segunda-feira, 15 de novembro de 2010

DOM ELISEU

Esquerda para direita: (?), Osvaldo Amorim, Dom Eliseu, Francisco Amorim. A fotografia é do início da década de sessenta.


"Antes da Hidroservice Engenharia chegar, e da Construtora Andrade Gutierrez acionar suas máquinas; antes dos bispos fazerem manifestos e o Vale do Açu ter se sentindo judiado por não conhecer seu destino, houve um homem que acreditou nele e a ele se dedicou inteiramente.

Tive a ventura de experimentar de sua convivência; senti-lo impaciente e ardoroso, exultante e decidido, indicando a todos nós um caminho, que hoje ou amanhã teria que ser retomado.

Porque ele não foi escutado inteiramente, muita gente foi pegada de surpresa porque não continuaram regando a árvore que se plantou, o Vale do Açu ficou sem frutos e sem sombra.

E na hora da presumível colheita, o que aconteceu? Uma legião interminável de mãos vazias, debruçada na passarela das desesperanças.

Que seu trabalho ficaram apenas cicatrizes do seu rosto cansado, quase desiludido, e a doce lembrança de um homem forte, tão forte que se submeteu a longas caminhadas, quando queria somente permanecer aqui. E porque não ficou, o Vale ansioso para abraçar o futuro, que ele nos deixou como herança, foi definhando, definhando, até que de repente, sem aquela euforia dos tempos de J.K.; quando ele (Dom Eliseu) inaugurava fartura e dividia esperanças, o Vale do Açu se retomou e marcou um encontro com o seu amanhã.

Até ele chegar, o Vale estava adormecido. Dele cuidavam apenas os poetas.

Quando ele chegou, vieram missões, semanas rurais, convênios, cursos, treinamentos.

por causa dele, o Vale se encheu de Postos de Saúde, de Maternidades, de Cooperativas, de Motores Bombas, de Escolas.

Graças a ele, se organizaram grupos de trabalhos e o universo vocabular do varzeano, havia construção de embacies, canais de alvenaria, mecanização do solo, adubação, defesa anual, reflorestamento, sementes e mudas, centros educacionais, equipamentos, manutenção, colonização, armazenagem, comercialização, eletrificação rural, irrigação, melhoria qualitativas dos rebanhos, bibliotecas, assistência veterinária, mecanização da lavoura, máquinas forrozeiras, áreas cultivadas, produção, cooperativas.

E tudo era feito com ele presente. Aí está a grande diferença: Dom Eliseu ficou dentro do Vale. Não houve estrada que não houvesse conhecido seus passos. Nenhum caminho desconheceu sua presença.

Faz 21 anos que ele cercou de técnicos e começou no Vale um programa de irrigação, utilizando energia diesel com o aproveitamento das reservas d'água do subsolo, contando com o adicional do rio Açu.

A gente viajava de Açu a Pendências e via motores bombas pela várzea afora. Era um festival de pré-abundância. A Escola de Tratorista de Ipanguaçu cheia de rapazes, a fazenda do Governo cheia de frutas e um agrônomo ensinando a produzir.

Em Natal, Dom Eugênio criava a SAR, depois transformado num movimento que ele denominava Movimento de Natal. Havia uma emissora, alguns cursos em Ponta Negra, início de sindicalização rural, sob a orientação de Julieta Calazans. Mas o grande trabalho, o movimento com cheiro de terra e suor, convocando Agrônomos e Assistentes Sociais, pertencia a Dom Eliseu.

Talvez (quem sabe) soprado pela força literária de Mossoró, pela concorrência nobre, pelo desafio da terra, pela força de quem troxe como lema  do seu episcopado, os novos caminhos do seu povo: SALUS GREGIS, que quer dizer - "Salvação do Rebanho".

Quando Dom Eliseu estava no Vale do Açu, criou-se um novo condicionamento na alma do seu povo. dele é que partiram as primeiras tentativas de mobilização do Vale como um todo.

Eu me lembro que conversando com ele sobre a situação de Pendências que pertencia a Arquidiocese de Natal, fora portanto de sua jurisdição, ele me respondeu: "Meu filho, quem está em questão é o Vale". E na semana seguinte, um Posto de Puericultura era iniciado em Pendências.

Quando ele foi embora, ou melhor, quando o mandaram para o Paraná. Começou a retratação gradativa do Vale do Açu. Com o novo regime, a Escola de Tratorista foi fechada, a Fazenda do Governo abandonada, os bancos se retraíram, as lideranças políticas se amofinaram, as Assistentes sociais foram embora, os agrônomos desapareceram, os motores bombas sumiram, as cooperativas emagreceram e os debates e cursos se escassearam. Mas, o futuro do Vale seria inevitável. A sua vocação intrínseca era produzir. Hoje ou amanhã, ele teria que ser lembrado, estudado, pesquisado,planejado, executado.

E aí está novamente O VALE DO AÇU retomado pelo Governo, desta vez sem as movimentações anteriores, sem a liderança de um Dom Eliseu. Desta vez o Vale valeu por sua própria natureza. Independentemente de apelos ou apoio, de gritos ou recompensas. Novamente o Vale valeu. desta vez, vieram máquinas, técnicos, dinheiro. CERTO? ERRADO?

Nesta altura do campeonato, o importante é mais uma vez ficar do lado do Vale. E ficar do seu lado, é querê-lo produzindo.Para todos e não apenas para alguns.

Não era assim que sonhava Dom Eliseu?"

Postado por Fernando Caldas

POEIRA DO CÉU

Poeira do Céu (antologia) de autoria do grande poeta considerado um dos maiores da língua portuguesa, açuense de Goianinha (RN) tem organização da professora Cássia de Fátima Matos, EDFURN, 2009. Aquela professora irá concluir a tese sobre o poeta João Lins Caldas e a defesa será dia 22 próximo, ás 14:)) hora no auditório C, do Centro de Ciências Humanas, letras e artes, daquela universidade.

Postado por Fernando Caldas

domingo, 14 de novembro de 2010

POSSE DOS NOVOS VEREADORES DO AÇU, 1983

Fotografia do ato de posse dos novos vereadores do Açu (RN), mandato de 1983 a 1988. Na foto podemos ver, esquerda para direita o velho político Major Manoel de Melo Montenegro, Sebastião Alves, vereador recém eleito Fernando Antonio Caldas (que naquela ocasião serviu de secretário da mesa), José Maria Medeiros, vereador Antônio Garcia de Medeiros (presidente da Câmara), que deu posse aos novos vereadores eleitos nas eleições de 1982, Edmilson da\Silva, dentre outros. Como não poderia ser diferente para uma cidade de tantas figuras, podemos ver\ também a politiqueira que fazia parte do folclore de Açu, muito conhecida na cidade (não sei se ainda vive) chamada "Chica Sem Calça", sem querer redicularizar a sua pessoa.

Postado por Fernando Caldas

AÇU EM 1972

Postado por Fernando Caldas

ANTIGO MERCADO PÚBLICO DO AÇU

O Mercado visto da prça Pedro velho, onde se pode ver o Sobarado da Barones (em segundo plano) atual Casa de Cultura. O sobrado a esquerda com três janelas funcionou o Hotel Pátria.

O Mercado já quando existia apraça Pedro Velho, onde hoje está assentado o Banco do Nordeste,onde funcionou o Parque Infantil Palmério Filho.

Postado por Fernando Caldas

AÇUENSES NA POLÍTICA POTIGUAR, 1916


Neste importante documento (imagem abaixo), podemos conferir alguns açuenses que fizeram parte da disputa (eleição) ao Congresso Legislativo do Estado e Intendentes Municipías, em 916 como, por exemplo, João Lins Caldas, dr, Ernesto da Fonseca, Minervino Wanderley, Justiniano Lins Caldas Filho, Moisés Soases, dentre outos.



MEMÓRIA VIVA DE UM RONDONISTA

Foto/arquivo/divulgação


Fiz o projeto Rondon em 1979 em Belém do Pará. Oriundo da zona rural de Santana do Matos tive a oportunidade de avaliar, comparar e dissertar uma das mais importantes experiências que tive na minha formação cultural. Realidade contextualizada por milhares de mãos de universitários em todo o país. Na época o Projeto proporcionava aos voluntários universitários o choque direto entre teoria e prática, anseios e dificuldades a serem enfrentadas por futuros profissionais.

Criado em julho de 1967, durante o governo militar, o Projeto tinha como objetivo promover o contato de estudantes universitários voluntários com o interior do país, através da realização de atividades assistenciais em comunidades carentes e isoladas. Entre 1967 e 1989, quando foi extinto, o projeto motivou mais de 350 mil estudantes de todas as regiões do País.

Foram valiosas experiências vivenciadas por nós, os estudantes da época. Naquele momento, foram depositados e creditados àquela geração, conceitos de nacionalidade e responsabilidade, oportunizando a expressão e análise de cada um, pelo próprio punho, sem indicações, direção ou influências sobre os potenciais do país, quase pronto para decolar. Certamente essa liberdade de pensamento aflorou aspirações políticas, o que canalizou posicionamentos e a formação de novas gerações, determinadas e conscientes das mudanças alcançadas.

Por pressão da União Nacional dos Estudantes (UNE), o projeto Rondon foi reativado pelo governo federal em 2005 com uma nova roupagem, reformulado como um programa de governo. Agora os estudantes são quase programados, motivados a pesquisar assuntos predefinidos. Evidentemente o programa alcança objetivos importantes, localizados, não isentando a observação e opiniões pessoais dos jovens universitários quanto aos outros segmentos carentes e preteridos pelo atual sistema, como também conceitos pessoais de política são enrequecidos com concepções atuais politizadas.

Naquela década, precisamente quando fiz o projeto, ferviam e afloravam aspirações políticas, girando em ciclo por necessárias mudanças, e nesses momentos, sempre chegam as respostas do sistema. A democracia retomada, hoje padece pela mancha permanente da corrupção oficializada. Mesmo assim, a nação está esperançosa de novos pensamentos sintetizados pelas análises dos conceitos universitários e de todo o povo rondonista. Outras respostas virão com o tempo, e assim, permanecem as opções mutáveis e definidas por todos os cidadãos brasileiros.

Santana do Matos, orgulhosa da divulgação e projeção que tomou nos seus últimos três anos, recebe com carinho os professores e universitários rondonistas. Que sintam eles a desigualdade, as dificuldades e diferenças de um país continental, que marquem em suas vidas como futuros profissionais, as histórias, conhecimentos adquiridos e façam citações como analogias para futuros ensinamentos. Lembrança viva e permanente, assim como fiz no conteúdo redigido na área social sobre a população carente de Belém do Pará em 1979, assim como lembram muitos brasileiros, as histórias, as experiências vividas como rondonistas. Rondonistas, esses agora multiplicados geometricamente por cada cidadão, pelas facilidades, pela modernização e oportunidade de alcance dos métodos e de novos processos de Ensino X Aprndizagem.

Dutra Assunção/ redator-chefe do Jornal Cajarana

Escrito por aluiziolacerda às 06h24


sexta-feira, 12 de novembro de 2010

FANFA SEMPRE FANFA


Por Aluizio Lacerda, BlogdeAluízioLacerda

Não poderia ser diferente ter no sangue tão profunda vertente, sua genealogia transcende vultos memoráveis da mais pura linhagem do saber, cultura poética das mais aguçadas da ribeirnha fertilizadora do ubérrimo vale do Açu, tradições que se evidenciam no presente, através do belissimo trabalho, feito abnegadamente por Fernando Caldas (Fanfa), cotidianamente um apaixonado dos causos e causas dos costumes regionalistas.

Fanfa tem sido um perfeito tradutor das grandes sabedorias que a eternidade consumiu com o passar do tempo, mas todos continuam revigorados no presente, graças ao timoneiro contemporâneo, usando o máximo da sua inteligência para fazer fluir as memórias das gerações passadas, no universo intelectual das gerações do presente.

Fanfa é na verdade um canal aberto, uma via direta para os caminhos do futuro dos que desejam cultuar momentos de prazeirosas leitura, amantes da arte e seguidores dos talentosos vates antepassados.

Faço uma santa devoção, diuturnamente dou uma acessada no blog do companheiro Fanfa, cada dia, cada noite, sinto o feliz prazer de rever fatos e fotos, informações e relatos de um tempo que se foi, que se não tiver outros Fanfas, preocupados com a sua propagação, certamente deixarão de aparecer, nunca de existir.

Parabéns, amigo Fanfa, continue sua prodigiosa labuta, resgate historicamente o legado deixado pelos grandes menestréis do nosso amado rincão.

"Fanfa sempre Fanfa" esse é o Fernando Caldas que bem conheço, guardião das estrofes bem produzidas, sempre alerta as rimas, repentes, toadas ou loas da exuberante poesia, cantada em vento e prosa nas alpendradas rústicas, choupana do pobre ou sobrado do rico, ilustradas pelo farfalhar das abundantes carnaubeiras do nosso torrão.

Escrito por aluiziolacerda às 17h03








PATAXÓ: UM LUGAR TRANQUILO E CHEIO DE RARA BELEZA

Com acesso pavimentado desde 2004, a comunidade de Pataxó, na zona rural de Ipanguaçu, tornou um lugar mais atrativo. O povoado que fica a 2,6 km da BR 304, conta com um belo açude que enche o lugar de beleza. E mais do que isso, gera reflexo na vida social da comunidade e também possibilidade econômica através da pesca, principal atividade da população e do turismo, que por enquanto ainda é tímido.

Faz parte dos planos do prefeito Leonardo Oliveira (PT), construir um balneário para servir de atração turística no povoado. No momento, o gestor busca conseguir recursos para concretizar tão importante obra. Pataxó tem aproximadamente 500 famílias residentes e conserva até hoje sua identidade cultural.

Escrito por Toni Martins

Nota do blog: Depõe Padre Zé Luiz que na igreja de Pataxó está assentado a pia batismal mais bela e original do estado. Foi por lá também que começou as primeiras discursões sobre o desenvolvimento do Vale do Açu. 
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Postado por fernando Caldas

POETAS E BOÊMIOS DO AÇU

Com este livro antológico, publicado em 1984, Ezequiel Fonseca Filho - doutor Ezequiel (que foi prefeito do Açu na década de trinta, deputado estadual, presidente da Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte nos anos cinquenta),aos 88 anos de idade, estreou nas letras potiguares. Tem prefácio do escritor da Academia Norte-Rio-Grandense de Letras Manuel Rodrigues de Melo, que transcrevo adiante:

Ezequiel Fonseca Filho é o Historiador da Inteligência do Açu. Natural da "Terra dos Verdes Carnaubais", o autor por exceção não é poeta. As suas preferências intelectuais se fixam mais no rumo da história, da biografia, da pesquisa histórica, sem falar na tendência natural e incoercível que o transformou em médico da sua cidade e da sua gente ao longo de toda a sua vida. Querem uma prova do que afirmo? Aqui está o livro - Poetas e Boêmios do Açu -  com que estréia nas letras da Província aos 88 anos de idade. Estréia, não é bem a expressão exata, porque antes já o fizera em trabalhos de merecimento sobre medicina e jornalismo. O que me cabe salientar nessa altura é o que o escritor propriamente dito, preferiu aparecer depois de maduro, em pleno apogeu das suas capacidades mentais. E o livro revela justamente esse traço: nitidez, segurança, conhecimento, sem faltar ali, acolá, um toque de doce humorismo, que anima e vivifica as suas páginas. Na moderna critica brasileira há uma forte tendência no sentido de descobrir até arbitrariamente o gênero das obras que aparecem no mercado livreiro. Não é que já classificaram Os Sertões, de Euclides da Cunha, de romance? O livro de Ezequiel Fonseca Filho não exigirá sem dúvida tanto esforço para saber-se a que gênero pertence, pois é patente o cunho histórico e biográfico que condiciona o seu feitio. São 132 bografias de poetas do Açu, carinhosamente escritas pelo autor, contando episódios da vida e da obra dos biografados, ao lado da citação de versos e poemas de cada poeta estudado.

Paassei vários dias lendo o livro de Ezequiel e confesso que ao virar cada capítulo o fazia sempre tocado de surpresa e curiosidade, tais as nuances que encontrava, quer de estilo, quer de saber por experiência feito, nas suas páginas.

Fiquemos por aqui, e deixemos que o leitor, pondo em uso os dons de inteligêencia e raciocínio que Deus lhe deu, descubra as primícias deste livro, dando-lhe o lugar que merece no contexto da biografia norte-rio-grandense. (Natal, 20 de maio de 1984).

Postado por Fernando Caldas

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.