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(Transcrito do FB de Eduardo Alexandre Garcia)
Por João Gothardo Dantas Emerenciano
A cidade do Natal, no ano de 1959, estava longe de ser a “metrópole do
Oriente da América” que Manoel Dantas (1867-1924) previu na sua
histórica conferência Natal daqui a cinqüenta anos, proferida no salão
nobre do palácio do Governo do Estado, no dia 21 de março de 1909, e que
segundo o poeta Jota Medeiros constitui o marco do Futurismo,
antecedendo o manifesto de Marinetti.
Com uma população de
aproximadamente 167.202 habitantes distribuídos em doze bairros – Santos
Reis, Rocas, Ribeira, Cidade Alta, Petrópolis, Tirol, Alecrim, Lagoa
Seca, Lagoa Nova, Dix-Sept Rosado, Quintas e Mãe Luiza – Natal
apresentava insuficiência urbanística caracterizada pela modéstia das
edificações, precariedade da malha viária, transportes coletivos
obsoletos e, sobretudo, ausência de indústrias.
A administração
do município, que tinha 489 logradouros públicos (avenidas, ruas,
travessas, praças e vilas), era coordenada por três secretarias
(Finanças, Negócios Internos e Jurídicos, Viação e Obras) reunindo vinte
e seis repartições.
Tinha o suporte da Companhia Força e Luz
Nordeste do Brasil, Serviço de Água e Esgoto de Natal, Serviço de
Limpeza Pública e o Serviço de Transportes Coletivos que supervisionava
as doze linhas de auto-ônibus (Rocas/Matadouro; Jaguarari;
Petrópolis/Grande Ponto; Tirol/Grande Ponto; Circular; Lagoa
Nova/Alecrim; Avenida 4; Avenida 10; Rocas/Igapó; Grande Ponto/Praça
Augusto Leite; Circular via Alexandrino de Alencar; Natal/Parnamirim) e
treze linhas de auto-lotação e micro-ônibus, considerados coletivos de
primeira categoria, atendendo no horário das 5 às 22 horas com pequenas
modificações no percurso realizado pelos auto-ônibus que funcionavam das
5 às 24 horas.
A educação era ministrada por oito
estabelecimentos de ensino superior (Escola de Engenharia, Escola de
Serviço Social, Faculdade de Ciências Econômicas, Contábeis e Atuariais,
Faculdade de Direito, Faculdade de Farmácia e Odontologia, Faculdade de
Filosofia, Faculdade de Medicina, Instituto Filosófico São João Bosco);
quatorze cursos secundários (Colégio Imaculada Conceição, Colégio N.
Senhora das Neves, Colégio Santo Antônio, Escola Doméstica, Escola
Industrial, Escola Normal, Escola Técnica de Comércio Alberto Maranhão,
Escola Técnica de Comércio de Natal, Escola Técnica Visconde de Cairu,
Ginásio São Luiz, Ginásio 7 de Setembro, Instituto de Educação do Rio
Grande do Norte, Seminário e Instituto Batista Bereiano, Seminário Menor
de São Pedro); cento e sessenta escolas mantidos pelo Governo do Estado
e noventa e oito “escolinhas” mantidas pela Prefeitura, além de vinte e
um cursos particulares.
O sistema de saúde tinha o atendimento
de trinta e seis estabelecimentos (hospitais, casas de saúde e
ambulatórios) sendo o principal deles o Hospital Miguel Couto, atual
Hospital Universitário Onofre Lopes.
O cemitério do Alecrim
continuava a ser o nosso único Campo Santo, “onde o cipreste chora noite
e dia a música dorida de saudades pungentes”.
A inexistência
de supermercado forçava a população a fazer suas compras nos quatro
mercados (Cidade Alta, Alecrim, Quintas e Ribeira) e nas mercearias e
bodegas.
O lazer era feito nos vinte e cinco clubes recreativos
existentes, no Teatro Alberto Maranhão, e nos cinemas, Rex, Rio Grande,
Nordeste, São Luiz, São Pedro, São Sebastião, São João e Potengi, além
do passeio de barco a motor e a vela até a praia da Redinha, com saída
do porto flutuante do Canto do Mangue.
Os jornais “A
República”, “Diário de Natal”, “Jornal de Natal”, “O Poti”, “Tribuna do
Norte”, e as estações de rádio, Cabugi, Nordeste, Poti e Emissora de
Educação Rural, disputavam os leitores e a audiência da população que
tinha poucos divertimentos.
Afora os equipamentos e serviços
citados existiam em Natal, “no ano da Graça de 1959”, dez bancos, três
bibliotecas, nove cartórios, seis consulados, doze cooperativas, dez
agências de correios e telégrafos, treze hotéis, seis pensões, quarenta e
sete templos católicos, vinte templos protestantes, dezessete centros
espíritas, quatro lojas maçônicas, oito “praças” de automóveis de
aluguel, trinta e um sindicatos, nove agências de transportes fluvial
(Natal/Redinha), vinte e uma agências de transportes rodoviário e a Rede
Ferroviária do Nordeste, que fazia o tráfego com municípios dos Estados
do Rio Grande do Norte e Paraíba, além da cidade do Recife.
Postado por Fernando Caldas