domingo, 15 de junho de 2008

POESIA SERTANEJA

A FLOR DO MARACUJÁ

Encontrando-me com um sertanejo
Perto de um pé de maracujá,
Eu lhe perguntei:
Diga-me como sertanejo,
Porque razão nasce branca e roxa,
A flor do maracujá?

Ah, pois então eu lhe conto,
A estória que ouvi contá,
A razão pro que nasce branca e roxa,
A frô do maracujá.
Maracujá já foi branco,
Eu posso inté lhe ajurá,
Mais branco do qui caridade,
Mais branco do que o luá.

Quando a frô brotava nele,
Lá pros confins do sertão,
Maracujá parecia,
Um ninho de argudão.
Mas um dia, há muito tempo,
Num meis que inté num me alembro,
Si foi maio, se foi junho,
Si foi janeiro ou dezembro.

Nosso sinhô Jesus Cristo,
Foi condenado a morrê,
Numa cruz crucificado,
Longe daqui como o quê,
Pregaro Cristo a martelo,
E ao vê tamanha crueza,
A natureza inteirinha
Pois-se a chorá di tristeza.

Chorava us campu,
As foia, as ribeira,
Sabiá também chorava
Nos gaio a laranjeira,
E havia junto da cruis,
Um pé de maracujá,
Carregadinho de frô
Aos pé de nosso sinhô.

I o sangue de Jesus Cristo,
Sangue pesado de dô,
Nus pé de maracujá,
Tingia todas as frô,
Eis aqui seu moço,
A estória que eu ouvi contá,
A razão proque nasce roxa,
A frô do maracujá.

Catulo da Paixão Cearense (de quem o poeta Renato Caldas é discípulo).

sexta-feira, 13 de junho de 2008

CATÔTA, DE MOSSORÓ

Catôta era o apelido de uma figura (soldado de polícia) espirituosa que vivia no "pais de Mossoró", importante cidade do oeste potiguar. . Vamos conhecê-las e revivê-las algumas delas, para o nosso bem estar:

1 - Certa vez, certo cidadão praticava arruaças num dos bares do bairro Alto de São Manuel, em Mossoró. O delegado ao tomar conhecimento do fato, mandou Catôta resolver o problema. Ao chegar naquele botequim, aquele soldado foi logo dizendo: "Olha, meu amigo, eu trago ordem do delegado pra prender você. Vamos logo. "Taqui que você me prende." Disse o arruaceiro estirando o dedo médio. Catota respondeu e gesticular da mesma forma: "Taqui que eu lhe levo!" Botou o rabo entre as perna, no dizer popular, e escafedeu-se.

2 - Certa feita, Catôta foi designado para retirar as pessoas que estavam em cima do muro do Estádio Leonardo Nogueira (Nogueirão), de Mossoró, assistindo ao jogo Baraúnas X Potiguar. Times de futebol daquela terra oestana. Ao chegar naquele campo de futebol, Catôto gritou enfaticamente, cheio de autoridade, dizendo assim: "Ei, vocês aí cambadas, desçam do muro agora. Não pode ficar em cima, não. Ou pra fora ou pra dentro, em cima é que não pode" E todos pularam pra dentro do estádio.

quarta-feira, 11 de junho de 2008

MAIS UM POETA ASSUENSE

Não é a toa que a cidade de Assu e cognominada de Terra dos Poetas". Portanto, fico feliz em saber que Maria de Lourdes Moura ou "Luluda" como é chamada carinhosamente pelos seus conterrâneos, que além de ter alguns escritos (letras) musicadas e gravadas em CD, pelo seu sobrinho Judson Moura, ela surge agora nos meios literários daquela cidade, publicando um livro de poesias de sua autoria.

Eu convivi com ela, Luluda, nos velhos tempos da Cooperativa Agropecuária do Vale do Assu que meu pai dirigia. Eu sabia que ele era (ainda no tempo da maquina de escrever) boa datilógrafa, além de contadora. Porém, não tinha conhecimento da sua arte de versejar que ela escondeu e somente veio a revelar na sua maturidade. Ela fez igualmente aos poetas Moisés Sesióm e Andière Abreu que veio a produzir e se revelar poeta na sua vida adulta. O trabalho literário de Luluda engrandece as letras assuenses. O soneto transcrito abaixo encontro no Blog de Ana Valquíria. Intitula-se 'Quisera'. Seus versos são amorosos, puros, verdadeiros, de versificação fácil. Senão vejamos o referenciado soneto:

Quisera eu dizer-te que sinto
Mas não posso e jamais o farei.
Por teu amor lutei e ainda resisto,
Não quero perder-te, senão morrerei.

Por mais que procuro te esquecer
Cousa que nunca eu consegui,
Mas sentia o meu amor crescer
Mas hoje sinto o que me iludi.

Iludi-me, sim, porque sempre tentei
Esquecer de um amor, que nunca procurei
Saber se me amava ou se me enganava.

E agora muito sofro a pensar,
Que um dia, não queiras me amar,
E que nunca a me amar procurou.

Em tempo: Querida Luluda: Aumente mais ainda a minha biblioteca e, para que eu possa divulgar mais o seu trabalho, remeta-me um livro de sua estréia. Aguardo ansioso a sua dedicatória.

quinta-feira, 5 de junho de 2008

PAULINHO MONTENEGRO

Paulo Roberto Macedo Montenegro (Paulinho ou Paulo Catita como é mais conhecido,é gente de boa cepa, membro de família aristocrática e influente na política desde o Rio Grande do Norte província, porém de uma admirável simplicidade, afável, bom de garfo e de copo. Boêmio autêntico, amigo dos descamisados. A sua generosidade também contribuiu para o sucesso da sua eleição para deputado estadual, exercendo o mandato de 1987 a 1990 que o povo do Assu e de todo o seu Estado lhe outorgou. Eu tenho o prazer de com ele gozar além dos laços de parentescos que nos une, pelo lado da família Lins Caldas de Assu e Ipanguaçu, de sermos também amigos, além de duplamente compadre. Eu, padrinho de sua filha Maria Tereza e ele, padrinho da minha filha Mariana. Pois bem. vou contar uma estória que aconteceu com ele, Paulinho. O assuense é cheio de tiradas, de estórias engraçadas. Certa vez, Paulinho (ele tinha se comprometido arranjar um emprego comissionado) para certo amigo seu, na Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte. Naquela época (1987), Vivaldo Costa era o presidente daquela casa legislativa e tinha se comprometido com ele, Paulo, resolver o problema no menor tempo possível. No que demorou, logo que terminou certa reunião de Mesa que se realizava no gabinete daquele presidente, a cobrança de Paulo foi inevitável: "Como é Vivaldo?" Você não vai arranjar um 'grausinho' pra mim, não?" E aquele 'grausinho' que Paulo se referia, era um emprego para acomodar a Fernando Caldas (editor desse blog). Dia seguinte eu já estava nomeado no Diário Oficial do Estado, como Subsecretário de Administração Financeira e Orçamentária naquele parlamento. Afinal de contas, amigo é pra essas coisas!

Fernando Caldas

domingo, 1 de junho de 2008

SONETO

O soneto transcrito abaixo, que eu não sei do título, é de autoria do poeta do Assu, chamado João Natanael de Macedo,. Estes versos foi publicado no jornal "A Cidade",de Assu quando aquela terra completava 100 anos de elevação da categoria de Vila Nova da Princesa à cidade de Assu. Vamos conferir os versos deste poeta que engrandece as letras assuenses, conforme adiante transcritos:

Terra Natal! É belo quando esplende
O azul de tua abobadada infinita
Torrão, no qual tanta beleza habita
Onde o piranhas plácido se estende.

Sertaneja cidade, em ti palpita
Um seio amigo e bom que a todos prende,
Teu campo é um ninho alegre que recende
Aos raios tropicais que o sol vomita

Nordestino rincão, valor genérico
De um povo. a resistir a intensidade
De terrível flagelo climatérico.

Ao vir do inverno, em vez do mal profundo
Pode se comparar tua bondade
A um pedaço do seu dentro do mundo.

sábado, 17 de maio de 2008

RECORDAÇÃO

Como está tão diferente a minha terra!
No meu tempo, era só brincadeira
Ninguém falava em guerra
Ninguém sabia,
Se existia
Diabo de alemão
Tudo era esperança!
- Como a vida nos cansa! -
E, como a saudade nos faz bem
Ao velho coração.
O prazer que contém
Recordar, vale tudo na vida!
Minha vida vivida: -
Meu jôgo de Castelo, a vaquejada,
O brinquedo de arraia...
Ah! velho tempo mau!...
Que saudade danada,
Do cavalo de pau.
Tudo era esperança...
Minha mestra França,
A palmatória...
Quem me dera de novo
Meu povo,
Uns bolos apanhar
Para poder de tudo recordar.

Vou contar uma história:
O Circo de Sansone,
- Alvo como madapolão -
Estava armado,
Como um funil de pano emborcado,
Bem no meio da Praça da Proclamação.
No dia do espetáculo,
- Um obstáculo,
Veio de encontro a mim -
Minha avó não podia - coitada,
Por falta de dinheiro
Pagar a minha entrada.
Terrível desengano!
Que fazer?
Fui forçado a meter,
A cabeça, por debaixo do pano.
E lá dentro, que alegria taful!
Um bocado de gente,
Assim na frente,
Dava alguns vivas ao cordão azul.
Do outro lado,
Todo mundo gritava: o encarnado.
Depois, a artista do azul apareceu.
A platéia, toda estremeceu.
Então,
Um cidadão,
Fez um discurso danado de comprido
E, entregou à mocinha,
Um bonito vestido;
Ela, agachou-se toda e saiu.
De repente,
Como se fosse uma alvorada,
Bem na frente,
Uma outra surgiu.
No meio do picadeiro,
A morena estacou.
Todo mundo vivou...

Um velho jornalista,
- Nesse tempo era moço -
Fez, para a artista morena,
Um discurso colosso.
Ao terminar sua linda oração,
"Curvou-se reverente"
E foi beijar-lhe a mão.
... Eu fiquei despeitado.
Não dei nem mais um viva
Ao cordão encarnado.
Fiquei desiludido...
A morena bonita não ganhou
Nem sequer um vestido.
O encarnado apanhou!...
Mas, o tempo passou...
Toda gente esqueceu!
Menos eu.
Naquele tempo, o encarnado venceu.
Quinita,
A morena bonita,
Morena sensação,
Ganhou da inteligência,
Um beijo, em sua mão.

Renato Caldas

domingo, 11 de maio de 2008

AS BOAS DE CHICO DIAS

1 - Francisco de Medeiros Dias é o nome de batismo de Chico Dias como é mais conhecido. Cearense de nascimento e norte-rio-grandense de Assu terra que escolheu para viver, onde está radicado a mais de quarenta anos. Pois bem, Ronaldo Ferreira Dias, de saudosa memória, era potiguar de Lages e trabalhava, exercendo um importante cargo no Senado Federal. A convite do presidente Figueredo - com quem tinha o prazer de gozar da sua amizade (candidatou-se a deputado federal pelo PDS do seu Estado. Ronaldo seria o primeiro suplente com qualquer número de votos que obtivesse naquelas eleições. Foi então ao Assu onde morou já teria morado nos seus tempos de adolescente, e procurou e procurou seu primo Chico Dias que naquelas eleições era candidato a vereador, também pelo PDS, para apoiá-lo para deputado federal. Chico comprometeu-se em ajudá-lo e Ronaldo, que aparentava uma pessoa sisuda, deixou com ele, umas propagandas políticas como 'santinhos' e etc. Retornou a Brasília e, dias depois telefonou para o primo, perguntando assim: "Chico, como vai a aceitação do meu nome por aí?" Chico foi taxativo: "Ronaldo, hoje eu saí de casa com mil santinhos seus e voltei com dois mil!"

2 - O povo assuense passou uma época em polvorosa e aflita. Pessoas de bem eram assassinadas naquela cidade, por qualquer futilidade. Pois bem, Chico Dias em 1982 perdera na morte um certo amigo e eleitor. Na hora da última despedida, no cemitério da daquela cidade, despediu-se do amigo com essas palavras: "Meus amigos, estão matando gente nesta cidade por motivos fúteis. O réu vai a julgamento, alega legítima defesa e é absolvido." E repetidamente acrescentou estas palavras de sentimento e de revolta: "Legítima defesa, legítima defesa, legítima defesa uma porra!" Para risos dos circunstantes.

3 - Chico Dias (não quero com essa estória, absolutamente denegrir a sua imagem não). Ele é meu amigo e este fato ocorreu há uns trinta anos atrás. Pois bem, inadimplente com o Banco do Brasil, agência de Assu, foi surpreendido pelo gerente daquela casa bancária que lhe disse ao vê-lo circulando por aquela casa bancária: "Seu Francisco, o senhor está com um título em atraso com este banco e, se não for quitado daqui a quarenta e oito horas, eu vou botar o seu nome no CADIN (Cadastro de Inadimplentes)!" Chico não se fez de rogado: "Seu Gerente, pois diga a Seu CADIN que pague a minha dívida!"

domingo, 4 de maio de 2008

UM POETA GLOSADOR

Andière "Majó" Abreu é poeta do Assu. A sua predileção para versejar é a glosa (décimas). Eu o considero um dos melhores poetas glosadores (ele também produz poemas e sonetos de qualidade literária), do Rio Grande do Norte, porque não dizer assim. Ele é filho do caicoense Anderson Abreu, que erradicou-se na cidade de Assu onde foi comerciante e fez grandes amizades, amigo de meu avô materno Fernando Tavares (Vemvem). Ele é contemporâneo dos meus tios (irmãos de minha mãe) Nazareno (Barão) e Mariano Tavares. Conviveu no Assu com o poeta Renato Caldas, entre outros vates assuenses, escondendo a sua arte de versejar que somente veio a revelar já na sua maturidade, igualmente ao consagrado poeta (O Bocage Potiguar) Moisés Sesiom com quem tem glosas parecidas. Majó, além de ser bom glosador, já foi bom de garfo, de copo e de serenata também. Joanilson de Paula Rêgo depõe que ele "derrubou gado nas festas de vaquejadas, sonhou e amou ao compasso de muitas violas e sob inspiração de muitos sorrisos, imaginou a própria lua enamorada de suas farras e fanfarras.

Disse o quanto me queria
Que por mim faria tudo
Eu a ouvia quase mudo
Enquanto a lua sorria.
E logo após me pedia
Para amá-la de verdade
Porém na realidade
Previa a separação
E o meu pobre coração
Sentia a dor da saudade.

Majó tem três livros publicados. A sua obra de estréia intitula-se "Uma Grosa de Glosas", 1991, volume prefaciado por Celso da Silveira que na sua observação entende que o poeta "é perfeito no seu raciocínio quando desenvolve os dez versos da glosa e há, em sua produção no gênero, alguns achados e invenções que ressaltam o seu trabalho de juntar preciosas pedras com que constrói suas glosas".

Ela teve o que queria
Embaixo da oiticica
Levando um rolo de pica
Chorava, ria e gemia.
Em êxtase e alegria
Com pica na frente e atrás
Bem agarrada ao rapaz
Num gozo estupendo
Mexendo e se contorcendo
Gostando e querendo mais.

Ele publicou ainda o volume intitulado "Mote Di-Versos", 1997, com orelha de João Batista Machado que no seu entender, Majó "está no mesmo nível de um Moisés Sesiom, Manuel de Bobagem, João de Papai, Luiz Xavier e Antônio Souto".

Vou deitado mas, ativo
Olhando bem pra vocês,
Já que só morro uma vez
Quero ouvir música ao vivo.
O momento é emotivo
Mas temos que superar
Cantem sim, quero escutar
Letras lindas de seresta,
Façam pra mim uma festa
Quando forem me enterrar.

Majó tem ainda publicado o livro sob o título "Minha Terra, Minha Gente", 2001 (poemas), apresentado por Luiz Carlos Guimarães e orelha de Luciano Herbet que inicialmente diz Andière "é uma dessas figuras raras que o sertão velho de guerra produz e oferece de mão beijada para o mundo".

O sertanejo é feliz
Pois ele mesmo é quem diz
Que vive muito contente,
Ri demais, conta piada,
Brinca com a filharada,
Vive para sua gente.

De tudo sabe e entende,
Com ele muito se aprende
Sobre arroz, milho e feijão,
Fala calmo, compassado,
Estórias conta um bocado
Os causos do seu sertão (...).

sexta-feira, 25 de abril de 2008

BOINH0, O POETA DA RUA

Francisco Inácio Ferreira é o nome de registro de "Boinho" como é conhecido carinhosamente na cidade de Assu. Ele é funcionário público aposentado da prefeitura daquele município. Poeta popular de versificação fácil. Ele é preciso ser mais lembrado. Afinal de contas, poeta é poeta. Vive pelas ruas da  sua terra natal com a sua inseparável caneta, e papel no bolso, escrevendo versos amorosos, aproveitando os temas que a cidade inspira. Apesar de ser avançado nos anos, está entre os "novos" poetas do Assu. Tem vários livros publicados: "Estrada da Minha Vida", 2003, que a prefeitura dp Assu, publicou. E o poeta, na estrada da sua vida no seu próprio dizer, um dia melancólico, escreveu:

Hoje vivo torturado
Perdi tudo em minha vida
Perdi a jovem querida
Para falar do passado
Quando moço fui beijado
Vivo hoje nos escolhos
Sou tampa sem arrolhos
Velho gemendo com dor
Por causa de um grande amor
Molho com lágrimas meus olhos.

Postado por Fernando Caldas

terça-feira, 22 de abril de 2008

LEMBRANDO JOÃO FONSECA

"Pacó" (não sei o seu nome de registro) era uma figura boêmia da cidade de Assu onde exerceu a profissão de garçon nos clubes sociais da terra assuense. Trabalhando como servente num convênio que a prefeitura daquele município tinha com a Fundação SESP, ajudando fazer privadas pré-moldadas de cimento para serem doadas as pessoas carentes do Assu. Pois bem, João Fonseca, poeta e boêmio, era o Secretário de Administração daquela prefeitura, salvo engano, no governo de Walter de Sá Leitão (1972-75). Aí Pacó ao sair do trabalho, sujo em razão do materia que usava no trabalho, foi direto a prefeitura e, ao chegar na sala daquele secretário para que ele, Fonseca, autorizasse a tesouraria fazer o pagamento dos seus serviços prestados, que seria pago pela verba do FPM - Fundo de Participação dos Municípios, João Fonseca versejou de improvisou essa quadrinha:

Eu não lhe posso pagar
Pois você está imundo
Vá primeiro se banhar
Pra receber pelo 'fundo.'

sábado, 19 de abril de 2008

WALTER DE SÁ LEITÃO, DE NOVO

Walter de Sá Leitão era meu tio-afim por ser casado com Evangelina Tavares de Sá Leitão, irmã de minha mãe Gelza. Por sinal, Walter e Evangelina eram também meus padrinhos de batismo. Pois bem, certa vez, Walter ao chegar em sua casa, deparou-se com um amigo e compadre chamado José Joaquim de Oliveira, figura muito querida e conhecida na cidade de Assu,  sem camisa na sala de estar de sua morada. Ai Walter que além de espirituoso era também presepeiro (no bom sentido), foi logo tirando o sapato, a camisa, a calça, ficou só de cueca samba canção, insinuando tirá-la, para espanto daquele de Zé Pretinho que disse assim: "Mas, compadre Walter, o que está acontecendo?" - Walter de pronto, respondeu: "Seu negro filho da puta. É para você saber que o dono da casa sou eu?"

Walter era proprietário de uma fábrica de pré-moldados (hoje de propriedade de seu filho Carlos Alberto, conhecido na intimidade como Juca). Um certo peão daquela empresa, certo dia se dirigiu a Walter para um entendimento com a seguinte com a seguinte reclamação: "Seu Walter, eu trabalho o dia todo e o seu filho que não vem nem aqui, ganha muito mais do que eu! Não dá pro senhor aumentar o meu salário, não!" E Walter com aquela sua irreverência, não se fez de rogado": "Você deixe eu fazer com sua mãe o que eu faço com a dele?"

Na qualidade de prefeito do Assu (1972-75), uma certa esposa de um certo motorista daquela edilidade assuense, adentrou no gabinete do prefeito para adverti-lo: "Seu Walter, olhe. Fulano de tal está toda noite no Cabaré "Chão de Estrela", no carro da prefeitura!" Disse-lhe aquela mulher enciumada, denunciando o marido mulherengo. Ai Walter saiu-se com essa, que logo se espalhou pela cidade inteira: "Aquele filho da puta nunca que me chamou"!

Fernando Caldas

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO