sábado, 3 de agosto de 2013

















"Solilóquio que alucina
ao diálogo excomunhão
Noite adentro a ausência
vã ausência que abrasa
Brasa viva que calcina
o espaço*tempo da paixão."


ReinatOliveira

De: Decorações de Apartamentos.
Desnudada pela chuva

Caminhas desnudada,
pela chuva que te purga
Percorres veredas no tempo,
açoitada pelas águas caprichosas
cuspidas pelos céus
Face que banhas num líquido gélido
De uma vida que te habita
Percorres teus caminhos solitários
Sentindo as gotículas de Zeus
Fundes-te na noite
Perdida nas memórias …
Dançando à chuva
Sorvendo a escuridão …

João Salvador – 28/03/2013

http://joaogsalvador.blogspot.pt
 













Do face.
Poema de PABLO NERUDA
dedicado a ÁLVARO CUNHAL

Porto cor de céu
I
Quando desembarcas
em Lisboa,
céu celeste e rosa rosa,
estuque branco e ouro,
pétalas de ladrilho,
as casas,
as portas,
os tectos,
as janelas
salpicadas do ouro verde dos limões,
do azul ultramarino dos navios,
quando desembarcas,
não conheces,
não sabes que por detrás das janelas
escura,
ronda,
a polícia negra,
os carcereiros de luto
de Salazar, perfeitos
filhos de sacristia a calabouço,
despachando presos para as ilhas,
condenando ao silêncio
pululando
como esquadrões de sombra
sobre janelas verdes,
entre montes azuis,
a polícia,
sob outonais cornucópias,
a polícia,
procurando portugueses,
escavando o solo,
destinando os homens à sombra.


PABLO NERUDA

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

CAUSO

"Oi, nós, hein, falano ingrês"

Brejo das Freiras é uma Estância Termal nos confins da Paraíba, perto de Uiraúna e Souza. Trata-se de um lugar para relaxamento e repouso. O governo da PB tinha (não sei se ainda tem) um hotel, com uma estrutura para banhos em águas quentes. Década de 70. Apolônio, o garçom, velho conhecido dos fregueses da região, recebe, certo dia, um hóspede de outras plagas. Pessoa desconhecida. Lá pelas tantas, quase terminando a refeição, o senhor levanta a mão, chama Apolônio e pede :

- Meu caro, quero H2O. 

 
Susto e surpresa. Anos e anos de serviços ali no restaurante e ninguém, até aquele momento, havia pedido aquilo. Que diabo seria H2O ? Apolônio, solícito :

- Pois não, um instante ! 

 
Aflito, correu na direção da única pessoa que, no hotel, poderia adivinhar o pedido do hóspede. Tratava-se de Luiz Edilson Estrela, apelidado de Boréu (por causa dos olhos grandes de caboré), contumaz boêmio, acostumado aos salamaleques da vida.

- Boréu, tem um senhor ali pedindo H2O. Que diabo é isso ? 

 
Desconfiado, pego sem jeito, Boréu coça o queixo, olha pro alto, tenta se lembrar de algo parecido com a fonética. Desanimado, manda ver :

- Apolônio, sei não. Consulte o Freitas. 

 
Freitas era o diretor do Grupo Escolar, o respeitado intelectual da região. Localizado, o professor tirou a dúvida no ato:

- H2O é água, seus imbecis. Quer dizer água. 

 
Apressado, Apolônio levou ao freguês uma jarra do líquido. Depois, no corredor, glosando o feito, gritou em direção a Boréu :

- Ah, ah, ah, esse sujeito achava que nós não sabia ingrês. Lascou-se !
 
Postado por: Porandubas Políticas














Taí uma coisa que nós fazemos e é tão perigosa!
CEBOLAS! Eu nunca tinha ouvido essa!

Em 1919, quando a gripe matou 40 milhões de pessoas havia um doutor que visitou muitos agricultores para ver se ele poderia ajudá-los a combater a gripe, pois que muitos deles que haviam contraído a doença haviam morrido.

Em uma visita na propriedade de outro fazendeiro, na mesma região, a médico surpreendeu-se em saber do bom estado de saúde que lá encontrou. Todos estavam muito saudáveis. Quando o médico perguntou ao fazendeiro o que eles estavam fazendo para se protegerem da gripe, a mulher deste prontamente respondeu que ela colocava uma cebola cortada (com casca) em pratos e distribuia-os nos quartos da casa.

O Médico não podia acreditar no que ouviu. Pediu ao fazendeiro para lhe entregar uma das cebolas que estava usando e pôs sob seu microscópio, quando então observou enorme números de bactérias da gripe ali acumulados.

Levado a um pneumologista, este explicou que as cebolas são um ímã enorme para as bactérias, especialmente as cebolas cruas.

Em suma, nunca mantenha cebolas fatiadas para serem usadas no dia seguinte, mesmo que colocadas em sacos fechados, herméticos ou na geladeira. Seu consumo deve ser imediato, vez que pode ser um perigo consumí-las a posteriori.

Além disso, os cães nunca devem comer cebolas. Seus estômagos não pode metabolizar cebolas.

Lembre-se: é perigoso cortar uma cebola e consumí-la no dia seguinte. A cebola se torna altamente venenosa, mesmo depois de uma noite única, e cria bactérias tóxicas. Estas bactérias podem causar infecções do estômago adversos por causa de secreções biliares em excesso e intoxicação alimentar.

Repasse esta mensagem a todos os que você ama e se preocupa!

Da Web.

Marina Elali em Grafite

Cidade do Natal de antigamente em 210 fotos - Ella Fitzgerald

quinta-feira, 1 de agosto de 2013

ENFIM UMA BOA NOTÍCIA?

Publicado em 01/08/2013

Esperamos que o visual desta foto de 2009, feita pelo amigo Leonardo Dantas, nunca mais se repita
Esperamos que o visual desta foto de 2009, feita pelo amigo Leonardo Dantas, nunca mais se repita
EM MEIO A TEMPOS TÃO COMPLICADOS, ENFIM SURGE UMA BOA NOTÍCIA PARA AQUELES QUE GOSTAM DA HISTÓRIA, PRINCIPALMENTE SOBRE O ENVOLVIMENTO DE NATAL DURANTE A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL, POIS COMEÇOU AS OBRAS DE RESTAURAÇÃO DO PRÉDIO HISTÓRICO DA RAMPA.
VEJAM A MATÉRIA DO JORNAL BOM DIA RN, DA INTER TV CABUGI…
ESPERAMOS QUE TUDO CORRA BEM E LOGO OS POTIGUARES E SEUS VISITANTES POSSAM CONHECER MAIS DESTE PERÍODO DA NOSSA HISTÓRIA.
MAS COMO ISSO VAI OCORRER?
CONCORDO QUE DEVEM EXISTIR MANEIRAS DE VIABILIZAR ECONOMICAMENTE O LOCAL COM AS FUTURAS ATRAÇÕES EXISTENTES, MAS COMO ISSO SERÁ FEITO? QUEM VAI GERIR? O QUE VAI EXISTIR NO LOCAL?
NÃO PODEMOS ESQUECER QUE ESTA REFORMA É FEITA COM DINHEIRO PÚBLICO, EM LOCAL DE INTERESSE HISTÓRICO E O PRÉDIO DA RAMPA NÃO PODE SE TORNAR UM AMBIENTE FECHADO, ELITIZADO, EM PROVEITO DE CERTOS GRUPOS.
SERÁ QUE ALI VAI SE TORNAR UM CLUBE SOCIAL DE RICOS ADMIRADORES DA NOSSA HISTÓRIA, DE ABONADOS COLECIONADORES, BEM AS MARGENS DO RIO POTENGI E ABERTOS SÓ AOS “SÓCIOS”?
ESPERO QUE NÃO!
E A QUESTÃO TURÍSTICA?
PARA O BEM DESTE PRÉDIO HISTÓRICO, A SOCIEDADE POTIGUAR DEVE SIM FICAR DE OLHO NESTE LOCAL E NESTE PROJETO.
É NOSSA OBRIGAÇÃO PARA QUE ISSO TUDO NÃO VENHA SE TORNAR UMA MÁ NOTÍCIA.
A área da Rampa durante a Segunda Guerra Mundial
A área da Rampa durante a Segunda Guerra Mundia
( Para um náufrago ilhado numa pequena ilhota na cidade)

Última Carta

Oi amor!
Não sei nem por onde começar...
Mas começarei pelo começo, assim te farei lembrar...
Daquele poema que conjugava o verbo amar
Levei muitas horas á me inspirar
Queria te afagar a alma
Sem ser teu juiz seria eu a palma
Não a palma que arrebenta
Seria só a que te alimenta
Como um pilar te faria sustentar

Tantas coisas que se perdem no vento...
Nas estações do tempo sons e pensamento...
Inverno, brumas?... Nao!
Céu de outono manhã barulhenta, certo frio...
Meu eu sozinho como um barco num rio
Vontade latente como uma gata no cio
Frio na barriga um certo arrepio
Um navio sem passageiro, um barco sem marinheiro.
Estou á deriva ainda viva!
Escrevo essa última carta àquela que minha ilusão permite
Àquela que minha razão ainda orvalha e o coração admite

Não fique triste com tudo que lhe digo
Mas sozinha de hoje sigo
Só com meu sofrer, meu gemer de arrependimento.
Por ter sido tão tola e dormido ao relento
Ter-lhe ofertado o mais doce e puro sentimento
Meu amor minha magia...
Minhas rimas minhas poesias
Todas minhas noites de fantasias...

Minha poção doce como mel
Meu olhar de carinho em ninho de papel
Só o que me resta é secar as lágrimas
De que servem se jorradas para quem não as vale?
Vale de lágrimas que jorrei, sonhos tão lindos onde voei...
Sonhei e chorei quando o trato era somente sorrir
Desculpe tanta demora de notícias, mas sabe como é...
A memória fraca muitas vezes ingrata...
Moro em uma estação de santo muito transadinha...
Mas nada moderninha... Parece uma ilha, tudo aqui é a pilha.
Até dos cães as matilhas são de brinquedo.

Mas vou lhe contar um segredo, vem cá...
Aprendi á nadar!
Não! Meu celular?
Não tem internet nem mensagem, aqui tudo é uma linda paisagem!
Assim como minha cara agora!
Mas vê se não se demora tá, estou numa lan house!
Como assim não sabe o que é?
Ah! Vai ver é só coisa para mulher apaixonada...
Não sabe usar? Ah!

Achava você tão inteligente... Achei mesmo que soubesse...
Mas são coisas que na vida acontecem né?
Às vezes as pessoas emudecem, umas feitas eu emburre cem
Outras desaparecem e assim caminha a humanidade...
Saudades? Sim, muitas! Mas vai passar!
Tudo passa!

Ah! Para terminar peço que me desculpe a falta de tempo...
É que a rotação da terra sempre em movimento...
Rouba-me todo o discernimento fico me abraçando ao vento!
Para escrever-te poesia como cortesia de meu amor.
Não acho mais minha inspiração !
Deve ter se perdido na poeira do vento da razão.
Ou quem sabe orvalhando em bruma outro coração...
Para viver novas desventuras e amarguras...
Beijos sempre em você!

Ps: Vai demorar pra chegar esta carta...
Vou manda-la numa garrafa pelo mar.
(Tudo muito atrasado nessa cidade...)

Sonia Gonçalves
Son Dos Poemas



CAUSO

Ilustração: Arte de Cícero Alves dos Santos - Véio - Feira Nova - Sergipe.
Conta Valério Mesquita em seu livro Memórias Provincianas que Antônio Emídio reinou no sertão do município de Alexandria e adjacências. Era um coronel à moda antiga, tio do saudoso deputado Waldemar de Souza Veras. Irônico, observador, nada escapava a sua fina observação. Certa vez, escutava o rádio ao lado de amigos no vasto alpendre da fazenda. E como não poderia deixar de ser deleitavam-se com os baiões do velho Luiz Gonzaga. No estribilho de uma toada Luiz Gonzaga cantava: 
- “Sertão de mulher séria, de homem trabalhador... ♫ ♬” 
            Ai o comentário de Antonio Emídio foi inevitável:
- "Faz muitos anos que esse “nego” não vem ao nosso sertão!”.

UM CONTO DE JOÃO LNS CALDA NA REVISTA SOUZA CRUZ, DO RIO DE JANEIRO