sábado, 12 de agosto de 2023

Por Diogenes da Cunha Lima 
 

[ Escritor, advogado e presidente da ANL ]

Nenhuma região do país é tão pródiga na inventividade como o Nordeste. A arte do repente identifica a nossa região. É o exercício da poética popular, do sertão ao litoral, com versos de fazer inveja a poetas eruditos.

O repente nordestino é duelo verbal de cantadores com o acompanhamento de viola, rabeca ou pandeiro (embolada). Em todas as suas formas, participa do rico Patrimônio Imaterial do Brasil. É o diálogo do improviso e da liberdade vocabular.

Muito se discute sobre a sua origem. Como sempre, Câmara Cascudo vai mais longe. Para ele é o desafio oriundo do canto amebeu, grego, do tempo de Homero. É canto alternado, obrigando resposta às perguntas do companheiro.

Muitos poetas cantadores tornaram-se célebres. Pinto do Monteiro (sempre considerado o mestre da cantoria), um dia, recebeu Lourival Batista, crescente em versos quentes. Glosaram os dias da semana com o humor produzido por trocadilho. Pinto: “No lugar que Pinto canta/não vejo quem o confunda. / Que o rio da poesia/o meu pensamento inunda. /Terça, quarta, quinta e sexta, /sábado, domingo e segunda”. Lourival respondeu: ”Sábado, domingo e segunda, /quarta e quinta. / Na sexta não me faltando/a tela, pincel e tinta/pinto pintando o que eu pinto. /Eu pinto o que o Pinto pinta”.

Ninguém sabe dizer melhor das coisas da região do que o poeta mossoroense Antônio Francisco. É sempre expressiva a sua linguagem para fazer pensar. Brevíssimo exemplo: Falando sobre a fome, ele começa: “Engoli três vezes nada...”.

Fabião das Queimadas, escravo que tangia bem o verso e a rabeca, foi provocado para falar sobre a paga dos seus vinténs arrecadados. Que seria um poeta? Ele explicou: “Canta longe um passarinho/do outro lado do rio, /uns cantam porque têm fome, /outros cantam por ter frio. /Uns cantam de papo cheio, /outros de papo vazio”.

Não era cantador, mas poeta popular, popularíssimo. Aliás, Renato Caldas foi um lírico, improvisador, bem-humorado. Pediram-lhe que fizesse saudação ao escritor e pintor Newton Navarro. Versejou: “Adão foi feito de barro/mas você Newton Navarro foi feito de inspiração. / Dos passarinhos, das cores/da noite feita de amores/do luar do meu sertão”. Certa vez, o poeta tomou café em uma residência na cidade de Angicos e ao guardar suas coisas, distraidamente, incluiu uma colherinha. Já na sua cidade, em Assu, verificou o equívoco e voltou. Desculpou-se dizendo: “Eis aqui, dona Chiquinha, /devolvo sua colher. / De coisa que não é minha/eu só aceito mulher”.

Na função de conselheiro do Iphan, esforçar-me-ei para que o Repente Nordestino seja reconhecido como Patrimônio Imaterial Brasileiro. 


quinta-feira, 10 de agosto de 2023

 


A poesia fugiu do mundo.

O amor fugiu do mundo —
Restam somente as casas,
Os bondes, os automóveis, as pessoas,
Os fios telegráficos estendidos,
No céu os anúncios luminosos.
A poesia fugiu do mundo.
O amor fugiu do mundo —
Restam somente os homens,
Pequeninos, apressados, egoístas e inú.teis.
Resta a vida que é preciso viver.
Resta a volúpia que é preciso ma.tar.
Resta a necessidade de poesia, que é preciso contentar. |
—Augusto Frederico Schmidt, "Vazio".

sábado, 5 de agosto de 2023

Porque quero o teu amor?
Porque tanto ti quero
Quero o teu amor
Porque ti quero tanto,
Tanto, tanto, tanto ti quero...


segunda-feira, 31 de julho de 2023

Carolina Marcello

Mestre em Estudos Literários, Culturais e Interartes

1. Canções de atormentar, Angélica Freitas

Angélica Freitas (1973) é uma poeta e tradutora nascida no Rio Grande do Sul que tem sido apontada como um nome de destaque na poesia contemporânea nacional. A autora ganhou mais notoriedade com o livro um útero é do tamanho de um punho (2012), uma reflexão poética acerca do gênero feminino.

Canções de atormentar (2020), sua obra mais recente, combina um olhar nostálgico sobre a infância e o passado com uma visão crítica aguçada acerca dos problemas sociopolíticos atuais.

Seus poemas, atravessados por um tom de humor e rebeldia, se focam em temas tão vastos como o amor, a desilusão e as complexidades da vida cotidiana.

https://www.culturagenial.com/






terça-feira, 25 de julho de 2023

Por Fernando Pessoa

Meus versos são meu sonho dado.
Meus versos são meu sonho dado.
Quero viver, não sei viver,
Por isso, anónimo e encantado,
Canto para me pertencer.
O que salvamos, o perdemos.
O que pensamos, já o fomos.
Ah, e só guardamos o que demos
E tudo é sermos quem não somos.
Se alguém sabe sentir meu canto
Meu canto eu saberei sentir.
Viverei com minha alma tanto
Tanto quanto antes vivi.

Poesias Inéditas (1919-1930)









segunda-feira, 24 de julho de 2023

LEMBRANDO MOYSÉS SESYOM




Imagens do livro Eu Conheci Sesyon de Fracisco Amorim.

Moysés Lopes Sesyom (1883-1932), nasceu no dia 28 de julho de 1883, no sítio Baixa Verde, Caicó (RN). Sesyom (Moysés ao contrário), viveu grande parte da sua vida na cidade de Assu, onde chegou por volta de 1905, aos 17 anos de idade. Não foi difícil para ele, Moiysésconquistar amizades influentes do Assu. Naquela terra assuense, já adulto, aos 30 anos de idade começou a produzir versos satíricos, chistosos, fesceninos, que lhe fez poeta consagrado. Ficou conhecido como "O Bocage Riograndense". Câmara Cascudo em seu livro intitulado "O Livro das Velhas Figuras, volume 4, depõe que Sesyom, "sem saber, era poeta verdadeiro, espontâneo, inesgotável, imaginoso, original".

Certa dia, bebendo num botequim qualquer da cidade de Assu, alguém lhe dera o seguinte mote: "Bebo, fumo, jogo e danço / Sou perdido por mulher". Aí aquele bardo boêmia, escreveu na hora, a  décima que se tornou célebre, conforme adiante transcrita:


Vida longa não alcanço
Na orgia ou no prazer,
Mas, enquanto eu não morrer
- Bebo, fumo, jogo e danço!
Brinco, farreio, não canço,
Me censure quem quiser...
Enquanto eu vida tiver
Cumprindo essa sina venho,
Além dos vícios que tenho,
Sou perdido por mulher!...

Sesiom se fez poeta na cidade de Açu/RN onde conviveu com grandes figuras abastarda da cidade. Seus versos populares/fesceninos estão espalhados país a fora. Ele está citado em diversas antologias dos poetas potiguares, na literatura popular brasileira como "O Bocage Norte-rio-grandense". 

Câmara Cascudo sobre Moysés Sesyom, escreveu "poeta querido, de vida atribulada, de existência dura, de morte cruel. Vezes, horas e horas ouvi recitar versos de Sesiom, recordando a boemia, vivendo o anedotário, rico de episódios chistosos".

Sesyom imortalizou-se no filme intitulado "O Homem Que Desafiou o Diabo", 2007, baseado no romance sob o título "As pelejas de Ojuara", do escritor potiguar Ney Leandro de Castro. O referenciado romance conta a história de Zé Araujo (Marcos Palmeira), um cacheiro viajante que foi obrigado a casar com um proprietário de uma mercearia e trabalhar com o sogro (por quem foi muito humilhado). Zé ao chegar num certo bar da cidade conheceu  no balcão daquele botequim um senhor cujo nome é Sesyom. Aí, Zé fica sabendo que Sesyom é Moisés ao contrário. Logo teve a ideia de inverter o seu nome passando a se chamar Ojuara.

E declama aquele ator encarnado em Araujo, os seguintes versos:

Vida longa não alcanço
Na orgia ou no prazer,
Mas, enquanto eu não morrer,
Bebo, fumo, jogo e danço!
Brinco, farreio, não canso,
Me censure quem quizer!
Enquanto eu vida tiver,
Cumprindo essa sina venho,
E, além dos vícios que tenho,
Sou perdido por mulher!

A glosa abaixo, é uma das mais notórias que Sesyom produziu. Vamos conferir:

Isto ontem aconteceu
Debaixo da gameleira.
Foi um tiro de ronqueira,
O peido que a doida deu.
A terra toda tremeu,
Abalou todo o Assu,
Ela mexendo o angú,
Puxou a perna de lado.
Deu um peido tão danado
Quase não cabe no cu.

A glosa transcrita abaixo, Sesyom produziu logo que recebeu o mote de um amigo quando tomava umas e outras no bar do Hotel Pátria, da cidade de Assu, que diz assim:

A sua raça é safada
Desde a quinta geração
Seu avô foi um cabrão
Sua avó, puta de estrada
Sua filha, amasiada
Prostituta uma netinha
Uma irmã que você tinha
Esta pariu de um criado
Seu pai foi corno chapado
Sua mãe foi fêmea minha.

Sesyom morreu no dia 9 de março de 1932, e está sepultado no Cemitério São João Batista, da cidade de Assu.

(Fernando Caldas)

sexta-feira, 21 de julho de 2023

"Chora menino, chora

Eu fui menino e chorei"

Pode ser arte de 1 pessoa

Todas as r

Os fracassos, as quedas na vida já sofri.

É da vida. Nada a reclamar.

Que me importa cair se depois me levanto,

Portanto,

Cair, me levantar,

Me  levantar e cair 

São coisas naturais da vida.

São coisas da vida cair, fracassar, 

Depois se levantar...


(Fernando Caldas)

sexta-feira, 14 de julho de 2023

terça-feira, 11 de julho de 2023

Favoritos 3 h 
LIVRO É CULTURA 📚😍
Cine Teatro Pedro Amorim
Apresenta:
Lançamento da Obra Literária 📔
O Último Caderno de Sinhazinha Wanderley
Autora: Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro
O Último Caderno de Sinhazinha Wanderley, livro da escritora Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, com prefácio de Diógenes da Cunha Lima, será lançado com sessão de autógrafos neste sábado (15), às 9h, no Teatro Pedro Amorim, na Terra da Poesia.❤️✍️📝📚
Pode ser uma imagem de 1 pessoa, estudando e texto
Todas 
Todas a




domingo, 9 de julho de 2023

 


 SER TÃO É SERTÃO

Sertão caatinga
Sertão não se extinga,
Sertão natureza
Sertão é riqueza,
Sertão na trilha indo
Sertão no chão vindo,
Sertão puro e forte
Sertão tenho é sorte,
Sertão lindo é meu
Sertão também seu,
Sertão juazeiro
Sertão umbuzeiro,
Sertão meu torrão
Sertão seu rincão,
Sertão nordestino
Tão Pedavelino.
Versos em redondilha menor. Isso e muito mais no cordel...
Marcos Calaça é poeta potiguar.
A nossa caatinga.
Pode ser uma imagem de opúncia

 


sexta-feira, 7 de julho de 2023

 Fernando Caldas

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XOTE é um tipo de dança introduzida no Brasil pelos portugueses. Dancei muito (lembrar Luiz Gonzaga) nos meus tempos de rapaz. E a sanfona gemendo e 'nós' dançando com a seguinte canção:
"Vem cá cintura fina,
Cintura de pilão,
Vem cá cintura fina,
Vem cá meu coração..."
Pode ser uma imagem em preto e branco de coração

GILKA MACHADO (1893-1980) NONA REFLEXÃO Amei o Amor, ansiei o Amor, sonhei-o uma vez, outra vez (sonhos insanos!)... e desespero haja maior...