Celebração em memória da esperança
A
passagem dos 91 anos do nascimento de Aluízio Alves é comemorada, hoje,
com a tradicional missa em ação de graças na Igreja de Nossa Senhora da
Esperança. A celebração, em memória ao líder da Esperança, que
ocorrerá a partir das 19 horas, é realizada desde a inauguração, nos
anos 60, daquele que é considerado o primeiro conjunto residencial da
América Latina, fundado por Aluízio Alves, em sua gestão como governador
do Estado (1961/1966).
Divulgação
Memorial tem fotografias históricas no acervo com 5 mil peças
Familiares
e amigos do ex-ministro e ex-governador Aluízio Alves (1921-2006)
estarão reunidos na missa que será celebrada pelo padre Agustín
Calatayud Salon. A ocasião, disse a coordenadora do Memorial Aluízio
Alves, Rosemary Lins Barreto, será marcada por recordações, emoções e
amizade.
Diariamente, conta Rose Barreto, o povo continua a
homenageá-lo, seja encaminhando peças para o acervo do Memorial, seja em
homenagens póstumas, como a que faz anualmente o potiguar Nicodemos
Alves de Almeida, que hoje reside no Mato Grosso do Sul. "O amor, a
satisfação em falar dele e contar histórias que foram vividas e que
ultrapassam o tempo", disse Rose Barreto, "é o alimento da querida
gentinha". Desde 2006, quando foi inaugurado, o Memorial, segundo ela,
tem ajudado a tornar viva a memória do líder da Esperança. "Até hoje,
Aluízio está sempre no coração de cada um, porque os momentos foram
todos de esperança, fé e confiança no amanhã". Aluízio Alves
transformou, nos anos 60, não apenas a estrutura administrativa do
Estado, mas as condições de vida do povo, à época, precárias.
O
projeto "Aliança para o Progresso" está retratado em um mapa iluminado,
mostrando os avanços nas áreas de eletrificação, saúde, telecomunicações
e estradas. Não é a toa, segundo Nicodemos Almeida, que acompanhou a
carreira de Aluízio, a frase histórica dita pelo político potiguar: "Vim
para vencer, vim para lutar, vim para ficar". "Se os políticos de hoje
fizerem um pouco do que fez, se seguissem seu exemplo, sua dedicação,
fariam muito pelo nosso povo". Um detalhe que ela destaca é que, mesmo
ao assumir o poder no Estado, Aluízio continuou o mesmo ritmo de
comunicação com o povo, como se ainda estivesse em campanha.
"Ele
mantinha constante contato com a massa, aproveitando qualquer ato
público para realizar comícios e passeatas e isso cativava o povo",
acrescentou Rose Barreto. A mão fechada com o polegar em riste foi seu
símbolo, mas as palavras de esperança, aponta Rose Barreto, foram seu
maior legado.
No governo, Aluízio Alves modernizou a
administração e a infra-estrutura do Estado, ao criar novas entidades e
empresas, como a Companhia de Serviços Elétricos do RN (Cosern), a
Companhia Telefônica do RN (Telern) e Serviço Cooperativo de Educação
(Secern). Na área empresarial, fundou o grupo Cabugi de Comunicação,
tendo criado a TRIBUNA DO NORTE em 1950, e em seguida, comprou o
controle acionário da atual Rádio Globo Natal. Ainda enveredou pela
iniciativa privada, fundando editoras e instalando o grupo têxtil Sperb
em São Gonçalo, nos anos 70 e no fim dos anos 80, fundou a emissora de
televisão que hoje é a InterTV-Cabugi.
Testemunho de grandiosas realizaçõesNicodemos
Alves de Almeida, 72 anos, é um sertanejo. Nascido no município de
Antônio Martins (RN), sempre foi admirador do ex-ministro e
ex-governador, Aluízio Alves. "O Rio Grande do Norte é o que é graças a
ele. Está melhor porque ele passou por aqui", afirma, com convicção e
emoção. Nicodemos morou 12 anos em Natal. Hoje, vive em Dourados (MS),
mas não esquece o amigo, falecido em 2006.
"Aquela criança, que
hoje está lá no céu", afirma Nicodemos, "era dez. Na campanha de 60, eu
estava saindo do quartel e, vendo aquela euforia toda, me apaixonei, no
bom sentido. Era e ainda sou fanático por ele". Ao final das campanhas
da qual Aluízio participava, Nicodemos fazia questão de enviar
telegramas. "O meu", recordou, "era sempre o primeiro que ele recebia".
O
hábito de homenagear o amigo, não cessou. Anualmente, Nicodemos
encaminha ao Memorial Aluízio Alves uma placa comemorativa que, este
ano, tem o título "Em memória à paixão política potiguar". "Aluízio era
um operário, que trabalhava para melhorar a vida do povo", observa
Nicodemos, que se declara integrante da "gentinha', como eram conhecidos
os que acompanhavam Aluízio.
Trajetória de iniciativas memoráveisO
jornalista e ex-ministro Aluízio Alves era o quinto filho do casal
Manoel Alves Filho (1894-1986) e a dona-de-casa Maria Fernandes Alves
(1891-1975). Ele nasceu em Angicos no dia 11 de agosto de 1921. Aluízio
Alves conquistou o primeiro mandato nas eleições de 1945, quando foi
eleito para a Assembleia Nacional Constituinte, como o mais jovem
deputado, então com 24 anos.
Após a promulgação da Constituição
de 1946, o então deputado federal Aluízio Alves foi designado para ser o
relator de 86 projetos que modificavam o sistema da Previdência Social.
Diante da tarefa, ele decidiu elaborar uma lei orgânica que pretendia
corrigir os erros identificados e aproveitar o que havia de melhor sobre
o assunto no mundo. Em outubro de 1950 Aluízio Alves reelegeu-se
deputado federal, sempre na legenda da UDN.
Durante essa nova
legislatura, destacou-se pelo estudo que realizou sobre o mais grave
problema a atingir o Nordeste. Em janeiro de 1958, tornou-se vice-líder
da UDN e da minoria na Câmara dos Deputados. Candidato a mais uma
reeleição, Aluízio Alves obteve a maior votação do Estado no pleito de
outubro de 1958, conseguindo mais de 23 mil votos. Em 3 de outubro de
1960, Aluízio Alves elegeu-se governador do Rio Grande do Norte, com
apoio da coligação PSD-PTB, derrotando o advogado Djalma Marinho.
Em
janeiro de 1961, renunciou ao mandato de deputado, tomando posse como
governador no dia 31 do mesmo mês. A campanha de 1960 foi memorável.
Nela, Aluízio Alves iria imprimir um estilo que o acompanharia pela vida
afora. Nos grandes comícios, destacavam-se os lenços verdes, os galhos
de árvores e a voz rouca do chamado líder da Esperança. Empreendeu uma
peregrinação pelo interior do Estado que ficou conhecida como a "Cruzada
da Esperança". Nessa época, em que mal se ouvia falar em marketing
político, Aluízio Alves já trabalhava nessa perspectiva, massificando a
legenda Cigano Feiticeiro.
Em 1966, elegeu-se de novo deputado
federal, tendo o mandato cassado e suspenso seus direitos políticos por
dez anos pela ditadura militar. Já em 1982, quando voltou-se a ter
eleição direta para os governos estaduais, o ex-governador e
ex-ministro, voltar a se candidatar ao governo, depois de 16 anos,
perdendo o pleito devido à vinculação do voto. Na época, o eleitor só
podia votar nos candidatos de um mesmo partido, de deputado estadual a
governador.
Fonte: Tribuna do Norte