PEDACINHO D CÉU, o álbum, será lançado nesse final de semana na cidade do Assú.
Sem tentar concorrer com os nomes dos craques da Copa do Mundo, meu amigo Jeová Júnior vai propiciar a nós assuenses e a todos que freqüentarem os últimos dias do São João do Assú a oportunidade ímpar de conhecer pessoas e instituições que das mais diversas formas possíveis e imaginárias contribuíram ou contribuem no sentido de pensar e/ou fazer um Assú propositivo e afortunado.
Concebido e vindo a luz com um nome poético - PEDACINHO DO CÉU, o Album estar a depender da ajuda dos céus para ficar prontinho até o final dessa semana, e eles ajudarão - será apresentado ao público assuense no próximo domingo, durante a realização do Almoço de São João. Mas com um pouquinho a mais de colaboração dos céus, quem sabe, um dia antes a gente já não possa estar na Praça a colar figurinhas e a falar de nossa cidade? Tudo é possível!!
Só prá provocar um pouquinho de curiosidade, vou lhes contar um pouquinho do que contem o PEDACINHO DO CÉU: uma página inteira dedicada a Rádio Princesa do Vale e esta logicamente, traz uma bela homenagem ao grande e inesquecível radialista J. Keuller. Não só Dona Brígida vai se emocionar não, viu.
Tem também páginas dedicadas as nossas instituições públicas, tais como: Prefeitura, Câmara, CDL, Foro, Delegacia... Geeennnte, tem muita coisa mesmo, imagine só que tem uma pagina pra se colar as figurinhas dos blogueiros da cidade do Assú. Aaahh meu Deus!!!
Mas calma, o PEDACINHO DO CÉU a ser lançado nesse final de semana é apenas um pedacinho mesmo, a segunda edição promete fazer o resgate da história da cidade e a terceira... bem... voces nem imaginam o tamanho da imaginação do meu amigo Jeová Júnior!
Portanto, vamos nos preparar para sujar nossas mãos e mexericar, sem culpas. Tem coisa melhor?
Escrito por Ana Valquiria
quinta-feira, 17 de junho de 2010
terça-feira, 15 de junho de 2010
SEGUNDA-FEIRA, 5 DE NOVEMBRO DE 2007
PERSONALIDADE CULTURAL - ESCRITORA MARIA EUGÊNIA MONTENEGRO

(Do blog Vivicultura)
RECORDAÇÕES DE UMA POETISA MINEIRA – ASSUENSE, ESCRITORA, CRONISTA, TROVADORA, CONTISTA, POETA , ARTISTA PLÁSTICA E IMORTAL.
Nascida em terra mineira, precisamente em Lavras / Minas Gerais, Maria Eugênia Maceira Montenegro dividiu - se entre Minas e Assu, no Rio Grande do Norte, quando conheceu e casou – se com o engenheiro agrônomo - Nelson Borges Montenegro.
Escritora por talento e vocação, Gena (como era mais conhecida) começou a escrever aos 12 anos (os leitores reconhecerão essa assertiva, num dos seus últimos livros, prefaciado por Lúcia Helena Pereira e intitulado: “LAVRAS - TERRA DE LEMBRANÇAS* (um romance de suas reminiscências entre Minas e o Rio Grande do Norte).
Além de escritora, poetisa, cronista, trovadora, contista, exímia cozinheira e artista plástica de sensibilidade bastante apurada, Maria Eugênia era uma mulher de extraordinária capacidade narrativa, daí eu ter lhe cognominado como Historiadora do Vale do Assu.
Escreveu seu primeiro livro na década de 60: “Saudade, Teu Nome É Menina” e não parou mais, até o dia do seu encantamento, com mais de 80 anos de idade, deixando títulos brilhantes como “Alfar, A Que Está Só”, “Perfil De João Lins Caldas”, “A Andorinha Sagrada De Vila Flor”, “ Lembranças E Tradições De Assu”, “A Piabinha Encantada e outras histórias”, “Porque o Américo ficou lelé da Cuca”?, Lourenço. O Sertanejo” e outras obras.
Integrou várias antologias regionais e nacionais, tanto da AJEB da qual foi Delegada Regional (1980 a 1989), como de outras entidades. Foi Presidente do Conselho Regional dos Direitos e das Minorias, em Assu / Rn e Prefeita do município de Ipanguaçu (1972 – 1976), numa administração irrepreensível, era integrante da Academia de Trovas do RN.
DENTRE OS SEUS INÚMEROS POEMAS DESTACAMOS:
O SOLUÇO DA SEMENTE
Eu ouvi a semente chorar dentro de mim
E ouvi seu choro manso e morno,
De furtivas lágrimas rolando pelos rios d´alma
Como adornos de uma cascata inexistente.
Eu ouvi o soluço da semente
E o seu anseio fremente de vida.
-Se não nasceste, semente de minha vida,
É porque carregas o destino de não viver.
Estás dentro de mim, na tristeza do não ser,
Sempre viva! Eternamente viva,
Como as sementes que cresceram e deram frutos!
LÁGRIMAS
Lágrima!
Pérola salgada,
A rolar, desesperada,
Pelos sulcos da face.
Amálgama de sal e água,
A rolar, sempre sentida,
Pelo salso mar da mágoa!
FLOR DO AMOR
Quero te ofertar a flor
Dos beijos que plantei em tua boca.
Tem o perfume suave do amor
E a ternura de almas se encontrando.
Quando vires a flor entreaberta,
Lembra - te, querido amor,
Das lágrimas que a regaram.
E sentirás, quando beijá - la,
Um amargo sabor de sal
Que as pétalas trêmulas captaram.
A DANÇA DAS HORAS
As horas começam a dançar pela manhã.
Esfregam os olhos no orvalho
E dançam um balé matinal,
Nas searas crescendo,
No arrulhar dos pássaros,
Nos filhotinhos nascendo.
Lá fora as crianças vão correndo para as escolas,
Mamãe olhando as horas chama os meninos.
- Onde está a menina - moça?
- Com o namorado lá fora,
Olhando o balado das horas.
Não se cansam de dançar as horas,
É noite! É dia! É novamente noite! Novamente dia!
E as horas dançando nas auroras,
Nas noites de luar,
Nas manhãs douradas,
Acompanhando as espigas ao sol,
Das sementes plantadas!
Os vaga - lumes não dormem,
Piscam a noite inteira e batem palmas piscando,
À dança das horas.
À dança das horas!
Há uma nova menina - moça,
Novos campos de flores brotando,
A vida eterna passando,
Cantando seus ternos amores
E as borboletas noivando
E as horas dançando...
Quando o bailado vai terminar?
Meus cabelos já estão brancos,
Meu vestido de noiva já não tem cor,
Meu menino cresceu,
Tanta gente morreu...
E as horas dançando, dançando...
Até quando? Até quando?
PERSONALIDADE CULTURAL - ESCRITORA MARIA EUGÊNIA MONTENEGRO

(Do blog Vivicultura)
RECORDAÇÕES DE UMA POETISA MINEIRA – ASSUENSE, ESCRITORA, CRONISTA, TROVADORA, CONTISTA, POETA , ARTISTA PLÁSTICA E IMORTAL.
Nascida em terra mineira, precisamente em Lavras / Minas Gerais, Maria Eugênia Maceira Montenegro dividiu - se entre Minas e Assu, no Rio Grande do Norte, quando conheceu e casou – se com o engenheiro agrônomo - Nelson Borges Montenegro.
Escritora por talento e vocação, Gena (como era mais conhecida) começou a escrever aos 12 anos (os leitores reconhecerão essa assertiva, num dos seus últimos livros, prefaciado por Lúcia Helena Pereira e intitulado: “LAVRAS - TERRA DE LEMBRANÇAS* (um romance de suas reminiscências entre Minas e o Rio Grande do Norte).
Além de escritora, poetisa, cronista, trovadora, contista, exímia cozinheira e artista plástica de sensibilidade bastante apurada, Maria Eugênia era uma mulher de extraordinária capacidade narrativa, daí eu ter lhe cognominado como Historiadora do Vale do Assu.
Escreveu seu primeiro livro na década de 60: “Saudade, Teu Nome É Menina” e não parou mais, até o dia do seu encantamento, com mais de 80 anos de idade, deixando títulos brilhantes como “Alfar, A Que Está Só”, “Perfil De João Lins Caldas”, “A Andorinha Sagrada De Vila Flor”, “ Lembranças E Tradições De Assu”, “A Piabinha Encantada e outras histórias”, “Porque o Américo ficou lelé da Cuca”?, Lourenço. O Sertanejo” e outras obras.
Integrou várias antologias regionais e nacionais, tanto da AJEB da qual foi Delegada Regional (1980 a 1989), como de outras entidades. Foi Presidente do Conselho Regional dos Direitos e das Minorias, em Assu / Rn e Prefeita do município de Ipanguaçu (1972 – 1976), numa administração irrepreensível, era integrante da Academia de Trovas do RN.
DENTRE OS SEUS INÚMEROS POEMAS DESTACAMOS:
O SOLUÇO DA SEMENTE
Eu ouvi a semente chorar dentro de mim
E ouvi seu choro manso e morno,
De furtivas lágrimas rolando pelos rios d´alma
Como adornos de uma cascata inexistente.
Eu ouvi o soluço da semente
E o seu anseio fremente de vida.
-Se não nasceste, semente de minha vida,
É porque carregas o destino de não viver.
Estás dentro de mim, na tristeza do não ser,
Sempre viva! Eternamente viva,
Como as sementes que cresceram e deram frutos!
LÁGRIMAS
Lágrima!
Pérola salgada,
A rolar, desesperada,
Pelos sulcos da face.
Amálgama de sal e água,
A rolar, sempre sentida,
Pelo salso mar da mágoa!
FLOR DO AMOR
Quero te ofertar a flor
Dos beijos que plantei em tua boca.
Tem o perfume suave do amor
E a ternura de almas se encontrando.
Quando vires a flor entreaberta,
Lembra - te, querido amor,
Das lágrimas que a regaram.
E sentirás, quando beijá - la,
Um amargo sabor de sal
Que as pétalas trêmulas captaram.
A DANÇA DAS HORAS
As horas começam a dançar pela manhã.
Esfregam os olhos no orvalho
E dançam um balé matinal,
Nas searas crescendo,
No arrulhar dos pássaros,
Nos filhotinhos nascendo.
Lá fora as crianças vão correndo para as escolas,
Mamãe olhando as horas chama os meninos.
- Onde está a menina - moça?
- Com o namorado lá fora,
Olhando o balado das horas.
Não se cansam de dançar as horas,
É noite! É dia! É novamente noite! Novamente dia!
E as horas dançando nas auroras,
Nas noites de luar,
Nas manhãs douradas,
Acompanhando as espigas ao sol,
Das sementes plantadas!
Os vaga - lumes não dormem,
Piscam a noite inteira e batem palmas piscando,
À dança das horas.
À dança das horas!
Há uma nova menina - moça,
Novos campos de flores brotando,
A vida eterna passando,
Cantando seus ternos amores
E as borboletas noivando
E as horas dançando...
Quando o bailado vai terminar?
Meus cabelos já estão brancos,
Meu vestido de noiva já não tem cor,
Meu menino cresceu,
Tanta gente morreu...
E as horas dançando, dançando...
Até quando? Até quando?
Nascida em terra mineira, precisamente em Lavras / Minas Gerais, Maria Eugênia Maceira Montenegro dividiu - se entre Minas e Assu, no Rio Grande do Norte, quando conheceu e casou – se com o engenheiro agrônomo - Nelson Borges Montenegro.
Escritora por talento e vocação, Gena (como era mais conhecida) começou a escrever aos 12 anos (os leitores reconhecerão essa assertiva, num dos seus últimos livros, prefaciado por Lúcia Helena Pereira e intitulado: “LAVRAS - TERRA DE LEMBRANÇAS* (um romance de suas reminiscências entre Minas e o Rio Grande do Norte).
Além de escritora, poetisa, cronista, trovadora, contista, exímia cozinheira e artista plástica de sensibilidade bastante apurada, Maria Eugênia era uma mulher de extraordinária capacidade narrativa, daí eu ter lhe cognominado como Historiadora do Vale do Assu.
Escreveu seu primeiro livro na década de 60: “Saudade, Teu Nome É Menina” e não parou mais, até o dia do seu encantamento, com mais de 80 anos de idade, deixando títulos brilhantes como “Alfar, A Que Está Só”, “Perfil De João Lins Caldas”, “A Andorinha Sagrada De Vila Flor”, “ Lembranças E Tradições De Assu”, “A Piabinha Encantada e outras histórias”, “Porque o Américo ficou lelé da Cuca”?, Lourenço. O Sertanejo” e outras obras.
Integrou várias antologias regionais e nacionais, tanto da AJEB da qual foi Delegada Regional (1980 a 1989), como de outras entidades. Foi Presidente do Conselho Regional dos Direitos e das Minorias, em Assu / Rn e Prefeita do município de Ipanguaçu (1972 – 1976), numa administração irrepreensível, era integrante da Academia de Trovas do RN.
DENTRE OS SEUS INÚMEROS POEMAS DESTACAMOS:
O SOLUÇO DA SEMENTE
Eu ouvi a semente chorar dentro de mim
E ouvi seu choro manso e morno,
De furtivas lágrimas rolando pelos rios d´alma
Como adornos de uma cascata inexistente.
Eu ouvi o soluço da semente
E o seu anseio fremente de vida.
-Se não nasceste, semente de minha vida,
É porque carregas o destino de não viver.
Estás dentro de mim, na tristeza do não ser,
Sempre viva! Eternamente viva,
Como as sementes que cresceram e deram frutos!
LÁGRIMAS
Lágrima!
Pérola salgada,
A rolar, desesperada,
Pelos sulcos da face.
Amálgama de sal e água,
A rolar, sempre sentida,
Pelo salso mar da mágoa!
FLOR DO AMOR
Quero te ofertar a flor
Dos beijos que plantei em tua boca.
Tem o perfume suave do amor
E a ternura de almas se encontrando.
Quando vires a flor entreaberta,
Lembra - te, querido amor,
Das lágrimas que a regaram.
E sentirás, quando beijá - la,
Um amargo sabor de sal
Que as pétalas trêmulas captaram.
A DANÇA DAS HORAS
As horas começam a dançar pela manhã.
Esfregam os olhos no orvalho
E dançam um balé matinal,
Nas searas crescendo,
No arrulhar dos pássaros,
Nos filhotinhos nascendo.
Lá fora as crianças vão correndo para as escolas,
Mamãe olhando as horas chama os meninos.
- Onde está a menina - moça?
- Com o namorado lá fora,
Olhando o balado das horas.
Não se cansam de dançar as horas,
É noite! É dia! É novamente noite! Novamente dia!
E as horas dançando nas auroras,
Nas noites de luar,
Nas manhãs douradas,
Acompanhando as espigas ao sol,
Das sementes plantadas!
Os vaga - lumes não dormem,
Piscam a noite inteira e batem palmas piscando,
À dança das horas.
À dança das horas!
Há uma nova menina - moça,
Novos campos de flores brotando,
A vida eterna passando,
Cantando seus ternos amores
E as borboletas noivando
E as horas dançando...
Quando o bailado vai terminar?
Meus cabelos já estão brancos,
Meu vestido de noiva já não tem cor,
Meu menino cresceu,
Tanta gente morreu...
E as horas dançando, dançando...
Até quando? Até quando?
segunda-feira, 14 de junho de 2010
VIAJANDO O SERTÃO (VI)
"Igrejas e Arte Religiosa"
"(...) A mania da remodelação, para pior, ataca os nervos de muita gente bem intencionada. Creio firmemente que, na futura reforma dos Seminários brasileiros, reforma com as luzes dum Dom Xavier de Matos, seria indispensável a cadeira de Arte Religiosa Brasileira para ensinar aos nossos párocos um mais profundo amor pelos monumentos legados pelas gerações desaparecidas. Sirva de exemplo o altar da Igreja de Serra Negra, em madeira talhada, simples e emocionante prova de fé, quebrado, inutilizado, destruído, para ser substituído por um altar de tijolo ou cimento, sem significação, e história." (p.24)
"Durante o séc. XIX quase todas as Igrejas foram ‘remodeladas’, raspados seus frontispícios venerados, riscadas em sua fisionomia própria e coberta de cal e enfeites, de acordo com a inteligência do tempo. Ninguém lembrou a necessidade de conservar a fachada tal como estava e fazer adaptações interiores, respeitando os altares quando dignos de mantença. Igreja é prova de Fé e esta não se abala. Mesmo assim, com a devastação, ainda possuímos alguns documentos curiosos que atestam a revivência do barroco durante fins do séc. XVIII e XIX." (p.25)
"De todos os templos que visitei no Estado (nos 35 municípios que conheço) quase todos são incaracterísticos e já não podem ser apontados como estilos. São testemunhas de várias tarefas de consertos onde as mais estranhas mãos desviaram de seu trilho a espírito arquitetural daquelas capelas seculares." (p.25)
"As Igrejas outras, Açú, Ceará – Mirim, Moçoró, Caicó, não têm história em suas paredes, vinte vezes alteradas. Tanto podiam estar no nordeste brasileiro como na Austrália. Nada têm de nós porque as despojaram de suas heranças de cem anos." (p.26)
"Onde podemos ver a sobrevivência do barroco e a justiça dos que o dizem ter sido o verdadeiro estilo religioso brasileiro, é nos portões dos Cemitérios que escaparam à fúria modernizadora dos estetas." (p.26)
"Um outro ponto melancólico é a substituição dos Santos de madeira pelos Santos de gesso e de massa, bonitos e róseos com uma lindeza extra-humano." (p.26)
"(...) Deixaram o destronado orago num altar lateral enquanto o novo assumia o posto de honra no altar-mor. O Povo, habituado com o primeiro, continua obstinadamente, a recorrer ao conhecido padroeiro, dando-lhe orações e pagando promessas." (p.26-27)
"(...) Um trabalho de madeira é sempre um esforço pessoal, direto, próprio. Fique feio ou deslumbrante, o caso é que é um produto da inteligência humana, sem o auxílio da máquina polidora. Um trabalho de gesso, cartão ou massa, sempre bonito, é sempre o resultado frio da máquina, produto igual, monótono em sua beleza, sem calor da mão humana, rude ou apta, mas sincera." (p.27)
[Termina a crônica afirmando]
"Se os Santos de madeira são impróprios para o Culto ao menos conservemo-los como objetos de Arte, Arte primitiva, tosca, iniciante, mas Arte fiel a si mesma." (p.27)
Luiz da Cãmara Cascudo
VIAJANDO O SERTÃO (VI)
"Igrejas e Arte Religiosa"
"(...) A mania da remodelação, para pior, ataca os nervos de muita gente bem intencionada. Creio firmemente que, na futura reforma dos Seminários brasileiros, reforma com as luzes dum Dom Xavier de Matos, seria indispensável a cadeira de Arte Religiosa Brasileira para ensinar aos nossos párocos um mais profundo amor pelos monumentos legados pelas gerações desaparecidas. Sirva de exemplo o altar da Igreja de Serra Negra, em madeira talhada, simples e emocionante prova de fé, quebrado, inutilizado, destruído, para ser substituído por um altar de tijolo ou cimento, sem significação, e história." (p.24)
"Durante o séc. XIX quase todas as Igrejas foram ‘remodeladas’, raspados seus frontispícios venerados, riscadas em sua fisionomia própria e coberta de cal e enfeites, de acordo com a inteligência do tempo. Ninguém lembrou a necessidade de conservar a fachada tal como estava e fazer adaptações interiores, respeitando os altares quando dignos de mantença. Igreja é prova de Fé e esta não se abala. Mesmo assim, com a devastação, ainda possuímos alguns documentos curiosos que atestam a revivência do barroco durante fins do séc. XVIII e XIX." (p.25)
"De todos os templos que visitei no Estado (nos 35 municípios que conheço) quase todos são incaracterísticos e já não podem ser apontados como estilos. São testemunhas de várias tarefas de consertos onde as mais estranhas mãos desviaram de seu trilho a espírito arquitetural daquelas capelas seculares." (p.25)
"As Igrejas outras, Açú, Ceará – Mirim, Moçoró, Caicó, não têm história em suas paredes, vinte vezes alteradas. Tanto podiam estar no nordeste brasileiro como na Austrália. Nada têm de nós porque as despojaram de suas heranças de cem anos." (p.26)
"Onde podemos ver a sobrevivência do barroco e a justiça dos que o dizem ter sido o verdadeiro estilo religioso brasileiro, é nos portões dos Cemitérios que escaparam à fúria modernizadora dos estetas." (p.26)
"Um outro ponto melancólico é a substituição dos Santos de madeira pelos Santos de gesso e de massa, bonitos e róseos com uma lindeza extra-humano." (p.26)
"(...) Deixaram o destronado orago num altar lateral enquanto o novo assumia o posto de honra no altar-mor. O Povo, habituado com o primeiro, continua obstinadamente, a recorrer ao conhecido padroeiro, dando-lhe orações e pagando promessas." (p.26-27)
"(...) Um trabalho de madeira é sempre um esforço pessoal, direto, próprio. Fique feio ou deslumbrante, o caso é que é um produto da inteligência humana, sem o auxílio da máquina polidora. Um trabalho de gesso, cartão ou massa, sempre bonito, é sempre o resultado frio da máquina, produto igual, monótono em sua beleza, sem calor da mão humana, rude ou apta, mas sincera." (p.27)
[Termina a crônica afirmando]
"Se os Santos de madeira são impróprios para o Culto ao menos conservemo-los como objetos de Arte, Arte primitiva, tosca, iniciante, mas Arte fiel a si mesma." (p.27)
Cãmara Cascudo
domingo, 13 de junho de 2010
SONHO DE ESTRELA
Era noite. A via-láctea cintilava, nua...
Larga nuvem, semelhante a um véu
Sobre um rosto de noiva - a cabeça tua -
Mal deixava transparecer o azul do céu.
Entre súbitos desmaios aparecia a lua,
Formosa, beijando as areias do escarcéu...
Mas, ah! Novo encanto novo se acentua...
Ao se recordar, talvez, do rosto lindo teu,
Disse, em sonho, uma mimosa estrela:
"Vem, único meteoro que do mundo resta
Brilhar sobre este azul... " E acenava a ela,
Então, apontando a esfera calma e bela,
Os anjos levaram-na para o céu, em festa,
Só porque um instante se lembrava dela.
João Lins Caldas
Larga nuvem, semelhante a um véu
Sobre um rosto de noiva - a cabeça tua -
Mal deixava transparecer o azul do céu.
Entre súbitos desmaios aparecia a lua,
Formosa, beijando as areias do escarcéu...
Mas, ah! Novo encanto novo se acentua...
Ao se recordar, talvez, do rosto lindo teu,
Disse, em sonho, uma mimosa estrela:
"Vem, único meteoro que do mundo resta
Brilhar sobre este azul... " E acenava a ela,
Então, apontando a esfera calma e bela,
Os anjos levaram-na para o céu, em festa,
Só porque um instante se lembrava dela.
João Lins Caldas
sábado, 12 de junho de 2010
DINHEIRO NA MÃO DE SABIDO
Jessé Freie antes de ser senador da República foi deputado federal pelo Rio grande do Norte. Na eleição que disputou o cargo de deputado, teve o apoio de uma forte liderança do Vale do Açu que por questão de respeito não vou citar o se nome. Pois bem, naquele tempo das "vacas gordas" (idos de cinqüenta ou sessenta) quando o povo era encurralado para votar, conta-se que aquele líder político teria recebido de Jessé uma quantia de tres milhões de cruzeiros (moeda da época) para as custas de campanha ou melhor dizendo, para compra de votos. O fato é que ninguém dos seus eleitores recebeu quantia nenhuma. Foi o bastante para um poeta da rua, glosar:
Foi muito tolo Zezé
Não esperar um descarte
E nem receber a parte
Dos tres milhões de Jessé:
Agindo de boa fé
Não pensou na traição,
Ouça esse sábio refrão
(Aliás já conhecido)
Dinheiro na mão de sabido,
Pobre não ver um tostão.
Postado por Fernando Caldas
Foi muito tolo Zezé
Não esperar um descarte
E nem receber a parte
Dos tres milhões de Jessé:
Agindo de boa fé
Não pensou na traição,
Ouça esse sábio refrão
(Aliás já conhecido)
Dinheiro na mão de sabido,
Pobre não ver um tostão.
Postado por Fernando Caldas
INSPETOR CABRAL HOMENAGEADO PELA CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL
Conforme o blog havia antecipado a informação Inspetor Cabral é cidadão Natalense
Em solenidade nesta quinta-feira (10), a Câmara Municipal de Natal entregou os títulos de cidadãos natalenses ao inspetor rodoviário Roberto Luiz Bezerra Cabral, assessor de comunicação da Polícia Rodoviária Federal, e ao pastor Jutay Menezes, por propositura do vereador Francisco de Assis (PSB).
Roberto Luiz Bezerra Cabral, natural de Carnaubais-RN, é mais conhecido como Inspetor Cabral e reside há décadas na capital, tendo exercido um trabalho considerado bastante relevante para o trânsito do Estado: levar informações a sociedade sobre o que acontece nas rodovias do RN.
O fato é noticia no blog de Assis.
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A TIA Por João Lins Caldas A tia velhinha Se eu tenho essa tia Se viva ela mora Se canta baixinho Rendendo cantigas Serzindo lembranças A...
