domingo, 18 de abril de 2010

JESUÍNO BRILHANTE

Eis uma das fotografias do filme Jesuíno Brilhante, O Cangaceiro filmado principalmente no município do Açu e região no começo da década de setenta. Esquerda para direita: (?), (?), (?), o artista nacional Neri Victor (protagonista), José Caldas Soares Filgueira (Dedé Caldas) e Zélia Amorim, ambos assuense que deram uma pequena participação naquele filme. A fotografia fora tirada na calçada da Casa Paroquial de São João Batista, de Açu (RN). Fica o registro.

Fernando Caldas Fanfa

CHICO BRANCO

Chico Branco é um dos gays mais antigos do Açu. E quem não se lembra dele na praça Getúlio Vargas  Se não me falha a memória ele vai pertinho dos seus bons setenta anos de idade. Por sinal o movimento gay na terra açuense é uma realidade. Afinal de contas o Açu é uma terra pluralista, onde de tudo acontece, como dizia Padre Zé Luiz. Vejam vocês que em Açu tem um restaurante com banheiro alternativo somente para gays denominado Dida.com, de de propriedade do amigo Dida Bola. Pois bem, certa vez, de manhã cedinho Chico se dirigiu ao Mercado Público Sofia Frutuoso. Ao se aproximar de um daqueles cafés daquela mercado se deparou com o açuense de Angicos Enaldo Araujo bebendo ente amigos. E Chico foi logo dizendo: Seu Enaldo esse povo do Açu é muito invejoso! Antigamente só tinha umas duas ou tres 'bicas' nesta cidade. Agora, tem uma ruma".

De outra feita, boquinha da noite, no dizer popular do nordestino, Chico Branco teria marcado um encontro na praça Getúlio vargas, com um certo rapaz de sua simpatia. Antes, porém, se dirigiu ao Bar do Juazeiro, de propriedade de Zé do Bar, como ele é mais conhecido na cidade de Açu. Aí Chico mandou Zé botar um copo cheio de cachaça, esborrotando mesmo. Ao tomar a 'branquinha' de uma só vez, fora advertido pelo proprietário daquele botequim: "Chico, rapaz, não beba desse geito não! A sua pressão pode baixar de vez!" Chico Branco não se fez de rogado: "Seu Zé, é porque não é o senhor que vai levar o que eu vou levar agora!" E saiu daquele recinto já de orelhas quentes para o encontro amoroso.

Fernando Caldas Fanfa

VELHOS TEMPOS DA POLÍTICA NORTE-RIOGRANDENSE

Almoço de confraternização em Mossoró com o governador Dix-sept Rosado em 1951. Daquela festa política fizeram presentes muitas figuras do Assu, como Epifânio Barboza, Fernando Tavares - Vem-Vem (meu avô materno),o casal Maria e Expedito Silveira, entre outros assuenses. Epifânio e Vem-Vem eram amigos íntimos daquele governante potiguar de Mossoró.

Fernando Caldas

quinta-feira, 15 de abril de 2010

UM POEMA DE WALFLAN DE QUEIROZ

HART CRANE

Contruamos uma ponte definitiva
Que sirva de ligação eterna entre o Ocidente e o Oriente
Uma ponte universal, maior do que a de Broklyn
Irmanando pretos e brancos, ricos e proletários.
No grande dia universal
De paz e de amor entre os povos.
Então o mar devolverá teu corpo ao mundo universal.

LÍDER É LIDER

O velho comandante Edgard Borges Montenegro - já tem uma postagem sobre ele que eu escreví neste blog - liderou a politica do Vale do Açu durante quase quarenta anos. Naquela região aquele carismático e incontestável líder político empunhava a bandeira da UDN naquela região nos tempos do "velho senado do coração do povo" (final da década de quarenta, cinquenta, sessenta, setenta e começo de oitenta) Dinarte Mariz. Nasceu vocacionado para a arte de fazer política, porém na era politiqueiro ou como se diz, não gostava de fazer politicagem. Orador brilhante, ele disse certa vez na praça pública de ipanguaçu em 1971 (lembro-me como se fosse hoje), campanha de seu irmçao Nelsom para deputado estadual, que "ninguém pode ser forte na terra dos outros, sem antes na sua terra matriz, na sua terra berço, sem tem o exemplo da confiança e da amizade do seu povo." "Vamos conterrâneos, unidos e coesos resolver nossos problemas". Frase também de sua autoria. Afinal, ele foi um dos idealizadores da Comissão de Desenvolvimento do Vale do Açu - CODEVA, instituição que funcionou, cor partidária e que tinha sobretudo, um único objetivo: O Vale do Açu. Era aquela região que estava em jogo.
Na fotografia (carnaval de 1965) esquerda para direita Francisca Ximenes, Maria Auxiliadora (exposa de Edgard) Dilina de Sá Leitão e Zélia Tavares.
Edgar Montenegro, o filho mais ilustre do assu hoje, salvo engano, vai fazer no dia 23 de junho 90 anos de idade. Merece uma grande homenagem.

Fernando Caldas Fanfa

JÚLIO SOARES O ENTERRO DE SI MESMO

Por Celso da Silveira, escritor assuense já falecido - texto escrito em 1987.

Júlio Soares foi poeta num tempo em que os poetas ou estavam tuberculosos ou eram boêmios inveterados, que se viciavam em bebidas para manter a convivência com o outro vício - a poesia.
Mas suas vertentes foram bem nascidas, numa casa onde o piano era uma presença constante e comandava o epírito familiar, sendo ele próprio um musicista reconhecido.

Há, em sua poesia, deixada em cadernos ou em jornais e, em maior número na memória dos seus familiares, dispersamente, inúmeros sonetos em que se auto-retrata invariavelmente maldizendo a sorte, depois de ter sido filho de rico industrial, ou refletindo a situação de alcoólatra a que chegou, depois de ser estudante no Rio de Janeiro num tempo em que ir à capital da República era uma condição de privilégio dos abastados. Há um soneto bem marcante dessa fase aguda em que todo o drama do viciado se vê reproduzido:

"Cinco horas, já se expande a passarada
Com o semblante de bêbado desperto
Acho a porta, ningém pela calçada...
A rua é triste assim como um deserto.

Quero beber. Não sei qual seja a estrada
Que me conduz ao botequim mais perto,
Sozinho traço o rumo da jornada
E parto, enfim, com o espírito liberto.

Paro no fim de uma deserta praça
Ouço de longe o buzinar de um carro...
Cresce-me o anseio de beber cachaça.

Entro num bar, gracejo, bebo, escarro,
Julgando ver a minha vida incerta
Na fumaça sutil do meu cigarro".

Em 1926 - Júlio Soares nasceu em 1898 e faleceu em 1954 - o poeta morava na rua do Catete, no Rio de Janeiro, como estudante, fazendo o curso comercial para um dia dirigir os negócios do pai, coronel José Soares Filgueira sobrinho, alto comerciante em Assu, comprador de algodão, cera de carnaúba, peles e couros, proprietário de terra e gados, com largo prestígio em política de então. Nessa época já fazia literatura, como atesta o escritor Aderbal de França, seu companheiro de "república", com quem dividia o cômodo na capital federal.

Sempre lendo e escrevendo, e cada vez estudando menos as disciplinas do curso, Júlio Soares voltou ao Assu e dali foi viver numa cidade cearense, aparentemente comportado em seus hábitos boêmios. Sem muita força de vontade, deixou-se de dominar, e outra vez em temporada assuense, Júlio Soares sóconhece poucas pessoas e é muito pouco conhecido. Retoma suas habilidades poéticas e escreve o seu CANTO DO CISNE - um soneto cujo terceto final é o seguinte:

"Chorando ou rindo, vou passando a esmo
E no vício morrendo lentamente
Fazendo assim o enterro de mim mesmo."

Júlio Soares, ressuscitado o seu passado de bebidas, violões, e abandonado, volta ao ceará e morre em Fortaleza.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

DESMANTÊLO

Foi no princípe de Março:
Inverno nem se falava!
Só omentava o mormaço,
Prumóde qui o Só baixava,
Pra matá tudo queimado.
O céo só se´parecia,
- Deus me perdôe a hirisia -
Um prato azú imborcado.
Me restava inda uma crença:
Pois, pouco tempo fazia;
Q'eu fiz as experiênça,
Véspera de Santa Luzia...
Demanhã quando eu andava
Nas verêda, nos caminho,
Pra todo canto incontrava;
Os nionho de passarinho.

Adespois, já se falava,
De inverno no Pioí,
E, muita gente jurava,
Qui a noite relampiava,
No rumo dos Carirí.

Um dia deadrugada,
A barra vinha quebrando;
Ouví o "pai da cuiáda",
Pulas quebrada roncando.
Era justamente o dia,
Qui nós todo, tinha fé.
A nossa crença dizia:
Na véspa de S. José,
O inverno, tará pegando.
... Numn tive qui duvidá.
Incuivarei meu roçado,
Tava tudo apreparado...
Sô me fartava prantá.

Daí, tempo trancô-se.
Chuveu dez dia amarrado!
O meu barreiro arrombô-se,
Morreu metade do gado,
As criação acabô-se
Tudo na váge atolado.

Sua as agua do rio,
Foi subindo, foi subindo...
Despencô-se nos baixio,
As váge toda cubrindo.

Ficamo em casa cercado,
Sem tê pra onde apelá.
Se atrépamo no teiádo
E comecemo a gritá.
Eu, a muié e uma fia,
Passemo a noite atrepado.
E já pro rompê do dia,
As agua tinha baixado.

Aí, nós fumo decendo.
Quando pizemo no chão,
Minha muié, foi dizendo:
- A menina tá tremendo,
Isso num será sezão?

- Prumóde incurtar a históra,
No anoitecer desse dia,
A minmha fia subía,
Para o Reino da Gulóra.

E dessa hora indiente,
Jurei nas´péda do artá,
Mardizê a toda inchente,
Qui Nosso Sinhô Mandá.

Renato Caldas, poeta matuto de Fulô do Mato.

 Paulo Varela, o Poeta Abandonado Pelas ruas da cidade caminhava devagar, levando nos ombros versos que ninguém quis escutar. Era Paulo Vare...