terça-feira, 10 de janeiro de 2012

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012



‎"Amo como ama o amor. Não conheço nenhuma outra razão para amar senão amar. Que queres que te diga, além de que te amo, se o que quero dizer-te é que te amo?"
Fernando Pessoa

CAVALINHO DE CARROSSEL


Não é apenas cômico, hilariante, pitoresco, é acima de tudo uma corrida sem vencedor, é bem gostoso o passeio no lombo do cavalinho, é pena que não haja ultrapassagem, quem vai na frente, garante sempre o primeiro lugar. Esse exercicio me faz recordar a meninice, fazia sempre o esforço de montar no cavalinho da dianteira pra ficar malhando com a cara de quem vinha na rabeira.

Do blog: Aluíziolacerda



NÚMEROS QUE ASSUSTAM!


Públio José – jornalista

Natal hoje é uma cidade cujo porte já envolve números que impressionam. Alguns até assustam. Quando, por exemplo, falamos do número de analfabetos em Natal, da ordem de cem mil, muitas pessoas nem querem acreditar. Mas é a pura realidade. Pelas mesmas estatísticas, outra questão cruel se apresenta: Natal conta atualmente com um contingente superior a dez mil surdos. São pessoas aparentemente normais, que transitam naturalmente pela cidade, passam diante de você, e nem são percebidos. Pelos dados do IBGE a população brasileira é constituída de 1,3% de pessoas portadoras dessa deficiência. Trazendo tais números para Natal (1,3% de 800 mil habitantes) teremos, então, a dolorosa conclusão de que, da população natalense, em torno de dez mil pessoas, ou mais do que isso, são surdas. A existência desse número não é tanto a questão. O problema é se constatar que nada está sendo feito em seu benefício.

Acreditamos até que esse percentual de 1,3% tenha abrangência universal, o que colocaria o Brasil, e Natal em particular, numa faixa perfeitamente normal de incidência do mal. O que queremos levantar aqui é a inexistência de uma política de inserção dessas pessoas na vida comunitária, no mercado de trabalho, tirando-as da situação de cidadãos de segunda classe para uma vida realmente digna. No plano familiar, se observarmos bem, não são encontradas as condições necessárias para o desenvolvimento social e profissional dessas pessoas. E se a comunidade e o poder público não oferecem essas condições, onde os surdos irão procurar e encontrar a saída para uma vida que lhes traga menos percalços e um patamar, pelo menos razoável, de realização pessoal? Ao governo cabe essa preocupação e a adoção de um planejamento sério, objetivo, eficaz em benefício desse segmento populacional.

Por outro lado, com a tecnologia de hoje, não é tão difícil capacitar os surdos no sentido de uma atividade profissional adaptada às suas condições específicas. A questão é que o nosso surdo, além de analfabeto em seu próprio idioma, é incapacitado – pela sua própria condição social e pela inexistência de políticas públicas – para assumir compromissos e desafios que são perfeitamente normais às demais pessoas. Imaginemos, por exemplo, o acesso ao computador. Se, ainda hoje, trata-se de uma atividade complicada para grandes parcelas da população dita normal, quanto mais para quem mal consegue decifrar os sinais de trânsito! Enquanto isso, os surdos, muitos dos quais com índices de inteligência bastante altos, ou no mínimo com índices medianos, perambulam pela vida sem enxergar nenhum horizonte. E nem antevendo, da parte do poder público, nenhuma providência que lhes tire da condição de sub-raça.

Pensamos de maneira diferente. Pensamos que é possível – e salutar para toda a sociedade – a transformação dos surdos de párias em agentes produtivos, pessoas que possam, juntamente com as demais, contribuir para o desenvolvimento e a manutenção de um estado de circulação de riqueza e de paz social. Para tanto, idealizamos a criação do “Centro de Atendimento e Convivência de Pessoas com Necessidades Especiais”, um complexo com avançada tecnologia, voltado para a alfabetização, capacitação profissional e socialização de surdos, mudos e até de pessoas com outros tipos de carências, tendo em vista não existir em Natal nenhuma estrutura destinada ao atendimento médico, psiquiátrico, didático, odontológico e social a essas pessoas. É mais uma contribuição, de nossa parte, ao enriquecimento do debate político. E a certeza de que o estado de bem estar social tão do desejo de todos, passa, obrigatoriamente, pela inclusão, ao sistema de geração de riquezas, dos segmentos carentes, desprotegidos e marginalizados. Você concorda? 






Da direita: O influente potiguar Cid Montenegro, na intimidade com o ex jogador Zico.


Mulher
Contida na fala
Suave no toque
Coração em chama
Mas só quando o ama.

Mulher
Inocentemente impura
Despudoradamente santa
Mulher como nenhuma
Mulher como tantas.

Mulher
Um simples olhar
Um contido desejo
E o corpo solto
Num único beijo.

Mulher
E o seu amado
Metade pureza
Metade pecado!
 

De: Cristina Costa

domingo, 8 de janeiro de 2012

ARTIGO DE CELSO DA SILVEIRA SOBRE FRANCISCO AMORIM

(Título deste blog)


ECOLOGIA SACRALIZADA

Leio sempre com cuidadosa atenção originais de poetas e romancistas ou depoimentos de alguns autores que procuram para opinar sobre seus escritos. São pessoas que confiam na sensibilidade e sinceridade com que aprecio seus trabalhos literários.

No meio desses intelectuais, há um que considero especial, a quem estou ligado desde a infância. Ele foi meu pediatra nas doenças comuns às crianças - catapora, sarampo, papeira, dentição, etc. - e que além de me curar, ainda permitia que eu me divertisse esvaziando a seringa de injeção em pontaria contra objetos ou gente lá de casa.

Essa pessoa especial é Chisquito - poeta Francisco Augusto Caldas de Amorim.

Certa vez fui portador de um bilhete, de meu pai, rimado, em que fazia uma consulta. Começava assim: "Meu caro amigo Chisquito/ sofri de gastroenterite/ por ser sempre extravagante/ hoje tenho uma colite..." E por aí afora, o bilhete terminava com uma advertência: "... mas os sexos não confunda/ Eu sou João e não Ester/ não vá depois receitar-me/ a Saúde da mulher!" E assinava - João Celso Filho.

Em cima do ato Chisquito aviou a consulta, também em verso.

Passados os anos, tudo, volto a ter contatos constantes com um certo tabelião da Coletoria Federal. Outra vez Chisquito. Agora era para selagem de documentos, para que colocasse o seu timbre indispensável nas estampilhas do Imposto de Consumo. O tratamento continuava sempre atencioso.

Por esse tempo ouvi falar primeira vez num soneto "A Seriema" - o mais decantado dos sonetos entre os que na cidade curtiam as rodas literárias. Depois, ele próprio declamava para mim vários de seus famosos sonetos e me falava de outros versos chamados "futuristas", reunidos sob um t´titulo de livro - Forrobodó. Publicou uma plaqueta contendo uma palestra  "A Questão Social e a Igreja", uma pesquisa biográfica sobre o glosador Moisés Sesyon; uma História da Imprensa e uma História do Teatro em Assu, e mais outro e outro, e tantos outros seguiram, que eu cheguei a supor que havia esgotado o estoque, no topo dos seus 90 anos de idade. Nada disso. Ele surge, agora, com esta antologia das espécies vegetais comuns à flora do espaço geográfico assuense e nos presenteia um belo livro, diria, de ecologia, sacralizando a natureza, num manancial de sonetos.

Gostei da ideia e do livro, que vai publicado com o título de E S S E N C I A S que são. realmente, o perfume a rescender do coração do poeta em louvor de sua terra natal! - o ASSU.

Benza-te Deus! Que conserve esse vigor de um jovem que não se rende à idade.

Natal-RN, 15/09/1991
Prefácio de "Essências"

Postado por Fernando Caldas



SAUDADES DE CELSO DA SILVEIRA


ARTIGO DO BLOG MEDIOCRIDADE PLURAL, DE LAÉLIO FERREIRA), PUBLICADO EM 8 DE JUNHO DE 2011) 

***

"O último riso de Celso
(TRIBUNA DO NORTE) 






04/01/05 

Yuno Silva Repórter

“Sem choro nem vela, sem discursos nem flores”, assim escreveu Celso da Silveira em sua última carta. Dono de um humor contagiante, bom de papo e grande contador de causos, a tarefa de tentar resumir mais de meio século de dedicação à cultura em algumas linhas de jornal é uma tarefa, no mínimo, cruel e injusta.

Tristeza era uma palavra que não existia no dicionário do poeta, jornalista e inquieto agitador cultural que tão bem soube encantar populares e intelectuais com suas histórias desconcertantes e hilárias.

Esses foram os últimos e respeitados pedidos do ilustre assuense falecido às 11h05 do domingo, no Hospital do Coração, onde estava internado desde a semana passada (26/12) com problemas respiratórios que culminaram em uma parada cárdio-respiratória e conseqüente estado de coma.

Durante toda a manhã e tarde de ontem, amigos, parentes, leitores anônimos e fãs velaram o corpo do escritor Celso da Silveira, 75 anos — 52 dos quais dedicados a vida artística, principalmente literária — no centro de velório Morada da Paz, de onde seguiu para sepultamento no Cemitério Parque de Nova Descoberta, às 16h.

“Celso sempre participou ativamente da vida cultural do Rio Grande do Norte, tanto como jornalista quanto como poeta e escritor. Ele era, sobre tudo, uma pessoa extremamente alegre. Sua presença era garantia de descontração, risadas, piadas e anedotas... sem dúvida vai fazer muita falta”, disse Clotilde Tavares, atriz, escritora e responsável pela propagação da (triste, não!) fatídica notícia.

Considerado um dos grandes nomes da cultura potiguar e dos últimos polígrafos do RN, Celso da Silveira escreveu e carimbou seu nome na história recente do Estado: “sua ausência na Academia Norte-rio-grandense sempre foi sentida, mas ele nunca ligou para esse negócio de ser ‘imortal’. Sua versatilidade e habilidade para escrever trovas irônicas e poemas bem-humorados deixou uma lacuna que dificilmente será preenchida”, afirmou o jornalista Vicente Serejo. Ele lembra com alegria das cartas que recebia do poeta criticando alguma nota publicada, apontando informações equivocadas ou quando queria saber das fontes para pesquisar sobre assunto de seu interesse. “Celso conservou esse hábito até o fim e era muito bom receber suas correspondências. Desbravador e descobridor, foi o primeiro a falar sobre o poeta modernista João Lins Caldas, também de Assu, à quem dedicou o poema O Gênio Virá em seu primeiro livro: ‘Eu quero de ti, Caldas, apenas a herança // de tua inteligência que não morre’. Só 20 anos depois, nos anos 70, é que a Fundação José Augusto viria lançar uma antologia sobre Caldas”, lembrou Serejo.

A estréia foi aos 22 anos de idade

Autor de 37 títulos lançados, entre cordel, glosa, causos, poesia e folclore, Celso estreou em 1952 com o livro “26 poemas do menino grande”. Antes de sua incursão e mergulho na literatura, já havia atuado com êxito nos palcos, chegando a ganhar o prêmio de melhor ator no II Festival Nordestino de Teatro Amador: “Celso começou a se relacionar com a intelectualidade atuante logo que chegou em Natal, onde veio se envolver com jornalismo e teatro.

Engajou-se no teatro, trabalhou com Sandoval Wanderley, ganhou prêmio e bolsa para estudar teatro no Rio de Janeiro. Nessa época dirigiu o primeiro espetáculo ao ar livre, o auto natalino ‘O Caminho da Cruz’, mas acabou se desencantando com as artes cênicas”, contou o escritor Tarcísio Gurgel, seu colega nos tempos de teatro.

“Pouco depois enveredou de vez para o lado da literatura, pela poesia oral. Celso era dono de humor rasgado e pela presença de espírito”, acrescentou Tarcísio.

Glosa Glossarium” seria o próximo livro a lançar

Com Myriam Coeli, sua primeira esposa, dividiu a autoria do livro ‘Imagem Virtual’, em 1961, mais para vencer a timidez da poetisa e lançá-la no mercado do que qualquer outra coisa. A poetiza morreu em 1982 vitimada por um câncer.

No fim dos anos 80, decide abrir sua própria editora, a Boágua, cuja proposta era a de editar obras de escritores potiguares com custos baixos, pequenas tiragens e prezando pela qualidade literária. Foi assim que lançou, 1992, o póstumo “Da boca do lixo a construção servil”, de Myriam Coeli com ilustrações de Assis Marinho.

“Era uma figura, seguia os moldes dos tradicionais poetas assuenses. Celso sempre esteve presente nos últimos 50 anos da vida cultural da província. Grande glutão e contador de anedotas, contagiava todos com suas gargalhadas. Trabalhou em rádio, jornal e TV, era um artista multifacetado”, lembrou o jornalista Woden Madruga, seu parceiro de redação na TN.

Sua veia humorística parece ter realmente influenciado a todos pois, durante a conversa com Woden, o telefone falhou diversas vezes e ele, do outro lado da linha soltou: “só pode ser brincadeira do Celso lá de cima”, divertiu-se.

Outro parceiro de redação que lembra como Celso era impetuoso é o acadêmico Ticiano Duarte. “Fomos companheiros no Jornal de Natal, na Folha da Tarde, na República e na Tribuna. Inteligente, um dos melhores poetas do RN com conjunto de obra respeitável, Celso da Silveira era um grande contador de causos, boêmio e parceiro de vigílias. Amante do carnaval, gostava de sair vestido de pierrot e era membro da equipe que acompanhava o Rei Momo nos ‘assaltos’ carnavalescos”. Para a escritora Marize Castro, Celso é referência para o jornalismo, a poesia e o humor Norte-riograndense: “era um homem questionador e estava sempre disponível para o humor”.

Pai do escritor e poeta Eli Celso e casado com Lourdes da Silveira, 54, sua segunda esposa com quem viveu 22 anos, Celso foi o primeiro assessor de imprensa do Governo do Estado (cargo criado em 1961 pelo governador Aluízio Alves); e dirigiu veículos como a TRIBUNA, a Rádio Cabugi e a TV Universitária. Sua obra mais conhecida é o livro “Glosa Glosarum”, coletânea de glosas de diversos autores norte-rio-grandenses que será reeditada pelo Sebo Vermelho.

“Estava nos planos de fecharmos 2004 com esse livro mas veio a doença e ficamos no aguardo. Agora a 4º edição será lançada no fim de janeiro com apenas 300 exemplares. ‘Glosa Glosarum’ é considerado um best-seller da poesia potiguar. Era dos últimos intelectuais do quilate de Deífilo Gurgel, Ney Leandro de Castro, Dorian Gray e Sanderson Negreiros”, disse Abimael Silva. Como bom filho da terra, ele dizia que ‘toma café, almoça e janta Assu”.

SABER PEDIR




"Nós somos mendigos de DEUS.
Os que têm dinheiro, pedem paz. Os que têm paz, pedem amor. Os doentes reclamam saúde. Os oprimidos exigem justiça. Os errantes querem pouso. Os caluniados suplicam verdade. Os intranquilos mendigam a fé. Os orgulhosos esmolam humildade. Os humildes vêm a DEUS e aí se tornam pequenos grãos de milho.
Não há quem fique sem pedir. Mas, não há quem, pedindo, fique sem receber.
É a infinita Bondade de DEUS à qual nós temos que agradecer."

(Livro Comece o dia feliz)
Livro de reflexão de J.S. Nobre

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO