quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

MANOEL CALIXTO CHEIO DE GRAÇA

E quem não se lembra de Manoel Calixto Dantas também chamado de "Manoel do Lanche?" Era um dos nossos poetas tipo populares. Ele tinha um local (box) no Mercado Público do Assu. Pois bem, na década de setenta, Calixto candidatou-se disputando uma vaga no legislativo assuense, pelo MDB. Ele era natural de Carnaúba dos Dantas e assuense por opção e escolha, terra que viveu durante mais de cinquenta anos e fez boas amizades). Como não podia ser diferente, por ter  convivido com os poetas do Assu, Manoel começou a escrever versos populares. Sua predileção para versejar era a glosa (décima) e a trova, a sua predileção para versejar. Tempos atrás, os poetas da terra assuense aproveitavam os momentos de campanhas políticas para satirizar os candidatos em forma de versos. E Manoel Calixto era um deles. Candidato a vereador, escreveu:

Negue o soldado ao Tenente,
Negue esmola ao aleijado,
Negue ao faminto o bocado,
Negue ao Major a patente,
Negue ao seu filho a benção,
Negue o direito ao patrão,
Negue tudo, isto eu suporto
Só não me negue o seu voto
No dia da eleição.

E essa outra:

Falte uma noite a seresta,
Falte ao garoto inocente,
Falte o remédio ao doente,
Falte uma noite de festa.
Numa fase como esta,
Falte tudo ao seu irmão,
Falte a festa de São João,
Todas as faltas suporto
Só não me falte esse voto
No dia da eleição.

Fernando Caldas

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

ASSU ONTEM E HOJE

A fotografia de Assu antigo (a esquerda) é arquivo do blogdofernandocaldas.blogspot.com. A fotografia de Assu hoje, é de autoria do fotógrafo Jean Lopes, inclusive a idéia da montagem. Valeu Jean.

LEMBRANDO NEWTON NAVARRO

Eu tive o prazer de ter conhecido o pintor, o cronista, o poeta, o boêmio chamado Newton Navarro (1928-1992), quando das suas idas em Assu para visitar João Meira Lima então juiz do Assu, e o poeta Renato Caldas ainda se encontrava no auge da sua boemia, nos idos de sessenta. Eu era menino ainda. Tempos depois, convivi com ele, Navarro, no bar "Postinho", na Praia do Meio, no início da década de setenta, através de Paulinho Montenegro, em Natal. Navarro sempre gostava de ouvir, o poema "Isabel" do grande poeta João Lins Caldas. Para Celso da Silveira, Navarro era o "poeta do desenho, da oratória, do conto e do poema". Será que é a toa que a segunda maior ponte do Nordeste leva o seu nome? A ele, Navarro, cabe um bom cronista e um grande biógrafo para traçar a sua fantástica trajetória

Fernando Caldas

sábado, 21 de fevereiro de 2009

É CARNAVAL







DONA MARIA EDITE

Do blog intitulado "Serra de Luiz Gomes" transcrevo um artigo de Cidinha Pascoal sob o título ("Conheça a Biografia de Maria Edite Martins") em homenagem a essa mulher que escolheu o Assu (RN), para viver ao lado do seu marido Sandoval Martins. Eu (autor deste blog) fui contemporâneo de Sande Martins, seu filho, estudando juntos no Colégio Nossa Senhora das Vitórias, de boas recordações. Por ele, Sande, Edival, Marival, Valdite e Valmar Martins e pela propria dona Maria Edite, é que transcrevo neste blog o já referenciado artigo (por sinal, somos ainda parentes distante, pelo lado de minha avô paterna chamada Odete Fernandes de Queiroz, também como dona Maria Edite natural da cidade serrana de Luiz Gomes, região do alto oeste do Rio Grande do Norte).Vejamos o citado texto, adiante:

"Maria Edite Germano Martins, filha do Coronel Antônio Germano da Silveira e Antônia Fernandes da Silveira - D. Tonheira, nasceu no dia 29 de novembro de 1918, em Luiz Gomes, Rio Grande do Norte, cuja padroeira é Senhora Santana, tornando-se sua devota e participando anualmente das celebrações do dia da Padroeira - 26 de junho.

Sua mãe - D. Tonheira - teve quatorze filhos dos quais atingiram a vida adulta apenas quatro: Paulo, Maria Edite, Ir. Salvadora (Sinésia) e Auta. Hoje, somente ela está entre nós, alcançando a graça de completar 90 anos de vida, lúcida, saudável e feliz. Maria Edite teve como "mãe de leite" a Sra. Antônia Batalha, por cuja alma reza diariamente e que também foi babá de sua primeira filha - Sanedite.

Foi alfabetizada na Escolas Reunidas Coronel Fernandes na segunda metade da década de 20.

Nos anos 30 foi matriculada interna do Colégio Nossa Senhora das Vitórias em Assú, aonde veio a concluir o Curso Normal no ano de 1940. Naquele educandário fortaleceu a sua formação cristã, através dos ensinamentos das "Filhas do Amor Divino" e gozou da convivência das primeiras, amigas internas e externas, das quais guarda boas e felizes recordações.

Aos 22 anos, em 26 de julho de 1941, casou-se com Sandoval Martins de Paiva, cuja celebração ocorreu na cidade de Luiz Gomes, passando a residir na cidade de Assú, onde lá nasceram todos os seus seis filhos.

A decisão pelo matrimônio foi expressa e justuficada por Sandoval Martins através de carta endereçada aos seus pais (Celso Martins e Abigail) em 26 de junho de 1940 cujo teor continha:

"A senhorita com a qual pretendo realizar tão sério compromisso é filha do Sr. Antônio Germano tendo por nome "MARIA EDITE GERMANO" aliás, já conhecida pela prezada mana "Mundica". Fui, sou e serei um admirador incansável, pois a parte que observo em uma senhorita não é exclusivamente a riqueza e beleza; com mais afinco procuro ver seu comportamento, a sua honestidade, e enfim a sua conduta, elementos esses que poderão dar imposição a uma senhorita que se destina tomar a responsabilidade de um lar."

O seu comportamento eminentemente doméstico cumulou de leldade e caráter a formação dos seus filhos. Na convivência com a comunidade assuense foi madrinha de um número incontável dos filhos e filhas do Vale do Assu. Participou da vida social e religiosa da cidade do Assú, em todas as fases de seu desenvolvimento.

Mantém dentro de sua vida familiar um hábito de lazer e descontração de jogar gamão em companhia de familiares e quase sempre dominando a prima Corália que torna-se adversária, mas passadas os momentos das disputas, tudo retorna ao convívio amigo e alegre de sempre.

A primeira filha de Maria Edite chamava-se Sanedite, nasceu no dia 04 de julho de 1942, em Assú, que vindo ao mundo com muito carinho foi chamada à casa do PAI antes de completar 1 ano de idade. Na sequência vieram: José Edival, Maria Valdite, José Marival, José Sande e José Valmar, cujos nomes trazem a fusão dos nomes de Sandoval e Maria Edite, prática bastante aceita nas famílias nordestinas, que se imagina, seja para dar maior firmeza à união matrimonial. Todos nascidos em Assú, com formação inicial do Educandário Nossa Senhora das Vitórias, tendo Maria Edite participado ativamente do encaminhamento de todos os filhos que procriou, apoiado na presença constante, no respeito e na responsabilidade do seu marido - Sandoval.

Dessa prole (5 filhos) vieram 8 netos, 8 netas, 2 bisnetos e 2 bisnetas. Certamente, Maria Edidte percebia a todos e a cada um deles como expressou sua amiga Cidinha: "Os filhos, os filhos dos filhos e logo depois os filhos dos netos... É um rosário de sentimentos"...

Um ano após a partida de seu fiel marido para a morada eterna, Maria Edite decidiu vir morar em Natal no ano de 1999, hoje residindo no bairro do Tirol e partipando da vida familiar e religiosa de toda a sua família. Ela é hoje uma referência familiar dos Germano, Martins, Paiva, Vieira e Fernandes, do Alto Oeste Potiguar, que aqui se encontram ou estão representados.

Por isso tudo, promoveu essa reunião, orgulhosa e infinitamente agradecida à misericórdia de DEUS, que possibilita uma existência simples e honrada, mas totalmente dedicada a seus filhos, seus familiares e amigos."

QUADRINHAS MATUTAS DE RENATO CALDAS

I

Num existe maió pená,
E nem dô mais renitente:
Do que a gente gostá
De quem num gosta da gente

II

Eu tenho tanta vontade
De sê dono de você...
Deus prumita qui num fique,
Somente no meu querê.

III

Quem me dêra ser piano,
Vivê de bôca pru á...
Só pra sinti nos meus dente,
Os seus dedinhos roça.

IV

Cuma o tempo tá mudado!
Quem fui eu, quem hoje sô?!
Cuma tô dispilorádo...
Tô qui nem carro quebrado.
Sem boiáda e tangedô.

V

Na cara de sinha dona,
Tem duas coisa ingraçada!
Nos óio, vejo um Só posto,
Na bôca, vejo uma arvorada.

VI

O tóque dessa vióla,
Tem tanta macunaíma;
Que é mais triste q'um um sino
Tocando as Ave-Maria.

VII

Acabôse as inlusão,
Qui tive no meu passado!
O meu póbe coração,
Tá cuma inxuí largado.

blogdofernandocaldas.blogsapot.com
Renato Caldas (um dos maiores poetas matuto do Brasil de todos os tempos).

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

ZÉ FREDERICO

Zé Frederico era um certo cidadão espirituoso da cidade do Alto do Rodrigues (RN). Quando ele bebia odiava ouvir falar a palavra burro, jumento, jegue ou qualquer outra denominação dada a aquele animal. Pois bem, certo dia de cessão na Câmara Municipal daquele município, um certo vereador que seguia em direção a câmara, econtrou-se com Zé Frederico embriagado, montado em seu jerico, perguntando assim: "Seu Zé como se chama esse burro?" Ao que respondeu repentinamente: "Vereador!"

Em tempo: Apesar de ser o vereador que está mais proximo aos anseios do povo, é a classe política mais atingida pela sátira ainda hoje. Penso eu, que somente acabaria com as gosações com o edil se voltasse a tramitar na Câmara dos Deputados, um projeto de lei (que não me recordo de quem era a autoria) mudando a nomenclatura de vereador para deputado municipal. E por que não? Fica o registro.

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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009

QUANDO A POLÍTICA VALE A PENA

1 - Conta-se que o ex-prefeito do Alto do Rodrigues (hoje importante município do Vale do Assu), chamado João Tereza, detestava discursar em público. Numa certa concentração pública naquele município, presente no palanque diversas autoridades municipais e estaduais, foi insentivado por alguns amigos para que falasse um pouco ao povo daquele lugar. Dito e feito. Pegou no microfone nervoso e desajeitado, soltando as seguintes palavras: "Trabalhadores do campo e trabalhadores rural". (sic) E papo encerrado. Padre Zé Luiz (que foi páraco em Pendências), presente no palanque, indagou-lhe: "Ô João Tereza, porque no seu discurso você disse "trabalhadores do campo e trabalhadores rural?" "Ora padre Zé Luiz, trabalhador do campo é quem trabalha no roçado, e trabalhador rural é quem trabalha na rua".

2 - Um certo senhor conhecedor da política do Alto do Rodrigues, ouvia atentamente Padre Zé Luiz combater a compra de votos naquele município, no tempo em que ele, Zé Luiz, candidatou-se a deputado federal. Não resistindo a contestação do amigo, interrompeu aquele senhor, dizendo: "Padre Zé Luiz, o que pesou mesmo não foi a compra de votos, não! Foi a recompra no dia da eleição!"

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sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

POESIA MATUTA

Capa do livro organizado por Ivan Pinheiro e Gilvan Lopes.
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VIAGE BÊSTA
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Os terém, tão arrumado.
Já engraxei o carçado,
Qui ganhei nas inleição,
E, fui comprá na polista*
Duas camisa de lista
E uma carça de azulão.

Comprei na venda um caixote,
Eu mesmo fiz um malóte
E botei um cadeádo.
Tenho medo do sabido,
Pra eles, tô prevenido
E vivo sempre acordado.
.
Pra mostrá minha cachóla:
Encordoei a vióla
E enfeitei o maracá.
Quero mostrá as polista
O tutano do nortista
E cuma nós sabe amá.

Já fiz a matalotagem,
Já acertei a passagem
Em riaba do caminhão.
A boléia é muito cára
Tenho que sê "pau de arára..."
O pió é a mangação.

Já vasei minha peixeira,
Se essa cambáda instrangeira,
Intendê de me xingá...
Pois dizem que o taliano
In S. Paulo dá de cana
E gostam de matratá.

Num tem nada, vô e vórto.
Se num prestá me revórto,
Ou vô falá com Ademá.
Confio nesse badejo...
Mesmo proque, eu desejo
Lá in S, Paulo, o encontrá.

Adeus moçal desta terra,
"Morenas véia de guerra",
Que eu levo no coração!...
Agora digo um relacho:
Num me despeço de macho,
- Macho num dá produção.

Renato Caldas
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quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

DITADOS POPULARES

"Qem é desconfiado, mora na ponta da rua".
"Quem nasceu pra relar coco, morre de cóca".
"Farinha pouca, meu pirão primeiro"
"Mulher, cachaça e bolacha, em toda parte se acha".
"Ferida pequena é que dói".
"Quem não sabe resar, xinga Deus".
"Pra quem está perdido, toda vereda é caminho".
"Água fria não escalda pirão".
"Sogra, sogro, milho e feijão, só dão lucro debaixo do chão".
"Pobre quando acha um ovo é goro".
"Mula estrela, mulher faceira e tubiba de aroeira, o diabo que queira."
"Quem não acha o que caça, pega no que acha".
"Quem come tudo num dia, no outro assobia".
"C- de bêbado, não tem dono".
"Parente é quem faz mal a gente".
"Pote velho é quem esfria a água".
"Queda de velho não levanta poeira".
"Velho nãO se senta sem "UI, nem se levanta sem "AI".

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 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.