. Paulo. Foi como se ele fosse escrever sobre um assunto qualquer e, de repente, descobrisse que era um homem sem o direito de esperar por um novo dia. E começa a crônica assim, guardei aqui: “Faz um ano que todos os dias se parecem”. Fazia tempo que não batia com os olhos numa coisa tão simples e tão melancólica. É verdade, há muito tempo que todos os dias são iguais. 

Hoje, também larguei a leitura de um ensaio brilhante sobre o significado profundo da pintura de Van Gogh, além das raras sensações do seu delírio, para escrever sobre as últimas leituras do poeta João Lins Caldas que li no blog de Fernando Caldas sobre a figura de ermitão do grande poeta. E acabei na melancolia dos dias sempre iguais. Tem nada não. Fica pra depois a história dos livros achados debaixo de sua rede quando parou, velho e triste, seu coração… 

UMA GLOSA DE SESIOM 

“Severiano falou / Mas o povo não ouviu”:

“Quando a corrida findou / na rua se ouviu um brado / da varanda de um sobrado / Severiano falou / Todo o povo estacionou / quando a janela se abriu, / gente que de lá saiu / me disse, o doutor é osso, / fez um discurso colosso / mas o povo não ouviu.”

Moisés Sesiom, poeta do Assu

quarta-feira, 20 de dezembro de 2023

Todos vamos envelhecer… Querendo ou não, iremos todos envelhecer. As pernas irão pesar, a coluna doer, o colesterol aumentar. A imagem no espelho irá se alterar gradativamente e perderemos estatura, lábios e cabelos.

A boa notícia é que a alma pode permanecer com o humor dos dez, o viço dos vinte e o erotismo dos trinta anos. O segredo não é reformar por fora. É, acima de tudo, renovar a mobília interior: tirar o pó, dar brilho, trocar o estofado, abrir as janelas, arejar o ambiente.
Porque o tempo, invariavelmente, irá corroer o exterior. E, quando ocorrer, o alicerce precisa estar forte para suportar.
Erótica é a alma que se diverte, que se perdoa, que ri de si mesma e faz as pazes com sua história. Que usa a espontaneidade pra ser sensual, que se despe de preconceitos, intolerâncias, desafetos.
Erótica é a alma que aceita a passagem do tempo com leveza e conserva o bom humor apesar dos vincos em torno dos olhos e o código de barras acima dos lábios.
Erótica é a alma que não esconde seus defeitos, que não se culpa pela passagem do tempo. Erótica é a alma que aceita suas dores, atravessa seu deserto e ama sem pudores.
Aprenda: bisturi algum vai dar conta do buraco de uma alma negligenciada anos a fio.

Adélia Prado, poeta mineira

(Imagem da Web)



terça-feira, 19 de dezembro de 2023

Vamos com a paz de Jesus.
Vamos com a paz de Deus.
Depois da imensa treva,
agora a imensa luz.
Caldas, poeta potiguar/Assu



 "O tempo sempre muda, um dia temos sol, noutro chuva, um dia cinzento, noutro com vento. O tempo, assim como a vida, nos dá a grande lição de que nada é eterno, nem sol, nem chuva, nem a dor e nem a alegria. Nos resta tirar o melhor de cada situação."

Pode ser uma imagem de 1 pessoa, Castelo de Eltz, estrada, as Cotswolds e rua
Todas as reaçõ
A vida humana, seja ou não tranquila,
profunda ou não, — só poderá senti-la
quem a sentir apaixonadamente.
(Virgínia Victorino)



 

Pode ser uma imagem de texto que diz ""Se um dia a vida lhe der as costas passe a mão insta_pensador na bunda dela." Nelson Rodrigues"


domingo, 17 de dezembro de 2023

"MULHER POTIGUAR DE BARBA E BIGODE"

Sábado, 21 de novembro de 2009






Matéria publicada no começo dos anos sessenta na Revista O Cruzeiro (coluna Flagrantes), do Rio de Janeiro. A fotografia é de autoria do fotógrafo assuense Demostenes Amorim, pai de demócrito Amorim (Teté) que me sedeu esse recorte de revista. O nome de Demóstenes podemos conferir ao lado esquerdo do recorte de revista. Lembro-me que conheci essa pessoa que vivia num quarto com porta de ferro.

 Jornais juninos do Assu de outrora. Ivan Pinheiro Bezerra


 Lidiya SharapenkoAMIGOS DA NATUREZA

Os cavalos Akhal-Teke conhecidos por sua pelagem dourada e brilhante, são considerados os mais belos do mundo.
A raça Akhal-Teke, nativa do Turcomenistão, na Ásia Central, é rara: tem apenas 1.250 espécimes em todo o mundo. Na China, a espécie é conhecida como “cavalo do paraíso”


 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.