segunda-feira, 17 de setembro de 2012
O reduto dos bons boêmios
No Beco da Lama, sem atenção do poder público e cheio de restrições aos bares, uma Nazaré é quem dita o tom
Sérgio Vilar
sergiovilar.rn@dabr.com.br
Sérgio Vilar
sergiovilar.rn@dabr.com.br
Se um tsunami devastasse Natal, o comércio no centro da cidade dava seu jeito de abrir as portas nas primeiras horas claras do dia. É a vocação que o tempo lhe emprestou. E na estreita rua Coronel Cascudo, uma senhora de 56 anos de idade cumpre a rotina de 31 anos de comércio: sobe o portão de ferro e inicia a limpeza do bar, muitas vezes já na companhia de clientes. "Mais uma bem gelada, Nazaré!". Por ali passam pedintes, políticos, artistas e profissionais liberais. Pelo Bar de Nazaré passa também a história da boemia natalense. Passam figuras folclóricas: desfila Gardênia, rasteja Helmut... E passa também um filme na memória da "dama do Beco da Lama" ainda sem final alegre.
Maria Nazaré Melo dos Santos permanece nas adjacências do Beco por falta de opção. Largaria a tradição, a clientela amiga conquistada com labuta e a referência do comércio por uma vida mais tranquila. O Bar de Nazaré vive mais da fama. Dinheiro mesmo tem ali quase ao lado, na Assembleia dos deputados que nunca inscreveram um projeto para aquele corredor histórico; ou mais à frente, na prefeitura da gestora que diminuiu metade do lucro do Bar. "No início do governo de Micarla eu fui notificada a tirar as mesas da calçada. Só eu em toda a redondeza. Perdi uns 70% dos clientes. Mas é ela saindo e eu colocando as mesas de volta. Não vejo a hora", diz, exaltada.
O lugar já é tombado pelo patrimônio histórico. Promessas de urbanização abundam. Na Ribeira "velha de guerra", a prefeitura aproveitou a moda e a aglomeração de cidadãos-eleitores no Buraco da Catita para construir um calçadão de uns 20 metros. O Centro, cansado da guerra e do esquecimento, suplica atenção. O comércio sobrevive do pouco ou do jogo. Na mesma rua Coronel Cascudo do Bar de Nazaré, muitos estabelecimentos teriam fechado não fossem as máquinas caça-níqueis. Nazaré segue com sua cerveja gelada, a meladinha e o cardápio de tira-gostos. Não é muito, mas é o possível. E agrada. No vasto mundo particular do Centro, é a referência boêmia ehistórica.
"O Bar de Nazaré, a despeito de ter perdido as mesas de rua, continua a ser para a boêmia do centro histórico um dos seus principais atrativos. É dos mais antigos em funcionamento. Atrai artistas, jornalistas, gente de variadas profissões que ali diariamente se confraternizam. Nas festas realizadas no centro, tem importância fundamental. Espero que possamos degustar, ali, da brisa que vem dos morros na nova administração da cidade. Ao ar livre, mesas e cadeiras no meio da rua, é melhor para o espírito e para a cidade, que ganha um atrativo a mais para o seu turismo histórico", sugere Eduardo Alexandre, o Dunga, agitador cultural e freguês antigo do bar.
Bar de Nazaré, no centro histórico, é ponto de encontro de expoentes da cultura potiguar há 31 anos. Foto: Ana Amaral/DN/D.A Press |
Maria Nazaré Melo dos Santos permanece nas adjacências do Beco por falta de opção. Largaria a tradição, a clientela amiga conquistada com labuta e a referência do comércio por uma vida mais tranquila. O Bar de Nazaré vive mais da fama. Dinheiro mesmo tem ali quase ao lado, na Assembleia dos deputados que nunca inscreveram um projeto para aquele corredor histórico; ou mais à frente, na prefeitura da gestora que diminuiu metade do lucro do Bar. "No início do governo de Micarla eu fui notificada a tirar as mesas da calçada. Só eu em toda a redondeza. Perdi uns 70% dos clientes. Mas é ela saindo e eu colocando as mesas de volta. Não vejo a hora", diz, exaltada.
O lugar já é tombado pelo patrimônio histórico. Promessas de urbanização abundam. Na Ribeira "velha de guerra", a prefeitura aproveitou a moda e a aglomeração de cidadãos-eleitores no Buraco da Catita para construir um calçadão de uns 20 metros. O Centro, cansado da guerra e do esquecimento, suplica atenção. O comércio sobrevive do pouco ou do jogo. Na mesma rua Coronel Cascudo do Bar de Nazaré, muitos estabelecimentos teriam fechado não fossem as máquinas caça-níqueis. Nazaré segue com sua cerveja gelada, a meladinha e o cardápio de tira-gostos. Não é muito, mas é o possível. E agrada. No vasto mundo particular do Centro, é a referência boêmia ehistórica.
"O Bar de Nazaré, a despeito de ter perdido as mesas de rua, continua a ser para a boêmia do centro histórico um dos seus principais atrativos. É dos mais antigos em funcionamento. Atrai artistas, jornalistas, gente de variadas profissões que ali diariamente se confraternizam. Nas festas realizadas no centro, tem importância fundamental. Espero que possamos degustar, ali, da brisa que vem dos morros na nova administração da cidade. Ao ar livre, mesas e cadeiras no meio da rua, é melhor para o espírito e para a cidade, que ganha um atrativo a mais para o seu turismo histórico", sugere Eduardo Alexandre, o Dunga, agitador cultural e freguês antigo do bar.
(Diário de Natal)
Edição de domingo, 16 de setembro de 2012
Edição de domingo, 16 de setembro de 2012
sábado, 15 de setembro de 2012
BAOBÁS DA MINHA TERRA - ASSU-RN
No município do Assu, baixo sertão potiguar, distante 210km de Natal [é uma terra pluralista, onde de tudo tem e acontece], existe onze árvores (Baobás) raras no Brasil! Os Baobás do Brasil, "foram trazidas pelos sacerdotes africanos e foram plantados em locais específicos para o culto das religiões africanas". Afinal, é esse o meu Assu, que além de ser cognominada de Terra dos Poetas, Atenas Norte-Riograndense, Dos Verdes Carnaubais, Da Fruticultura, está sendo cognominada também de Terra dos Baobás.
A Poesia está em todo lugar
Na folha que cai
No sol a brilhar
No sorriso da criança
No semblante triste de um idoso
No ritmo da batera.
A Poesia é como você olha as coisas
Ao amanhecer, o sopro nas narinas
O rosto no espelho
A vida que nos chama às tarefas
O jovem indo à escola
Os pássaros voando sobre os matagais.
A Poesia é a rotina diária
Costumamos não enxergá-la
Ficamos tão dormentes
Às coisas ao nosso redor; como forjá-la?
Vemos, mas não a enxergamos
Não há tempo pra senti-la.
A Poesia é apreciar tudo com carinho
Seja uma rosa, ou um jardim em flor
Seja o mar, ou o infinito oceano
De tudo ser um eterno namorado
Amar em um dia muito atarefado
A Poesia é um circo encantado.
A Poesia está nas coisas mais simples
Está no encontro e no desencontro
No ir e vir dos transeuntes
No murmurinho das ruas
No silenciar dentro do peito
No querer bem.
É preciso olhar a Poesia, aí próximo, em cada canto
Está atento nos mínimos detalhes
Na padaria, o pão fresco
No restaurante, a sofreguidão da fome
Na academia, o afã da estética pessoal
Na morte, o suspiro final.
A Poesia pede esforço individual
Imaginação
Impossível passar pela vida
E não viver com inspiração
Assim, não há amadurecimento
Ver-se apenas o lado escuro da lida.
A Poesia não muda ninguém
Até porque ela não é feita pra isso
Ela, no máximo, remodela alguém
Deve reconstruir uma parte de mim e de ti
Não consigo imaginar um ser antipoético
Então, quer viver nisso? Viva.
A Poesia são as estrelas no firmamento
Depois de uma tempestade, o sol brilhar outra vez
O canto da rolinha na janela
Um hino de louvor a Deus
Aquilo que a gente imaginar
A Poesia é isso e muito mais.
A Poesia é preciosa na vida de nós todos
É superar a preguiça
Num dia de chuva, pular da cama
Deixando os cobertores pra trás
Continuar aquilo que havia iniciado
Fazer tudo o de sempre, de repente.
A Poesia é um salto de qualidade
É amar-se
É querer-se bem
Sem muito alarde
Nem muita afobação
É o amanhã.
A Poesia é viver a vida como ela é
Engatar a segunda na ladeira
Subir bem devagarinho
Encarando a depressão
Não cochilar pra não ratear
Seguir enfrente na pressão.
A Poesia é o mais lindo cantar
Música popular
Samba do bom
Paulinho da Viola, a nos contagiar
A brincadeira e vadiagem
No refrão, embalar os corações.
(Lourdes Limeira, poeta paraibana)
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UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO



![Foto: Uma brisa de palavras
Havia uma brisa a penetrar
A noite fria
Uma brisa de palavras
Sussurradas pelos teus lábios…
E a noite
Ainda tão longe da aurora
Transformou-se em dia…
(Simples-mente)
[Emílio Miranda]](https://fbcdn-sphotos-f-a.akamaihd.net/hphotos-ak-ash4/c156.0.403.403/p403x403/307852_220588521402036_259367848_n.jpg)
