quinta-feira, 14 de agosto de 2014

FERNANDO CALDAS - DEPUTADO ESTADUAL


George Soares propõe nome de Dr. Sales para futuro campus da UFERSA em Assú


A futura unidade acadêmica da Universidade Federal Rural do Semi-Árido (Ufersa), em Assú, poderá homenagear um dos profissionais da Medicina que, em vida, deu uma valiosa contribuição à saúde da população do Assú e região.

Através de requerimento apresentado ao plenário da Assembleia Legislativa do RN, o deputado George Soares (PR) pleiteia o envio de ofício ao reitor da instituição universitária, professor José Arimatea de Mattos, sugerindo que o campus previsto para instalar-se em Assú, no qual existirá o curso na área médica, tenha como patrono o saudoso médico Francisco Evaristo de Oliveira Sales, o popular “Dr. Sales”.

Em sua justificativa, George Soares recordou que Dr. Sales, “prestou serviços médicos no Assú por mais de 50 anos atuando também nos municípios de Ipanguaçu, Itajá, Porto do Mangue, Carnaubais, Pendências, São Rafael e outras cidades circunvizinhas. Realizou mais de cinco mil partos. Era o ‘doutor de todas as horas’. Além da rede pública atendia as pessoas carentes em sua residência (...)”.

“Um cidadão de relevantes serviços prestados aos varzeanos. Caráter exemplar. Amou o Assú como poucos assuenses”, destacou o deputado a respeito de Dr. Sales, falecido em 23 de novembro de 2003.

PÁGINA ASSUENSE:


Na poesia popular,
houve Moysés Sesyom,
Que, semelhante a Bocage,
Glosava no melhor tom. (21)
E não se deve esquecer
João Celso e Palmério Filho,
Que, na tribuna e na imprensa,
Pontificaram com brilho. (22)


21 - Moysés Sesyom (foto) foi um caicoense, que se radicou no Assu, revelando-se poeta depois dos trinta anos de idade.

A sua força poética brotava na sátira que se expandia através de glosas sobre os mais variados assuntos. Deixou centenas delas, muitas das quais impublicáveis numa edição familiar.

Amigos e admiradores, depois de sua morte, em 1932, recolheram a sua produção, que daria alguns volumes. Francisco Amorim, que o conheceu de perto, publicou, em 1961, um estudo sobre esse famoso poeta popular, sob o título de "Eu Conheci Sesyom".

Para que o leitor tenha uma ideia da espontaneidade e do talento de Sesyom, vamos publicar-lhe uma glosa que tem este mote: 

Bebo, fumo, jogo e danço
Sou perdido por mulher.

Glosa:

Vida longa não alcanço,
Na orgia ou no prazer.
Mas, enquanto eu não morrer
-Bebo, fumo, jogo e danço.
Brinco, farreio, não canso,
Me censure quem quiser...
Enquanto eu vida tiver,
Cumprindo essa sina venho,
E, além dos vícios que tenho,
- Sou perdido por mulher!...

22 - estão aí duas figuras de relevo na vida intelectual do Assu. Ambos poetas, jornalistas e oradores, trabalharam em diversos jornais dos muitos que houve em Assu, até 1930. (A Revolução, pondo fim à República Velha, acabou também com a imprensa na terra que mais jornais tinha possuído no Estado, depois de Natal). 

João Celso Filho nasceu a 5 de setembro de 1886 e faleceu a 14 de novembro de 1943.
Foi um autodidata, exercendo, com invulgar capacidade, o jornalismo, o magistério e a advocacia.

Residiu alguns anos no Pará, onde conviveu com Humberto de Campos, Vespasiano Ramos e outras figuras de destaque nas letras nacionais.
Deixou inédito um livro de poemas.

Palmério Filho foi o seu amigo e companheiro de mais de meio século. Fizeram jornalismo e literatura em geral e, embora tivessem percorrido caminhos diferentes na struggle for life, jamais viveram espiritualmente separados.

Orador vibrante, poderia usar da palavra em qualquer parte onde falassem os doutores, porque os doutores quando o escutavam não lhe regateavam aplausos.

Palmério Filho nasceu a 25 de abril de 1874, falecendo na cidade natal, a 11 de abril de 1958.

Em 1901, fundou o semanário "A Cidade", que circulou até 1930. E sempre destacando, no alto da primeira página, a legenda: "O Jornal mais antigo do interior do Estado, em circulação".
Fonte: Canção da terra dos Carnaubais - Rômulo C. Wanderley.  

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Estou profundamente abalado, consternado com a morte trágica de Eduardo Campos, vítima da fatalidade a mais crua. Era um grande político do Nordeste brasileiro, do pernambuco. Com a sua partida perde o Nordeste e o Brasil. A política brasileira fica mais pobre e deserdada da sua inteligência, do seu talento, da sua disposição de lutar por um país mais justo e feliz. Que Eduardo Campos durma o sono dos justos, dos humanos. Fiquemos nas suas palavras: "Não vamos desistir do Brasil".

Fernando Caldas
Foto: Estou profundamente abalado, consternado com a morte trágica de Eduardo Campos, vítima da fatalidade a mais crua. Era um grande político do Nordeste brasileiro, do pernambuco. Com sua partida perde o Nordeste e o Brasil. A política brasileira fica mais pobre e deserdada da sua inteligência, do seu talento, da sua disposição de lutar por um país mais justo e feliz. Que Eduardo Campos durma o sono dos justos, dos humanos. Fiquemos nas sua palavras: "Não vamos desistir do Brasil".

terça-feira, 12 de agosto de 2014


"Toma-me, ó noite eterna, nos teus braços
E chama-me teu filho.
Eu sou um rei
que voluntariamente abandonei
O meu trono de sonhos e cansaços.
Minha espada, pesada a braços lassos,
Em mãos viris e calmas entreguei;
E meu cetro e coroa - eu os deixei
Na antecâmara, feitos em pedaços
Minha cota de malha, tão inútil,
Minhas esporas de um tinir tão fútil,
deixei-as pela fria escadaria.
Despi a realeza, corpo e alma,
E regressei à noite antiga e calma
Como a paisagem ao morrer do dia."
_______ Fernando Pessoa
em "Abdicação"

De: Ponte de Sonhos

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

João Lins Caldas na solidão da sua casa

Uma das últimas fotos do poeta potiguar João Lins Caldas. Para registrar, esta fotografia ainda se encontra no escritório que era do publicitário João Moacir de Medeiros, da JMM publicidade, do Rio de Janeiro, Moacir ou doutor Medeiros como era conhecido nos meios empresariais, falecido em 2008, era assuense e, além de primo, era entusiasta do grande Caldas. (Foto enviada para o blog por Domingos Sávio de Medeiros Marinho).


Fernando Caldas


domingo, 10 de agosto de 2014

Bela imagem dos sinos da igreja São Pedro, com vista para o açude público de Pataxó, distrito de Ipanguaçu/RN.
Foto: Vista dos sinos da igreja de São Pedro Pataxó ,com vista para o açude.Boa tarde a todos.
Descurtir
De: João Batista

sábado, 9 de agosto de 2014

RECORDAÇÃO DE INFÂNCIA
VELHAS BODEGAS
Ainda criança eu gostava de observar e analisar as casas comerciais e mercearias de Pedro Avelino. Muitos conterrâneos sabem que entre os anos 60 e 70 existiam algumas lojas comerciais e mercearias bem sortidas. Mas eu quero comentar é a respeito das bodegas, aquelas que exalavam um cheirinho tradicional.
Inicialmente gostaria de dizer que as bodegas tinham várias portas abertas, outras, apenas a porta de entrada, logo, deparávamos com um balcão repleto de velhos jornais, alguns litros de raiz de pau, vinho de Jurubeba Leão do Norte, Catuaba, Conhaque de Alcatrão São João da Barra, alguns pacotes de Arrozina, Maisena e sabão em barra exposto nas prateleiras de madeira e também uma lata com torneira contendo querosene.
As paredes eram decoradas com propagandas de pasta dental Kolipe, cartelas de Gillette, creme Bozzano. Alguns remédios como Sulfato Ferroso, Óleo de Peixe Boi, Pílulas de Vida Dr. Ross, Sonrisal e Melhoral. Não faltavam gatos repousando sobre sacos de estopa e perambulando embaixo do balcão.
As bodegas possuíam um cheirinho bem peculiar, bem sortidas, e sobre o balcão, papel almaço e, ao lado, um rolo de fumo e uma velha faca enferrujada, presa em um pedaço de madeira, além de caixões de madeira contendo milho, feijão e farinha. Outras bodegas exalavam um cheiro de carbureto e de querosene com um odor muito forte.
Na minha infância, eu me lembro das bodegas com pavio de candeeiro, lamparina, penico, papel de fumo, cortador de unhas, novelos de linha, óleo em retalho, sabão de coco, confeito de rapadura, feijão, açúcar, farinha, arroz, tudo em litro ou em cuia com a boca do saco arregaçada; rapadura preta, sabonete Vale Quanto Pesa, Gessy e Palmolive, café em grão, Café Vencedor, Café São Luís, querosene Jacaré, biscoito em lata, anzol, chumbo, espoleta, pólvora, canivete, mamadeira, chupeta, liga de baladeira, parafuso, porca, prego, alicate, marreta, martelo, lanterna, pilha, foquito, tinta, cola, breu, corda, cordão, barbante, caderno de caligrafia, caderneta, tabuada, cartilha do ABC, linha, botão, agulha, bobina, panela de alumínio e tantos outros produtos que eu não me recordo.
Eu como sempre fui um menino observador e, hoje, saudosista, faço essa homenagem a todos que tiveram bodega no nosso município:

'Velha bodega
De tempos antigos
Que não voltam mais,
Te louvo agora
Para preservar
As raízes culturais',

Marcos Calaça, jornalista matuto (UFRN)

Antigos documentos do Banco do Brasil de Assu/RN. Do acervo de Edmilson Lins Caldas e Sandoval Martins. 



sexta-feira, 8 de agosto de 2014

Versos Escritos N'água

Os poucos versos que aí vão,
Em lugar de outros é que os ponho.
Tu que me lês, deixo ao teu sonho
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza
Ou bem teu júbilo, e, talvez,
Lhes acharás, tu que me lês,
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou.
Meus pobres versos comovidos!
Por isso fiquem esquecidos
Onde o mau vento os atirou.

*Manuel Bandeira.

imagem s/créditos
Da linha do tempo de YD
Foto: Versos Escritos N'água

Os poucos versos que aí vão, 
Em lugar de outros é que os ponho. 
Tu que me lês, deixo ao teu sonho 
Imaginar como serão.

Neles porás tua tristeza 
Ou bem teu júbilo, e, talvez, 
Lhes acharás, tu que me lês, 
Alguma sombra de beleza...

Quem os ouviu não os amou. 
Meus pobres versos comovidos! 
Por isso fiquem esquecidos 
Onde o mau vento os atirou.

*Manuel Bandeira.

imagem s/créditos

 Um soneto de João Lins Caldas na imprensa carioca.