João Lins Caldas, norte-rio-grandense que viveu a maior parte de sua vida na cidade de Açu-RN, mais de cinquenta anos após sua morte, ainda não é nacionalmente conhecido, apesar de ter sido um dos melhores poetas brasileiros. Morreu inédito e apenas quase dez anos depois teve sua poesia reunida em um livro editado pela Fundação José Augusto, de Natal, em 1975 (Poética). Convivi com seu Caldas, como era chamado, bem menos do que gostaria de ter feito. Inicialmente, porque saí de minha cidade (aquela que ele adotara como sua) aos quatro anos de idade, numa primeira mudança familiar. Nas conversas com meu pai, soube que Caldas era visita frequente lá em casa. Quando minha irmã nasceu (um ano e meio antes de mim), Caldas escreveu para seu álbum de bebê: “Na casa de Hélio e Dolores, / longe de males e insânia, / tem, tendo Márcia Bethânia, / todo seu mundo de flores”. Enquanto morei em Natal (de 49 a 59), todas as minhas férias eram passadas no Açu. E lá, encontrava sempre ...