sexta-feira, 9 de novembro de 2012


"Silêncio...portador de múltiplas faces;
Suscita dor...suscita alívio;
Gesto simples...gesto poderoso;
Mexe na essência do Ser ."

Música, teatro e shows agitam fim de semana; veja o agendão

Hoje, 9, ao abrir o meu Facebook, deparo-me com essa fotografia abaixo do "policial que fora absolvido por jogar spray de pimenta numa cadela", que nos deixa indgnado. Me faz lembrar quando no início dos anos setenta, na minha cidade de Assu, baixo sertão potiguar, certo fiscal da prefeitura local saíra envenenando os cachorros que viviam soltos pelas ruas da cidade. Pois bem, Renato Caldas, afamado bardo da minha terra, sensível como são os poetas, produziu o soneto - na sua indgnação ao ver o seu cachorrinho de estimação morrer aos seus peis -, sentenciando conforme adiante:

Maldita a mão que distribuiu a morte,
Na rua, envenenando irracionais!
Deus que te reserve a mesma sorte...
Dias de angustia! Noites infernais.

O destino te seja árido e forte,
Mão assassina, não te ergas mais!
E em breve a gangrena venha e corte
Dando descanço aos pobres animais.

Todos têm o direito de viver
Se o homem não dá vida? porque tem
Razão para uma existência desfazer?

Será maldito, como foi Caim,
E terás nesse eterno vai-e-vem
De pedir, de esmolar até o fim.


 


"A Agonia da Seca" Essa foto é aqui no municipio do Assu.
 
De: Renato Cabral da Silva
"A Agonia da Seca" Essa foto é aqui no municipio do Assu.
Há dias em que as palavras são mais difíceis. Talvez por serem mais delicadas… as pessoas a quem as dizemos…

(Simples-mente)
[Emílio Miranda]
Há dias em que as palavras são mais difíceis. Talvez por serem mais delicadas… as pessoas a quem as dizemos… 

(Simples-mente)
[Emílio Miranda]

quarta-feira, 7 de novembro de 2012

Despedida de Solteiro

 
Já não se casam mais como antigamente, tudo hoje é modernizado, o avanço social faz com que não recordemos de praxes matrimoniais dos tempos do meu avô, pra refrescar a mémória, vamos repetir o que fez o grande menestrel da poesia varzeana Renato Caldas, sua exuberância poética, transcendia outros horizontes, seu Livro "Fulô do Mato e o seu "Reboliço", provocou grande revolução na arte e cultura do povo.

O preâmbulo serve pra lembrar que nestas próximas horas  (anunciaram que seria amanhã), diante da população assuense e de ilustres visitantes, estará se casando o prefeito Ivan Júnior.

Casório comunitário, coisas dos tempos modernos, mistura de chic com brega. 

Convém lembrar que em épocas mais remotas, o noivo aproveitava a véspera do casamento pra fazer a despedida de solteiro, caía na esbórnia, ladeado dos amigos mais próximos, enchia a cara com direito a seresta e muita birita.

 Contam que o poeta Renato Caldas fez uma despedida solteiro que ficou nos anais da memória popular, preferiu fazer a despedida logo após celebrar o matrimônio, estando todos os convidados ainda na igreja dando parabéns.

Muitas damas da sociedade assuense abraçavam sua estimada Fausta e o poeta aproveitou o ensejo pra sair de fininho.

Passou 48 horas na ribalta, farreou até enjoar, chegando em casa foi surprendido com a reação da esposa: Isso é coisa que você faça?

Me deixar nos pés do padre e sair com seus companheros pra farrear: A reposta foi mias surpeendente ainda, "fale baixinho,  agora foi que vim buscar o violão".


O mais forte é o que vence pelo silêncio.

(Simples-mente)
[Emílio Miranda]

Flipipa terá painel sobre modernismo e Cascudo

"Não gosto de sertão verde, sertão de violeiro e de açude cheio, sertão de rio descendo lento, largo, limpo (...) Prefiro o sertão vermelho, bruto, bravo, com o couro da terra furado pelos serrotes hirtos, altos, secos, híspidos e a terra é cinza poalhando um sol de cobre..."  a estética do sertão, o contraste e a musicalidade contidos no poema "Não Gosto de Sertão Verde" são apenas alguns dos muitos aspectos que colocaram Luís da Câmara Cascudo nas rodas do movimento modernista brasileiro. O poema, publicado originalmente na revista Terra Roxa e Outras Terras, revista que teve entre colaboradores nomes como Mário de Andrade, será um dos temas do painel "O Modernismo na Poética de Câmara Cascudo", que abre o 4º Festival Literário da Pipa-Flipipa, dia 22 de novembro, às 17h30, na Tenda dos Autores.

A abordagem modernista e a inclusão de Cascudo escritor serão visitados sob vários olhares. Cinco convidados participam do Painel, três deles ligados ao Núcleo Câmara Cascudo de Estudos Norte-Rio-Grandenses, vinculado ao Departamento de Letras da UFRN, entre outros departamentos: Humberto Hermenegildo, Suely Costa, José Luiz Ferreira, além do pernambucano Neroaldo Pontes e do potiguar radicado no Rio de Janeiro, professor Nonato Gurgel, que será o mediador.

Especialista em Literatura brasileira, crítica literária e modernismo, além de pesquisador do Núcleo Câmara Cascudo, o professor Humberto Hermenegildo evocará as relações entre Câmara Cascudo e o pernambucano Joaquim Inojosa de Andrade através das correspondências trocadas pelos intelectuais, tendo como interlocutor o paulista Mário de Andrade. Além de estabelecer vínculos entre os autores, as cartas apontam o cenário de difusão do movimento no Nordeste e este para o Brasil.

De acordo com o professor José Luiz Ferreira, o painel vai percorrer o movimento modernista a partir de Cascudo. "Como o tempo será curto, cada convidado vai abordar um aspecto dessa temática. No meu caso, farei a leitura comentada do poema Não Gosto de Sertão Verde'", comentou o professor. "Neste poema, a própria temática do sertão é o elemento estético que o insere no modernismo. Cascudo apresenta o sertão a partir desse aspecto duplo." José Luiz Ferreira é professor da área de Letras na UFERSA e atua em temas como tradição literária e cultural, modernismo, regionalismo e modernidade literária.

A leitura poética também foi a escolha da escritora e professora Maria Suely da Costa. Sua participação será a leitura do poema "Banzo".

O modernismo no Nordeste será a abordagem do pernambucano Neroaldo Pontes de Azevedo. Ex-reitor da Universidade Federal da Paraíba, Neroaldo é  um estudioso do tema. A mediação do painel ficará a cargo de Nonato Gurgel, professor de Teoria Literária na UFRJ. Nonato também lançará durante o Flipipa o livro "Luvas na Marginália - escritos em torno da poética de Ana C".

O Flipipa acontece de 22 a 24 de novembro na avenida Baía dos Golfinhos . A entrada é franca. Entre os autores convidados estão Luís Fernando Veríssimo, Sérgio Santa'Anna, Reinaldo Moraes, João Paulo Cuenca, Tatiana Salem Levy, Zuenir Ventura, Joyce Pascowitch, Bené Fonteles, Ana Miranda, Nelson Xavier, Antônio Cícero.

Fonte: Tribuna do Norte

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO