1 - Francisco Luciano Marques conhecido popularnente como "Chico Galego" é veterano da política assuense. Foi vereador nos velhos tempos da ARENA - Aliança Renovadora Nacional. Nas eleições municipais de 1991 candidatou-se a vereador. Naquela eleição Lourinaldo Soares era o candidato a prefeito do Assu. Num certo comício realizado na Logoa do Piató (comunidade daquele município) o locutor eufórico anunciou: "Atenção minha gente, vai falar ao povo desta localidade, o seu líder "Chico Galêgo". E Chico ao pegar no microfone sem fio, assustou-se, dizendo: "Chega Lourinaldo, cadê a correia desse danado homem? Desse jeito ele não fala, não!" Para risos dos circunstantes.
2 - Diz o escritor Valério Mesquita que o Assu é campeão em matéria de folclore político. Pois bem, Ortêncio Ferreira de Lima foi vereador do Assu onde também exercia a profissão de enfermeiro. Certa vez, Zé Maria quando prefeito autorizou o seu chefe de gabinete convidar aquele nobre edil (de saudosa memória) para pedi-lo para ele aceitar ser o relator de um certo projeto de interesse do executivo. No que aceitou, conseguiu a aprovação porém, no plenário, votou contra. Um dos seus colegas sem entender o seu voto desfavorável perguntou a ele a razão daquela sua posição: Hortêncio em sua defesa, saiu-se com essa: "Como relator votei a favor para atender ao prefeito, porém como vereador votei contra".
3 - Chico Antão além de mestre de obra, foi também vereador do Assu. Chico em todas as reuniões da Câmara Municipal que comparecia (as sessões daquela casa legislativa sempre foram realizadas á noite como ainda hoje) dormia durante a sessão para gosações dos seus colegas. Por isso, resolveu fazer a seguinte proposta ao presidente da câmara: "Presidente eu já estou com setenta anos e as sessões a noite não dá pra mim, não! Quando dá oito horas me dá um sono danado! A minha filha não dá pra vim no meu lugar, não? As sessões de dia eu venho!" Padre Zé Luiz tinha razão quando dizia repetidas vezes: "Em assu acontece de tudo".
4 - "Chico Dias trabalhou para o deputado Arnóbio Abreu nas eleições de 1998. Logo após o pleito, Chico foi a casa de Zeca Abreu, irmão de Arnóbio para um entendimento político. Ao chegar, foi atendido pelo motorista de Zeca que lhe disse: "Chico, Zeca se encontra no banheiro com uma forte dor de barriga!" E Chico sem nem pestanejar, mandou chumbo grosso: "Eu não vim aqui comer o cedenho dele, não!"
5 - Abraão Ambrósio de Andrade era outra figura folclórica do Assu, analfabeto, desinibido. Trabalhava como servidor público da prefeitura daquele município fazendo obras de calçamento com João Pio. Pois bem, nas eleições de 1968 - Maria Olímpia Neves de Oliveira (Maroquinhas) era a prefeita do Assu -, candidatou-se a vereador. Dia de concentração pública Maroquinhas presente no palanque, o locutor anunciou que ele iria falar. E Abrão ao pegar no microfone abriu o verbo: "Meus amigos é pela primeira vez que eu boto a boca no "aparelho" (WC) de dona Maroquinhas!" E a galera vibrou.
Fernando Fanfa Caldas
quinta-feira, 8 de abril de 2010
POESIA DE JOÃO CELSO FILHO
TEUS OLHOS, MARIA
Teus olhos, Maria,
formosos, lindos
como o dia;
feitos de luz,
de risos, são
de amor,
Neles contém meu coração
Oh! flor.
Teus olhos são belos,
cheios de castos anhelos;
neles se encerram
o céu e a terra.
Teu riso santo,
ai, meu triste canto.
Sim, são teus olhos
faróis acesos,
sempre presos em mim,
oh! querubim.
Ai, que funda mágoa
se os olhos teus, rasos d´água
um dia eu visse.
Escuta, Maria,
o mundo em vez de belo, vão seria,
profundo, sem ermo
porque eles são
meu coração.
E eu sou feliz,
ai, o teu olhar me diz.
(O poema acima está musicado pelo assuense Samuel Fonseca).
Teus olhos, Maria,
formosos, lindos
como o dia;
feitos de luz,
de risos, são
de amor,
Neles contém meu coração
Oh! flor.
Teus olhos são belos,
cheios de castos anhelos;
neles se encerram
o céu e a terra.
Teu riso santo,
ai, meu triste canto.
Sim, são teus olhos
faróis acesos,
sempre presos em mim,
oh! querubim.
Ai, que funda mágoa
se os olhos teus, rasos d´água
um dia eu visse.
Escuta, Maria,
o mundo em vez de belo, vão seria,
profundo, sem ermo
porque eles são
meu coração.
E eu sou feliz,
ai, o teu olhar me diz.
(O poema acima está musicado pelo assuense Samuel Fonseca).
quarta-feira, 7 de abril de 2010
OS DESTINOS DA FRUTICULTURA
Por Carlos Eduardo Alves, advogado e ex-prefeito de Natal
Preocupa muito a situação dos produtores de frutas do Rio Grande do Norte, uma atividade que gera milhares de empregos e que fixa o homem ao campo, diminuindo o êxodo rural e o consequente inchaço das cidades, com a inevitável marginalização de centenas e centenas de cidadãos pela perda de sua dignidade.
É bem verdade que algumas dessas dificuldades não estão ao alcance do governo resolver. É o caso da queda do dólar frente ao real. Como 80% da nossa produção é vendida para o exterior, os produtores estão perdendo competitividade no mercado externo.
O Brasil hoje tem uma economia forte, o que é muito bom para o país como um todo, que tão bem resistiu à recente crise econômica mundial. No entanto, este fortalecimento da nossa moeda afeta alguns setores voltados para a exportação. É o que se chama de injunções do mercado.
Porém, um dos maiores problemas que vem afetando os produtores de frutas são as cheias que ocorreram nos últimos dois anos e que trouxeram uma enxurrada de prejuízos, especialmente para os produtores de banana do Vale do Assu. A solução técnica concentra-se na construção da Barragem de Oiticica, que por sinal está contemplada nas emendas coletivas da bancada federal. Outra grave questão diz respeito às condições de escoamento das safras. O diagnóstico dos Mercados Atacadistas e hotigranjeiros aponta que se perde no país 30% da produção de frutas, legumes e verduras no caminho do campo às cidades pelas péssimas conndições das estradas brasileiras, como também pelo tempo perdido na viagem. Nosso Estado não está fora desta estatística.
Uma das soluções plausíveis é voltar nossa produção para o mercado interno. Há vários estudos mostrando a melhoria de renda da produção brasileira e do Nordeste em especial. É um novo público consumidor que está se agregando ao mercado e que não pode ser desprezado.
Mas voltando ao mercado externo, segundo alguns estudiosos do assunto, é importante que a atividade seja planejada de forma unificada, ou seja, uma boa alternativa é a formação de cooperativas. Isso daria mais força à negociação e também na hora da compra de insumos.
Aí é que o poder público pode atuar. Além de cuidar melhor das estradas, incentivar e dar apopio para a consolidação dessas cooperativas, garantindo assistência técnica para aqueles produtores que precisem melhorar sua produtividade e sua logística de distribuição dos produtos.
WWW.CARLOSEDUARDOALVES.COM.BR
Preocupa muito a situação dos produtores de frutas do Rio Grande do Norte, uma atividade que gera milhares de empregos e que fixa o homem ao campo, diminuindo o êxodo rural e o consequente inchaço das cidades, com a inevitável marginalização de centenas e centenas de cidadãos pela perda de sua dignidade.
É bem verdade que algumas dessas dificuldades não estão ao alcance do governo resolver. É o caso da queda do dólar frente ao real. Como 80% da nossa produção é vendida para o exterior, os produtores estão perdendo competitividade no mercado externo.
O Brasil hoje tem uma economia forte, o que é muito bom para o país como um todo, que tão bem resistiu à recente crise econômica mundial. No entanto, este fortalecimento da nossa moeda afeta alguns setores voltados para a exportação. É o que se chama de injunções do mercado.
Porém, um dos maiores problemas que vem afetando os produtores de frutas são as cheias que ocorreram nos últimos dois anos e que trouxeram uma enxurrada de prejuízos, especialmente para os produtores de banana do Vale do Assu. A solução técnica concentra-se na construção da Barragem de Oiticica, que por sinal está contemplada nas emendas coletivas da bancada federal. Outra grave questão diz respeito às condições de escoamento das safras. O diagnóstico dos Mercados Atacadistas e hotigranjeiros aponta que se perde no país 30% da produção de frutas, legumes e verduras no caminho do campo às cidades pelas péssimas conndições das estradas brasileiras, como também pelo tempo perdido na viagem. Nosso Estado não está fora desta estatística.
Uma das soluções plausíveis é voltar nossa produção para o mercado interno. Há vários estudos mostrando a melhoria de renda da produção brasileira e do Nordeste em especial. É um novo público consumidor que está se agregando ao mercado e que não pode ser desprezado.
Mas voltando ao mercado externo, segundo alguns estudiosos do assunto, é importante que a atividade seja planejada de forma unificada, ou seja, uma boa alternativa é a formação de cooperativas. Isso daria mais força à negociação e também na hora da compra de insumos.
Aí é que o poder público pode atuar. Além de cuidar melhor das estradas, incentivar e dar apopio para a consolidação dessas cooperativas, garantindo assistência técnica para aqueles produtores que precisem melhorar sua produtividade e sua logística de distribuição dos produtos.
WWW.CARLOSEDUARDOALVES.COM.BR
segunda-feira, 5 de abril de 2010
O RIO
O rio Piranhas/Açu se encontrando com o atlântico em Macau.
Por João Lins Caldas
Alvo e largo, profundo entre os cabeços brancos
É o rio a se estirar vendo os bambus copados
E lhe vão a correr pelo seios nevados
As torrentes de encher os lagos e os barrancos
Das águas que carrega, os largos veios francos,
Descidos de alta serra e na várzea alongados,
Caminho do oceano, olhando os descampados,
Lá se vão a tremer pelos rasgados flancos.
Onde vai leva a andar os balseiros folhudos
Os escombros de palha, os canaçus caídos
Os restos de fogueira e os ramos velhos mudos
E carrega, a rolar, aos pedaços e aos galhos,
Os altos mulungus, os gravatás fendidos,
As lavouas de abril e a lama dos atalhos...
Por João Lins Caldas
Alvo e largo, profundo entre os cabeços brancos
É o rio a se estirar vendo os bambus copados
E lhe vão a correr pelo seios nevados
As torrentes de encher os lagos e os barrancos
Das águas que carrega, os largos veios francos,
Descidos de alta serra e na várzea alongados,
Caminho do oceano, olhando os descampados,
Lá se vão a tremer pelos rasgados flancos.
Onde vai leva a andar os balseiros folhudos
Os escombros de palha, os canaçus caídos
Os restos de fogueira e os ramos velhos mudos
E carrega, a rolar, aos pedaços e aos galhos,
Os altos mulungus, os gravatás fendidos,
As lavouas de abril e a lama dos atalhos...
domingo, 4 de abril de 2010
JOÃO MOACIR DE MEDEIROS QUE EU CONHECI
*Por João Celso Neto
(Artigo transcrito do seu blog "Falando o Que Penso", em 22.2.2008
A vida me reservou muitos momentos mágicos e felizes, oportunidades raras. Dentre tantas, me fez conhecer e conviver com Moacir Medeiros, entre janeiro de 1960 (quando cheguei ao Rio de Janeiro) até sua morte ocorrido recentemente.
É verdade que já não nos víamos há mais de 20 anos, 25 talvez. Porém, muitas vezes nos falamos ao telefone, em papos prolongados, nesses últimos anos. Trocávamos informações sobre a genealogia comum. Todas as (poucas) ocasiões em que me acontecia de ir ao Rio, prometia ir visitá-lo na Almirante Guillem, 332 - Leblon. E, por algum motivo, no máximo, lhe telefonava, mas não tinha a ventura de vê-lo.
Eu o via, pela primeira vez, ainda de calças curtas, anos 50, numa manhã de domingo em Natal. Tio Celso me disse que ele era um publicitário famoso e que era nosso primo. Eu conhecia apenas Zaíra e Félix. Tia Maroca e D. Maria Francisca.
Quando nos mudamos para a terra carioca, comecei a conviver amiúde e quase que diariamente com ele, inclusive fazendo refeições em sua casa, naquele tempo de transição. O convívio se ampliou quando papai foi trabalha na JMM, na Almirante Barroso. Então, eram, sim, diários nossos encontros. Posso dizer que vi um gênio trabalhar e criar.
Poeta maravilhoso, porém modesto, preferia exaltar Caldas, e vários outros. Com ele aprendi tovas e sonetos alheios. E jamais deixei de louvar-lhe a veia poética, sendo um dos meus prediletos sua "Aspiração", sua ânsia de ser montanha, e de ser pedra, em vez de ser homem.
Poderia pedir como herança sua os retratos de Vovô que ele prometeu, tantas vezes, me mandar (pelo menos uma cópia).
Porque nada iguala ou suplanta a memória da convivência e da admiração que nutri por Moacir.
Devo-lhe um genial prefácio para o livro "Glosas de Hélio Neves de Oliveira", praticamente rabiscado ou improvisado em momento de, nele, habitual inspiração. Vivemos episódios que somente a lembrança pode e deve guardar.
Uma noite, em Copacabana, em 1967, assisti ao encontro de duas inteligências privilegiadíssimas, ele e Tio Expedito, a se somarem, sem disputas ou tentativas de vitória, deixar mudos quem teve a felicidade de estar presente.
Este mundo fica, certamente, mais pobre quando morre um homem como Moacir. Em compensação, o "outro", a verdadeira pátria de nós todos, se enriquece na mesma medida.
Imagino que farra podem estar fazendo, ou vão fazer quando se encontrarem, Moacir Medeiros, Expedito Silveira, João Lins Caldas, Orígenes Lessa (imortal da ABL, a cuja posse compareci, a seu convite, graças ao tempo em que OL trabalhou na JMM e foi colega de papai lá), além de Nathércia, Hélio e Dolores.
*João Celso Neto, poeta, engenheiro, advogado, natural do Assu, reside em Brasília. .
Em tempo: Moacir Medeiros era assuense, um dos maiores publicitários brasileiros. Foi ele, Moacyr, o primeira publicitário a fazer campanha eleitoral marketizada no Brasil (campanha de Celso Azevedo para prefeito de Belo Horizonte - MG, em 1954). Por sinal Moacir faleceu no dia das eleições de outubro de 2008. Fica o registro.
(Artigo transcrito do seu blog "Falando o Que Penso", em 22.2.2008
A vida me reservou muitos momentos mágicos e felizes, oportunidades raras. Dentre tantas, me fez conhecer e conviver com Moacir Medeiros, entre janeiro de 1960 (quando cheguei ao Rio de Janeiro) até sua morte ocorrido recentemente.
É verdade que já não nos víamos há mais de 20 anos, 25 talvez. Porém, muitas vezes nos falamos ao telefone, em papos prolongados, nesses últimos anos. Trocávamos informações sobre a genealogia comum. Todas as (poucas) ocasiões em que me acontecia de ir ao Rio, prometia ir visitá-lo na Almirante Guillem, 332 - Leblon. E, por algum motivo, no máximo, lhe telefonava, mas não tinha a ventura de vê-lo.
Eu o via, pela primeira vez, ainda de calças curtas, anos 50, numa manhã de domingo em Natal. Tio Celso me disse que ele era um publicitário famoso e que era nosso primo. Eu conhecia apenas Zaíra e Félix. Tia Maroca e D. Maria Francisca.
Quando nos mudamos para a terra carioca, comecei a conviver amiúde e quase que diariamente com ele, inclusive fazendo refeições em sua casa, naquele tempo de transição. O convívio se ampliou quando papai foi trabalha na JMM, na Almirante Barroso. Então, eram, sim, diários nossos encontros. Posso dizer que vi um gênio trabalhar e criar.
Poeta maravilhoso, porém modesto, preferia exaltar Caldas, e vários outros. Com ele aprendi tovas e sonetos alheios. E jamais deixei de louvar-lhe a veia poética, sendo um dos meus prediletos sua "Aspiração", sua ânsia de ser montanha, e de ser pedra, em vez de ser homem.
Poderia pedir como herança sua os retratos de Vovô que ele prometeu, tantas vezes, me mandar (pelo menos uma cópia).
Porque nada iguala ou suplanta a memória da convivência e da admiração que nutri por Moacir.
Devo-lhe um genial prefácio para o livro "Glosas de Hélio Neves de Oliveira", praticamente rabiscado ou improvisado em momento de, nele, habitual inspiração. Vivemos episódios que somente a lembrança pode e deve guardar.
Uma noite, em Copacabana, em 1967, assisti ao encontro de duas inteligências privilegiadíssimas, ele e Tio Expedito, a se somarem, sem disputas ou tentativas de vitória, deixar mudos quem teve a felicidade de estar presente.
Este mundo fica, certamente, mais pobre quando morre um homem como Moacir. Em compensação, o "outro", a verdadeira pátria de nós todos, se enriquece na mesma medida.
Imagino que farra podem estar fazendo, ou vão fazer quando se encontrarem, Moacir Medeiros, Expedito Silveira, João Lins Caldas, Orígenes Lessa (imortal da ABL, a cuja posse compareci, a seu convite, graças ao tempo em que OL trabalhou na JMM e foi colega de papai lá), além de Nathércia, Hélio e Dolores.
*João Celso Neto, poeta, engenheiro, advogado, natural do Assu, reside em Brasília. .
Em tempo: Moacir Medeiros era assuense, um dos maiores publicitários brasileiros. Foi ele, Moacyr, o primeira publicitário a fazer campanha eleitoral marketizada no Brasil (campanha de Celso Azevedo para prefeito de Belo Horizonte - MG, em 1954). Por sinal Moacir faleceu no dia das eleições de outubro de 2008. Fica o registro.
Assinar:
Postagens (Atom)
Paulo Varela, o Poeta Abandonado Pelas ruas da cidade caminhava devagar, levando nos ombros versos que ninguém quis escutar. Era Paulo Vare...



