domingo, 15 de dezembro de 2013

TRISTEZA DO MEU TORRÃO

Meu sertão já foi próspero

De uma grande riqueza

Mas o danado do homem

Derrubou a sua mata,

Deixou o solo cheio de erosão

Nem mesmo na invernada

Se vê mais plantação.



O gato do mato

E o tejo-açu

Não tem mais punaré na loca

Nem o canto da nambu,

Foi embora o canarinho

Desapareceu o mocó

Acabou-se o resto do passarinho.



Cadê o bigode e o golinha?

Até o bem-te-vi já se mudou daqui

Não tem mais pica-pau

Escafedeu a juriti,

Agora está empestado de pardal

Tristeza do meu torrão

Em plena noite de natal.


Marcos Calaça, jornalista (UFRN)

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GILKA MACHADO (1893-1980) NONA REFLEXÃO Amei o Amor, ansiei o Amor, sonhei-o uma vez, outra vez (sonhos insanos!)... e desespero haja maior...